segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Domingo de Carnaval reúne multidão e movimenta a orla de Ponta Negra

 


O domingo de Carnaval em Natal foi marcado por mais uma noite de celebração, música e encontro à beira-mar. No palco Ponta Negra, montado na orla da praia, uma verdadeira multidão estimada em 80 mil pessoas tomou conta do espaço para prestigiar atrações de peso que transformaram a paisagem em um grande espetáculo de cores, ritmos e alegria.

Mais do que entretenimento, a festa e o grande fluxo de pessoas representam um importante motor para a economia da cidade. O prefeito Paulinho Freire destacou que o Carnaval impulsiona o turismo, fortalece o comércio e projeta Natal nacionalmente. Segundo ele, a festa movimenta hotéis, bares, restaurantes, ambulantes e toda a cadeia produtiva ligada ao setor de serviços.

“Estamos vendo a cidade cheia, turistas ocupando nossa rede hoteleira, movimentando a economia e gerando renda para muita gente. O Carnaval é cultura, é alegria, mas também é desenvolvimento e oportunidade para o nosso povo”, afirmou o prefeito, ressaltando que eventos como esse ampliam a visibilidade da capital potiguar no cenário nacional.

A programação da noite começou em grande estilo com Raí Saia Rodada, que levou ao palco o projeto “Saia Elétrica”. Misturando a batida envolvente do forró com a energia vibrante dos trios elétricos, o artista apresentou uma versão carnavalesca dos sucessos da banda, colocando o público para dançar logo nos primeiros acordes.

Na sequência, um dos maiores nomes do samba brasileiro foi recebido sob aplausos entusiasmados e um coro que ecoava pela orla. Ícone do Cacique de Ramos e fundador do Grupo Fundo de Quintal, Jorge Aragão subiu ao palco ovacionado pela multidão. Com clássicos como “Identidade” e “Eu e Você Sempre”, transformou a beira-mar em uma imensa roda de samba, conduzindo milhares de vozes.

Emocionado, o artista relembrou a relação afetiva que construiu com a capital potiguar. “Eu comprei um apartamento na Praia dos Artistas. Fiquei por aqui porque eu amei Natal. O pessoal me levava para uns lugares para passear. Eu via muitas lagoas, lugares parecidos com um oásis e aí fiquei doidão, eu queria morar aqui”, contou.

Ao falar sobre a força do Carnaval nordestino e o crescimento da festa na cidade, Jorge Aragão fez questão de reconhecer a tradição cultural da região e parabenizar os organizadores do evento. “Eu fico feliz da vida. Primeiro porque esse polo nordestino é fundamental para o Carnaval. Eu sempre vi muito mais fomentadas as brincadeiras de carnaval, as fantasias, essa alegria do povo nas ruas. Eu sempre vi isso muito mais aqui pelo Nordeste. Saber que Natal também tomou esse impulso, eu só tenho que parabenizar as pessoas que estão coordenando, que são os gestores dessa forma de lidar com o carnaval.”

Entre os fãs que vibravam na plateia, a emoção da natalense Antônia Azevedo era visível. Admiradora declarada de Jorge Aragão, ela contou que não pensou duas vezes ao ver a programação. “Eu amo Jorge Aragão, cresci ouvindo as músicas dele. Quando vi que ele vinha para Natal, já me programei. É muito importante ter eventos assim na nossa cidade, que valorizam a cultura e trazem artistas grandes para perto da gente. A gente se sente prestigiada e a cidade fica viva”, afirmou.

A animação seguiu em alta com o grupo É o Tchan!, um dos mais icônicos do país, que agitou a plateia com sucessos que atravessam gerações e não deixam ninguém parado. Encerrando o domingo com chave de ouro, o grupo potiguar Pagode do Coxa levou ao palco sua energia contagiante, reafirmando a força dos talentos locais na programação do Carnaval.

Para quem trabalha na festa, o sentimento também é de gratidão. A ambulante Maria de Fátima Martins, 47 anos, comemorou o movimento intenso na orla. Segundo ela, o Carnaval tem feito a diferença na renda de muitas famílias. “As vendas estão muito boas, o movimento está ótimo, tem muita gente e muito turista. Eu vendo cerveja, água e refrigerante e, graças a Deus, o movimento está excelente. Esse Carnaval está movimentando muito a cidade. O local está maravilhoso, está tudo muito organizado. O prefeito está de parabéns”, declarou.

