Registros bancários analisados em investigação sobre
contratos educacionais apontam que o empresário Fábio Luís Lula da Silva,
o Lulinha, realizou transferências que somam R$ 750 mil ao
empresário Kalil Bittar, alvo de apuração da Polícia Federal por suposta
atuação de lobby no Ministério da Educação.
O Antagonista teve acesso às informações que
constam de dados financeiros examinados por investigadores. Os registros
indicam que os pagamentos ocorreram entre janeiro de 2024 e outubro do ano
passado, com transferências de R$ 50 mil por mês. O último repasse identificado
ocorreu em 27 de outubro de 2025. Pouco tempo depois, Bittar passou a figurar
entre os investigados em operação da PF que apura suspeitas de intermediação
irregular de recursos públicos vinculados a programas educacionais.
Segundo as investigações, o empresário teria atuado
junto ao Ministério da Educação para facilitar a liberação de verbas
federais destinadas a prefeituras, principalmente no interior de São Paulo.
Municípios como Hortolândia, Sumaré e Limeira aparecem entre os citados nas
apurações.A suspeita é de que, após a liberação das verbas, essas
administrações municipais tenham firmado contratos para a compra de kits de
robótica e materiais didáticos em valores considerados elevados pelos
investigadores.
Uma das empresas mencionadas nas apurações é
a Life Tecnologia, apontada como fornecedora dos equipamentos educacionais
utilizados nos contratos. A evolução do capital da empresa em curto
período também passou a ser observada pelos investigadores. Os registros
que indicam as transferências fazem parte da análise de movimentações
financeiras relacionadas a contas bancárias vinculadas a Lulinha. Dados
examinados na investigação apontam que uma dessas contas movimentou cerca
de R$ 19,3 milhões entre 2022 e 2025.


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