O Produto Interno Bruto (PIB) até cresceu 2,3% no
ano passado em comparação com o ano anterior, de acordo com o Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE). No entanto, o número, segundo especialistas,
representa uma desaceleração da economia. Em volume de recursos, o Brasil gerou
R$ 12,7 trilhões em valores correntes.
Com ampliação de 11,7%, a Agropecuária foi a
principal responsável por puxar o crescimento da economia nacional. O setor de
Serviços, responsável por quase 70% do resultado do PIB nacional, cresceu 1,8%.
Já a Indústria registrou alta de 1,4% em relação a 2024.
Em 2024, o crescimento do PIB foi de 3,4%, o melhor
resultado dos três anos anteriores. Em 2021, a alta chegou a 4,8%, após a
contração de 3,3% em 2020, causada pela pandemia de Covid-19. O próprio
Ministério da Fazenda já havia feito uma observação sobre esta possível
desaceleração.
O motivo principal, segundo documento publicado no
início deste mês, foi a “manutenção da política monetária em patamar restritivo
em um contexto de redução da inflação, contribuindo para elevar a taxa de juros
reais para o nível mais alto da última década”. Na prática, juros básicos muito
altos (atualmente, em 15% ao ano).
No quarto trimestre de 2025, o PIB apresentou
variação positiva de 0,1% em comparação ao terceiro trimestre de 2025, na série
com ajuste sazonal. Os serviços e a agropecuária cresceram 0,8% e 0,5%, respectivamente.
Já a Indústria recuou 0,7%.
Projeção para 2026
Para este ano, a economia brasileira deverá
desacelerar, com o cenário marcado por incertezas geopolíticas crescentes e uma
eleição presidencial polarizada. A expectativa dos analistas é que a atividade
mostre de novo um ritmo mais forte no primeiro semestre, impulsionada pela
agropecuária e medidas de incentivo do governo, e esmoreça na segunda metade do
ano -- assim como aconteceu em 2025.
A avaliação é que, embora o Brasil ainda possa se
favorecer de certo modo das incertezas geopolíticas geradas pela escalada
recente do conflito no Oriente Médio, os consumidores, o governo e o próprio
Banco Central devem se tornar mais cautelosos.
"Incerteza não falta neste ano e o cenário
externo alimenta mais essa incerteza. Ninguém tem um 'melhor palpite' do que
vai acontecer nos próximos meses, e essa falta de previsibilidade reforça o
cenário de cautela", disse Antonio Ricciardi, economista do Banco
Daycoval, que prevê um crescimento do PIB em 2026 de 1,9%.
O foco agora é sobre os impactos dos ataques dos
Estados Unidos e de Israel ao Irã, que envolvem preocupações com uma
interrupção do fluxo de petróleo e do gás e com o impacto na inflação.
Por um lado, esse cenário pode favorecer o Brasil,
principalmente a balança comercial, que tem forte peso nas exportações de
produtos agrícolas e petróleo.
“Num cenário de guerra, o Brasil é que alimenta o
mundo e, agora com o câmbio mais depreciado, a gente fica cada vez mais
atraente”, disse Ariane Benedito, economista-chefe do PicPay, destacando a
possibilidade de aumento no volume exportado do petróleo. “E outra questão é o
(aumento do) preço, a gente volta a ser beneficiado.”
O outro lado da moeda é a possibilidade de impacto
na inflação doméstica do aumento dos preços do petróleo, o que, nas contas de
Benedito, se daria no caso do barril do combustível superar US$95. Para tanto,
segundo a economista, seria necessária uma “interrupção de mais de quatro
semanas no Estreito de Ormuz e baixar muito o estoque disponível”.
Eleição
A expectativa de economistas e investidores é de que
o Banco Central comece a reduzir os juros na reunião dos próximos dias 17 e 18
de março, depois de ter mantido a Selic em 15% em janeiro. Embora o conflito no
Oriente Médio de forma geral não tenha mudado essa visão, a avaliação é que ele
impõe cautela e pode afetar o ritmo e a magnitude do afrouxamento.
Andrés Abadía, economista-chefe da América Latina da
Pantheon Macroeconomics, destaca que uma escalada adicional do conflito no
Oriente Médio ofuscaria as perspectivas, adicionando pressão inflacionária de
curto prazo justamente no início do ciclo de afrouxamento.
“Embora preços mais altos do petróleo beneficiem a
Petrobras e as receitas fiscais, o efeito líquido provavelmente levaria a uma
postura de maior cautela e os cortes de juros mais lentos”, avaliou em nota
Abadía, que estima a expansão do PIB este ano de 1,8%.
Depois de um início de ano com expectativa de
crescimento forte do agro e estímulos do governo que tendem a contribuições o
consumo, como a autorizada do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil
mensais, a economia deve enfraquecer no segundo semestre, que terá como ponto
focal a eleição presidencial.
"Como é ano eleitoral, os estímulos do governo
devem ficar concentrados no primeiro semestre. E no segundo semestre tem
desaceleração, ...porque no último trimestre tem efeito espera dos agentes
econômicos, esperando para ver o cenário eleitoral", disse Rafael Perez,
economista da Suno Research, que calcula um avanço do PIB este ano de 1,8%.
Pesquisas de intenção de voto recentes mostram um
empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio
Bolsonaro em cenário de segundo turno. “O ciclo de cortes dos juros pelo BC
deve fazer mais efeito na economia no segundo semestre, mas me parece que seria
mais impedir uma queda maior do que contribuições a economia”, disse ele.
O Ministério da Fazenda estimou que o PIB crescerá
novamente 2,3% este ano.