Mais do que nomes, as indicações que o presidente
Lula (PT) prepara para o STF e para a diretoria do Banco Central revelam um
critério claro: alinhamento ideológico. A chamada “pureza” de pensamento parece
pesar mais do que currículos individuais, sinalizando a intenção de reforçar
uma mesma visão de mundo nos espaços mais sensíveis do poder.
Essa visão não é nova. Parte do princípio de que
Lula sempre esteve certo, sobretudo na condução da política econômica, e de que
os erros do passado seriam fruto de fatores externos, nunca de escolhas
internas. Dentro dessa lógica, pouco importa quem ocupa os cargos: o essencial
é que compartilhe a crença de que o Estado deve gastar mais para induzir
crescimento.
É evidente que indicações são prerrogativa do
presidente e que preferências políticas fazem parte do jogo democrático. O
problema começa quando essas escolhas ajudam a montar uma armadilha de médio
prazo: um país que insiste em expandir despesas enquanto tenta fechar as contas
apenas aumentando receitas, empurrando o ajuste para depois das eleições.
A fatura, porém, não desaparece. Ela se manifesta em
crescimento fraco, produtividade baixa e na repetição de uma fórmula já
conhecida. Não se trata de um risco futuro distante: o Brasil já está dentro desse
buraco. E as decisões atuais indicam menos disposição para mudar o rumo e mais
vontade de aprofundar o caminho que já se mostrou limitado.
Com informações do colunista William
Waack, da CNN

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