quinta-feira, 9 de abril de 2026

Cesta básica registra alta de 5,99% em Natal e comprime renda das famílias no RN

 


O custo da cesta básica em Natal registrou alta de 5,99% entre fevereiro e março de 2026, colocando a capital potiguar na sétima posição entre as maiores variações do país no período, segundo levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

O avanço reflete uma pressão inflacionária concentrada nos itens alimentícios, com impacto direto sobre a renda disponível das famílias e potencial efeito contracionista sobre o consumo no curto prazo. No ranking nacional, Natal ficou atrás de capitais como Manaus (7,42%), Salvador (7,15%) e Recife (6,97%), mas apresentou variação superior a cidades como Fortaleza (5,04%) e João Pessoa (5,53%).

A elevação da cesta básica ocorre em um contexto de choques de oferta em diversos itens essenciais, o que amplia a difusão da inflação alimentar. Produtos como feijão, tomate, carne bovina e leite registraram aumentos generalizados em praticamente todas as capitais.

O feijão apresentou alta em todo o País, com pressões associadas à redução de área plantada, dificuldades na colheita e perspectiva de menor produção na segunda safra. O tomate, por sua vez, teve aumentos expressivos, sustentados por perdas de safra e menor oferta, decorrentes de condições climáticas adversas.

A carne bovina também contribuiu para o avanço dos preços, impulsionada pela demanda interna aquecida, crescimento das exportações e restrições na reposição do rebanho. Já o leite integral foi pressionado pela entressafra e pela recomposição da demanda.

 

VÍDEO: Mulher 'chique' é presa com 28 tabletes de crack em Natal

 


Uma mulher com vestimentas chiques foi presa pela Polícia Militar ao ser flagrada com 28 tabletes de crack, na Rodoviária de Natal, nesta quinta-feira (9).

Nas imagens divulgadas pela PM, uma boneca também apreendida junto com as drogas.

Confira o vídeo abaixo no SOS Policial:



Master fez pagamentos de R$ 65 mi a escritórios de Temer, Lewandowski, Mantega, Rueda e outros

 


As declarações de Imposto de Renda do Banco Master apontam pagamentos da empresa de Daniel Vorcaro para uma série de empresas e escritórios de advocacia de dirigentes partidários, ex-ministros e até do ex-presidente Michel Temer (MDB).

Os montantes, que compreendem R$ 65 milhões pagos entre 2023 e 2025, de acordo com informações obtidas pelo Estadão, estão discriminados em documentos da Receita Federal enviados à CPI do Crime Organizado, do Senado.

No período, o escritório de Michel Temer recebeu R$ 10 milhões. Por nota, o ex-presidente confirmou que seu escritório de advocacia trabalhou para o Master, mas contestou o valor. “Como já declarei publicamente, não é segredo pra ninguém, meu escritório foi contratado nesse caso para uma atividade jurídica de mediação. O valor recebido pelo contrato foi de R$ 7,5 milhões”. disse, em nota.

As empresas dos ex-ministros da Fazenda Henrique Meirelles e Guido Mantega receberam R$ 18,5 milhões e R$ 14 milhões, cada. Já uma empresa de consultoria do ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao Governo da Bahia ACM Neto (União) recebeu R$ 5,4 milhões.

Mantega disse, por nota, que prestou “consultoria econômica financeira” para o Banco Master em 2024 e parte de 2025. “Quando firmei o contrato não tinha conhecimento de nenhuma irregularidade eventualmente cometida por essa instituição financeira”, diz a nota do ex-ministro.

Meirelles também confirmou ter sido contratado pelo Master. “Mantive um contrato de serviços de consultoria sobre macroeconomia e mercado financeiro com o Banco Master, em caráter opinativo, entre março de 2024 e julho de 2025″, diz a nota.

ACM Neto diz que sua empresa de consultoria prestou serviços de maneira lícita ao Master, mas não quis tratar dos valores. “A referida relação comercial foi firmada sem que qualquer dos sócios da A&M ocupasse cargo público à época da formalização e execução do contrato. Imperativo relembrar que foi apresentada petição à PGR e ao STF na qual a A&M se coloca à disposição para prestar eventuais esclarecimentos e detalhes dos serviços prestados, assim como requereu que se apurasse o vazamento de dados fiscais sigilosos”, diz, em nota.

O Master pagou outros R$ 773 mil a Ronaldo Bento, ex-ministro da Cidadania do governo de Jair Bolsonaro, e R$ 3,8 milhões a Fabio Wajngarten, chefe da Secretaria de Comunicação da Presidência no governo Bolsonaro.

Procurado pelo Estadão, Wajngarten diz que foi “apresentado ao Daniel no primeiro semestre de 2025 por meio dos advogados dele, passando a integrar a equipe de defesa dele, da qual faço parte até o presente momento”. “O contrato tem cláusulas de confidencialidade razão pela qual não pode ser publicizado. Além disso, não sou sequer mais politicamente exposto, já que sai de qualquer cargo público há mais de 5 anos”, complementa. Ronaldo Bento ainda não se manifestou.

