A Brava Energia, atual operadora da Refinaria Clara
Camarão, em Guamaré, aplicou um novo reajuste no preço da gasolina A nesta
quinta-feira (21). Com o acréscimo de R$ 0,20 em comparação à semana anterior,
o valor cobrado pelo litro do combustível passou de R$ 4,02 para R$ 4,22. Essa
nova alta consolida a escalada progressiva nos preços da unidade que, em um
intervalo de apenas 91 dias, já acumula um aumento de R$ 1,71, equivalente a um
salto de 68,12% desde fevereiro.
No início da noite desta quinta-feira (21), a reportagem da TRIBUNA DO NORTE
percorreu alguns postos e constatou que os preços não haviam sofrido
alterações. Os valores por litro, em postos das zonas Leste e Sul de Natal,
variavam entre R$ 6,79 e R$ 7,02.
Enquanto o diesel A S500 manteve-se estável nesta semana (cotado a R$ 4,98 na
modalidade EXA e R$ 4,99 na LCT), a disparada da gasolina, que custava R$ 2,51
em 19 de fevereiro, acende um alerta na economia do Rio Grande do Norte.
Por se tratar de um reajuste na gasolina A (antes da mistura obrigatória com o
etanol anidro e da incidência de impostos e margens de lucro), o impacto real
nas bombas dos postos potiguares ainda depende da renovação dos estoques das
distribuidoras. No entanto, especialistas e representantes do setor já preveem
um inevitável efeito cascata sobre os custos de logística, frete e no bolso do
consumidor final.
Segundo o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de
Petróleo do RN (Sindipostos), Maxwell Flor, a refinaria reajustou os preços
para os produtos vendidos a partir desta quinta (21). “Como ela revende para as
distribuidoras, e as distribuidoras é que revendem aos postos, dependemos da
renovação do estoque de ambos para que haja um reflexo nas bombas. Além disso,
como não existe um tabelamento, não podemos prever de quanto será o aumento nas
bombas, e até mesmo se esse reajuste será repassado”, destaca.
Conforme o presidente, além da própria gasolina, o etanol anidro também tem
impactado no preço do produto. “Como estamos na entressafra aqui no estado,
temos que trazer esse etanol de outros estados, principalmente da região
Centro-Oeste. Além disso, a própria carga tributária tem um peso alto na
composição de preços. Hoje o consumidor paga R$ 1,57 de ICMS e quase 70
centavos de impostos federais a cada litro abastecido”, aponta.
Impactos na economia
De
acordo com Breno Roos, professor de Economia da UFRN, com a alta de 68% na
refinaria, os preços têm subido de forma mais agressiva que os preços das
refinarias da Petrobras. “Ela está funcionando como um terminal de descarga e
armazenamento de derivados oriundos de importação. Como ela não produz
derivados, o preço de importação está sujeito às oscilações do mercado
internacional, do dólar, de tributos e fretes, ou seja, uma estrutura de custos
muito mais onerosa do que as refinarias da Petrobras”, explica.
Segundo o economista Helder Cavalcanti, o cenário internacional do petróleo e
do dólar continua pressionado por fatores geopolíticos. “O mercado de petróleo
é extremamente volátil e responde rapidamente a eventos internacionais. Hoje
existem dois cenários possíveis: a persistência das tensões internacionais e a
estabilização do petróleo e do câmbio, permitindo uma acomodação dos preços nas
próximas semanas”, aponta.
Helder Cavalcanti pontua ainda que, quando o preço do etanol está mais
competitivo, ele ajuda a reduzir parte do impacto provocado pelas altas da
gasolina A. “No cenário atual, o etanol tem contribuído para amenizar
parcialmente os efeitos dos reajustes da refinaria, mas não em intensidade
suficiente para neutralizar aumentos tão expressivos acumulados”, conclui.

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