O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN)
denunciou oito pessoas por integrarem uma associação criminosa voltada à
prática de crimes contra a ordem tributária e à lavagem de dinheiro. A
denúncia, já recebida pela Justiça potiguar, é resultado da Operação
Fechamento, deflagrada pela Polícia Civil, que apurou um esquema de sucessão
empresarial fraudulenta no comércio de calçados e acessórios em Natal e
Parnamirim.
Segundo o MPRN, o grupo causou um prejuízo superior
a R$ 1,5 milhão em ICMS não recolhido ao Estado. Com o recebimento da denúncia,
os investigados passaram à condição de réus no processo criminal.
As investigações apontam que, entre janeiro de 2008
e maio de 2025, os envolvidos utilizavam “laranjas” para abrir sucessivos
CNPJs, com o objetivo de ocultar o patrimônio dos verdadeiros gestores. As
empresas endividadas eram abandonadas e as atividades comerciais transferidas
para novas pessoas jurídicas, formalmente regulares, permitindo a continuidade
do negócio sem o pagamento de tributos.
Durante a operação, em maio de 2025, a Secretaria
Estadual da Fazenda identificou mercadorias sem nota fiscal avaliadas em mais
de R$ 146 mil, além do uso de máquinas de cartão não integradas à escrituração
fiscal, utilizadas para omitir receitas.
A denúncia descreve a atuação de um núcleo de
liderança, com apoio de familiares e funcionários que figuravam como sócios de
fachada, além de um núcleo contábil responsável por operacionalizar as fraudes
e sugerir estratégias para evitar bloqueios judiciais. Entre as provas estão
conversas extraídas de celulares, nas quais os envolvidos admitem a sonegação e
discutem a blindagem patrimonial.
O MPRN pede a condenação dos réus pelos crimes de
associação criminosa, sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e falsidade
ideológica, além do confisco de bens e valores estimados em R$ 2,9 milhões,
especialmente dos líderes do esquema. Um dos denunciados também responde por
posse de munição de uso restrito, encontrada durante as buscas.
A atuação do Ministério Público ocorreu no âmbito do Grupo de Atuação Especial de Combate à Sonegação Fiscal (Gaesf), que reúne forças de segurança do RN para investigar fraudes tributárias complexas e recuperar recursos desviados dos cofres públicos. O MPRN integra o grupo por meio do GAECO, responsável pelo combate ao crime organizado.
Com informações do portal da Tropical.

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