A eventual ( e anunciada) realização de
uma eleição indireta na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte
(ALRN) para escolher um governador com mandato de apenas oito meses
colocaria o Legislativo no centro do jogo político estadual.
Com a Casa de 24 deputados estaduais dividida
em três blocos equilibrados, o processo tende a ser marcado por
negociações intensas e alto grau de imprevisibilidade.
O primeiro grupo, formado por deputados
alinhados ao governo Fátima Bezerra (PT), contaria hoje com
aproximadamente oito deputados – Isolda Dantas (PT),
Francisco do PT, Divaneide Basílio (PT), Vivaldo Costa (PV), Dr Bernardo
(PSDB), Eudiane Macedo (Rep), Ivanilson Oliveira e Ubaldo Fernandes (PV)
uma base que enfrenta desgaste natural da gestão e dificuldades para
assegurar coesão total em uma disputa sem voto popular.
O segundo bloco, liderado pelo senador
Rogério Marinho (PL), articula a oposição e busca transformar a
eleição indireta em um movimento estratégico de fortalecimento para o campo
conservador e para a disputa majoritária de 2026. São eles Adjuto Dias
(MDB), Cel Azevedo (PL), Gustavo Carvalho (PL), José Dias (PL), Tomba Farias
(PL), Cristiane Dantas (Solidariedade), Dr Kerginaldo (PL), Terezinha Maia (PL) e
Luiz Eduardo (SDD-PL)
O terceiro grupo, mais recente na conexão política
com foco em perceptivas futuras, reúne parlamentares ligados ao prefeito
de Mossoró, Allyson Bezerra, pré-candidato ao governo nas próximas eleições
diretas, e hoje se comporta parecido com o Centrão do
Congresso Nacional com viés ideológico sem radicalismo. São eles Nelter
Queiroz (PSDB), Kleber Rodrigues (PSDB-PP), Hermano Morais (PV-MDB), Taveira
Junior (União Brasil), Neílton Diógenes (PP), Galeno Torquato (PSDB-UB).
O presidente da Casa, deputado Ezequiel
Ferreira de Souza (PSDB) estaria deixando o grupo governista para
apoiar a oposição, numa possível mudança de papeis do senador Styvenson
Valentin numa disputa para o Governo e ele seria o nome do bolsonarismo local
para o Senado.
Variáveis que deverão ser definidas nos próximos
dias e farão toda diferença na disputa indireta.
Sem maioria consolidada, o confronto tende a
ser decidida nos detalhes: acordos de última hora, interesses regionais e
cálculos eleitorais individuais. Com mandato curto e caráter transitório, a
eleição indireta se configura menos como uma escolha de governo e mais como
uma prévia da sucessão estadual, reforçando o ambiente de divisão e
incerteza na Assembleia.

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