A citação à atuação da família Bolsonaro na nota em
que o governo brasileiro reage à decisão dos Estados Unidos de classificar as
facções Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como
organizações terroristas teve um cálculo político. A inclusão foi sugerida pelo
ministro da Secretaria de Comunicação Social, o marqueteiro Sidônio Palmeira, e
avalizada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que cumpre agenda em
Sergipe nesta sexta-feira.
Na avaliação de interlocutores do ministro, a inclusão
teve como objetivo evidenciar que a decisão dos EUA teve interferência direta
dos Bolsonaro. Sidônio foi responsável pela comunicação da campanha de Lula em
2022.
O governo atribui a designação das facções
brasilerias como organizações terroristas internacionais como fruto da visita
que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato ao Planalto, fez a Donald
Trump e ao secretário americano de Estado, Marco Rubio, nesta semana.
Flávio e aliados comemoraram a iniciativa de Trump.
A avaliação do Planalto é que a adoção dessa medida pode produzir consequências
sensíveis sobre a soberania nacional e sobre a forma de atuação bilateral em
segurança. A principal preocupação do governo Lula não está relacionada às
organizações criminosas em si, mas aos efeitos jurídicos, diplomáticos e
institucionais que uma designação dessa natureza pode desencadear.
“É deplorável que mais uma vez integrantes da
família Bolsonaro viajem aos Estados Unidos para defender intervenção
estrangeira no Brasil, como já fizeram no tarifaço, que causou tantos danos ao
nosso país”, diz a nota.
Instantes antes da divulgação da nota, ministros do
governo se reuniram no Palácio do Planalto para uma reunião que definiu a linha
de reação do governo anúncio de que os Estados Unidos. Em viagem ao Sergipe,
Lula, no entanto, já havia avalizado a nota.
“A segurança da nossa população é importante demais
para ser manipulada politicamente por traidores que tentam confundir esses
conceitos. Por falsos patriotas, envolvidos com o crime organizado, que pedem a
autoridades estrangeiras a interferência em assuntos brasileiros.”
O governo levou quase 18 horas para reagir a decisão
do Departamento de Estado Americano. A calibragem do tom da reação levou em
consideração uma preocupação principal, de que a resposta do governo passe a
imagem de que a gestão petista defende bandidos, no momento em que Lula tem
endurecido o discurso contra o crime organizado.
O Globo

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