O empresário Flávio Rocha, presidente do Conselho de
Administração do Grupo Guararapes, controlador da Riachuelo, afirmou no sábado
(23) que o fim da escala 6x1 terá impacto direto sobre os preços e o emprego no
Brasil. A declaração foi feita durante o Fórum Brasil 2026, no Guarujá (SP).
Segundo Rocha, projeções internas da companhia
estimam aumento geral de 13% nos custos. No varejo, setor mais intensivo em mão
de obra, o impacto chegaria a 20%. "Isso vai precisar ser repassado aos
preços, para preservar margens, ou levará à redução do número de
empregados", afirmou ao Estadão.
O empresário argumentou que a escala 5x2 já é
adotada voluntariamente por grande parte das empresas e que transformá-la em
regra geral engessaria setores que dependem de flexibilidade, como indústria,
restaurantes e salões de beleza. Para ele, a mudança deveria vir de negociação
entre empregadores e empregados, não de imposição legislativa.
A fala ganha contorno político. Rocha se filiou ao
partido Novo em abril e é pré-candidato ao Senado pelo Rio Grande do Norte em
2026. Pesquisa Metadata/Grupo Dial de 13 de maio já o incluiu no levantamento
estimulado, onde apareceu com 3,3%, em empate técnico com o Coronel Hélio (PL),
que registrou 4,7%.
O Novo apresenta Rocha como um nome de pauta
econômica e liberal, buscando diferenciá-lo da polarização ideológica no
estado. Ao se posicionar contra uma bandeira do governo Lula com forte apelo
popular, o dono da Riachuelo demarca seu território: à direita, com discurso
ancorado na defesa do livre mercado e do setor produtivo.
A proposta de fim da escala 6x1 segue em tramitação
no Congresso. O presidente Lula e o presidente da Câmara, Hugo Motta, devem se
reunir para definir o cronograma de transição da medida.

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