A estrutura do evento também conta com ações voltadas à saúde e à prevenção. Presente no polo de Ponta Negra, a representante do Núcleo de ISTs da Secretaria Municipal de Saúde, Khadidja Queiroz, explicou que equipes estão atuando tanto na orla quanto no Polo Nélio Dias. “Estamos com ponto fixo de entrega de preservativos femininos e masculinos, gel lubrificante e autotestes para HIV. A expectativa é distribuir cerca de 500 autotestes somente hoje. No Nélio Dias também realizamos testes rápidos para sífilis, hepatites e HIV. Em Ponta Negra, temos equipes volantes circulando na areia para alcançar o público”, destacou, reforçando o compromisso com a saúde durante a folia.

Com uma programação que tem reunido multidões e movimentado diversos setores da economia, Natal volta a se encontrar à beira-mar nesta segunda-feira (16), ao som de atrações como Giulian Monte, Ricardo Chaves, Kadu Martins e Léo Foguete.

Com apresentação de Esportes da Sorte, o Carnaval de Natal é uma realização da Prefeitura do Natal.

 

 

Com Senado difícil, vaga no TCU vira “saída” para Lira

 


Aliados de Arthur Lira (PP-AL) passaram a defender a indicação dele ao Tribunal de Contas da União (TCU) como uma saída políica para o deputado diante das dificuldades dele na disputa ao Senado por Alagoas em 2026.

Segundo apurou a coluna, aliados sugeriram a Lira que o parlamentar se candidate para a vaga do ministro Augusto Nardes, que tem prometido antecipar sua aposentadoria da Corte de Contas para este ano.

A vaga de Nardes é de indicação da Câmara. O indicado será escolhido pelos deputados por meio de votação secreta. Para ser aprovado, o candidato precisa da maioria absoluta dos votos, ou seja, 257 votos.

Na avaliação de aliados de Lira, a indicação dele para a vaga de Nardes no TCU pode ser uma possível saída para o imbróglio que envolve a disputa ao Senado em Alagoas nas eleições de 2026.

Lira, hoje, não é favorito. Candidato à reeleição, o senador Renan Calheiros (MDB-AL) tem liderado as pesquisas. O deputado do PP, por sua vez, está empatado em segundo lugar com outros candidatos.

A situação de Lira, contudo, pode piorar com a entrada do prefeito de Maceió, João Henrique Caldas, o JHC. Como mostrou a coluna, o prefeito já avisou aliados que renunciará ao cargo em abril para concorrer ao Senado.

Apesar da sugestão de aliados, Lira já se lançou como pré-candidato ao Senado e mantém o discurso, ao menos publicamente, de que não abrirá mão de sua candidatura a senador este ano.

Uma eventual derrota, contudo, fará o deputado ficar sem mandato — algo que não ocorre desde 1992, quando o cacique do PP se elegeu pela primeira vez para a Câmara dos Vereadores da capital alagoana.

As vagas da Câmara no TCU

A vaga de Nardes no TCU será a segunda ser decidida pela Câmara. Nos próximos meses, a Casa terá de escolher o substituto do ministro Aroldo Cedraz, que se aposentará compulsoriamente no final de fevereiro.

A vaga de Cedraz foi prometida por Lira e pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB) para o PT ainda em 2025. O nome mais cotado do partido é o deputado federal Odair Cunha (PT-MG).

Já a vaga de Augusto Nardes, que poderia ser destinada para Lira, também já é cobiçada por outros partidos. O PL, por exemplo, gostaria de indicar o atual vice-presidente da Câmara, Altineu Côrtes (RJ), para o posto.

igor Gadelha - Metrópoles

 

 

A última decisão de Toffoli antes de deixar o caso Master

 


Um dos últimos atos do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli à frente do caso Master se deu no fim da tarde de quarta-feira (11). Na tarde de quinta-feira (12), com a anuência dos demais ministros da Corte, Toffoli entregou o caso para ser “redistribuído” pelo presidente do STF, Edson Fachin.

No despacho sigiloso obtido pela coluna, Toffoli removeu dois documentos do processo principal do Master no Supremo e ordenou que fossem autuados como novos processos autônomos.

“Por prevenção”, ou seja, por ser o juiz do tema àquela altura, o próprio Toffoli se apontou como relator desses dois novos casos.

Assim como no caso deste último despacho, vários outros processos derivados do caso Master tramitam hoje de forma independente no STF. Não está claro se todos eles já passaram à relatoria do ministro André Mendonça, escolhido como o novo relator do caso Master.

