O número de pessoas em situação de rua no Rio Grande
do Norte mais que dobrou entre 2020 e 2025, com um crescimento de 109,4% em
cinco anos. Os dados são do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a
População em Situação de Rua, da Universidade Federal de Minas Gerais
(OBPopRua/UFMG), com base em dados do Cadastro Único. Segundo o levantamento,
em 2020 o RN tinha 1.597 pessoas vivendo nas ruas. No ano passado, esse número
foi de 3.345. Em Natal, a alta foi ainda mais expressiva — de 134,1% no mesmo
período. Os dados apontam que a capital e o estado seguem tendência observada
em todo o país.
De acordo com o OBPopRua/UFMG, considerando todo o
RN, a quantidade de pessoas em situação de rua apresentou oscilação entre 2020
e 2022, com redução dos números em 2021 (1.268 pessoas, ante 1.597 de 2020 e
1.550 em 2022), mas registrou crescimento constante a partir de 2023, com 2.117
pessoas vivendo em condições de rua; em 2024 eram 2.599, enquanto no ano
passado eram 3.345. Ainda segundo o levantamento, em 2025 o RN é o quinto
estado do Nordeste com maior número de pessoas vivendo nas ruas, atrás da Bahia
(16.624), Ceará (14.171), Pernambuco (8.540) e Maranhão (3.700).
Em nota, a Secretaria de Estado das Mulheres, da
Juventude, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos do RN (Semjidh), pasta
que acompanha a população de rua do estado, afirmou avaliar que o aumento
registrado “está relacionado a fatores estruturais, como a falta de moradia
digna, dificuldades de acesso ao trabalho, à renda e aos benefícios sociais,
além da necessidade de fortalecimento de políticas públicas integradas e
contínuas voltadas a esse público”.
Também segundo a Semjidh, “as políticas existentes
ainda apresentam limitações de alcance e integração, especialmente no que se
refere à ampliação e qualificação dos serviços e equipamentos destinados
diretamente à população em situação de rua, como banheiros públicos e sociais,
pontos de acesso à água potável, serviços de higiene, atendimento clínico e
psicossocial, equipes de consultório na rua, serviços de abordagem social e
unidades de acolhimento”.
Por fim, a pasta informou que “em articulação com
outras secretarias, discute a ampliação e o aprimoramento das ações, com foco
em uma abordagem integral e humanizada, que inclua moradia digna, capacitação
profissional, geração de emprego e renda, ampliação do acesso a benefícios
sociais, fortalecimento dos serviços de atendimento nas ruas, como banheiros
sociais, bebedouros, consultórios na rua, atendimento em saúde e assistência
social, além do reforço da atuação intersetorial do Estado”.
Natal tem maioria
Em Natal, segundo o levantamento do OBPopRua/UFMG,
2.103 pessoas viviam em situação de rua em 2025, o que representa 62,8% do
total registrado em todo o RN. A capital apresentou crescimento quase constante
nos números em cinco anos, com exceção de 2021. Eram 898 pessoas nessa condição
em 2020; 736 em 2021; 943 em 2022; 1.274 em 2023; 1.557 em 2024; e 2.103 no ano
passado. Em cinco anos, a alta é de 134,1%.
No comparativo com outras capitais nordestinas,
Natal ocupa a quinta posição entre as cidades com maior população de rua. Em
primeiro lugar está Fortaleza (11.349 pessoas), seguida de Salvador (10.296),
Recife (4.784) e Maceió (2.357). A TRIBUNA DO NORTE procurou a Secretaria
Municipal de Trabalho e Assistência Social (Semtas) de Natal para comentar os
números e saber quais políticas têm sido adotadas para essa população, mas não
houve retorno até o fechamento desta edição.
No Brasil, o aumento na quantidade de pessoas que
vivem nas ruas em cinco anos foi de 87,7% entre 2020 e 2025. O OBPopRua/UFMG
aponta que o número referente a essa população saiu de 194.824 em 2020 para
365.822 no ano passado. De acordo com o levantamento, o crescimento pode ser
atribuído, entre outros fatores, à ausência e/ou à insuficiência histórica de
políticas públicas estruturantes de moradia, trabalho e educação envolvendo
essa população, majoritariamente negra (a cada 10 pessoas em situação de rua, 7
são negras, na média nacional).
De 2020 a 2021, quando teve início a pandemia da
covid-19, o número de pessoas em situação de rua havia caído, passando de
194.824 para 158.191 pessoas. Mas em 2022, voltou a subir e vem crescendo de
forma contínua em todo o país.

Nenhum comentário:
Postar um comentário