domingo, 30 de novembro de 2025

Verão: Profissionais dão dicas para perder medidas de forma saudável

 


Raiane Miranda
Repórter

Com a proximidade do verão e das festas de final de ano, muitas pessoas iniciam dietas no último trimestre buscando resultados rápidos. Profissionais da área da saúde defendem que, com um plano estruturado e boa adesão, é possível sim alcançar resultados significativos em três meses. Para isso, é essencial uma ação integrada de atividades físicas e reestruturação alimentar, levando em consideração também fatores psicológicos.

De acordo com a nutricionista Raissa Garcia, em poucos meses já é possível observar mudanças no peso, nas medidas, na composição corporal e no bem-estar. Contudo, a evolução é diretamente influenciada por fatores como constância, nível de atividade física, histórico de saúde, estresse e comprometimento.

“Nessa fase do ano, muitos pacientes chegam mais motivados, com maior senso de urgência e disposição para seguir orientações. Porém, também cresce a ansiedade por resultados rápidos, o que torna o acompanhamento profissional essencial para manter expectativas realistas e evitar condutas extremas,” explica a nutricionista, lembrando a importância do monitoramento de fatores psicológicos.

Na urgência por resultados rápidos, muitas pessoas recorrem a dietas altamente restritivas e aos chamados “detox”, que são receitas que prometem emagrecimento. A nutricionista alerta para os riscos dessas medidas: “Além de não terem respaldo científico, podem causar perda de massa magra, redução do metabolismo, compulsão, deficiências nutricionais, alterações de humor e desequilíbrios hormonais”, explica, acrescentando um alerta sobre o uso de medicamentos para perda de peso: “O uso inadequado de medicamentos para emagrecer é ainda mais arriscado e deve ocorrer apenas com prescrição médica e dentro de um plano completo de acompanhamento”.

Para gerar déficit calórico de forma segura, a profissional explica que ajustes simples são mais eficazes: “Como por exemplo aumentar o consumo de vegetais, controlar porções, priorizar proteínas, reduzir ultraprocessados e organizar refeições. Além disso, é crucial hidratar-se adequadamente e limitar o consumo de álcool”, orienta.

A nutricionista explica que o emagrecimento saudável costuma ocorrer entre 0,5% e 1% do peso corporal por semana, o que equivale a cerca de 2 a 4 kg por mês. “Perdas muito rápidas são insustentáveis e favorecem o efeito sanfona, comum em quem faz dietas restritivas apenas no fim do ano. Para romper esse ciclo, é fundamental priorizar processos graduais e manter hábitos durante todo o ano”, orienta.

O papel da atividade física

Além dos cuidados com a alimentação, a prática de exercício físico regular também é uma ferramenta essencial para alcançar as metas desejadas em um curto período de tempo. É o que defende o personal trainer Rafael Nascimento: “Três meses é um prazo excelente para começar a ver resultados significativos de forma saudável. Encontre uma atividade que goste – natação, corrida, ciclismo, musculação – e pratique regularmente, começando de forma gradual e sem exageros, progredindo de acordo com as reações do seu corpo”, sugere o personal.

Para otimizar o objetivo até o verão, Rafael explica que é importante alternar diferentes tipos de treinos, como os resistidos e aeróbios, que são essenciais para melhorar a composição corporal. “Como o período é curto, o ideal é treinar de 5 a 6 vezes por semana, alternando treinos resistidos (musculação) e aeróbicos,” afirma o profissional.

“A maior frequência semanal ajuda a melhorar o gasto calórico e acelerar o metabolismo. Além disso, é importante seguir os princípios de adaptação e sobrecarga, levando em consideração a individualidade de cada pessoa”, completa.

O personal faz um alerta sobre o erro mais comum entre quem busca resultados rápidos: treinar forte todos os dias, de forma inadequada e sem descanso. De acordo com Rafael, o excesso de treinos de alta intensidade pode levar a complicações.

“Quando iniciamos as atividades físicas, nosso corpo precisa passar por adaptações fisiológicas e é necessário dosar a carga e volume dos treinos,” conta. “Treinos de alta intensidade podem levar a lesões musculares, articulares e até cardíacas se praticados de forma excessiva ou incorreta. Por isso, é importante ter o acompanhamento de um profissional de educação física,” esclarece.