Andreza Matais - Metrópoles

 

 

PRECONCEITO RELIGIOSO É CRIME -VÍDEO: Chega a ser constrangedor e inacreditável o que foi feito no Carnaval do Rio, levarei esse crime para a justiça, disse Romeu Zema


 



Chega a ser constrangedor e inacreditável o que foi feito no Carnaval do Rio. Levarei esse crime para a justiça – Romeu Zema.

Homenagem a Lula em escola de samba retrata evangélicos em lata de conserva

Uma das alas do desfile chamou atenção ao representar, com fantasias de latas de conserva, grupos classificados como “neoconservadores”. Entre os retratados estavam representantes do agronegócio, defensores da ditadura militar, evangélicos e mulheres de classe alta, simbolizando setores que, segundo a escola, se opõem às principais pautas defendidas por Lula, como a rejeição a privatizações e mudanças na escala 6×1 de trabalho.

O preconceito religioso, ou intolerância religiosa, é a discriminação, ofensas ou violência contra indivíduos devido à sua crença, práticas ou falta dela, configurando crime no Brasil. Frequentemente ligado ao racismo, atinge desproporcionalmente religiões de matriz africana, com aumento de denúncias (2.774 entre 2025/2026 no Disque 100). 


VÍDEO: Homenagem a Lula em escola de samba retrata evangélicos em lata de conserva

 


O desfile da Acadêmicos de Niterói marcou a estreia da escola no Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro, na noite deste domingo, 15. O enredo abordou a trajetória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), deu destaque ao seu papel como operário e presidente do país, e trouxe críticas a setores considerados adversários do chefe do Executivo.

Uma das alas do desfile chamou atenção ao representar, com fantasias de latas de conserva, grupos classificados como “neoconservadores”. Entre os retratados estavam representantes do agronegócio, defensores da ditadura militar, evangélicos e mulheres de classe alta, simbolizando setores que, segundo a escola, se opõem às principais pautas defendidas por Lula, como a rejeição a privatizações e mudanças na escala 6×1 de trabalho.

A apresentação, que começou às 22h13 e durou 79 minutos, ocorreu dentro do limite máximo permitido pela organização. Lula tornou-se o primeiro presidente em exercício a ser tema de uma escola de samba no Carnaval. Ele acompanhou o desfile pessoalmente, ao lado de aliados e integrantes do governo, no camarote disponibilizado pela prefeitura carioca. Até o momento, sete presidentes já foram homenageados em desfiles carnavalescos.

Janja, primeira-dama, chegou a ser anunciada como destaque no último carro alegórico, mas optou por não participar, temendo interpretações de campanha eleitoral antecipada. A Acadêmicos de Niterói, fundada em 2018, teve apenas três participações em carnavais antes de conquistar o acesso ao grupo principal em 2025, depois de vencer a Série Ouro.

Revista Oeste

 


Pobreza afeta desenvolvimento de bebês desde 6 meses, aponta pesquisa

 


Bebês em lares pobres têm prejuízos no desenvolvimento motor. A constatação é de estudo da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) que relacionou a variedade de movimentos dos pequenos com as condições de vida. O resultado foi publicado na revista cientifica Acta Psychologica, no início de fevereiro.

Ao companhar 88 bebês no interior de São Paulo, o estudo mostrou que, desde os seis meses, é possível observar atrasos naqueles que vivem na pobreza. Eles só conseguiam agarrar objetos, virar e sentar mais tarde do que os demais que viviam em melhores condições socioeconômicas.

“A principal constatação da pesquisa é que, esses bebês, aos seis meses, apresentam menor desenvolvimento motor, ou seja, têm um repertório menor de movimento”, explicou a autora, Caroline Fioroni Ribeiro da Silva.

Segundo ela, eles variam menos os movimentos na hora de sentar, de pegar um brinquedo, às vezes, nem conseguem. O trabalho de Caroline contou com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

A investigação acende uma alerta porque, segundo estudos já existentes, atrasos no desenvolvimento infantil podem produzir crianças que aprendem menos.

“A literatura indica que, pela falta de recursos e de estímulo aos bebês, podem ocorrer prejuízos na vida escolar, como déficit de atenção com hiperatividade [TDAH] e transtornos de coordenação”, disse Carolina, que é fisioterapeuta. Ela pondera, no entanto, que mais estudos são necessários para comprovar a relação.

Por outro lado, a pesquisa da UFSCar revelou que a reversão dos atrasos motores pode ocorrer rápido, com estímulos certos. Aos oito meses, bebês avaliados já não tinham problemas significativos. A melhora é atribuída, principalmente, ao engajamento das mães, que reproduziram exercícios simples, como colocar a criança de barriga para baixo (tummy time), usaram papel amassado como brinquedo, conversaram ou cantaram para o bebê.  

