sexta-feira, 8 de maio de 2026

PF pediu volta de Vorcaro ao presídio federal de Brasília

 


A Polícia Federal pediu a volta do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, para o presídio federal de Brasília. Atualmente, ele se encontra preso na superintendência da PF no Distrito Federal. A solicitação está no gabinete do ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, que ainda não tomou uma decisão sobre o assunto.

O pedido foi feito em 24 de abril - portanto, antes da defesa de Vorcaro entregar uma proposta de delação premiada à PF e à Procuradoria-Geral da República (PGR) nesta terça-feira. De acordo com fontes a par do assunto, a medida indica a insatisfação dos investigadores com a demora de Vorcaro em entregar os anexos de sua colaboração.

Após uma primeira leitura do material apresentado nesta semana, os investigadores classificaram como "insuficientes" os detalhes fornecidos pelo banqueiro. A PF já deixou claro que não pretende assinar o acordo se Vorcaro não entregar informações inéditas sobre as irregularidades praticadas pelo Master.

Segundo a coluna da Malu Gaspar, a proposta de delação de Vorcaro não incluiu informações sobre os pagamentos mensais de até R$ 500 mil supostamente feitos por ele ao senador Ciro Nogueira (PP-PI). Conforme as investigações, as vantagens indevidas teriam sido pagas em troca da atuação de Ciro no Senado em favor de interesses privados do banqueiro. Essas informações constam da decisão de Mendonça, que autorizou hoje mandados de busca e apreensão em endereços do parlamentar na nova fase da Operação Compliance Zero.

Em nota, a defesa do senador repudiou "qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar" e disse que ele está a disposição da Justiça para esclarecer as suspeitas.

"[A defesa] reitera o comprometimento do Senador em contribuir com a Justiça, a fim de esclarecer que não teve qualquer participação em atividades ilícitas e nos fatos investigados, colocando-se à disposição para esclarecimentos. Pondera, por fim, que medidas investigativas graves e invasivas tomadas com base em mera troca de mensagens, sobretudo por terceiros, podem se mostrar precipitadas e merecem a devida reflexão e controle severo de legalidade, tema que deverá ser enfrentado tecnicamente pelas Cortes Superiores muito em breve, assim como ocorreu com o uso indiscriminado de delações premiadas", diz o texto assinado pelo advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay.

Histórico de prisões

Vorcaro foi preso pela primeira vez em novembro de 2025, quando tentava embarcar em um jatinho com destino a Dubai, nos Emirados Árabes. A PF entendeu que se tratava de uma tentativa de fuga. O mandado foi cumprido no âmbito da Operação Compliance Zero, que investigava um suposto esquema de fraudes do Master estimadas em R$ 12 bilhões.

Um dia depois da prisão do seu dono, o Banco Master foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em razão de uma crise de liquidez e insolvência financeira. Essa decisão deflagrou a maior operação de resgate da história do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) - mais de R$ 50 bilhões.

Vorcaro viria a ser liberado da prisão no fim de novembro. No mês seguinte, o ministro do STF Dias Toffoli acatou a um pedido da defesa de Vorcaro e remeteu o processo ao Supremo sob a sua relatoria, além de decretar sigilo máximo sob os autos.

Em fevereiro de 2026, Toffoli deixou o caso após a PF encontrar menções a ele no celular de Vorcaro. O magistrado foi substituído pelo ministro André Mendonça, que em março decidiu prender novamente Vorcaro.

Para justificar a nova prisão do banqueiro, Mendonça atendeu a um pedido da Polícia Federal que o apontava como líder de uma organização criminosa voltada a vigiar e intimidar pessoas que contrariavam os interesses do Master. A defesa de Vorcaro sempre negou todas as irregularidades, mas começou a negociar uma delação premiada a partir daquele mês.

O Globo

 

 

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