Raiane Miranda
Repórter
Com a proximidade do verão e das festas de final de
ano, muitas pessoas iniciam dietas no último trimestre buscando resultados
rápidos. Profissionais da área da saúde defendem que, com um plano estruturado
e boa adesão, é possível sim alcançar resultados significativos em três meses.
Para isso, é essencial uma ação integrada de atividades físicas e
reestruturação alimentar, levando em consideração também fatores psicológicos.
De acordo com a nutricionista Raissa Garcia, em
poucos meses já é possível observar mudanças no peso, nas medidas, na
composição corporal e no bem-estar. Contudo, a evolução é diretamente
influenciada por fatores como constância, nível de atividade física, histórico
de saúde, estresse e comprometimento.
“Nessa fase do ano, muitos pacientes chegam mais
motivados, com maior senso de urgência e disposição para seguir orientações.
Porém, também cresce a ansiedade por resultados rápidos, o que torna o
acompanhamento profissional essencial para manter expectativas realistas e
evitar condutas extremas,” explica a nutricionista, lembrando a importância do
monitoramento de fatores psicológicos.
Na urgência por resultados rápidos, muitas pessoas
recorrem a dietas altamente restritivas e aos chamados “detox”, que são
receitas que prometem emagrecimento. A nutricionista alerta para os riscos
dessas medidas: “Além de não terem respaldo científico, podem causar perda de
massa magra, redução do metabolismo, compulsão, deficiências nutricionais,
alterações de humor e desequilíbrios hormonais”, explica, acrescentando um
alerta sobre o uso de medicamentos para perda de peso: “O uso inadequado de
medicamentos para emagrecer é ainda mais arriscado e deve ocorrer apenas com
prescrição médica e dentro de um plano completo de acompanhamento”.
Para gerar déficit calórico de forma segura, a
profissional explica que ajustes simples são mais eficazes: “Como por exemplo
aumentar o consumo de vegetais, controlar porções, priorizar proteínas, reduzir
ultraprocessados e organizar refeições. Além disso, é crucial hidratar-se
adequadamente e limitar o consumo de álcool”, orienta.
A nutricionista explica que o emagrecimento saudável
costuma ocorrer entre 0,5% e 1% do peso corporal por semana, o que equivale a
cerca de 2 a 4 kg por mês. “Perdas muito rápidas são insustentáveis e favorecem
o efeito sanfona, comum em quem faz dietas restritivas apenas no fim do ano.
Para romper esse ciclo, é fundamental priorizar processos graduais e manter
hábitos durante todo o ano”, orienta.
O papel da atividade física
Além dos cuidados com a alimentação, a prática de
exercício físico regular também é uma ferramenta essencial para alcançar as
metas desejadas em um curto período de tempo. É o que defende o personal
trainer Rafael Nascimento: “Três meses é um prazo excelente para começar a ver
resultados significativos de forma saudável. Encontre uma atividade que goste –
natação, corrida, ciclismo, musculação – e pratique regularmente, começando de
forma gradual e sem exageros, progredindo de acordo com as reações do seu
corpo”, sugere o personal.
Para otimizar o objetivo até o verão, Rafael explica
que é importante alternar diferentes tipos de treinos, como os resistidos e
aeróbios, que são essenciais para melhorar a composição corporal. “Como o
período é curto, o ideal é treinar de 5 a 6 vezes por semana, alternando
treinos resistidos (musculação) e aeróbicos,” afirma o profissional.
“A maior frequência semanal ajuda a melhorar o gasto
calórico e acelerar o metabolismo. Além disso, é importante seguir os
princípios de adaptação e sobrecarga, levando em consideração a individualidade
de cada pessoa”, completa.
O personal faz um alerta sobre o erro mais comum
entre quem busca resultados rápidos: treinar forte todos os dias, de forma
inadequada e sem descanso. De acordo com Rafael, o excesso de treinos de alta
intensidade pode levar a complicações.
“Quando iniciamos as atividades físicas, nosso corpo
precisa passar por adaptações fisiológicas e é necessário dosar a carga e
volume dos treinos,” conta. “Treinos de alta intensidade podem levar a lesões
musculares, articulares e até cardíacas se praticados de forma excessiva ou
incorreta. Por isso, é importante ter o acompanhamento de um profissional de
educação física,” esclarece.
