A diretora-geral do Procon Natal, Dina Pérez, afirma
que o órgão tem intensificado as fiscalizações na orla de Natal, especialmente
na praia de Ponta Negra. Segundo ela, os problemas identificados de forma mais
recorrente em todas as praias são ausência de tabela de preços visível para o
consumidor, cobrança de itens sem informação prévia, venda casada de alimentos
e bebidas, inclusão de taxas extras sem justificativa e diferença entre o preço
anunciado e o cobrado.
Segundo ela, também foram identificadas práticas
como proibição de comprar de outros ambulantes ou impedimento de uso de
cadeira/guarda-sol próprios sem clara informação de custo. “Denúncias recentes
de banhistas também relataram casos na praia de Ponta Negra em que consumidores
foram surpreendidos com valores elevados para uso de barracas e consumo de
bebidas, embora o Procon enfatize que não tabela preços, mas exige
transparência e clareza na cobrança”, informou Pérez, ao alertar sobre as
penalidades às quais estão submetidos os comerciantes que cometem abusos.
“As penalidades aplicáveis a comerciantes — conforme
previsto no Código de Defesa do Consumidor — incluem notificações e autuações
administrativas, multas e, em casos de irregularidade persistente, outras
medidas previstas na legislação de defesa do consumidor”, alertou a
diretora-geral do Procon Natal.
Na areia
Os preços abusivos cobrados em praias do litoral
brasileiro geraram recentemente eventos extremos como a agressão a um casal de
turistas em Porto de Galinhas, em Pernambuco. A confusão foi intensificada
porque os dois teriam se recusado a pagar um valor além do combinado com um
comerciante local. Em Ponta Negra, a TRIBUNA DO NORTE apurou que os preços de
pratos e petiscos nas areias da praia variam a partir de R$ 90, podendo
ultrapassar os R$ 200, um valor salgado, mas considerado razoável por banhistas
ouvidos pela reportagem, se comparado a outras regiões do país.
O sul-mato-grossense João Victor, de 28 anos, é
piloto de avião. Ele pegou dois dias de pausa na rotina de trabalho e decidiu
ir, nesta segunda-feira (19), à Ponta Negra para aproveitar um pouco o dia
ensolarado na capital potiguar. João considerou o preço das refeições – que
levam uma proteína, geralmente peixe, mais acompanhamentos – dentro da média do
que ele costuma encontrar em outras regiões do Brasil. Para ele, o diferencial
de Natal é o modo como os valores são repassados aos clientes, de forma clara.
“Dei uma olhada em um cardápio e as refeições estão
na faixa dos R$ 150 a R$ 200 para até cinco pessoas. Eu estou sozinho, então,
não compensa muito pedir algo do tipo. Para cinco pessoas, acho um preço justo.
Um ponto que me chamou atenção foi que, logo após minha chegada, uma pessoa
veio até mim e explicou exatamente como tudo funciona, com bastante
transparência”, descreveu o piloto. Ele também considerou justo o preço cobrado
pelo uso de guarda-sol, mesas e cadeiras. “Não achei pesada a cobrança de R$
30”, falou.
A empresária Divaneide Nascimento mora em Portugal,
mas está de passagem por Natal com amigos. Natural daqui, ela analisa que os
preços locais não são altos. “Vi que os valores variam muito de quiosque para
quiosque. O mistão, que leva peixe, camarão e lagosta com acompanhamentos, está
custando R$ 280. Considero dentro da média, afinal, é um prato que leva
lagosta. O preço da barraca também está bom. Estou pagando R$ 40. Acredito que
é justo porque os comerciantes têm um custo para estar aqui, que envolve trazer
e manter o material na praia”, falou a empresária.
Já o casal paulistano Graziele Oliveira e Leandro
Bispo chegou no domingo à capital potiguar para passar uma semana. “Quando
chegamos, nos foi oferecido um prato que leva arroz, feijão, batata frita e
iscas de peixe, por R$ 150. No litoral de São Paulo, um prato desses custa R$
200, em média. Então, considero que o preço daqui está bom”, frisa Graziele,
que é analista de suporte acadêmico.
Já Leandro citou a cobrança pelo uso de guarda-sol,
ao mesmo tempo em que fez um comparativo com Arraial do Cabo (RJ), onde ele e a
esposa estiveram recentemente, para avaliar que considera os valores de Natal
mais acessíveis. “Aqui, se nós consumirmos, não iremos pagar pelo guarda-sol.
Em Arraial [o guarda-sol] custava R$ 100 e ainda era preciso consumir”, disse o
analista de sistema.
Jeová Júnior, que trabalha na praia há 20 anos,
conta que a principal preocupação é em explicar todas as regras de consumo e
preços aos clientes já na primeira abordagem. Segundo ele, os valores de pratos
que levam isca de peixe variam de R$ 130 a R$ 150, sem cobrança pelo uso de
guarda-sol, cadeiras e barracas em caso de consumo. Do contrário, é cobrado um
valor de R$ 30.
“Quando o cliente chega, já explico tudo direitinho
e o pessoal sai satisfeito. O combinado não sai caro. Acho que essa é uma lição
importante que a gente deve aprender com o que aconteceu em Porto de Galinhas”,
afirmou Júnior.
Restaurantes
Além de conferir como estão os preços dos itens
disponibilizados na areia da praia, a reportagem foi até restaurantes da orla
de Ponta Negra para observar os valores cobrados por alimentos semelhantes
àqueles vendidos nas barracas. Em um deles, a isca de peixe para duas pessoas
custava R$ 55 (ou R$ 27,50 por pessoa), um valor ligeiramente abaixo do
ofertado pelas barracas, que ficou na casa dos R$ 30 por pessoa.
Em outro restaurante da orla, o contra filé com
fritas e arroz para duas pessoas era vendido a R$ 90 (R$ 45 por pessoa), neste
caso, acima do que é oferecido nas barracas. No mesmo estabelecimento, pratos
com carne variavam entre R$ 110 (carne de sol tradicional) e R$ 130 (picanha na
chapa), com porção para duas pessoas. O peixe frito, também para duas pessoas,
custava R$ 80. Outro restaurante servia peixe grelhado com arroz, salada e
batata frita à la carte a R$ 89,90, com porção para duas pessoas.

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