O ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal
Federal), ignorou a Polícia Federal e designou por conta própria peritos da
corporação para acompanhar a extração de dados e a realização da perícia do
material apreendido na Operação Compliance Zero.
Toffoli definiu que quatro peritos, citados
nominalmente por ele em seu despacho, "terão livre acesso ao material
apreendido e deverão contar com o apoio da Procuradoria-Geral da República para
acompanhamento dos trabalhos periciais”.
Os peritos Luís Filipe da Cruz Nassif, Tiago Barroso
de Melo, Enelson Candeia da Cruz Filho e Lorenzo Victor Schrepel Delmutti foram
indicados pelo ministro para acompanhar a extração de dados e realizar a
perícia do material que está na PGR.
A escolha foi feita a partir de recomendações dadas
diretamente ao ministro, sem passar pela cúpula da corporação. Os
investigadores souberam da definição dos nomes pela imprensa.
A despeito da designação ter partido do Toffoli, os
peritos escolhidos pelo ministro são elogiados por colegas da corporação. A
avaliação é a de que são profissionais qualificados, competentes e experientes.
A decisão do ministro liberando os peritos da PF foi
tomada um dia depois de ele restringir o acesso ao material somente à PGR e
marca o segundo recuo no caso em 24 horas.
Em um primeiro momento, Toffoli determinou que todos
os bens e materiais apreendidos pela PF na operação deflagrada na manhã de
quarta-feira (14) deveriam ser lacrados e acautelados diretamente na sede do
STF “até ulterior determinação”.
Integrantes da PF reagiram com surpresa à
determinação de Toffoli e relataram preocupação com a ordem do ministro. A
avaliação de delegados era a de que era preciso haver permissão para início
imediato de análise e extração de dados dos aparelhos apreendidos.
O receio expresso por investigadores era de que os
aparelhos fossem eventualmente acessados remotamente e de que houvesse prejuízo
à investigação com a destruição de provas. Havia dúvidas ainda por parte dos
policiais com relação à capacidade técnica do STF de realizar a extração dos
dados.
O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, pediu que
Toffoli reconsiderasse a decisão, apontando os riscos de frustração da operação
caso não fosse realizada a imediata submissão dos dispositivos apreendidos à
análise da perícia técnica.
Horas depois, o ministro atendeu a um pedido do
procurador-geral da República, Paulo Gonet, recuou da decisão anterior e
determinou que a PF enviasse à PGR o material apreendido para que a instituição
realize a extração e análise de todas as provas obtidas.
CNN Brasil

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