A sequência de aumentos nos preços dos combustíveis
na Refinaria Clara Camarão tem ampliado a expectativa de novos reajustes nas
bombas em Natal. Na mais recente atualização, que passou a valer na quinta
(19), a gasolina subiu R$ 0,63 e o diesel R$ 0,45, marcando a quarta semana
consecutiva de alta. Apesar do movimento na refinaria, até o final da tarde
desta quinta o repasse ainda não havia chegado ás bombas de forma generalizada.
Em postos visitados pela reportagem da TRIBUNA DO NORTE em Natal, o litro da
gasolina e do diesel permanecia, na maioria dos casos, na faixa de R$ 7,49.
De acordo com o presidente do Sindicato do Comércio
Varejista de Derivados de Petróleo do RN (Sindipostos-RN), Maxsuel Flor, o
impacto nas bombas depende diretamente das distribuidoras. “Dependemos dos
repasses das distribuidoras, pois não compramos direto da refinaria. Pelo
tamanho do reajuste, eu acho pouco provável que se consiga segurar. Como foi
anunciado para valer a partir desta quinta, tudo depende dos estoques das
distribuidoras e dos postos”, afirmou.
Segundo Flor, o repasse costuma ocorrer de forma
gradual. “As distribuidoras podem ter repassado apenas uma pequena parte e vai
acrescentar outra. Na medida em que vão renovando seus estoques, isso vai
acontecendo. Com os postos é a mesma lógica: à medida que renovam os estoques,
a tendência é que isso chegue às bombas”, explicou. Ele acrescenta que “é uma
decisão de cada distribuidora e de cada revendedor o momento certo de fazer
esse repasse”.
Nas ruas, motoristas relatam que os preços já vêm
subindo ao longo da semana e demonstram preocupação com novos aumentos. Thalys
Ferreira, que usa carro e moto, disse que já mudou hábitos para tentar
economizar. “Está horrível a situação. Estou preferindo usar a moto para
economizar, e meu carro fica guardado. No começo da semana abasteci por R$ 6,99
e ontem já estava em R$ 7,48”, contou.
Já o motorista Francisco Lopes relata que o custo
elevado tem forçado mudanças mais drásticas. “Eu só coloco etanol no meu carro
e ainda assim está muito caro. Vou converter para gás, uma coisa que eu não queria.
A gente está regredindo com essa alta do combustível, está um absurdo”, disse.
Segundo ele, o preço do etanol também preocupa: “Já tem posto que está quase R$
7 por litro. Está inviável”.
O economista Helder Cavalcanti, membro do Conselho
Regional de Economia (Corecon-RN), explica que o cenário de alta está ligado
principalmente ao mercado internacional. “O aumento do preço do barril de
petróleo no mercado internacional é um dos principais fatores. A tensão entre
Estados Unidos e Irã, além da indefinição do conflito entre Rússia e Ucrânia,
também influenciam os preços”, analisou.
Ele destaca que a política de reajustes da refinaria
segue essa dinâmica. “A refinaria Clara Camarão adota revisão semanal de
preços, refletindo as condições do mercado internacional. Os aumentos são
resultado dessa pressão externa”, frisou.
Segundo o economista, o consumidor final tende a
sentir os efeitos rapidamente. “Os postos estão repassando os aumentos, com
margens próprias. Os preços variam de posto para posto, por isso é importante
pesquisar antes de abastecer”, orientou.
Tendência de alta
Desde 26 de fevereiro, todos os ajustes realizados
semanalmente pela refinaria Clara Camarão, em Guamaré, resultaram em aumento
nos preços. Os valores praticados impactam o preço final ao consumidor nos
postos, a depender de fatores como logística, margem de revenda e tributos. No
acumulado de um mês, a gasolina A passou de R$ 2,51, em 19 de fevereiro, para
R$ 3,82, registrando alta de R$ 1,31. Apenas na última semana, entre os dias 12
e 19 de março, o aumento foi de R$ 0,63, saindo de R$ 3,19 para o valor atual.
O diesel também apresentou elevação no período. Na
modalidade EXA, o preço saiu de R$ 3,28 para R$ 5,52 no comparativo mensal, o
que representa aumento de R$ 2,24. Entre os dias 12 e 19 de março, o valor
também subiu R$ 0,45, de R$ 5,07 para R$ 5,52.
Já na modalidade LCT, o diesel subiu de R$ 3,30 para
R$ 5,53 em um mês, acumulando alta de R$ 2,22. Já na última semana, o
combustível teve reajuste de R$ 0,45, passando de R$ 5,08 para R$ 5,53.

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