A decisão
do ministro Flávio Dino, do STF, que determina que o CNJ aplique
a perda
do cargo como punição máxima para magistrados em casos de violações
disciplinares graves provocou forte repercussão entre juízes e desembargadores
em todo o país. A medida foi tomada durante o julgamento de uma ação envolvendo
um magistrado do TJRJ.
Nos bastidores da magistratura, segundo relatos de
magistrados ouvidos por veículos de imprensa, a decisão passou a ser debatida
em grupos de mensagens que reúnem juízes e desembargadores. Parte deles
manifestou preocupação com possíveis impactos da medida na atuação da
magistratura.
Um desembargador ouvido sob condição de anonimato
afirmou que há receio sobre a definição do que seria considerado falta grave.
Segundo ele, dependendo da interpretação, situações ocorridas durante
audiências ou decisões judiciais poderiam ser alvo de questionamentos
disciplinares.
Em nota, a Associação Nacional dos Magistrados
Estaduais afirmou que a interpretação adotada pelo ministro seria
inconstitucional. A entidade argumenta que mudanças no regime disciplinar da
magistratura deveriam ocorrer por meio de lei complementar aprovada pelo
Congresso Nacional, conforme prevê o artigo 93 da Constituição.
Na decisão, Dino determinou que o CNJ passe a
aplicar a perda do cargo como sanção máxima em casos disciplinares graves,
substituindo a aposentadoria compulsória. Segundo o ministro, a chamada
aposentadoria compulsória punitiva não se encaixaria mais no ordenamento jurídico
atual. A perda da função, porém, deverá ser confirmada por decisão judicial no
STF em razão da vitaliciedade do cargo.

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