“Quando conversamos com o bebê, ele tem a oportunidade de observar os movimentos que a gente faz; quando está de barriga para baixo, está livre para se movimentar e explorar movimento, assim como quando brinca com um papel de presente, que é chamativo  [pelo barulho e textura]”, explicou a fisioterapeuta. “Não são necessários brinquedos caros, apenas orientação”, completou.

Nas visitas às famílias, a pesquisadora conta que era estimulada a interação entre a mãe e bebê. “Falávamos muito para fazerem leitura de livros, cantar, conversar e colocar o bebê de barriga para baixo”, revelou . O chão é o espaço mais seguro para o bebê, porque não tem perigo de ele cair e pode explorar os movimentos, lembrou..

Os momentos em que os bebês ficam de bruços sobre uma superfície segura, com supervisão, servem para fortalecer os músculos da cabeça, pescoço, ombros, costas e braços e prepará-los para movimentos mais complexos. Com esse exercício, é possível também desenvolver a coordenação, fazendo com o que ele possa rolar, sentar, engatinhar e ficar de pé no tempo certo.

A pesquisadora destacou que a maioria das mães expostas à pobreza era adolescente e não sabia estimular os filhos. Nesses casos, ajuda especializada, com visitas de agentes de saúde e fisioterapeutas, são determinantes, afirmou.

“Como não é possível eliminar a pobreza ou a gravidez na adolescência, eu recomendaria visitas de profissionais de saúde para orientar sobre os estímulos nessa fase da vida”.

Nas casas mais pobres, a pesquisa constatou que os bebês passavam mais tempo presos em carrinhos ou contidos e tinham menos oportunidades de explorar o ambiente. Isso ocorria, na maioria das vezes, por falta de espaço.

A presença de mais adultos no mesmo domicílio, em vez de estimular os bebês, também foi apontada como fator negativo. A pesquisa levantou a hipótese de esses lares serem mais “caóticos”, com menos espaços seguros ou  oportunidades para os bebês se movimentarem.

A presença de pais ou mães no mesmo endereço esteve associada a melhores resultados, ao lado da maior escolaridade materna.

“Os responsáveis solo acabam mais sobrecarregados e com menos tempo para brincar e estimular o bebê”, analisou Caroline. “Então, o fato de ter outra pessoa amparando ajuda muito no desenvolvimento”.

Entre outros fatores que contribuem para o desenvolvimento dos pequenos está o uso de brinquedos que estimulam a motricidade fina, mesmo aqueles improvisados e mais econômicos, como chocalhos – que podem ser confeccionados de grãos de arroz ou feijão e garrafas pet.

Cerca de 400 milhões de crianças vivem na pobreza em todo mundo, segundo o relatório “Situação Mundial das Crianças 2025: Erradicar a Pobreza Infantil – Nosso Dever Comum”, publicado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) em novembro de 2025. Eles estão submetidos a severas privações para saúde, desenvolvimento e bem-estar.

 

Ricardo Chaves, Olodum e Tony Salles: Veja programação do Carnaval de Natal nesta segunda

 


A programação do Carnaval de Natal segue nesta segunda-feira (16), em diferentes polos da capital com atrações locais e nacionais. A agenda conta com shows gratuitos na Redinha, Ponta Negra, Petrópolis, Ginásio Nélio Dias e na Rocas com a tradicional Segunda de Vagabundo.

As festividades terão início a partir das 14h na Avenida da Alegria, na Redinha, zona Norte de Natal, com as apresentações de Tony Salles, Capilé e Banda Dubê. Ainda na zona Norte, a programação continua no Ginásio Nélio Dias, às 19h, com Jeff Costa, Léo Foguete, Olodum e Pedro Luccas.

Em Ponta Negra, a programação tem início às 16h na avenida que leva o nome da praia com o show de A Banda. Já na orla da praia, as apresentações começam a partir das 19h com Giulian Monte, Ricardo Chaves, Kadu Martins e Léo Foguete.

A tradicional Segunda de Vagabundo, no bairro das Rocas, zona Leste da capital potiguar, também integra a programação do Carnaval de Natal, com shows de Tornado do Samba, Debinha Ramos e Luizinho Nobre.

