O Partido dos Trabalhadores (PT) estabeleceu como
uma das prioridades para este ano a eleição de deputados e senadores,
escanteando a disputa aos governos estaduais. A sigla, que vai centralizar
esforços para a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT),
pode ter o menor número de candidatos próprios a governador de sua história.
O mais baixo número de candidaturas encabeçadas pelo
PT foi registrado em 2010, ano em que a legenda privilegiou a eleição de Dilma
Rousseff. Agora, membros do grupo de trabalho que discute a tática
eleitoral do partido apontam que a sigla pode lançar sete candidatos — três
deles à reeleição.
No entanto, o número pode crescer com as definições
a respeito de candidaturas petistas em São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do
Sul e Maranhão. A expectativa é que o cenário volte a ser discutido no
próximo dia 2 de fevereiro, quando o grupo voltará a se reunir.
A diretriz da cúpula partidária é priorizar
candidaturas ao Senado, em um movimento semelhante ao que tem sido articulado
por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Dirigentes do PT avaliam que
a base aliada de Lula precisa conquistar maioria na Casa, que terá 54 cadeiras em disputa neste ano, para evitar
“retrocessos” em um eventual quarto mandato do petista.
Colocadas em segundo plano, as candidaturas aos
governos devem ser concentradas em estados nos quais o PT demonstra viabilidade
ou potencial para crescer ao longo da disputa. Outro objetivo será a
manutenção dos atuais estados comandados pela sigla.
Nas últimas eleições, a legenda disputou a chefia de
13 estados e conquistou a vitória em quatro: Bahia (Jerônimo Rodrigues),
Ceará (Elmano de Freitas), Piauí (Rafael Fonteles) e Rio Grande
do Norte (Fátima Bezerra).
Do grupo, apenas Fátima Bezerra deve disputar outro
posto em 2026. A governadora do Rio Grande do Norte se prepara para disputar
novamente uma vaga ao Senado e tenta fazer como sucessor o atual secretário de
Fazenda do estado, Cadu Xavier.
Entre os candidatos à reeleição, Rafael
Fonteles é o único que tem registrado bons desempenhos em pesquisas e afastado
preocupações no entorno petista. Por outro lado, Cadu Xavier, Jerônimo
Rodrigues e Elmano de Freitas têm figurado na segunda ou terceira colocação.
O
partido tem discutido estratégias para melhorar a performance dos prováveis
candidatos. Na última semana, o ministro da Educação, Camilo Santana, afirmou
que deve deixar a pasta para ajudar Elmano de Freitas na disputa
cearense.
Candidaturas lideradas pelo PT em disputas a
governos estaduais
- 1990:
23 candidatos
- 1994:
19 candidatos
- 1998:
16 candidatos
- 2002:
24 candidatos
- 2006:
18 candidatos
- 2010:
10 candidatos
- 2014:
17 candidatos
- 2018:
16 candidatos
- 2022:
13 candidatos
A definir
Além dos candidatos à reeleição e de Xavier, o grupo
eleitoral do PT trata como mais avançadas as negociações para as seguintes
candidaturas próprias:
- Espírito
Santo: Helder Salomão, deputado federal por três mandatos;
- Rio
Grande do Sul: Edegar Pretto, presidente da Companhia Nacional
de Abastecimento (Conab) e derrotado nas eleições ao Palácio Piratini em
2022.
No Distrito Federal, Leandro Grass (PT) deve disputar em nome da federação
PT-PCdoB-PV. Grass foi candidato ao GDF em 2022, pelo PV, e perdeu, no
primeiro turno, para Ibaneis Rocha (MDB).
Em vez de encabeçar as candidaturas, a direção
nacional do PT orientou, no ano passado, que fossem privilegiadas composições
em chapas aliadas — em alguns casos, ocupando a candidatura a vice-governador.
Quatro estados, no entanto, ainda aguardam
definições internas. Os dois principais são São Paulo e Minas Gerais.
O grupo eleitoral do PT defende a candidatura do
ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ao governo paulista. Haddad tem rechaçado a possibilidade. Dentro da sigla, há a
expectativa de que ele seja convencido por Lula a disputar o posto.
Em Minas, o presidente Lula já afirmou reiteradas
vezes que gostaria de ver o senador Rodrigo Pacheco (PSD) disputando o Palácio
da Liberdade. Pacheco também tem demonstrado resistência, e alas do
diretório local da sigla têm defendido lançar um nome próprio.
No Mato Grosso do Sul, Fábio Trad foi
lançado pela direção local como pré-candidato a governador. Há uma avaliação de
dirigentes nacionais de que o nome pode enfrentar, no entanto, dificuldades sem
a participação da ministra do Planejamento, Simone Tebet (MDB), no palanque.
Uma ala do PT local defende romper um acordo com o
atual governador do Maranhão, Carlos Brandão (sem partido), e lançar o
vice-governador Felipe Camarão (PT) como candidato ao governo
estadual. Internamente, dirigentes petistas defendem uma construção que evite
uma divisão no estado.
As estratégias eleitorais do PT ainda devem ser
discutidas ao longo dos próximos meses. A consolidação, dizem, deverá ocorrer
no Congresso Nacional da sigla, marcado para abril. No mesmo mês, dirigentes da
legenda também pretendem anunciar a renovação da federação partidária com PCdoB
e PV.
Diretriz da direção
Em dezembro do ano passado, a direção nacional do PT
aprovou uma resolução para guiar as negociações políticas e eleitorais em 2026.
O texto coloca a reeleição de Lula como
prioridade máxima da sigla e afirma que há “urgência de eleger uma nova
correlação de forças no Legislativo”.
O partido exige a “construção de chapas competitivas
para as Assembleias Legislativas, Câmara Federal e, sobretudo, para o Senado,
em que cada cadeira será decisiva para garantir governabilidade”.
O PT avalia como “fundamental” a reunião de
palanques “fortes e amplos nos estados” para “sustentar a campanha de Lula”.
“O Senado, em particular, deve ser tratado como
prioridade, uma vez que sua composição será determinante para a aprovação de
reformas estratégicas, tornando imprescindível que o PT dispute com força essas
vagas em cada estado, integrando a tática nacional com a dinâmica local de
alianças e mobilização social”, diz o documento.

Nenhum comentário:
Postar um comentário