segunda-feira, 6 de abril de 2026

PL ultrapassa 100 deputados após janela partidária e amplia bancada na Câmara

 


A janela partidária deste ano reforçou o peso do PL na Câmara dos Deputados, com a legenda ultrapassando a marca de 100 parlamentares e se aproximando de seu maior patamar histórico. O movimento ocorre em meio à articulação eleitoral para 2026 e à pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro à Presidência.

Levantamento com base em dados da Câmara e dos próprios partidos indica que o PL saltou de 86 para 101 deputados no período de um mês em que foi permitida a troca de sigla sem punições. Foram 22 novos filiados e sete saídas, com adesões concentradas nos últimos dias do prazo. A tendência é que o partido consolide a maior bancada desde 1998, quando o então PFL alcançou 105 cadeiras.

No campo governista, o Partido dos Trabalhadores manteve praticamente o mesmo tamanho de bancada, mesmo estando à frente do Executivo federal. A sigla passou de 67 para 66 deputados.

Ao todo, cerca de 120 parlamentares trocaram de partido durante a janela. Os números ainda podem sofrer ajustes com a formalização da nova composição da Casa nos próximos dias.

O avanço do PL ocorreu, em grande parte, sobre quadros do União Brasil, que atravessa um período de instabilidade interna. A legenda perdeu espaço após conflitos regionais ligados à federação com o PP e também por desgastes envolvendo dirigentes citados em investigações relacionadas ao Banco Master.

No Rio Grande do Norte, uma mudança dessa natureza aconteceu: a deputada Carla Dickson saiu do União Brasil e ingressou no PL.

Para o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, a principal explicação para o crescimento está na força política do ex-presidente Jair Bolsonaro e na mobilização para a disputa eleitoral. “O que explica isso é o prestígio do (Jair) Bolsonaro. Tivemos que abrir mão de algumas vagas (de deputados que queriam se filiar) para outros partidos, porque precisamos deles com o Flávio. Todos entram comprometidos em ajudar nos palanques nos estados”, afirmou.

Além de Carla Dickson, entre os nomes que migraram para o PL estão Alfredo Gaspar (AL), Dani Cunha (RJ), Rosângela Moro (PR) e Rodrigo Valadares (SE), muitos deles oriundos do União Brasil.

A janela também registrou episódios de intensa movimentação individual. O deputado Padovani (PR), por exemplo, anunciou saída do União Brasil para o PL, depois comunicou filiação ao Republicanos e, por fim, optou pelo PP. “O processo é muito dinâmico”, disse.

O União Brasil deve ser o partido mais afetado, com a bancada encolhendo de 59 para 44 deputados, resultado de 25 saídas e apenas dez entradas. O desempenho expõe dificuldades na consolidação da federação com o PP, que, embora concebida para fortalecer o bloco, ampliou disputas internas por espaço político.

Nos bastidores, dirigentes admitem dificuldades de articulação nacional e tendência de neutralidade na eleição presidencial, o que tem levado parte dos parlamentares a migrar para siglas com posicionamento mais definido, como o PL.

O desgaste recente envolvendo lideranças da federação também pesou nas decisões. A vinculação de dirigentes ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, citado em investigações, aumentou a pressão interna. “Político vive de reputação. Tudo que é colocado e pode gerar desgaste de imagem afeta. Você vê um mundo de denúncias que está aí hoje, envolvendo inclusive a classe política e é óbvio que podendo evitar proximidade com isso, você vai procurar um grupo em que se sinta mais confortável e que tenha menos que se explicar”, afirmou o deputado Danilo Forte (CE), que deixou o União Brasil.

No Senado, o União também perdeu espaço. Além de Sergio Moro, que se aproximou do PL, e de Efraim Filho (PB), que deixou a sigla para disputar o governo estadual, a bancada foi reduzida de oito para três integrantes.

Apesar das perdas, o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, minimizou o impacto. “Calculo um saldo negativo mais baixo, de cinco ou seis. O principal motivo é a federação, que impactou regionalmente. O PL realmente sai muito forte”, afirmou.

Já o PP, parceiro na federação, deve ampliar sua bancada de 50 para 54 deputados. O PSD tende a permanecer com cerca de 47 parlamentares, enquanto o PSDB busca recuperação após o desempenho eleitoral de 2022 e deve alcançar 19 cadeiras.

“Somos o único partido que não se curvou ao bolsonarismo e ao lulopetismo. Estou buscando resgatar esse sentimento de que é possível furar a polarização e reabrir essa avenida do centro”, afirmou o deputado Aécio Neves, presidente do PSDB.

No campo da esquerda, o PSB deve crescer de 16 para 20 deputados, mas o bloco governista segue dependente de partidos de centro para formar maioria. “Fechamos essa janela partidária dando um recado político claro do compromisso com o Brasil e com a reeleição de Lula”, afirmou o presidente da legenda, João Campos.

VAIVÉM PARTIDÁRIO

Como ficaram as bancadas após a janela partidária

PL: 86 → 101 (+15)
Pode: 16 → 24 (+8)
PSDB: 14 → 19 (+5)
PP: 50 → 54 (+4)
PSB: 16 → 20 (+4)
União Brasil: 59 → 44 (-15)
PDT: 16 → 6 (-10)
MDB: 42 → 37 (-5)
Republicanos: 44 → 41 (-3)
PRD: 5 → 2 (-3)
PSD: 47 → 47 (0)
Novo: 5 → 5 (0)
PT: 67 → 66 (-1)
PSOL: 11 → 12 (+1)
PCdoB: 9 → 10 (+1)
Solidariedade: 5 → 6 (+1)
PV: 4 → 5 (+1)
Rede: 4 → 5 (+1)
Avante: 8 → 4 (-4)
Cidadania: 4 → 2 (-2)
Missão: 0 → 1 (+1)
Sem partido: 1 → 2 (+1)

Fonte: Câmara dos Deputados e partidos (dados preliminares)

 

 

 

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