Veja a programação do Carnaval de Natal nesta segunda-feira

Avenida da Alegria – Redinha

Concentração a partir das 14h

  • Tony Salles
  • Capilé
  • Banda Dubê

Petrópolis – Largo do Atheneu

  • Bloco Petipá (Infantil)

Ginásio Nélio Dias

A partir das 19h

  • Jeff Costa
  • Léo Foguete
  • Olodum
  • Pedro Luccas

Praia de Ponta Negra

A partir das 19h

  • Giulian Monte
  • Ricardo Chaves
  • Kadu Martins
  • Léo Foguete

Avenida Praia de Ponta Negra

Concentração a partir das 16h

  • A Banda

Segunda de Vagabundo – Rocas

A partir das 19h

  • Tornado do Samba
  • Debinha Ramos
  • Luizinho Nobre

 

Merval Pereira: Interesses cruzados

 


Os trechos publicados pelo site Poder 360 revelando parte das discussões havidas na reunião supostamente secreta dos 10 ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) que resultou na saída do ministro Dias Toffoli da relatoria do caso Master revelam um espírito de corpo que não condiz com o papel institucional que o órgão representa. Afirmar como ponto de vista da instituição que Toffoli não tinha por que declarar-se impedido, mesmo diante do relatório da Polícia Federal que mostrou no mínimo um conflito de interesses na relação do ministro com o réu, é superar em muito a interpretação da lei.

A traição implícita na gravação da reunião já mostra que o Supremo passa por uma crise interna grave, e não é com posições extremadas como as do ministro Flavio Dino, que só vê suspeição em casos de pedofilia e diz que seu time é “STF Futebol Clube”, que vai ser resolvida. Ministros alegam que os elogios e a lealdade dedicadas a Toffoli foi uma maneira de induzi-lo a aceitar se afastar do caso, mas será preciso que se alterem regras e procedimentos para que o espírito de corpo exibido se transforme em espírito cívico, esse sim que deveria reger os atos dos “Supremos”.

O Código de Processo Civil proibia desde 2015 o juiz de participar de processo em que uma parte fosse cliente de escritório de advocacia do seu cônjuge ou parente até 3º grau. Em agosto de 2023, o STF, instado pela associação dos magistrados, considerou a regra inconstitucional. Foi essa liberação que permitiu que o ministro Alexandre de Moraes continuasse atuando no caso do Banco Master, que contratou o escritório da sua esposa Viviane Barci por um salário de 130 milhões por mês. Ela assumiu recentemente a defesa do empresário do setor de mineração Lucas Kallas, em uma disputa de empresas farmacêuticas em que Daniel Vorcaro é o principal acionista e sócio de Kallas. Por fim, Kevin de Carvalho Marques, filho de 25 anos do ministro Kassio Nunes Marques do STF, passou a advogar para a Refit (refinaria) em processo no TRF-1 envolvendo a ANP, onde o pai atuou por nove anos.

São casos como esses que permitem ao ministro Alexandre de Moraes dizer que “é mentira” que os ministros possam atuar em casos em que escritórios de parentes estejam trabalhando. Interesses cruzados não significam impedimento, como um dia nepotismo cruzado também não. Por que o ministro Dias Toffoli não disse, ao defender a tese de que ministros podem receber dividendos, que tinha sido sócio de uma empresa com os irmãos, e que recebera dividendos quando ela foi vendida? Porque não revelou esta informação quando foi sorteado para relatar o caso Master no STF? Porque chamou a si e colocou o máximo de sigilo em todo o processo? Porque queria esconder suas relações com Vorcaro.

E a situação dele agora continua insustentável, não sei se pode continuar como ministro do Supremo, inclusive porque a suspeita de que ele tenha gravado a reunião é quase uma certeza dentre seus colegas. A saída mais quase honrosa para ele seria se aposentar. Ao que parece, porém, o sentimento dos ministros não é de que o STF precisa se salvar desta crise . Ao contrário, eles continuam achando que são inocentes em tudo, que são corretíssimos e todos se declararam amigos de Toffoli. Corporativismo não combina com a institucionalidade.

Dizer que o presidente do STF, ministro Edson Fachin, está isolado, ao lado da ministra Carmem Lucia, é dizer que os ministros estão alheios ao que acontece à sua volta. A crise é seríssima e atinge uma instituição importantíssima para o país . A prioridade não pode ser agradar o ministro, ou ter compaixão por ele. Parece que a decisão de tirá-lo da relatoria foi mais para abafar o caso do que para aprofundar a investigação.

Mas a PF vai continuar investigando e Facchin não vai impedir, como gostariam alguns dos seus. Muito mais coisa vai acontecer e este sentimento corporativo do STF não é um bom sinal. Se continuar nesse tom, é possível que Dias Toffoli venha a ser o primeiro ministro do Supremo a ser impedido pelo Senado.

