O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenta
acelerar a estratégia para destravar a nomeação de Jorge Messias ao Supremo
Tribunal Federal (STF). A movimentação do Planalto busca garantir a aprovação do
atual Advogado-Geral da União antes que uma eventual delação premiada do
banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, possa turvar ainda mais o cenário
político no Senado.
Embora o nome de Messias tenha sido publicado no
Diário Oficial da União (DOU) há quase quatro meses para a vaga deixada por
Luís Roberto Barroso em outubro de 2025, a mensagem presidencial formal ainda
foi enviada ao Senado.
O recuo estratégico visava proteger Messias de uma
derrota na votação. O governo não conseguiu apoio do presidente do Senado, Davi
Alcolumbre (União-AP), para a indicação e ainda sofre os desgastes das CPIs e
das investigações da Polícia Federal em andamento sobre os casos Master e INSS.
Mas o objetivo, agora, é dar andamento à indicação
assim que acabar o período da janela partidária no qual os deputados podem
mudar de legenda até 3 de abril.
A ideia, também, é resolver a situação nos próximos
60 dias, evitando que o processo seja congelado pelo recesso parlamentar ou
pela radicalização das campanhas eleitorais de 2026.
A articulação com Alcolumbre e o “fator Pacheco”
Para assegurar os 41 votos necessários, o presidente
Lula tem buscado diálogo com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Foram
pelo menos três telefonemas apenas este mês, descritos por assessores como
“amigáveis”. Mas o senador tem evitado o encontro presencialmente.
O governo avalia já ter os votos suficientes, mas
reconhece que eles só serão formalizados com o aval de Alcolumbre.
Interlocutores palacianos acreditam que o caminho
está sendo pavimentado por um arranjo político em Minas Gerais. O senador
Rodrigo Pacheco (PSD), que era o candidato favorito de Alcolumbre para o STF,
deve consolidar sua candidatura ao governo mineiro com o apoio de Lula. Um
encontro entre o presidente e Pacheco está previsto para esta sexta-feira (20),
em Minas, para selar esse entendimento.
Com Pacheco candidato, espera-se no Planalto que
Alcolumbre tenha mais “boa vontade” para pautar o nome de Messias.
Obstáculos para a aprovação de Messias
Apesar do otimismo palaciano, o clima no Senado
permanece hostil. O escândalo do Master criou respinga em integrantes dos três
Poderes da República, e a expectativa por uma delação de Vorcaro com alvo
principalmente no ambiente político deixa o Senado ainda com menor disposição
de votar uma indicação ao STF. Além disso a polarização da corrida presidencial
também afetará o debate.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) já declarou
publicamente que articula uma “barreira” contra o AGU, acusando o governo de
tentativa de aparelhamento. “Não há independência em relação ao PT”, afirmou o
parlamentar, que lidera a ala que promete voto contrário em bloco.
Caso a aprovação não ocorra neste semestre, o
governo corre o risco de ver a cadeira do STF permanecer vaga até o final do
ano, sob o impacto direto das urnas e da temperatura crescente das
investigações judiciais.
Coluna do Estadão

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