A idosa Maria das Dores do Nascimento Batista, de 84
anos, morreu na noite dessa segunda-feira (25) em Natal. Ela estava internada
desde o fim de abril, com quadro de suspeita de intoxicação por ciguatera,
depois de passar mal após consumir peixe.
Segundo familiares, o pescado teria sido comprado em
uma feira livre da capital e preparado para um almoço. A ciguatera é uma
intoxicação alimentar causada pelo consumo de peixes que vivem em áreas de
corais e recifes contaminados por ciguatoxinas. Peixes pequenos comem essas
algas e acabam passando a toxina para os peixes maiores e carnívoros. Quando o
ser humano consome um desses pescados de médio ou grande porte, a intoxicação
acontece, podendo causar sintomas que variam de enjoos a problemas
neurológicos.
O corpo de Maria das Dores foi velado em Sítio
Ponciana, comunidade da cidade de Alto do Rodrigues, onde ela morava, no
interior do Rio Grande do Norte. O enterro estava marcado para as 16h no
Cemitério Municipal João Mucuripe.
De acordo com a Secretaria Estadual da Saúde Pública
(Sesap), 131 casos de ciguatera foram registrados neste ano no Rio Grande do
Norte. Desses, 20 foram casos confirmados em laboratório (análise do pescado
consumido). Ainda segundo a pasta, nenhum óbito por ciguatera foi confirmado e,
atualmente, existem 64 pessoas com suspeita da intoxicação.
Ciguatera
As ciguatoxinas que provocam a ciguatera são
incolores, inodoras e insípidas, não sendo eliminadas por métodos convencionais
de cozimento, congelamento, salga e defumação. Uma vez presente no pescado, a
toxina permanece ativa mesmo após preparo e digestão. As maiores concentrações
das toxinas estão presentes na cabeça, vísceras e ovas dos peixes.
Não existe tratamento específico ou antídoto para a
Ciguatera. O manejo baseia-se em medidas de suporte e tratamento sintomático,
incluindo hidratação, analgesia, controle de náuseas e acompanhamento clínico.
Sintomas
Os principais sinais e sintomas aparecem entre 30
minutos e 24 horas após a ingestão do pescado contaminado, caracterizados por:
dor abdominal, náuseas, vômitos, diarreia, dores de cabeça, cãibras, coceira
intensa, fraqueza muscular, visão turva e gosto metálico na boca, podendo
persistir por semanas ou meses.
De acordo com a Nota Técnica da Sesap, as principais
recomendações à população são: procurar imediatamente os serviços de saúde
diante de sintomas compatíveis, informando o consumo de pescado nas últimas 48
horas; identificar a espécie consumida e preservar sobras do pescado,
acondicionadas e congeladas, para posterior coleta pela Vigilância Sanitária; e
evitar o consumo de pescados associados a relatos de intoxicação por Ciguatera,
especialmente aqueles de procedência desconhecida.
As equipes de Saúde devem notificar os casos
suspeitos no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), à
Secretaria Municipal de Saúde e à Secretaria Estadual de Saúde (CIEVS,
CIATOX/RN, Vigilância Epidemiológica e Vigilância Sanitária).
O Centro de Informação e Assistência Toxicológica do
RN (CIATOX-RN) pode ser acionado em caso de dúvidas sobre a condução do caso. O
Ciatox funciona em regime de plantão 24 horas por meio dos telefones 0800 281
7005 | WhatsApp (84) 98883-9155.

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