Aliados do governo se articularam nesta terça-feira,
14, para barrar o relatório final da CPI do Crime Organizado que pede o
indiciamento e a abertura de processo de impeachment contra três ministros do
Supremo Tribunal Federal (STF) e contra o procurador-geral da República, Paulo
Gonet.
Os governistas conseguiram mudar parte dos
integrantes do colegiado. Saíram três senadores que votariam a favor do
documento e entraram no lugar deles outros três parlamentares orientados a dar
voto contrário.
A mobilização atendeu a uma pressão de integrantes
do STF que acabaram como os principais alvos do relatório do senador Alessandro
Vieira (MDB-SE). Prevista para a manhã desta terça, a reunião convocada para
apresentação e votação do relatório chegou a ser adiada para esta tarde.
A CPI tem 11 senadores titulares, dos quais dez
votam, e sete suplentes. Com as mudanças, o placar previsto é de quatro votos
favoráveis ao texto de Alessandro Vieira e seis contrários.
Saíram: Sérgio Moro (PL-PR), Wellington Fagundes
(PL-MT), Jorge Kajuru (PSB-GO) e Marcos do Val (Avante-ES). Moro, Kajuru e Do
Val eram titulares e votariam a favor do relatório.
Entraram: Beto Faro (PT-PA), Marcos Rogério (PL-RO),
Soraya Thronicke (PSB-MS) e Teresa Leitão (PT-PE). Os dois petistas e Soraya se
tornaram titulares e vão votar contra o texto de Alessandro Vieira.
As substituições se deram a partir de pressão do
governo sobre os líderes dos blocos partidários que indicam os membros da CPI.
No caso de Sérgio Moro, por exemplo, ele fazia parte
do bloco Parlamentar Democracia quando era filiado ao União Brasil. Como migrou
ao PL para disputar a eleição a governador do Paraná, a liderança do bloco,
composto por MDB, PSDB, Podemos e União, aproveitou para retirá-lo hoje, e com
isso Moro perdeu o assento na CPI.
O líder do bloco era Efraim Filho (União-PB), que
também migrou para o PL. A determinação da troca se deu por meio de Eduardo
Braga (MDB-AM), aliado do governo e líder do MDB no Senado, o maior partido do
bloco.
O PSB e o PSD formam o bloco Resistência
Democrática, liderado pela senadora Eliziane Gama (PSD-MA), aliada do governo.
Soraya é governista e a entrada dela no lugar de Kajuru garante um voto a mais
conforme os interesses do Palácio do Planalto.
O pedido de indiciamento contra ministros do STF é
inédito na história das CPIs do Congresso.
Estadão Conteúdo

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