sábado, 11 de abril de 2026

Flávio Bolsonaro promete cortar impostos e rever reforma tributária caso seja eleito presidente

 


O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fez o que o governo Lula não consegue: falar de corte de impostos sem gaguejar. Diante de 6 mil pessoas na PUCRS — recorde do evento —, o pré-candidato à Presidência prometeu revisar a reforma tributária e eliminar a taxação de 12% sobre exportação de petróleo bruto como primeiras medidas de um eventual governo.

"Rever a reforma tributária é urgente. Temos uma carga tributária absurda. A maior IVA do mundo. Precisamos pensar em cortar impostos", disparou o senador, que hoje lidera os cenários da oposição nas pesquisas eleitorais.

O alvo principal foi a Medida Provisória 1.340, que o governo publicou em março para criar um imposto de 12% sobre a exportação de petróleo bruto e 50% sobre o diesel exportado. O pacote custou R$ 30 bilhões ao contribuinte e foi vendido como resposta à guerra no Oriente Médio — mas, na prática, funcionou como mais uma canetada arrecadatória travestida de política social. Especialistas do setor, como o escritório Martinelli Advogados, não tiveram meias palavras: classificaram o imposto como "meramente arrecadatório". Petroleiras como a Brava Energia viram suas ações despencar 6,7% no dia do anúncio.

Enquanto isso, a reforma tributária do governo Lula, apresentada como "simplificação", prepara o Brasil para ostentar a maior alíquota de IVA do planeta — algo entre 27% e 28%, acima até da Hungria, que lidera o ranking da OCDE com 27%. Simplificou para quem, exatamente?

Flávio admitiu que as propostas ainda são genéricas. "Vocês vão continuar ouvindo propostas genéricas por enquanto. Estamos em pré-campanha. Se dermos detalhes, começa a ser usado contra a campanha", disse, com uma franqueza rara na política brasileira. Falta plano detalhado? Falta. Mas o norte está posto: menos Estado, menos imposto, mais liberdade econômica. É mais do que o governo atual oferece, que segue na direção oposta — gastando mais, tributando mais e culpando o mercado quando a conta não fecha.

A presença do ex-ministro Paulo Guedes no mesmo evento, na véspera, reforçou o recado. Guedes, que foi ovacionado como pop star pelo público liberal, cravou: "A ascensão da direita é o espírito do tempo". Nos bastidores, ele é apontado como peça central na montagem do programa econômico de Flávio — um sinal claro ao mercado de que o liberalismo econômico terá endereço caso a oposição vença em outubro.

O cenário eleitoral dá sustentação ao otimismo. Pesquisa Paraná Pesquisas de 30 de março mostra Flávio com 45,2% contra 44,1% de Lula em segundo turno — empate técnico, mas com tendência favorável à oposição. Com IPCA de março em 0,88%, Selic a 14,75% e o governo distribuindo "bondades" fiscais a seis meses da eleição, o eleitor brasileiro começa a fazer a conta que o Planalto não quer fazer: a de que alguém, no final, sempre paga. E esse alguém é ele.

 

 

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