O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fez o que o
governo Lula não consegue: falar de corte de impostos sem gaguejar. Diante de 6
mil pessoas na PUCRS — recorde do evento —, o pré-candidato à Presidência
prometeu revisar a reforma tributária e eliminar a taxação de 12% sobre exportação
de petróleo bruto como primeiras medidas de um eventual governo.
"Rever a reforma tributária é urgente. Temos
uma carga tributária absurda. A maior IVA do mundo. Precisamos pensar em cortar
impostos", disparou o senador, que hoje lidera os cenários da oposição nas
pesquisas eleitorais.
O alvo principal foi a Medida Provisória 1.340, que
o governo publicou em março para criar um imposto de 12% sobre a exportação de
petróleo bruto e 50% sobre o diesel exportado. O pacote custou R$ 30 bilhões ao
contribuinte e foi vendido como resposta à guerra no Oriente Médio — mas, na prática,
funcionou como mais uma canetada arrecadatória travestida de política social.
Especialistas do setor, como o escritório Martinelli Advogados, não tiveram
meias palavras: classificaram o imposto como "meramente
arrecadatório". Petroleiras como a Brava Energia viram suas ações
despencar 6,7% no dia do anúncio.
Enquanto isso, a reforma tributária do governo Lula,
apresentada como "simplificação", prepara o Brasil para ostentar a
maior alíquota de IVA do planeta — algo entre 27% e 28%, acima até da Hungria,
que lidera o ranking da OCDE com 27%. Simplificou para quem, exatamente?
Flávio admitiu que as propostas ainda são genéricas.
"Vocês vão continuar ouvindo propostas genéricas por enquanto. Estamos em
pré-campanha. Se dermos detalhes, começa a ser usado contra a campanha",
disse, com uma franqueza rara na política brasileira. Falta plano detalhado?
Falta. Mas o norte está posto: menos Estado, menos imposto, mais liberdade
econômica. É mais do que o governo atual oferece, que segue na direção oposta —
gastando mais, tributando mais e culpando o mercado quando a conta não fecha.
A presença do ex-ministro Paulo Guedes no mesmo
evento, na véspera, reforçou o recado. Guedes, que foi ovacionado como pop star
pelo público liberal, cravou: "A ascensão da direita é o espírito do
tempo". Nos bastidores, ele é apontado como peça central na montagem do
programa econômico de Flávio — um sinal claro ao mercado de que o liberalismo
econômico terá endereço caso a oposição vença em outubro.
O cenário eleitoral dá sustentação ao otimismo.
Pesquisa Paraná Pesquisas de 30 de março mostra Flávio com 45,2% contra 44,1%
de Lula em segundo turno — empate técnico, mas com tendência favorável à
oposição. Com IPCA de março em 0,88%, Selic a 14,75% e o governo distribuindo "bondades"
fiscais a seis meses da eleição, o eleitor brasileiro começa a fazer a conta
que o Planalto não quer fazer: a de que alguém, no final, sempre paga. E esse
alguém é ele.

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