O fim da escala 6×1, se aprovada pelo Congresso
Nacional, poderia acabar com 600 mil empregos no Brasil, segundo nota técnica
do CLP (Centro de Liderança Pública). Os setores mais impactados, de acordo com
o documento, seriam o agro, o comércio e o segmento de construção.
Nos três setores, a perda de produtividade seria de
1,3%, o que acarretaria no fechamento de 1,6% dos postos de trabalho. Em
números absolutos, a agropecuária fecharia 28 mil vagas; o comércio, 164 mil; e
a construção, 45 mil.
Veja impacto nos setores:
Impacto do fim da escala 6×1 (principais
setores)
Sobre estes prejuízos, especialistas explicam que o
fim da jornada 6×1, sem redução salarial proporcional, aumenta o custo do
trabalho no Brasil. E os empregadores tendem a cortar empregos de maneira a
manter o equilíbrio dos negócios.
“Como a PEC 6×1 propõe a manutenção do salário com
redução abrupta da carga de trabalho, o custo do trabalho vai aumentar muito.
Com a produtividade estruturalmente baixa, isso gera um choque negativo na
produtividade do trabalho, com efeito colateral no crescimento do PIB”, afirma
o economista-chefe da ARX, Gabriel Barros.
A nota técnica mostra que a redução da jornada,
considerando o PIB (Produto Interno Bruto) registrada em 2025, resultaria na
perda de cerca de R$ 88 bilhões em atividade econômica.
“A possibilidade de mudar a escala de trabalho
existe, mas exigiria um esforço muito maior de compreensão dos impactos gerais
na economia. Os estudos macro foram que há perda de PIB potencial associada a
esse tipo de mudança”, afirma o economista Sérgio Vale, economista-chefe da MB
Associados.
Este tipo de medida seria prejudicial ao Brasil
devido a sua baixa produtividade — palavra-chave no que diz respeito a essa
discussão. Segundo o CLP, entre 2016 e 2025, o crescimento médio da
produtividade do trabalhador ao redor do mundo ficou em torno de 1,5% ao ano,
enquanto no Brasil ficou em 0,5%.