O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG)
apresentou nesta semana um posicionamento que rompe com a polarização
tradicional em torno do fim da escala 6x1. Em vez de rejeitar a proposta, ele
declarou apoio à medida, mas com uma contrapartida: o aumento de custo não pode
recair sobre as empresas, e sim ser absorvido pelo governo federal via corte de
gastos e desoneração da folha de pagamento.
"A mudança da escala precisa beneficiar o
trabalhador: para ele ter tempo de cuidar da família, da sua fé e
relaxar", afirmou o parlamentar. Segundo ele, simplesmente empurrar a
conta para o empresariado tende a gerar o efeito oposto ao pretendido. "O
resultado pode ser desemprego, informalidade e crise. E desemprego e recessão
não vai deixar ninguém relaxado nem cuidando dos seus."
O núcleo da crítica é dirigido à esquerda, a quem
Nikolas acusa de vender a pauta como defesa do trabalhador sem assumir o ônus
fiscal da medida. "A esquerda quer vender a proposta como defesa do
trabalhador, mas fazendo caridade com o chapéu dos outros: a gente libera, o
empreendedor paga", afirmou. A fala ataca diretamente o desenho atual do
projeto enviado pelo Executivo ao Congresso, que transfere integralmente o
custo da transição ao setor produtivo.
Como alternativa, o deputado anunciou emenda que
vincula o fim da escala 6x1 a medidas de ajuste fiscal e à desoneração
tributária das empresas, de modo que a União compense a redução da jornada sem
pressionar a folha. "Fazendo economia e desonerando folha de pagamento,
conseguimos garantir mais descanso para quem precisa", defendeu. A
proposta, na prática, condiciona o avanço do direito trabalhista a um
contrapeso de responsabilidade fiscal.
O movimento é politicamente astuto: destrava um tema
popular, normalmente capturado pela esquerda, sem abrir flanco com a base
empresarial bolsonarista. "Direito social sério se faz com
responsabilidade. Mais descanso, sim. Quebradeira e desemprego, não",
resumiu. A emenda agora entra na fila de discussão do projeto no Congresso e
deve reabrir o debate sobre quem, afinal, paga a conta da redução da jornada no
Brasil.

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