A Procuradoria-Geral da República (PGR) foi contra a
prisão do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, decretada nesta
quarta-feira, 4, pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal
(STF). O magistrado criticou o entendimento da PGR, oposto ao da Polícia
Federal, que apontou que Vorcaro integra uma “organização criminosa”, chamada
de “A Turma”, que usa violência e coação como uma “milícia privada”.
Há outros três mandados de prisão — um contra o
cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel — e quinze mandados de busca e apreensão.
“Lamenta-se que a PGR diga que ‘não se entrevê no
pedido, nem no encaminhamento dos autos [.] a indicação de perigo iminente,
imediato, que induza a extraordinária necessidade de tão rápida e
necessariamente sucinta análise do pleito”, escreveu o ministro do STF.
Em seguida, na decisão, Mendonça cita três razões
pelas quais lamentou o parecer da Procuradoria. Veja os trechos:
“As evidências dos ilícitos e a urgência para adoção
das medidas requeridas estão fartamente reveladas na representação da PF e no
curso desta decisão, conforme documentado nos autos”;
“Se está diante da concreta possibilidade de se
prevenir possíveis condutas ilícitas contra a integridade física e moral de
cidadãos comuns, de jornalista e até mesmo de autoridades públicas”;
“Há indicativos de ter havido acesso indevido dos
sistemas sigilosos da PF, do próprio Ministério Público Federal e até mesmo de
organismos internacionais como a Interpol”.
Ainda segundo o ministro do Supremo, uma eventual
decisão de não adotar urgentemente as medidas solicitadas pela PF poderia
“colocar em risco asegurança e a própria vida de pessoas que se tornaram
vítimas dos ilícitos apontados nestes autos, bem como dificultar, sobremaneira,
a recuperação de ativos bilionários que foram desviados dos cofres públicos e
de particulares atingidos pelos variados crimes contra o sistema financeiro
nacional”.
“A organização criminosa demonstra altíssima
capacidade de reorganização, mesmo após deflagração de operações”, continuou
Mendonça, acrescentando: “Caso os investigados permaneçam em liberdade, há o
elevado risco de articulação com agentes públicos e da continuidade da prática
de ocultação e reciclagem de capitais por meio da utilização de empresas de
fachada”.
Estadão

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