terça-feira, 31 de março de 2026

Mario Sabino: Esta será a última eleição de Lula; resta abreviar a nossa agonia em 4 anos

 


Esta será a última eleição presidencial na qual os brasileiros terão de decidir se votam a favor ou contra Lula.

Há quase 40 anos tem sido assim, inclusive quando os candidatos foram Dilma Rousseff e Fernando Haddad, a primeira preposta do chefão petista, embora com ambições próprias, e o segundo, mero poste, sem outra pretensão a não ser a da vassalagem.

A escolha, assim, será a de prolongar ou não a agonia em mais quatro anos. Com Lula na Presidência da República, o Brasil perdeu a chance de dar um salto econômico e social que o colocaria no pelotão das nações mais avançadas. Confirmou-se, assim, a máxima segundo a qual o Brasil nunca perdeu a oportunidade de perder oportunidades.

É importante que se repita: todo o progresso obtido nas últimas décadas não foi graças a Lula e ao PT, mas apesar do fardo que os seus governos perdulários, incompetentes, eleitoreiros e corruptos impuseram ao país.

Nem mesmo quando o Brasil surfou no boom das commodities, nos dois primeiros mandatos do chefão petista, aproveitou-se o momento para investir naquilo que faz um país realmente grande: infraestrutura, educação, saúde, produtividade.

Terminamos o primeiro quarto do século XXI com metade da população sem esgoto, com estudantes nas piores colocações nas provas internacionais de desempenho, com um sistema de saúde universal que é extremamente desigual e com trabalhadores cuja ineficiência é produto da sua baixa qualificação, do pouco investimento em tecnologia e inovação, do excesso de burocracia e do protecionismo.

Alguns dirão que a culpa não é exclusiva de Lula e do PT, que estamos falando de vícios e problemas herdados de uma sociedade com origem escravocrata, oligárquica e patrimonialista, que ainda resiste como tal.

Sim, mas a falta de exclusividade não os redime de ser protagonistas de uma esperança de modernidade continuamente frustrada enquanto estiveram no poder. Temos uma esquerda que é cúmplice na exploração da pobreza, na manutenção dos privilégios e na captura do Estado por interesses particulares.

Com Lula na Presidência da República, a sociedade produtiva vive em estado de permanente alerta. Ele e o seu partido acreditam que gasto é vida, que o céu é o limite para o teto de gastos do governo, que inflação é efeito colateral inevitável, que inchar a máquina pública é combater a injustiça social — e que escorchar empresários e classe média com impostos significa redistribuição de riqueza.

Para Lula e o PT não existe vida fora do Estado, é dele que tudo emana, e é a ele que tudo deve render frutos. A receita petista para o século XXI nasceu no século XIX e fracassou retumbantemente no século XX.

Como Lula não deixará herdeiros à sua altura, restaria aos eleitores abreviar esse agonia em quatro anos. Qualquer um que for eleito em seu lugar será menos danoso ao Brasil, e tem sido assim desde 1989.

Mario Sabino - Metrópoles

 

 

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