Merval Pereira - O Globo

 

 

Apurações de venda de sentenças e assédio desgastam STJ em meio a debate de código de ética no Judiciário

 


Em um dos momentos mais difíceis de sua história, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) é pressionado por duas crises que atingem diretamente a imagem e a credibilidade da Corte: as denúncias de importunação sexual contra o ministro Marco Buzzi e o escândalo de venda de sentenças em gabinetes investigado pela Polícia Federal (PF) e pelo Ministério Público.

Os dois casos, que colocam no foco a atuação de ministros de tribunais superiores, ocorrem no momento em que o Judiciário, especialmente o Supremo Tribunal Federal (STF), discute a criação de um Código de Conduta para seus integrantes — com potencial repercussão sobre o próprio STJ. Nas apurações sobre sentenças, nenhum ministro é investigado.

Esse mesmo conjunto de regras ganhou ainda mais relevância a partir da crise de credibilidade do STF com o afastamento de Dias Toffoli do caso Master e as revelações de que a empresa do ministro, que detinha a propriedade do resort Tayayá, recebeu dinheiro de fundo gerido pelo cunhado de Daniel Vorcaro, ambos protagonistas do escândalo e investigados pela PF.

Duas denúncias

No STJ, após a repercussão da suspeita de cometimento de crimes sexuais, a Corte determinou no início da semana passada o afastamento de Buzzi do cargo por tempo indeterminado. O episódio é alvo de apurações preliminares conduzidas pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e pelo STF, além do próprio STJ, que abriu uma sindicância interna para apurar as denúncias.

O ministro é acusado por uma jovem de 18 anos de tê-la assediado durante as férias que ela passava com a família na casa dele, em Balneário Camboriú (SC). Na semana passada, uma segunda denúncia foi apresentada à Corregedoria Nacional de Justiça, dessa vez envolvendo fatos ocorridos em 2023 com uma mulher que trabalhou no gabinete do magistrado como secretária. Buzzi nega as acusações.

O Código de Conduta do Supremo, ainda em fase embrionária, não seria capaz de evitar episódios como os que vêm ocorrendo no STJ, já que as suspeitas são avaliadas sob o prisma da legislação penal. Mas os casos são importantes para evitar outras práticas que podem arranhar a imagem do Poder Judiciário.

Assim que a ideia de criar um código para os tribunais superiores passou a ser tratada pelo presidente do STF, Edson Fachin, o presidente do STJ, ministro Herman Benjamin, passou a ser citado como um dos apoiadores. Procurado, o STJ não se manifestou.

Ministros ouvidos reservadamente pelo GLOBO afirmam que o tribunal, enfrentando duas frentes de desgaste, precisava dar uma resposta imediata e à altura da gravidade dos fatos apurados. Eles dizem que o STJ demonstrou agilidade e dever ético ao tratar do caso. Um ministro ouvido sob a condição de reserva afirmou que, caso a Corte decidisse não afastasse Buzzi, o tribunal estaria cometendo “suicídio institucional”.

Outro magistrado ainda disse que, ao analisar a situação, o tribunal não estava julgando o colega, mas avaliando a capacidade de Buzzi permanecer nas funções jurisdicionais “sob o ponto de vista moral e de isenção”. Para além do afastamento temporário, ministros passaram a defender a aposentadoria de Buzzi como uma saída para reduzir o impacto político da crise.

A revelação das denúncias causou um terremoto nos bastidores no STJ. Antes do afastamento — em sessão a portas fechadas do tribunal realizada no dia 4 de fevereiro, que reuniu 29 dos 33 ministros para tratar da abertura de sindicância — houve forte tensão.

Ministros ouvidos pelo GLOBO apontam que o presidente do STJ, Herman Benjamin, decidiu dar urgência ao caso desde o início. Segundo relatos, no mesmo dia em que a primeira denúncia veio à tona, ele convocou a sessão do Pleno que trataria do caso, gesto interpretado como uma sinalização clara de que o tribunal não se furtaria a enfrentar um tema constrangedor.

A primeira reunião, no entanto, não foi consensual. De acordo com relatos feitos sob reserva, houve forte pressão para que o episódio fosse tratado como um assunto de natureza privada, sem envolvimento direto do tribunal. Prevaleceu o entendimento de que a omissão poderia agravar a crise e comprometer ainda mais a imagem da Corte.

De lá para cá, integrantes do tribunal relatam terem sido procurados por familiares do ministro e se disseram constrangidos com uma carta enviada por WhatsApp por ele próprio, em que disse que a situação tem causado sofrimento à sua família e às pessoas de seu convívio. Um dos integrantes da Corte afirmou entender que o contato era uma pressão indevida.

