Não é piada, embora pareça. Para tentar segurar os
preços dos combustíveis que sufocam o bolso do brasileiro, o Governo Federal
quer aumentar a mistura de etanol anidro na gasolina. Hoje, com o chamado E30,
cada litro de "gasolina" que você paga na bomba já contém apenas 700
ml de gasolina de verdade. Os outros 300 ml são álcool. Mas o governo quer
mais: o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, anunciou que pretende
elevar a mistura para 32% (E32) ainda no primeiro semestre de 2026. Na prática,
de cada litro que o consumidor pagar como gasolina, apenas 680 ml serão de fato
gasolina. O resto é álcool.
E não para por aí. A Lei do Combustível do Futuro
(14.993/24), sancionada pelo próprio Lula, já autoriza a mistura a chegar até
35% (E35). Se isso acontecer, o litro de "gasolina" terá apenas 650
ml de gasolina. O argumento oficial é bonito: redução de emissões, uso de
energia renovável, fortalecimento do setor sucroenergético. Mas o efeito
prático no bolso do brasileiro é outro: você continua pagando o litro cheio, só
que recebe cada vez menos gasolina dentro dele. É a reduflação, que já encolheu
o pacote de bolacha, o pote de sorvete e o saco de café, chegando agora ao
posto de combustível.
O Ministério de Minas e Energia prometeu que a
mudança do E27 para o E30 reduziria o preço em até R$ 0,11 por litro. Mas o que
não dizem é que o etanol tem cerca de 30% menos poder calorífico que a gasolina
pura. Mais álcool no tanque significa menos quilômetros rodados por litro.
Segundo testes do Instituto Mauá de Tecnologia, cada aumento na proporção de
etanol eleva o consumo do veículo entre 1% e 3%. A economia no visor da bomba
vira prejuízo no tanque.
Enquanto isso, o país que tem o pré-sal, que é um
dos maiores produtores de petróleo do mundo e que cobra uma das gasolinas mais
caras do planeta continua sem enfrentar as causas reais do problema: carga
tributária brutal, política de preços da Petrobras, custo logístico e
desvalorização do real. Em vez de solução, o governo oferece ilusão de ótica e
álcool no tanque.
O cidadão que ganha um salário mínimo e roda 30 km
por dia para trabalhar não quer truque de prateleira de supermercado no posto
de gasolina. Quer política energética séria. O Brasil não precisa de litro
reduzido nem de gasolina aguada, precisa de governo reduzido no tamanho, no
gasto e na criatividade para enganar quem paga a conta.
Esse texto foi copiado do Blog do Gustavo Negreiros

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