O senador Rogério Marinho, secretário nacional e
presidente estadual do Partido Liberal (PL), afirmou à TRIBUNA DO NORTE que
caberá ao ex-presidente Jair Bolsonaro, “no momento oportuno”, definir o nome
que representará a direita na disputa pela Presidência em 2026. Em visita ao
Rio Grande do Norte e já pré-candidato ao governo estadual, Marinho disse que a
direita está unida no Estado e que trabalha para atrair o centro. O parlamentar
também defendeu que Bolsonaro é vítima de perseguição política e que o
Congresso deve aprovar uma anistia que permita sua volta ao processo eleitoral,
além de fazer críticas contundentes à gestão Fátima Bezerra e ao modelo de
licenciamento ambiental vigente no RN.
Como o senhor avalia tudo isso que
aconteceu com o ex-presidente Jair Bolsonaro?
O
ex-presidente está sendo vítima de uma injustiça, de uma perseguição, porque
ousou enfrentar o sistema. É alguém que se elegeu sem voto, sem partido, sem
dinheiro, sem tempo de televisão, voando abaixo do radar. Quando o sistema
percebeu, tentaram matá-lo com uma facada, e é uma questão literal, não é uma
alegoria. Ele governou sem permitir o aparelhamento da máquina pública, sem
concessões aos campeões nacionais, enfrentando os grandes sistemas de
comunicação, sem tutelar os governos, sempre, no Brasil, antes e depois dele. E
pagou um preço por isso. Na hora em que perdeu as eleições, na hora em que Lula
se elege, houve um grande movimento para retirá-lo do processo eleitoral. É bom
lembrar que há mais de cem dias, antes do trânsito em julgado do pretenso
golpe, ele foi impedido de se comunicar com as pessoas, foi censurado, com
medidas cautelares que lhe foram impostas no âmbito de um processo em que
sequer foi denunciado. E quando foi preso no sábado foi porque o filho convocou
um culto, uma vigília de oração. É bom lembrar que quando Lula foi preso, ele
convocou a população para queimar pneu na rua. Ele foi para dentro do Sindicato
dos Metalúrgicos de São Bernardo e convocou a população para queimar pneu na
rua. E naquela oportunidade isso foi interpretado como ato de resistência
democrática. Agora, o filho de Bolsonaro convoca uma oração dentro do que reza
a Constituição e liberdade religiosa e do direito de reunião, e isso é considerado
um risco de fuga. As pessoas falam da tornozeleira. Em 17 páginas da decisão do
ministro Alexandre de Moraes tem um parágrafo sobre a tornozeleira. Isso
aconteceu praticamente de meia-noite. Seis horas da manhã a Polícia Federal
estava na porta do ex-presidente. A Polícia Federal é uma repartição, não tem
um plantão para prender pessoas em função da decisão judicial. A não ser que
seja prisão em flagrante. O ex-presidente Bolsonaro está passando por um
processo que a história vai julgar.
E que solução resta?
Nós
já perdemos aqui na última instância na questão da justiça. Mas nos resta a
solução política. E vamos lutar dentro do parlamento, para que o parlamento
politicamente, de acordo com a Constituição, cumpra o seu papel em voto e
anistia e o presidente possa, em liberdade, participar do processo eleitoral.
Agora, tudo o que está acontecendo com ele, está gerando um clima de
indignação, de solidariedade e de muita resiliência na população brasileira.
Acho que a direita vai ficar cada vez mais forte para o pleito de 2026.
Qual a avaliação que o senhor faz do
governo Fátima Bezerra (PT) que, ultimamente, vem com problemas na saúde,
problemas na educação, na segurança, até mesmo na questão de pagamentos da
folha e fornecedores?
Quem
avalia o governo Fátima é a população do Rio Grande do Norte, que unanimemente
lhe dá uma nota muito baixa. Ela tem sido reprovada pela população. Muito mais
pelas suas omissões do que pelos seus atos. É um governo que não consegue
cuidar da saúde. Os hospitais regionais são sucateados. É um governo que não
consegue dar resposta na área de infraestrutura, as estradas, os aeroportos, a
estrutura de logística do estado completamente deteriorada e destruída. É um
estado que não consegue dar resposta na área da segurança pública, áreas
ocupadas por milícias e por facções e uma sensação da sociedade de desamparo e
de insegurança. O cidadão não se sente desprotegido. É um governo que não
consegue dar resposta na área da educação, estamos com quase sete anos mo
governo de uma professora e no ano passado ficamos em último lugar no Índice de
Desenvolvimento Básico da Educação (Ideb). Último lugar entre os 27 estados
federados. E qual foi a solução que a governadora deu? Ah, quem for reprovado
em seis matérias vai ter progressão automática. Então, me desculpe, isso é um
acinte, é um deboche contra a sociedade, contra os nossos jovens, está formando
uma geração incapaz de se integrar de forma adequada no mercado de trabalho, de
formar sua família, de ter cidadania e dignidade.
O senhor não vê perspectiva de
desenvolvimento?
