Em pronunciamento contundente, o deputado estadual
Gustavo Carvalho (PL) denunciou o que classifica como “apropriação indébita”
por parte do Governo do Rio Grande do Norte. A acusação foca na retenção dos
valores de empréstimos consignados dos servidores públicos: a gestão estadual
desconta as parcelas diretamente dos salários, mas não repassa o montante às instituições
financeiras.
Desde novembro de 2023, o parlamentar tenta obter
dados sobre o volume total da dívida, mas relata enfrentar "barreiras
institucionais e sigilo injustificado".
"Estamos diante de uma situação gravíssima.
Isso é improbidade administrativa e caso de prisão. O governo castiga o
servidor, que paga sua conta, mas acaba inadimplente perante o banco porque o
Estado retém o dinheiro de forma irresponsável", afirmou o deputado.
Mesmo após o acionamento da Lei de Acesso à
Informação (LAI), a falta de transparência persiste. O Banco do Brasil
confirmou, via ofício, que os repasses estão em atraso, mas se recusou a
detalhar os valores sob a justificativa de sigilo bancário.
A denúncia, apresentada em sessão na Assembleia
Legislativa, também aponta a inércia dos órgãos fiscalizadores. Segundo
Gustavo, uma representação foi entregue diretamente ao Procurador-Geral de
Justiça, Dr. Glaucio Garcia, mas já se passaram 60 dias sem resposta.
Em paralelo, nesta segunda-feira (3), foi
protocolada uma denúncia formal junto ao Banco Central. O objetivo é que a
autoridade monetária intervenha na conduta das instituições envolvidas —
especialmente o Banco do Brasil — diante da falta de informações detalhadas
sobre os atrasos.
Além do dano moral e jurídico, o bloqueio dos
repasses impede que milhares de servidores acessem novos créditos, mesmo
possuindo margem salarial, uma vez que o Estado figura como inadimplente no
sistema financeiro.
O parlamentar alerta para um cenário de
"falência técnica", pontuando que o descontrole fiscal criou um rombo
tão profundo que gera incertezas sobre a sucessão governamental. "Ninguém
quer assumir o Estado sem saber o tamanho real do buraco. O silêncio do governo
é a prova de sua irresponsabilidade", declarou.
Ao encerrar, Gustavo Carvalho convocou a sociedade e
os pares do Legislativo para uma cobrança conjunta. "Chegamos ao limite.
Exigimos que o Governo venha a esta Casa e diga claramente: quanto deve e
quando pretende regularizar os pagamentos. Não aceitaremos que a transparência
seja substituída por sigilos enquanto o servidor é punido por um erro que não
cometeu."
O deputado ressaltou, ainda, que vai buscar diálogo
com a Assembleia para viabilizar uma apuração concreta via Comissão Parlamentar
de Inquérito (CPI). Ele reforçou que, embora o convite para esclarecimentos
seja o passo inicial, a abertura de uma investigação rigorosa não está
descartada caso o Executivo mantenha o silêncio. “Não podemos ficar apenas no
convite enquanto não houver respeito e respostas”, concluiu.

Nenhum comentário:
Postar um comentário