O preço do aluguel residencial subiu 10,13% na
capital potiguar em 2025, dado que representa a segunda menor alta do Nordeste.
Mesmo assim, Natal ficou acima da média das cidades monitoradas pelo Índice
FipeZAP (9,44%). Na região, o menor aumento ocorreu em Recife (PE), com 9,82%,
e o maior, em Teresina (PI): 21,81%. Os dados foram divulgados na última
quinta-feira (15) pela FipeZAP, que acompanha o preço médio de locação de
apartamentos prontos em 36 cidades brasileiras.
Os percentuais foram maiores em 2024, quando o preço
do aluguel em Natal cresceu 11,04% no acumulado do ano, e a média total foi de
13,50% de aumento. Ainda assim, o aumento em 2025 foi mais que o dobro do
Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação
oficial do país, que avançou 4,26% no ano. No ano passado, Natal ocupou a 14ª
posição em nível de aumentos entre as capitais brasileiras.
Para interlocutores do setor, o aumento na capital
potiguar em 2025 se deve especialmente a uma grande procura por aluguéis, ante
uma baixa nos lançamentos imobiliários durante a vigência do antigo Plano
Diretor de Natal. Na visão de Roberto Peres, presidente do Conselho Regional de
Corretores de Imóveis do RN (Creci-RN), o aumento de preços em Natal foi
“relativamente alto” em 2025, apesar de ter sido o segundo menor do Nordeste.
“O período de baixa em lançamentos imobiliários que
passamos em Natal por causa do antigo Plano Diretor e o momento ainda inicial
da aplicação das regras do novo Plano Diretor de Natal podem ter contribuído
para a redução da oferta de imóveis no mercado”. Com menos oferta e mais
procura, os preços tendem a se elevar.
O economista Thales Penha, professor da Universidade
Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), coloca outros fatores como
preponderantes para o aumento da demanda no setor: o crescimento da renda da
população e a baixa taxa de desemprego (5,2% no trimestre terminado em
novembro, conforme a Pnad Contínua, a menor da série histórica desde 2012).
“É natural, no processo de aquecimento da demanda,
quando a capacidade instalada já existente é ocupada, os preços subirem por um
período”, pontua. Na capital potiguar, diz Penha, grande parte da demanda por
moradia estava reprimida, com muitas pessoas morando com familiares, por
dificuldades de renda.
O economista observa que o preço da locação
residencial depende das normas urbanísticas e da dinâmica populacional de cada
estado e de cada cidade. Na avaliação dele, Natal e região metropolitana ainda
têm muito espaço disponível para expansão, o que pressiona menos os preços do
mercado imobiliário em comparação com outras capitais nordestinas.
Alta demanda contribui para alta no
preço
Para Ricardo Abreu, diretor da Abreu Imóveis, 2025
foi um ano de forte crescimento nas locações de imóveis em Natal. De acordo com
ele, a capital “teve praticamente 15 mil pessoas procurando imóveis para alugar
ao longo do ano. O problema é que Natal tem poucos imóveis para alugar”.
Ele diz que o antigo Plano Diretor de Natal reprimiu
lançamentos do setor imobiliário, o que dificultou a oferta de imóveis. “Agora,
a partir deste ano, começam a ser entregues os empreendimentos no Plano Diretor
novo. Isso vai dar uma mexida forte no mercado”, afirma.
Abreu diz ainda que o turismo contribuiu com o aumento
do preço de aluguéis em Natal. “A gente está vivendo um aumento no turismo e a
chegada de muitas pessoas procurando imóveis, às vezes por temporada, às vezes
resolvendo vir morar em Natal”.
Renato Gomes Netto, presidente do Sindicato da
Habitação do RN (Secovi-RN), avalia que a partir da revisão do Plano Diretor,
“Natal voltou a ser uma cidade atrativa para os investimentos imobiliários”.
Ele observa que as renovações de aluguéis costumam ser mais caras a cada
contrato.
“Quando a gente desocupa um imóvel que está alugado,
é muito comum, quando ele vai novamente para locação, que ele seja algo em
torno de 25% a 30% mais [caro] do que em relação ao que estava anteriormente,
porque a procura tem sido muito grande”.
Para Thales Penha, o cenário de reajustes de
aluguéis acima da inflação em Natal depende dos ânimos do setor imobiliário e
seu planejamento para 2026.
Preço do metro quadrado em dezembro
O preço médio dos novos contratos de aluguel,
calculado para as 36 cidades, é de R$ 50,98/m², de acordo com dados de
dezembro. A cidade mais cara da lista é Barueri (SP), onde o aluguel custa, em
média, R$ 70,35/m². Por outro lado, a cidade com o metro quadrado mais barato é
Pelotas (RS), custando R$ 22,42, em média.
Natal teve, em dezembro de 2025, o sexto preço médio
do metro quadrado do Nordeste (R$ 40,61/m²). Os mais caros foram os valores de
Recife (PE): R$ 60,89/m² e São Luís (MA): R$ 57,69/m². Os mais baratos foram
Aracaju (SE): R$ 27,97/m² e Teresina (PI): R$ 26,62/m².
O preço do aluguel residencial subiu 21,81% em
Teresina (PI) e 19,92% em Campinas (SP) em 2025, as maiores altas em cidades no
acumulado do ano, segundo o Índice FipeZAP. São José (SC) e Campo Grande (MS)
tiveram reduções de 3,10% e 4,36%, respectivamente.
- Variação
do preço de locação residencial em 2025
1.
Teresina (PI): +21,81%
2.
Aracaju (SE): +16,73%
3.
João Pessoa (PB): +15,31%
4.
Fortaleza (CE): +12,45%
5.
Salvador (BA): +12,38%
6.
Maceió (AL): +12,22%
7.
São Luís (MA): +11,37%
8.
Natal (RN): +10,13%
9.
Recife (PE): +9,82%
Fonte: Índice FipeZAP

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