O ex-banqueiro Daniel Vorcaro orientou Luiz Phillipi
Mourão, o “Sicário”, a negociar pagamentos mensais ao site de esquerda DCM
(Diário do Centro do Mundo) para barrar a publicação de informações
desfavoráveis ao Banco Master e “bater nos inimigos”, segundo apontam mensagens
extraídas do celular dele obtidas pela PF (Polícia Federal). A informação é
da CNN Brasil.
Os diálogos constam em um dos oito celulares
apreendidos pela PF com Vorcaro. O aparelho foi confiscado em novembro do ano
passado e começou a ser periciado e analisado pelos agentes. O conteúdo foi
revelado pelo jornal O Estado de São Paulo e confirmado pela CNN.
Em texto publicado na própria plataforma, o site DCM
negou qualquer irregularidade; declarou que não é citado em decisão do STF
relacionada à “Operação Compliance Zero” e destacou que nenhum jornalista ou
colaborador da página aparece como investigado.
“O material que tem circulado publicamente consiste
em supostas conversas privadas vazadas, cuja autenticidade, integridade e
contexto são desconhecidos, e que não possuem cadeia de custódia verificável no
espaço público”, afirmou.
A ideia de patrocínio teria começado em 10 de
outubro de 2024, quando Vorcaro enviou ao Sicário o link de uma matéria
negativa do DCM sobre como o mercado financeiro desconfiava da atuação do
Master e criticou a publicação. Também enviou outro link reclamando de um texto
com o título: “Altas taxas de juros e reclamações assombram operações
consignadas do Banco Master”.
Após reclamar dos textos do site de esquerda,
Vorcaro escreveu ao auxiliar: “Cara, vamos contratar eles pra fazer isso com os
outros. E não comigo. Usar eles para bater nos inimigos. Aí eu faria um pacote
patrocínio mensal”.
Na mesma conversa, Sicário enviou a Vorcaro uma
mensagem encaminhada de um intermediário que seria do site: “Mestre, o diretor
perguntou como seria a parceria e querem saber sobre os alvos, para fecharmos o
negócios (sic). E ele nos mostrou que foi firme não só removeu uma matéria mas
como todas negativas que estavam no site”.
Em outras mensagens, posterior a esse interesse de
Vorcaro, mas sem data especificada, há cobrança pelos valores a serem pagos ao
“DCM e dois editores”.
Na conversa transcrita, Sicário pede valores a
Vorcaro para pagamentos de terceiros e diz: “Ele [ao que tudo indica, seria
FABIANO ZETTEL] manda o mensal e eu divido entre a turma. Mando pra eles. 400
divido entre 6. Os meninos mando 75 pra cada, o meu. O DCM e mais dois
editores. É este o mensal. Ele manda 1 e quando você manda bônus eu divido
entre os meninos e a turma”.
A CNN buscou matérias no site DCM após o suposto
pagamento de patrocínio. Em 30 de agosto de 2025, há uma com o título favorável
“FGC garante proteção a investidores em CDBs do Banco Master”. E diz que os
investidores que aplicam em CDBs do Banco Master “têm a segurança adicional do
Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que cobre até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ,
por instituição. Essa proteção é um dos pilares do sistema bancário brasileiro
e foi criada para reforçar a confiança em aplicações de renda fixa”.
A reportagem ainda aparece nas buscas, mas ao clicar
para abrir ela foi retirada do ar.
A PF aponta que esse modus operandi de Vorcaro de
contratar páginas, sites e influenciadores tinha o objetivo de influenciar a
opinião pública para obter benefícios ao Banco Master. A contratação de
influenciadores e páginas de celebridades nas redes sociais com ataques ao
Banco Central contra a liquidação do Master, em novembro passado, também está
sendo investigada.
A CNN tenta contato com o DCM, mas não teve retorno
até a publicação da reportagem. O espaço segue aberto. Procurada, a defesa de
Daniel Vorcaro escolheu não se manifestar.

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