Os irmãos do ministro do Supremo Tribunal Federal
Dias Toffoli cederam uma fatia milionária no resort Tayaya, em Ribeirão Claro,
no Paraná, a um fundo da Reag Investimentos, investigada por abrigar teias de
fundos ligados ao Banco Master e suspeitos de sonegação bilionária no mercado
de combustíveis.
Procurados, o ministro Dias Toffoli, seus irmãos e a
administração do resort não se manifestaram.
O ministro não tem participação direta no resort,
mas frequenta o Tayaya. Seus irmãos e pelo menos um primo tiveram participação
acionária na empresa.
O Arleen Fundo de Investimentos, da Reag, chegou a
investir R$ 20 milhões em duas empresas de familiares do ministro responsáveis
pelo resort de 58 mil metros quadrados, como revelou a Folha de S. Paulo. O
jornal mostrou que o Arleen investiu em outros fundos que estão sob suspeita
pela PF.
Toffoli é relator do inquérito do caso Master no
Supremo Tribunal Federal, que envolve a Reag Investimentos. Ele passou a ser
responsável pelo inquérito após aceitar um pedido da defesa do banqueiro Daniel
Vorcaro para que o caso fique no STF.
Parecer preliminar de técnicos do TCU constatou que
BC agiu corretamente nas investigações do Master
A gestora e administradora de recursos financeiros
Reag abrigou teias de fundos ligadas ao dono do banco Master, investigadas pela
Polícia Federal. Também foi alvo da PF por abrigar fundos usados por suspeitos
de sonegação e envolvimento com o PCC no setor de combustíveis.
O Estadão obteve acesso a documentos da sociedade ao
longo dos últimos anos. Uma das empresas beneficiada por investimentos do fundo
Arleen é a Tayaya Administração e Participações, que foi aberta em 2011 pelo
primo do ministro, Mario Umberto Degani. A outra era a DGEP, também do primo do
ministro.
Em 2021, como mostrou o portal O Antagonista, a
Maridt Participações S.A., que tinha como dirigentes dois irmãos do ministro,
Jose Carlos e José Eugênio Dias Toffoli, se tornou sócia do empreendimento.
José Carlos Dias Toffoli é padre na cidade de
Marília, reduto do ministro, e José Eugênio é engenheiro e chegou a prestar
serviços para a Queiroz Galvão, empreiteira envolvida na Operação Lava Jato,
entre 2008 e 2015. Ele não foi denunciado na operação.
Documentos da Junta Comercial do Paraná mostram que
a fatia dos irmãos chegou a ser de R$ 1,37 milhão na Tayaya Administração e de
outros R$ 5,4 milhões na DGEP Empreendimentos.
Em setembro daquele ano, a Maridt vendeu uma parte
de sua participação na Tayaya, no valor de R$ 618 mil, ao Arleen. No mesmo dia,
transferiu, em termos idênticos, R$ 2,54 milhões de sua fatia na DGEP.
Atualmente, nem o fundo nem os familiares de Toffoli
permaneceram formalmente na sociedade. O Arleen, o primo e os irmãos de Toffoli
cederam suas quotas para o advogado de Goiás Paulo Humberto Barbosa, atualmente
único sócio das empresas.
O fundo Arleen foi aberto em 2021, com prazo para
durar 20 anos, conforme documentações entregues à Comissão de Valores
Mobiliários. Ele tem apenas um cotista, que é outro fundo gerido pela Reag.
No início de novembro de 2025, dois meses depois da
deflagração da operação Carbono Oculto, da Polícia Federal, que investiga o uso
de fundos da Reag para lavagem de dinheiro para o PCC, uma assembleia de
cotistas decidiu por sua liquidação.
No mesmo mês, dias depois, o banqueiro Daniel
Vorcaro seria preso pela Polícia Federal por fraudes no Banco Master. Fundos da
Reag também são alvo da investigação.
Pareceres de auditoria entregues à CVM mostram que
empresas se abstiveram de opinar sobre a veracidade das demonstrações
financeiras do Arleen em razão da falta de documentos que teriam de ter sido
entregues para escrutinar seus ativos, como era o caso do Tayaya. Em um dos
pareceres, foi citada preocupação dos auditores com a deflagração da Operação
Carbono Oculto e suas eventuais ligações com o fundo.
O ministro Dias Toffoli frequenta o Tayaya há anos.
Como mostrou a Folha de S. Paulo, em 2019, foi a eventos no interior de São
Paulo e no Paraná e esticou sua estadia no resort.
Mais recentemente, o portal ICL Notícias mostrou que
Toffoli chegou ao Tayaya de helicóptero, após pegar um voo em um avião usado
por Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco, alvo da Operação Carbono
Oculto e um dos controladores da Copape, suspeita de sonegação bilionária.
Procurados, o Tayaya, Jose Eugenio Dias Toffoli, o
ministro Dias Toffoli, Paulo Humberto Barbosa, José Carlos Dias Toffoli e
representantes da Reag Investimentos não se manifestaram.
Estadão

Nenhum comentário:
Postar um comentário