Uma pesquisa do Serasa Experian identificou que o
número de empresas em recuperação judicial no Brasil bateu recorde em 2025. No
ano passado, 2.466 empresas entraram na Justiça com processos para reestruturar
as contas. Os dados são do Indicador de Falências e Recuperações Judiciais, da
Serasa Experian.
A metodologia também separa os processos realizados
ao longo do ano e a quantidade de CNPJs em recuperação judicial. Isso porque,
em uma única ação, pode estar incluída mais de uma empresa.
Assim, a quantidade de processos também avançou em
2025 para 977, alta de 5,5%, o que revela uma média de 53 recuperações
judiciais por mês. Pela ótica dos CNPJs, 103 empresas entraram em RJ
mensalmente.
Analistas explicam que a taxa de juros elevada e um
crédito mais seletivo são os principais fatores que asfixiam o caixa das
empresas. Um levantamento mostrou que o endividamento apenas das empresas de
capital aberto no Brasil já alcança R$ 2,3 trilhões.
Dentre os segmentos, a Agropecuária se destacou com
30,1% (743 empresas) que buscaram pela recuperação judicial, seguido pelo setor
de Serviços com 30% (739). Em seguida, vieram Comércio (21,7%; 535 CNPJs) e
Indústria (18,2%; 449 empresas).
Na comparação com 2024, houve avanço nas RJs do
setor Agropecuário de 3,8 pontos percentuais, enquanto serviços teve leve alta
de 0,6%. Comércio e Indústria registraram perdas de 2,4 p.p e 2 p.p,
respectivamente.
No acumulado de 2012 a 2025, Agropecuária saltou de
1,3% para 30,1%, enquanto Comércio e Indústria registraram queda de 9,5% e
16,2%, respectivamente. Serviços manteve participação próxima, de 33,1% para
30,0%.
"A agropecuária opera sob um conjunto de riscos
climáticos e biológicos. Isso se soma a choques de preços de commodities,
insumos dolarizados como, fertilizantes e defensivos, exposição cambial e um
ciclo financeiro mais longo de safra–entressafra. Isso amplifica a volatilidade
de receita e caixa, tornando a recuperação judicial um instrumento para
preservar operação e emprego”, explicou Camila Abdelmalack, economista-chefe do
Serasa Experian.
Inadimplência alta e pedidos de falência
Outro dado relevante é o número de empresas
inadimplentes em janeiro de 2026: 8,7 milhões de CNPJs negativados, com dívida
média de R$ 23.138,40 e cerca de 7 restrições por CNPJ negativado.
"Em geral, a inadimplência costuma anteceder os
movimentos de recuperação judicial, o que nos deixa em estado de alerta para as
próximas leituras”, afirmou a economista-chefe.
Os pedidos de falência, no entanto, registraram
queda. Segundo os dados, em 2025 foram registrados 698 CNPJs com pedidos de
falência, recuo de 19% na comparação com 2024. O total de 2025 também permanece
muito abaixo de 2012 (1.810 CNPJs), baixa de 61% no período de 13 anos.
CNN Brasil
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