Eu deveria pedir emprego a Jaques Wagner. Graças a
ele, Guido Mantega conseguiu um salário de R$ 1 milhão por mês, durante quase
um ano e meio, do Banco Master. Para quê? Para prestar “consultoria”.
“Os pagamentos a Mantega pela consultoria ao Master
podem ter alcançado, no mínimo, R$ 16 milhões. O ex-ministro fez lobby para o
Master entre julho e novembro de 2025”, publicou a coluna de Andreza Matais.
Mantega conseguiu que Vorcaro e o então CEO do banco
fossem recebidos por Lula, no Palácio do Planalto, em dezembro de 2024, em
encontro fora da agenda presidencial. Lula estava acompanhado dos ministros Rui
Costa e Alexandre Silveira e de Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central.
Deve ter sido a reunião mais cara da história.
Jaques Wagner fez outra boa ação a um amigo: indicou
o escritório de advocacia de Ricardo Lewandowski a Daniel Vorcaro, dono do
Master. O banco fechou um contrato de R$ 250 mil por mês com o escritório do
ex-ministro do STF. Para quê? Para prestar “consultoria”.
O contrato continuou em vigor depois que Lewandowski
assumiu a pasta da Justiça e que o escritório passou a ser comandado por dois
filhos dele.
“O contrato com o Master rendeu cerca de R$ 6,5
milhões brutos ao escritório da família de Lewandowski, dos quais R$ 5,25
milhões após a ida dele para o Ministério da Justiça e Segurança Pública”,
revelou a coluna de Andreza Matais.
Como tudo o que cerca Vorcaro, falta clareza, embora
sobrem especulações, a respeito da sua proximidade com Jaques Wagner, um
sujeito batuta que propiciou a Mantega e Lewandowski ganhar tantos milhões.
Uma continha singela que inclua o contrato
multimilionário do escritório da mulher do ministro Alexandre de Moraes com o
banco, contrato de escopo tão vasto quanto insondável, mostra que, entre 2024 e
2025, o Master gastou, direta e indiretamente, R$ 4 milhões e 850 mil por mês
apenas com três personagens do círculo do poder brasiliense.
Há também o imbróglio do resort Tayayá, no interior
do Paraná, que não pertence a Dias Toffoli, embora todo mundo lá diga que o
ministro do STF, que se assenhorou do caso Master, é o verdadeiro dono do
empreendimento turístico, assim como ocorria com o Sítio de Lula que não era de
Lula. Deve ser alucinação coletiva.
O cunhado de Vorcaro foi sócio do Tayayá por meio de
um desses fundos enrolados que operavam com o Master, antes de um advogado da
J&F, empresa que teve aquela multa de R$ 10,3 bilhões cancelada por Dias
Toffoli, assumir integralmente, no papel, a propriedade do resort.
O fundo ligado ao Master investiu R$ 20 milhões no
Tayayá e pagou R$ 3 milhões por metade das cotas dos irmãos de Dias Toffoli,
que eram os supostos donos do resort.
Ainda há uma tonelada de informações desconhecidas
sobre os pagamentos que Vorcaro fez a gente graúda, de todos os poderes e de
todos os lados do espectro político, por meio do seu banco e adjacências.
Infelizmente, porém, não há garantia de que o grosso
virá à tona, porque vai longe o tempo em que havia procuradores querendo limpar
o Brasil e no qual a imprensa não sofria intimidações da cúpula do Judiciário,
apesar de alguns jornalistas continuarem lutando destemidamente para cumprir o
seu papel de fiscalizar o poder.
Como o dono do Master comprou uma rede de proteção
em Brasília, mas houve quem deixasse de entregar o que vendeu, pode ser que, se
as coisas derem muito errado para ele, Vorcaro abra a boca, nem que seja só por
vingança. A vingança, não a esperança, é a última que morre.
Mario Sabino - Metrópoles

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