Em pouco mais de um mês e meio, o inquérito no STF
sobre as fraudes no Banco Master passou a gerar forte tensão política e
institucional. O centro das críticas é o ministro Dias Toffoli, relator do
caso, acusado de interferir no trabalho da Polícia Federal e de manter vínculos
indiretos com investigados.
Reportagem do Estadão revelou que Fabiano Zettel,
cunhado de Daniel Vorcaro, comprou a participação dos irmãos de Toffoli em um
resort no Paraná. A empresa funciona no endereço residencial de um dos irmãos
do ministro, o que aumentou os questionamentos sobre imparcialidade.
O desgaste cresceu após Toffoli viajar em jatinho
particular com o advogado do Banco Master para a final da Libertadores, em
Lima, episódio que atingiu a imagem do STF.
Parlamentares pressionam pelo afastamento do
ministro, citando riscos à investigação, mas a Corte ainda não sinalizou medida
nesse sentido. No Senado, pedidos de suspeição e impeachment não avançaram,
embora mantenham Toffoli sob escrutínio.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, já
recebeu quatro representações pedindo o afastamento do ministro e arquivou uma
delas.
Linha do tempo do caso Banco Master
(2025–2026)
01/12/2025 –
Dias Toffoli assume a relatoria do caso após citação do deputado João Carlos
Bacelar (PL-BA). Processo sobe do TRF-1 ao STF a pedido da defesa de Daniel
Vorcaro.
02/12/2025 –
Toffoli impõe sigilo máximo (grau três) às investigações para evitar
vazamentos.
07/12/2025 –
Vem a público viagem de Toffoli em jatinho com advogado ligado ao Banco Master
para a final da Libertadores, no Peru.
12/12/2025 –
Ministro impede que a CPI do INSS tenha acesso a dados sigilosos de Daniel
Vorcaro, mantendo-os sob guarda do presidente do Senado.
15/12/2025 –
Toffoli determina retomada das investigações, com novas oitivas e possibilidade
de quebras de sigilo.
24/12/2025 –
Ordena acareação entre Vorcaro, ex-presidente do BRB e diretor do BC, sem
pedido da PF. PGR tenta suspender, mas Toffoli nega.
27/12/2025 –
Banco Central questiona a acareação; Toffoli rejeita recurso e mantém decisão.
29/12/2025 –
Ministro recua parcialmente e dá autonomia à PF para decidir sobre a
necessidade da acareação.
30/12/2025 –
Depoimentos e acareação ocorrem em clima de conflito entre PF e gabinete de
Toffoli, com intervenção direta do ministro.
11/01/2026 –
Revelada venda de participação milionária de irmãos de Toffoli em resort a
fundo ligado a investigados do caso.
14/01/2026 –
Toffoli autoriza segunda fase da Operação Compliance Zero, com prisões e
buscas. Inicialmente manda lacrar provas apreendidas, depois recua.
15/01/2026 –
Novo recuo: PF é autorizada a periciar o material, com peritos escolhidos pelo
ministro.
16/01/2026 –
Reportagem aponta que cunhado de Vorcaro controlava fundos que compraram a
fatia dos irmãos de Toffoli no resort. Depoimentos são remarcados por decisão
do ministro.
19/01/2026 –
CPI do INSS pede devolução de dados retirados por Toffoli. PGR acumula representações
pedindo suspeição do ministro.
20/01/2026 –
Presidente do STF, Edson Fachin, antecipa retorno a Brasília para conter
desgaste institucional.
21/01/2026 –
Cunhada de Toffoli diz desconhecer vínculo do marido com resort ligado ao caso.
22/01/2026 –
Gonet arquiva pedido de suspeição; oposição prepara novo. Há protesto contra
Toffoli em São Paulo. Fachin divulga nota defendendo o ministro. Reportagem
revela uso frequente de resort por seguranças do STF.
23/01/2026 –
Procurador de Contas aponta desvio de finalidade em contrato de R$ 200 milhões
validado por decisão de Toffoli. Caso já soma seis representações contra o
ministro. No mesmo dia, surge informação de que irmãos de Toffoli foram sócios
de um segundo resort da rede Tayayá.
Com informações de Estadão Conteúdo

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