Esta será a última eleição presidencial na qual os
brasileiros terão de decidir se votam a favor ou contra Lula.
Há quase 40 anos tem sido assim, inclusive quando os
candidatos foram Dilma Rousseff e Fernando Haddad, a primeira preposta do
chefão petista, embora com ambições próprias, e o segundo, mero poste, sem
outra pretensão a não ser a da vassalagem.
A escolha, assim, será a de prolongar ou não a
agonia em mais quatro anos. Com Lula na Presidência da República, o Brasil
perdeu a chance de dar um salto econômico e social que o colocaria no pelotão
das nações mais avançadas. Confirmou-se, assim, a máxima segundo a qual o
Brasil nunca perdeu a oportunidade de perder oportunidades.
É importante que se repita: todo o progresso obtido
nas últimas décadas não foi graças a Lula e ao PT, mas apesar do fardo que os
seus governos perdulários, incompetentes, eleitoreiros e corruptos impuseram ao
país.
Nem mesmo quando o Brasil surfou no boom das
commodities, nos dois primeiros mandatos do chefão petista, aproveitou-se o
momento para investir naquilo que faz um país realmente grande: infraestrutura,
educação, saúde, produtividade.
Terminamos o primeiro quarto do século XXI com
metade da população sem esgoto, com estudantes nas piores colocações nas provas
internacionais de desempenho, com um sistema de saúde universal que é
extremamente desigual e com trabalhadores cuja ineficiência é produto da sua
baixa qualificação, do pouco investimento em tecnologia e inovação, do excesso
de burocracia e do protecionismo.
Alguns dirão que a culpa não é exclusiva de Lula e
do PT, que estamos falando de vícios e problemas herdados de uma sociedade com
origem escravocrata, oligárquica e patrimonialista, que ainda resiste como tal.
Sim, mas a falta de exclusividade não os redime de
ser protagonistas de uma esperança de modernidade continuamente frustrada
enquanto estiveram no poder. Temos uma esquerda que é cúmplice na exploração da
pobreza, na manutenção dos privilégios e na captura do Estado por interesses
particulares.
Com Lula na Presidência da República, a sociedade
produtiva vive em estado de permanente alerta. Ele e o seu partido acreditam
que gasto é vida, que o céu é o limite para o teto de gastos do governo, que
inflação é efeito colateral inevitável, que inchar a máquina pública é combater
a injustiça social — e que escorchar empresários e classe média com impostos
significa redistribuição de riqueza.
Para Lula e o PT não existe vida fora do Estado, é
dele que tudo emana, e é a ele que tudo deve render frutos. A receita petista
para o século XXI nasceu no século XIX e fracassou retumbantemente no século
XX.
Como Lula não deixará herdeiros à sua altura,
restaria aos eleitores abreviar esse agonia em quatro anos. Qualquer um que for
eleito em seu lugar será menos danoso ao Brasil, e tem sido assim desde 1989.
Mario Sabino - Metrópoles

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