Nós
somos um estado que não gera expectativa de geração de emprego e renda porque
os órgãos que emitem licenças de instalação estão aparelhados do ponto de vista
ideológico e encaram quem empreende, quem é empresariado no estado, não como
parceiro, mas como inimigo, como adversário. Isso gera insegurança jurídica,
falta de previsibilidade, procrastinação na liberação dessas licenças e, é
evidente, uma desesperança no empresariado potiguar e aquele que quer chegar
aqui no estado do Rio Grande do Norte, ou seja, essas pessoas estão indo para
os outros estados. Para a Paraíba, para Pernambuco, para o Ceará, onde não há
essa animosidade, esse clima de hostilidade que é gerado aqui no estado, graças
a um viés ideológico em detrimento do técnico dos órgãos de concessão de
licenças e controle no estado do Rio Grande do Norte. A minha avaliação é que,
na hora em que a governadora apresenta Cadu (Carlos Eduardo Xavier) como seu
pré-candidato a governador, ela, na verdade, sacramenta essa ironia, esse
deboche contra a sociedade norte-rio-grandense, porque não há notícias de um
caos, do ponto de vista fiscal, tão grave como o que o estado do Rio Grande do
Norte apresenta hoje. Nós temos um comprometimento da receita corrente líquida
do estado com o pessoal próximo a 80%, 77% e, se levar em consideração os
terceirizados, que estão fora, isso vai passar de 80%, o pior cenário de todo o
Brasil é do Rio Grande do Norte. Conseguiu agora uma liminar na Justiça, para que
ela tenha direito a empréstimos para infraestrutura, mas através de um
artifício jurídico, porque a nota do estado em relação à questão fiscal é muito
baixa. Isso significa que está se deixando um legado, eu diria, uma herança
maldita para gerações subsequentes, na falta de planejamento e de cuidado com
recursos públicos. O gestor desse caos e o cúmplice desse trabalho de desmonte
do estado é justamente o secretário da Fazenda, que é o candidato ao governo do
estado. Então, o PT brinca com a população do Rio Grande do Norte, faz
brincadeira, ironia, deboche, da população do Rio Grande do Norte, quando
apresenta essa candidatura, mas é típico do PT, que aparelha a máquina pública,
corrompe, é ineficiente, que não tem cuidado e não tem zelo com o recurso do cidadão
e do contribuinte, se preocupa muito mais com um projeto de perpetuação do
poder, do que com um projeto de estado, um projeto de país, um projeto de
sociedade.
E qual é a sua avaliação, sua análise do
PL 5977/2025, que visa redução de penas, e como é que isso pode vir até a
beneficiar o presidente Bolsonaro?
O
projeto apresentado pelo senador Carlos Vianna (Podemos-MG) tem seu mérito,
principalmente porque, na hora em que esses artigos forem revogados, todos os
itens que eu diria que são excessivos e foram colocados muito mais em uma
associação de excepcionalidade do que de aplicação correta da legislação, em
relação àqueles que foram acusados de crime de abolição do Estado em 8 de
janeiro de 2023, seriam praticamente soltos, remanescendo os crimes de
depredação de patrimônio e depredação de patrimônio tombado. Nós, em nenhum
momento, e eu falo da direita como um todo, aprovamos a quebra de patrimônio
público. Então quem, de fato, e de forma individualizada, invadiu um prédio
público e quebrou, que depredou patrimônio privado ou patrimônio tombado, essa
pessoa precisa pagar por isso. Nós concordamos. Mas dizer que houve golpe de
Estado no dia 8 de janeiro, com uma multidão de pessoas desarmadas, sem
líderes, sem forças armadas, sem armas, mulheres, crianças, jovens, idosos,
armados de bíblias e de bandeiras, e isso não é um golpe de Estado, é evidente
que é uma forçação de barra enorme. Esse projeto retira esses tipos penais, e
permite que todos aqueles que foram presos por 14 anos porque pintaram uma estátua
de batom, por 17 anos porque estavam no gramado, em frente ao Senado da
República, por 27 anos porque foi entendido que essa pessoa, que era, no caso,
o presidente Bolsonaro, teria sido o artífice de um golpe que ele, ao sair do
Brasil, nomeou o comandante das forças armadas do seu adversário, que não
estava aqui presentemente, que orientou que as pessoas não fizessem bloqueios
nas estradas, que permitiu a transição de forma democrática, pacífica. Então,
nós teríamos condição de virar uma página e superarmos esse problema. Agora, o
ideal seria realmente a anistia, mas esse projeto, realmente é meritório e é
importante.
O cenário para 2026, o senhor
pré-candidato ao governo do Estado, como é que está a articulação da direita no
Rio Grande do Norte e mo plano nacional?
A
direita aqui está unida, nós temos que trazer o centro. A direita está unida em
função do nosso projeto. Nosso desafio é trazer o centro, é trazer pessoas e
atores políticos que estão no espectro do meio da política e que podem vir para
o nosso lado, como podem vir para o lado do adversário, nós queremos que eles
venham para o nosso lado, estamos trabalhando para isso. Bolsonaro, no momento
oportuno, vai escolher o candidato. É ter um pouco de paciência, a gente tem aí
o prazo que a justiça eleitoral dá, até março do próximo ano, para que as
pessoas que têm interesse em concorrer, se filiem a partidos e, até julho,
agosto do próximo ano, para as convenções partidárias. Então a própria justiça
eleitoral estabelece marcos temporais, e o presidente Bolsonaro é quem vai
escolher o nosso candidato.

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