A decisão do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de
votar a favor da PEC que acaba com a escala de trabalho 6x1 retira do governo
Lula (PT) uma de suas últimas armas eleitorais a 11 dias do segundo turno. A
medida, aprovada em primeiro turno nesta quarta-feira (14) no Senado, era
tratada pelo Planalto como a principal "pauta positiva" para tentar
reverter a desvantagem nas pesquisas: ao anunciar o apoio ao projeto, o
adversário petista neutraliza o efeito político que o governo esperava colher
com a proposta.
"A maioria dos trabalhadores brasileiros quer o
fim da escala 6x1. Então, vou votar a favor. Só que a gente defende algo ainda
melhor", disse Flávio Bolsonaro na terça-feira (13), após visitar o pai, o
ex-presidente Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar.
A mudança de posição é abrupta. Até poucos dias
antes, o senador classificava a discussão da PEC durante o período eleitoral
como "inoportuna" e chegou a chamá-la de "hipocrisia" e
"solução fácil", defendendo em seu lugar uma proposta alternativa do
coordenador de sua campanha, o senador Rogério Marinho (PL-RN), que previa
remuneração proporcional por hora trabalhada. O recuo expõe o cálculo eleitoral
por trás da virada: evitar que o tema vire combustível exclusivo da candidatura
de Lula na reta final da disputa.
O efeito prático é imediato. Ao liberar a bancada do
PL para votar livremente a matéria, o partido converteu o que seria um
contraste de campanha — Lula a favor, Flávio contra — em consenso entre os dois
presidenciáveis. Sem diferença a explorar, o governo perde o argumento de que
apenas sua candidatura representaria avanço para o trabalhador, justamente no
momento em que mais precisava de fatos novos para tentar a virada nas
pesquisas.