O STJ também marcou para 10 de março uma sessão para deliberar sobre as conclusões da sindicância aberta pelo tribunal para analisar as acusações contra o ministro.

Em nota, a defesa de Buzzi classificou o afastamento como desnecessário, “sobretudo diante da inexistência de risco concreto à higidez procedimental da investigação e também porque o ministro já se encontra afastado para tratamento médico”. O texto acrescenta que a medida forma um “arriscado precedente de afastamento de magistrado antes do crivo do pleno contraditório”. Os advogados do ministro do STJ também afirmam que ele “não cometeu qualquer ato impróprio, como será possível demonstrar oportunamente no âmbito dos procedimentos já instaurados”

‘Mercado de influência’

Paralelamente, o STJ segue sob os holofotes por causa do escândalo da venda de sentenças, que mira uma rede formada por lobistas, advogados, empresários e ex-servidores de gabinetes de ministros, suspeitos de intermediar decisões em troca de vantagens financeiras.

Nenhum ministro é investigado, mas as apurações apontaram indícios de acesso privilegiado a minutas de votos, influência sobre a distribuição de processos e atuação coordenada para direcionar resultados em julgamentos sensíveis, o que reacendeu o debate sobre a vulnerabilidade dos gabinetes e o controle da atuação de assessores com trânsito excessivo fora da Corte.

O relatório parcial da PF, apresentado em outubro de 2025, aponta indícios de um “mercado paralelo de influência” envolvendo três núcleos: servidores do STJ, advogados e intermediários, além de empresários do setor agroindustrial.

Segundo a PF, contratos milionários de advocacia teriam sido firmados para garantir decisões previamente combinadas, substituindo a atuação técnico-jurídica regular.

A investigação chegou ao STF e está sendo conduzida pelo ministro Cristiano Zanin, que foi designado relator por meio de sorteio. O caso tramita em sigilo — o que poderá eventualmente ser reconsiderado — e foi levado ao Supremo uma vez que as investigações mencionam pessoas detentoras de foro privilegiado, no caso ministros do STJ.

Já o afastamento de Buzzi não é inédito para o STJ. Em 2003, o tribunal afastou o ministro Vicente Leal em razão de investigações sobre suposta participação em esquema de venda de habeas corpus para traficantes. Depois, em 2004, ele pediu aposentadoria.

Anos depois, em 2007, o então ministro Paulo Medina, investigado por suposto envolvimento com a máfia dos caça-níqueis, pediu o seu afastamento antes que o tribunal abrisse uma apuração. Em 2010, ele foi aposentador compulsoriamente pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

A avaliação de ministros do STJ, contudo, é de que as denúncias contra Buzzi, por se tratarem de relatos de assédio, colocam o tribunal numa posição inédita.

O Globo

 

 

 

Diogo Schelp: No camarote da Sapucaí, Lula e Alckmin exibem enredo de lealdade ameaçada

 


O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), que também é ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, é um dos poucos integrantes do primeiro escalão do governo federal a comparecer a um camarote da Sapucaí para prestigiar o desfile da Acadêmicos de Niterói, que tem como tema a trajetória do presidente Lula. A deferência a Lula, antigo adversário eleitoral nos tempos em que PSDB e PT dominaram a política nacional, ocorre em um momento em que o ex-governador de São Paulo foi colocado na frigideira e corre o risco de ser desconvidado do posto de vice na chapa à reeleição.

Os argumentos de Lula são conhecidos. A disputa com o candidato do bolsonarismo vai ser dura, especialmente em São Paulo, que concentra 22% do eleitorado do país. Apesar do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) ser considerado favorito para a reeleição no Estado, é importante ter um candidato forte ao Palácio dos Bandeirantes para dar um palanque a Lula. Eis porque o presidente afirmou que Alckmin e Fernando Haddad, ministro da Fazenda, têm um “papel a cumprir” em São Paulo.

Não importa que as chances de vitória de um ou outro sejam pequenas. Lula está disposto a sacrificar dois dos seus aliados com maior peso eleitoral no altar do projeto presidencial. Para Haddad, que é um quadro histórico do PT, isso pode acabar se tornando inevitável, um dever de soldado. Para Alckmin, ser relegado ao papel de boi de piranha eleitoral seria uma retribuição mesquinha por seus serviços prestados na vitória de Lula contra Jair Bolsonaro em 2022 e pela lealdade que demonstrou na função de vice. Ele aventa a possibilidade de não disputar cargo algum caso seja retirado da chapa de Lula.