Rafael explica que os dias de descanso são tão
importantes quanto os dias de treino, pois permitem que as fibras musculares se
reparem e cresçam mais fortes. “Durante o repouso, o corpo reconstrói o tecido
muscular danificado, repõe os estoques de energia, equilibra hormônios e
previne lesões”, destaca.
Para manter o corpo alcançado no pós-verão, a
sugestão é manter o equilíbrio: “Nosso corpo reage de acordo com a vida que
temos, tudo em excesso faz mal. Costumo falar que o dia tem 24h, ou seja, ache
um tempinho para cuidar da saúde. Com 30 ou 40 minutos já conseguimos fazer um
ótimo treino,” finaliza o profissional.
A assessora parlamentar e criadora de conteúdo
digital, Pâmela Alcântara, 27 anos, é um exemplo de que a motivação do final do
ano pode impulsionar a busca por ajuda.
Ela conta que o desejo de mudança já existia, mas a
aproximação das festas foi o gatilho para buscar ajuda profissional: “Eu estava
insatisfeita com meu corpo e percebi que só reclamava, sem realmente fazer algo
para mudar. No fim do ano, com viagens e eventos chegando, decidi que não dava
mais para continuar fazendo só o básico,” compartilha.
Com poucas semanas de acompanhamento nutricional e
disciplina, ela já observou mudanças significativas: “Nas primeiras duas
semanas eu já senti diferença no corpo e na disposição. No retorno de 30 dias,
eu tinha perdido 3kg, e isso me motivou muito a continuar e permanecer firme no
processo,” conta Pâmela, acrescentando que busca uma barriga mais seca e corpo
definido, sem perder a massa magra.
Impacto psicológico e alertas
A pressão estética do chamado “corpo de verão” pode
afetar profundamente a saúde mental das pessoas. O psicólogo Alexandre Ribeiro
explica que, do ponto de vista psicanalítico, essa pressão não é apenas algo
social, mas também uma questão de identidade íntima.
“Quando somos convocados a corresponder a um ideal
de corpo perfeito, por muitas vezes inalcançável, começamos a nos medir o tempo
todo a partir do olhar do outro e não mais a partir do que faz sentido para
nós”, explica.
Segundo o profissional, é neste momento que surgem
sentimentos de inadequação, vergonha e a sensação constante de insuficiente: “A
pessoa passa a se comparar com imagens idealizadas e, com isso, aumenta a
ansiedade, a autocrítica e a queda da autoestima. O corpo, que deveria ser um
espaço de experiência, prazer e expressão, acaba virando um objeto a ser
corrigido, ajustado ou exibido para agradar”, conta.
Alexandre destaca os sinais de que a busca pelo
corpo ideal pode estar sendo prejudicial: “A pessoa começa a viver com muita
ansiedade na hora de comer, sente culpa depois das refeições, treina de forma
compulsiva ou segue regras tão rígidas de dieta e exercício que já não há
espaço para espontaneidade”, afirma o profissional. “Também é comum surgir
isolamento social e um sofrimento intenso quando os resultados não aparecem
como ela imaginava,” destaca, alertando para a necessidade de procurar ajuda
profissional.
Alexandre lembra que, para muitas pessoas, manter a
motivação em um processo de transformação física pode ser um desafio real: “Do
ponto de vista emocional, quando a mudança é guiada apenas por um ideal
externo, algo que a pessoa sente que ‘deveria’ alcançar, a motivação costuma
ser frágil, porque ela não nasce de dentro”, explica.
Para superar os desafios da jornada, é necessário
ser honesto consigo mesmo. “O que realmente sustenta o processo é conseguir se
perguntar, com honestidade, ‘por que isso é importante para mim?’”, sugere o
psicólogo. “Quando a resposta vem de um desejo pessoal, de saúde, de bem-estar,
de sentir-se melhor consigo mesmo, o caminho ganha mais sentido e fica menos
sujeito às oscilações da rotina”, completa.
Ele lembra a importância de respeitar o tempo do
corpo: “O corpo não responde em linha reta, e tudo bem. Celebrar pequenas
conquistas, perceber avanços sutis, respeitar limites e não transformar a
rotina em um campo de batalha com a própria imagem ajuda a evitar frustrações
desnecessárias”, afirma.
Para lidar com as pressões, Alexandre sugere reduzir
o consumo de conteúdos que alimentam comparação e cultivar um olhar mais
acolhedor para si mesmo. Segundo o psicólogo, a pergunta chave é: “o que é
saudável e possível para mim, hoje, com o corpo que eu tenho?”, finaliza.

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