O Metrópoles revelou nesta terça-feira que Lula e
Alexandre de Moraes tiveram um encontro fora da agenda, no início de março, no
Palácio do Planalto. A conversa aconteceu depois do vazamento das mensagens de
Vorcaro, aquelas em que o ex-banqueiro perguntava ao ministro se ele tinha
“conseguido bloquear” a operação da PF no dia de sua prisão. E a mensagem que
Lula transmitiu a Moraes foi direta: não vou te abandonar.
Dois motivos explicam essa lealdade. O primeiro é
que Moraes é o responsável pela condução da ação penal do golpe, que levou
Bolsonaro à prisão. Sem Moraes, esse processo desanda. O segundo é que Lula já
entendeu que a crise do STF e a crise do seu governo são a mesma crise. Se
Moraes afunda, Lula afunda junto.
Por isso o sacrifício de Toffoli entra no jogo. O
Planalto estaria convencendo o ministro, indicado pelo próprio Lula, a se
licenciar por motivo de saúde e renunciar no médio prazo. A ideia é simples:
jogar Toffoli como bucha de canhão para aliviar a pressão sobre a Corte e
proteger Moraes. Toffoli também está atolado no caso Master, com a empresa da
família recebendo repasses via fundo ligado à Reag, e a PF encontrou conversas
entre ele e Vorcaro no celular do banqueiro.
O quadro está montado. Lula precisa de Moraes para
segurar o processo do golpe e blindar a narrativa eleitoral. Moraes precisa de
Lula para sobreviver politicamente às revelações que ainda vêm por aí. E
Vorcaro está sentado em cima de tudo isso, com celular periciado, informações
sobre três ministros do STF e uma delação que pode mudar o Brasil. Dois homens
se segurando mutuamente para não afundar. Quando a delação de Vorcaro sair, nem
Lula nem Moraes vão conseguir segurar o que vier.

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