O cargo de Alckmin também está sendo rifado porque Lula e uma parte do PT acreditam que seria muito útil ter, desta vez, um vice do MDB em seu lugar. O partido do ex-presidente Michel Temer, aquele que os petistas acusam de ter dado um golpe em Dilma Rousseff, em tese ajudaria Lula a atrair um naco do Centrão para sua campanha. Aposta arriscada. O MDB já não tem a força de outros tempos nos rincões do país ou mesmo no Congresso Nacional. Além disso, muitos de seus diretórios estaduais são contra uma aliança com Lula, o que poderia levar a um racha interno. Atrair o PSD de Gilberto Kassab para a função seria um prêmio maior — mas, no momento, improvável.

O PSB, obviamente, defende com unhas e dentes a manutenção de seu correligionário Alckmin como vice. Tanto João Campos, presidente do partido e prefeito do Recife (PE), quanto Márcio França, ministro do Empreendedorismo que pleiteia disputar o governo de São Paulo, usam a mesma expressão para advogar pela continuidade de Alckmin: “Em time que está ganhando não se mexe.”

Mas essa pode ser justamente uma das razões implícitas para a relutância de Lula em repetir a dobradinha com Alckmin. O petista é conhecido por cortar as asas de quem cresce demais sob sua sombra e muitos integrantes de seu partido desconfiam de qualquer um que ganhe protagonismo fora da legenda. Em pelo menos duas frentes, o governo Lula se tornou bastante dependente de Alckmin.

A primeira é a relação com o empresariado, uma agenda que é praticamente toda concentrada no vice/ministro da Indústria. A segunda é a negociação para a retirada das tarifas sobre produtos brasileiros impostos pelos Estados Unidos. Ainda que o período mais crítico dessas conversas tenha ficado para trás e o diálogo direto entre Lula e o presidente americano Donald Trump tenha sido aberto (inclusive com ajuda de Alckmin), ainda há negociações em andamento sobre setores que não receberam isenção.

Toda lealdade tem limites. Um deles é o dever de cuidado consigo mesmo e com terceiros. Abandonar aliados fieis resulta na quebra do contrato psicológico de confiança que sustenta a lealdade, a qual exige um comportamento de mão dupla. Como essa quebra ainda não aconteceu (mas está em vias de), a presença de Alckmin ao lado de Lula na Sapucaí é mais uma demonstração de profissionalismo do que de lealdade. Mas, como se costuma dizer: em política, tudo pode mudar.

Diogo Schelp - Estadão

 

 

A conta dos bolsonaristas para controlar o Senado em 2027

 


Com a proximidade das eleições de 2026, lideranças bolsonaristas já fazem os cálculos na ponta do lápis para tentar atingir um dos principais objetivos da direita no pleito: conquistar maioria no Senado Federal.

Pelas contas do PL, a maioria deve ser obtida com a eleição de 33 novos senadores em outubro. Esse grupo, prevê a sigla, se juntará aos 16 senadores bolsonaristas que têm mandato até 2030 e devem continuar na Casa.

Segundo lideranças do PL, partido de Jair Bolsonaro, seria possível conquistar as duas vagas ao Senado que estão em disputa em 2026 nas seguintes unidades federativas: Acre, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Rio de Janeiro.

Haveria ainda vitória total em estados como Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Roraima, Rondônia e Tocantins. A expectativa é obter ainda um senador em Alagoas, Amazonas, Amapá, Espírito Santo, Minas Gerais, Rio Grande do Norte e Sergipe (veja lista abaixo).

Lideranças do PL explicam que a tabela deverá ser atualizada mais duas vezes. A primeira seria em abril, após a janela para troca partidária. Já a segunda, após as convenções que baterão o martelo sobre as candidaturas.

Caso o resultado se confirme, os bolsonaristas teriam uma maioria de 49 senadores no Senado — quórum que permitiria pleitear a presidência da Casa e abrir impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF);

Confira a expectativa bolsonarista:

2 senadores esperados

Acre

Distrito Federal

Goiás

Mato Grosso

Mato Grosso do Sul

Paraná

Rio de Janeiro

Rio Grande do Sul

Rondônia

Roraima

Santa Catarina

São Paulo

Tocantins

1 senador esperado

Alagoas

Amazonas

Amapá

Espírito Santo

Minas Gerais

Rio Grande do Norte

Sergipe

 Nenhum senador esperado

Bahia

Ceará

Maranhão

Pará

Paraíba

Pernambuco

Piauí

Total: 33 senadores (49 com os 16 que permanecem com mandato)

Igor Gadelha - Metrópoles

 

 

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