O jornalista William Waack avaliou que o novo
inquérito sigiloso aberto pelo Supremo Tribunal Federal serve, na prática, para
proteger ministros da própria Corte. A investigação foi instaurada de ofício
pelo ministro Alexandre de Moraes, sem provocação da Polícia Federal ou da
Procuradoria-Geral da República, para apurar suposto vazamento de dados
sigilosos da Receita Federal e do Coaf envolvendo Moraes, Dias Toffoli e
familiares.
Para Waack, o procedimento repete um método já
adotado pelo STF. Em 2019, o tribunal abriu outro inquérito sigiloso, também de
ofício, para investigar a disseminação de notícias consideradas falsas contra a
Corte. À época, Toffoli presidia o Supremo e Moraes foi designado relator. A
apuração segue em andamento até hoje, sem prazo definido para conclusão.
O jornalista aponta que o foco da nova investigação
não seria o vazamento em si, mas o constrangimento causado pelo conteúdo
revelado. Entre os episódios estão informações sobre um contrato milionário
entre o escritório de advocacia da esposa de Moraes e o dono do Banco Master,
além de negócios envolvendo parentes de Toffoli ligados a investimentos em um
resort de luxo.
Na avaliação de Waack, ao agir sem provocação dos
órgãos competentes, o Supremo estaria atuando para resguardar interesses
pessoais de seus integrantes, o que comprometeria a legitimidade da
instituição. Segundo ele, esse tipo de postura tende a ocorrer quando
autoridades passam a se comportar como se fossem donas das instituições que
deveriam apenas representar.
Com informações da CNN

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