A janela partidária deste ano reforçou o peso do PL
na Câmara dos Deputados, com a legenda ultrapassando a marca de 100
parlamentares e se aproximando de seu maior patamar histórico. O movimento ocorre
em meio à articulação eleitoral para 2026 e à pré-campanha do senador Flávio
Bolsonaro à Presidência.
Levantamento com base em dados da Câmara e dos
próprios partidos indica que o PL saltou de 86 para 101 deputados no período de
um mês em que foi permitida a troca de sigla sem punições. Foram 22 novos
filiados e sete saídas, com adesões concentradas nos últimos dias do prazo. A
tendência é que o partido consolide a maior bancada desde 1998, quando o então
PFL alcançou 105 cadeiras.
No campo governista, o Partido dos Trabalhadores
manteve praticamente o mesmo tamanho de bancada, mesmo estando à frente do
Executivo federal. A sigla passou de 67 para 66 deputados.
Ao todo, cerca de 120 parlamentares trocaram de
partido durante a janela. Os números ainda podem sofrer ajustes com a
formalização da nova composição da Casa nos próximos dias.
O avanço do PL ocorreu, em grande parte, sobre
quadros do União Brasil, que atravessa um período de instabilidade interna. A
legenda perdeu espaço após conflitos regionais ligados à federação com o PP e
também por desgastes envolvendo dirigentes citados em investigações relacionadas
ao Banco Master.
No Rio Grande do Norte, uma mudança dessa natureza
aconteceu: a deputada Carla Dickson saiu do União Brasil e ingressou no PL.
Para o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, a
principal explicação para o crescimento está na força política do ex-presidente
Jair Bolsonaro e na mobilização para a disputa eleitoral. “O que explica isso é
o prestígio do (Jair) Bolsonaro. Tivemos que abrir mão de algumas vagas (de
deputados que queriam se filiar) para outros partidos, porque precisamos deles
com o Flávio. Todos entram comprometidos em ajudar nos palanques nos estados”,
afirmou.
Além de Carla Dickson, entre os nomes que migraram
para o PL estão Alfredo Gaspar (AL), Dani Cunha (RJ), Rosângela Moro (PR) e
Rodrigo Valadares (SE), muitos deles oriundos do União Brasil.
A janela também registrou episódios de intensa
movimentação individual. O deputado Padovani (PR), por exemplo, anunciou saída
do União Brasil para o PL, depois comunicou filiação ao Republicanos e, por
fim, optou pelo PP. “O processo é muito dinâmico”, disse.
O União Brasil deve ser o partido mais afetado, com
a bancada encolhendo de 59 para 44 deputados, resultado de 25 saídas e apenas
dez entradas. O desempenho expõe dificuldades na consolidação da federação com
o PP, que, embora concebida para fortalecer o bloco, ampliou disputas internas
por espaço político.
Nos bastidores, dirigentes admitem dificuldades de
articulação nacional e tendência de neutralidade na eleição presidencial, o que
tem levado parte dos parlamentares a migrar para siglas com posicionamento mais
definido, como o PL.
O desgaste recente envolvendo lideranças da
federação também pesou nas decisões. A vinculação de dirigentes ao banqueiro
Daniel Vorcaro, do Banco Master, citado em investigações, aumentou a pressão
interna. “Político vive de reputação. Tudo que é colocado e pode gerar desgaste
de imagem afeta. Você vê um mundo de denúncias que está aí hoje, envolvendo
inclusive a classe política e é óbvio que podendo evitar proximidade com isso,
você vai procurar um grupo em que se sinta mais confortável e que tenha menos
que se explicar”, afirmou o deputado Danilo Forte (CE), que deixou o União
Brasil.
No Senado, o União também perdeu espaço. Além de
Sergio Moro, que se aproximou do PL, e de Efraim Filho (PB), que deixou a sigla
para disputar o governo estadual, a bancada foi reduzida de oito para três
integrantes.
Apesar das perdas, o presidente do União Brasil,
Antonio Rueda, minimizou o impacto. “Calculo um saldo negativo mais baixo, de
cinco ou seis. O principal motivo é a federação, que impactou regionalmente. O
PL realmente sai muito forte”, afirmou.
Já o PP, parceiro na federação, deve ampliar sua
bancada de 50 para 54 deputados. O PSD tende a permanecer com cerca de 47
parlamentares, enquanto o PSDB busca recuperação após o desempenho eleitoral de
2022 e deve alcançar 19 cadeiras.
“Somos o único partido que não se curvou ao
bolsonarismo e ao lulopetismo. Estou buscando resgatar esse sentimento de que é
possível furar a polarização e reabrir essa avenida do centro”, afirmou o
deputado Aécio Neves, presidente do PSDB.
No campo da esquerda, o PSB deve crescer de 16 para
20 deputados, mas o bloco governista segue dependente de partidos de centro
para formar maioria. “Fechamos essa janela partidária dando um recado político
claro do compromisso com o Brasil e com a reeleição de Lula”, afirmou o
presidente da legenda, João Campos.
VAIVÉM PARTIDÁRIO
Como ficaram as bancadas após a janela partidária
PL: 86 → 101 (+15)
Pode: 16 → 24 (+8)
PSDB: 14 → 19 (+5)
PP: 50 → 54 (+4)
PSB: 16 → 20 (+4)
União Brasil: 59 → 44 (-15)
PDT: 16 → 6 (-10)
MDB: 42 → 37 (-5)
Republicanos: 44 → 41 (-3)
PRD: 5 → 2 (-3)
PSD: 47 → 47 (0)
Novo: 5 → 5 (0)
PT: 67 → 66 (-1)
PSOL: 11 → 12 (+1)
PCdoB: 9 → 10 (+1)
Solidariedade: 5 → 6 (+1)
PV: 4 → 5 (+1)
Rede: 4 → 5 (+1)
Avante: 8 → 4 (-4)
Cidadania: 4 → 2 (-2)
Missão: 0 → 1 (+1)
Sem partido: 1 → 2 (+1)
Fonte: Câmara dos Deputados e partidos (dados preliminares)

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