Os repórteres Luiz Vassallo e Aguirre Talento
revelaram que Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, de 51 anos, reconheceu em
conversas particulares que viajou em 2024 para Portugal com Antônio Carlos
Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. Juntos visitaram uma fábrica de
Cannabis para fins medicinais.
Lulinha decidiu revelar que fez essa viagem,
cacifada pelo Careca, depois que a Polícia Federal pediu e o ministro André
Mendonça, do STF, levantou o sigilo bancário de suas contas. O Careca do INSS
está preso por causa de suas conexões com a quadrilha que roubava descontos nos
contracheques de milhares de aposentados.
O filho mais velho do presidente aparentemente
decidiu abandonar o silêncio que cultiva há mais de 20 anos. Beleza, poderá
explicar por que se sentiu atraído pela Cannabis medicinal ou que critério o
levou a acompanhar o Careca em sua prospecção portuguesa. Como a eleição
presidencial será em outubro, nos próximos sete meses, se ele não fizer isso,
será um personagem radioativo na campanha.
Lulinha padece na condição paradisíaca de filho do
presidente. Registre-se que Lula tem cerca de 15 irmãos e meio-irmãos vivos.
Poucas famílias de presidentes mantiveram-se tão longe do poder, mas coube a
Lulinha o papel de para-raios.
Nos dois primeiros mandatos do pai, Lulinha
conseguiu um financiamento benigno de uma telefônica. Nas fantasias da redes,
ele era um milionário, dono de fazendas, vivendo numa mansão. Diplomado em
biologia e tendo sido monitor do zoológico de São Paulo, diversificou suas atividades
até que chegou à Cannabis medicinal e ao Careca do INSS. Isso no mundo dos
fatos. Na feira de maledicências, ele seria nada menos que um sócio oculto da
JBS, empresa campeã no mercado de carnes.
Um ex-funcionário do Careca contou à Polícia Federal
que eles eram sócios, com Lulinha, o “filho do rapaz”, recebendo jabaculês de
R$ 300 mil mensais. A defesa de Lulinha repete que suas relações com o Careca
do INSS nada tinham a ver com as falcatruas contra os aposentados. Eram,
segundo diz, restritas à prospecção de um negócio com Cannabis medicinal.
Parece muito dinheiro.
Se Lulinha quer se livrar da condição de
personalidade predileta para a disseminação de notícias falsas, o melhor que
tem a fazer é livrar-se de todos os seus sigilos. Lula já disse, referindo-se
às roubalheiras do INSS, que, “se tiver filho meu metido nisso, será
investigado”.
Lulinha admite então que o Careca pagou as contas da
viagem a Lisboa. Só? Março mal começou, e esse ectoplasma acompanhará Lulinha e
Lulão com intensidade cada vez maior. Recorrer contra as decisões que
determinaram a quebra de sigilo terá um efeito anestésico para çábios metidos
na campanha e tóxico para o eleitorado.
Olhando pelo retrovisor, Lulinha teria feito muito
melhor negócio falando no final do ano passado, quando a oposição queria
ouvi-lo na CPI do INSS. Àquela altura, sua radioatividade parecia baixa.
Elio Gaspari - O Globo

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