Petistas usam as redes sociais e os seus blogs sujos
para atacar a jornalista Andréia Sadi, que apresenta um programa diário na
GloboNews. O motivo foi a exibição de um PowerPoint que mostrava as conexões de
Daniel Vorcaro, do Banco Master, com personalidades impolutas da vida nacional.
Como no PowerPoint apareciam destacados Lula, Guido
Mantega, Gabriel Galípolo e a estrela do PT, sem que nele figurassem figuras da
direita, os petistas ficaram tiriricas.
Disseram que a GloboNews fez associações indevidas
para colocar o governo e o partido no centro do escândalo, ao passo que a
emissora teria omitido cinicamente Jair Bolsonaro, Roberto Campos Neto, Flávio
Bolsonaro, e por aí vai.
Reclamar é legítimo; o que não é aceitável — ou não
deveria ser — é partir para a difamação, a calúnia, a intimidação, os métodos
habituais dessa gente que adora liberdade de expressão e de imprensa.
Não adiantou Andréia Sadi pedir desculpas no ar, nem
a GloboNews demitir a editora supostamente responsável pelo PowerPoint (na
minha opinião, uma providência injusta na sua drasticidade): a jornalista
continua a ser xingada e ameaçada. Ela e a emissora foram puxadas para o meio
da batalha entre petismo e bolsonarismo sobre a paternidade de mais essa
sem-vergonhice bilionária.
Conheço bem o amor petista, e ele dura para sempre,
a menos que você passe vergonhosamente para o lado do partido. Sou objeto desse
amor desde os meus tempos de Veja, quando fui apontado como se fosse a origem
de todas as reportagens da revista sobre o mensalão e outras roubalheiras
perpetradas durante os dois primeiros mandatos de Lula.
Em geral, os jornalistas ficam com receio de que
essas campanhas difamatórias e caluniadoras lhes causem um desgaste de imagem irreparável;
os mais assustados temem pela sua própria integridade física.
É compreensível, mas dou um conselho que ninguém
pediu: se você acertou, tome os ataques como homenagem e siga adiante sem dar
bola para essa gente. Lembre-se de que, quando todo mundo é corcunda, a bela
postura torna-se o defeito (d’après Balzac).
No caso de você ter errado, peça desculpas, mas sem
humilhar-se ou fazer concessões a partir daí, e vá em frente. Não se renda. Até
porque, em se tratando de políticos, os fatos lá adiante podem provar que você
estava em boa parte certo, não completamente errado.
Uma última observação em relação ao PowerPoint da
GloboNews: os petistas o compararam com o PowerPoint de Deltan Dallagnol,
exibido na oferecimento da denúncia contra Lula, no âmbito da Lava Jato.
O PowerPoint de Deltan estava completamente certo,
apesar de toda a demonização de que foi alvo. Além disso, é a mais bela obra de
arte brasileira, como escrevi anos atrás. Vale bem mais do que os R$ 100 mil
que Deltan teve de pagar a Lula de indenização.
A sua tosquice ilustra melhor o nosso caráter
nacional do que a do Abaporu, de Tarsila do Amaral, “o quadro mais feio do
mundo”, na definição de Millôr Fernandes. O feio é bonito.
Mario Sabino - Metrópoles

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