Rafael explica que os dias de descanso são tão importantes quanto os dias de treino, pois permitem que as fibras musculares se reparem e cresçam mais fortes. “Durante o repouso, o corpo reconstrói o tecido muscular danificado, repõe os estoques de energia, equilibra hormônios e previne lesões”, destaca.

Para manter o corpo alcançado no pós-verão, a sugestão é manter o equilíbrio: “Nosso corpo reage de acordo com a vida que temos, tudo em excesso faz mal. Costumo falar que o dia tem 24h, ou seja, ache um tempinho para cuidar da saúde. Com 30 ou 40 minutos já conseguimos fazer um ótimo treino,” finaliza o profissional.

A assessora parlamentar e criadora de conteúdo digital, Pâmela Alcântara, 27 anos, é um exemplo de que a motivação do final do ano pode impulsionar a busca por ajuda.

Ela conta que o desejo de mudança já existia, mas a aproximação das festas foi o gatilho para buscar ajuda profissional: “Eu estava insatisfeita com meu corpo e percebi que só reclamava, sem realmente fazer algo para mudar. No fim do ano, com viagens e eventos chegando, decidi que não dava mais para continuar fazendo só o básico,” compartilha.

Com poucas semanas de acompanhamento nutricional e disciplina, ela já observou mudanças significativas: “Nas primeiras duas semanas eu já senti diferença no corpo e na disposição. No retorno de 30 dias, eu tinha perdido 3kg, e isso me motivou muito a continuar e permanecer firme no processo,” conta Pâmela, acrescentando que busca uma barriga mais seca e corpo definido, sem perder a massa magra.

Impacto psicológico e alertas

A pressão estética do chamado “corpo de verão” pode afetar profundamente a saúde mental das pessoas. O psicólogo Alexandre Ribeiro explica que, do ponto de vista psicanalítico, essa pressão não é apenas algo social, mas também uma questão de identidade íntima.

“Quando somos convocados a corresponder a um ideal de corpo perfeito, por muitas vezes inalcançável, começamos a nos medir o tempo todo a partir do olhar do outro e não mais a partir do que faz sentido para nós”, explica.

Segundo o profissional, é neste momento que surgem sentimentos de inadequação, vergonha e a sensação constante de insuficiente: “A pessoa passa a se comparar com imagens idealizadas e, com isso, aumenta a ansiedade, a autocrítica e a queda da autoestima. O corpo, que deveria ser um espaço de experiência, prazer e expressão, acaba virando um objeto a ser corrigido, ajustado ou exibido para agradar”, conta.

Alexandre destaca os sinais de que a busca pelo corpo ideal pode estar sendo prejudicial: “A pessoa começa a viver com muita ansiedade na hora de comer, sente culpa depois das refeições, treina de forma compulsiva ou segue regras tão rígidas de dieta e exercício que já não há espaço para espontaneidade”, afirma o profissional. “Também é comum surgir isolamento social e um sofrimento intenso quando os resultados não aparecem como ela imaginava,” destaca, alertando para a necessidade de procurar ajuda profissional.

Alexandre lembra que, para muitas pessoas, manter a motivação em um processo de transformação física pode ser um desafio real: “Do ponto de vista emocional, quando a mudança é guiada apenas por um ideal externo, algo que a pessoa sente que ‘deveria’ alcançar, a motivação costuma ser frágil, porque ela não nasce de dentro”, explica.

Para superar os desafios da jornada, é necessário ser honesto consigo mesmo. “O que realmente sustenta o processo é conseguir se perguntar, com honestidade, ‘por que isso é importante para mim?’”, sugere o psicólogo. “Quando a resposta vem de um desejo pessoal, de saúde, de bem-estar, de sentir-se melhor consigo mesmo, o caminho ganha mais sentido e fica menos sujeito às oscilações da rotina”, completa.

Ele lembra a importância de respeitar o tempo do corpo: “O corpo não responde em linha reta, e tudo bem. Celebrar pequenas conquistas, perceber avanços sutis, respeitar limites e não transformar a rotina em um campo de batalha com a própria imagem ajuda a evitar frustrações desnecessárias”, afirma.

Para lidar com as pressões, Alexandre sugere reduzir o consumo de conteúdos que alimentam comparação e cultivar um olhar mais acolhedor para si mesmo. Segundo o psicólogo, a pergunta chave é: “o que é saudável e possível para mim, hoje, com o corpo que eu tenho?”, finaliza.

 

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