O escritório usado por familiares de Ricardo Lewandowski recebeu outros R$ 6,1 milhões. Por nota, a equipe do ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF) e ex-ministro da Justiça do governo Lula afirma que, após deixar a Suprema Corte, em abril de 2023, ele “retornou às atividades de advocacia. Além de vários outros clientes, prestava serviços de consultoria jurídica ao Banco Master”.

“Ao ser convidado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para assumir o Ministério da Justiça de Segurança Pública, em janeiro de 2024, Lewandowski retirou-se de seu escritório de advocacia e suspendeu o seu registro na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), como determina a legislação vigente”, diz a nota.

Há registro, ainda, de pagamento de R$ 6,4 milhões ao escritório de Antonio Rueda, presidente do União Brasil. Em nota, a equipe de Rueda afirmou que não confirma “informações baseadas em dados fiscais supostamente vazados de forma ilícita”. “Declarações de imposto de renda são sigilosas por lei. Todos os serviços prestados pelos escritórios são legais, contratados regularmente e com plena conformidade tributária”, diz o texto.

“Os serviços jurídicos prestados ao conglomerado Master tiveram caráter estritamente técnico, com atuação relevante e devidamente documentada: dezenas de pareceres, centenas de reuniões, mais de 1.000 audiências, cerca de 20 mil manifestações nos autos e aproximadamente 400 acordos realizados ao longo do período. Trata-se de atividade profissional legítima, regular e plenamente compatível com o exercício da advocacia no País, sem qualquer interferência da atuação pública de Antonio Rueda em relações privadas de natureza jurídica”, complementa.

Estadão

 

TANGARAENSE - PORTARIA Nº 026: O prefeito municipal, CONCEDE, ao Sr. Ayzamaque dos Santos Abreu, Licença Não Remunerada pelo período de 2 anos

 

GABINETE PREFEITO
PORTARIA Nº 026/2026-GP - LICENÇA NÃO REMUNERADA - AYZAMAQUE DOS SANTOS ABREU

PORTARIA nº 026/2026-GP, de 9 de abril de 2026.

 Dispõe sobre concessão de licença não remunerada a servidor(a) do município de Tangará.

 O PREFEITO MUNICIPAL DE TANGARÁ, no uso de suas atribuições legais conferidas pelo art. 60, V, XI, XV, da Lei Orgânica do Município,

 RESOLVE:

 Art. 1º CONCEDER ao Senhor AYZAMAQUE DOS SANTOS ABREU, matrícula nº 95869-1, ocupante do cargo de provimento efetivo de Motorista de Ônibus, lotado na Secretaria Municipal de Educação, Licença Não Remunerada pelo período de 2 anos, com início em 1º de abril de 2026 e término em 31 de março de 2028.




Decisão dos EUA sobre bens de Vorcaro amplia investigação no Brasil

 


A busca por ativos na liquidação do Banco Master ganhou capítulo importante por meio de decisão da Justiça norte-americana que dificulta a proteção de valores desviados do Brasil, inclusive, em paraísos fiscais.

Segundo especialistas ouvidos pelo Metrópoles, com isso, as autoridades brasileiras conseguirão ter alcance maior na investigação sobre o real patrimônio do banqueiro Daniel Vorcaro.

Nesta semana, o juiz Scott M. Grossman, do Tribunal de Falências do Distrito Sul da Flórida (EUA), autorizou o rastreio para identificar se o dinheiro do empresário foi convertido em bens de difícil acesso ou foi movimentado para evitar os credores.

O magistrado norte-americano deu sinal verde para que a EFB Regimes Especiais de Empresas, uma das entidades responsáveis pela liquidação, inicie varredura de bens possivelmente ocultados.

O advogado criminalista Gustavo Scandelari explica que a possibilidade de que a liquidante do Banco Master faça apuração patrimonial ampla é fundamental para o sucesso dos processos no Brasil.

“Os credores devem poder ter conhecimento da extensão dos ativos que poderão vir a compor as dívidas para solucionar pendências financeiras. Mais do que isso, as investigações criminais brasileiras certamente se beneficiarão com a revelação de potenciais novas fraudes, como imóveis em nomes de terceiros, valores discrepantes dos reais e pagamentos sem lastro”, afirmou.

Isso permite as intimações de um ecossistema de alto padrão que inclui galerias de arte, casas de leilão e varejistas.

Scott posicionou a Justiça norte-americana como instância que vai responder a pedidos de cooperação jurídica brasileira de maneira mais direta.

A decisão dos EUA se apoia em um entendimento central aceito pela Corte de que, sob a lei brasileira, as partes estão sujeitas a ordens automáticas do congelamento.

Veja os principais argumentos

O processo de liquidação brasileiro é reconhecido como processo estrangeiro principal.

O liquidante é reconhecido como representante estrangeiro devidamente autorizado.

Ninguém pode processar ou executar bens das empresas nos EUA sem autorização da Corte.

É preciso evitar que o patrimônio seja dissipado durante a liquidação.

O liquidante tem autoridade para administrar e realizar os ativos das devedoras nos Estados Unidos.

Ressarcimento

A defesa de Daniel Vorcaro tentou barrar o pedido da liquidante nos EUA, classificando as solicitações da EFB como vagas, e apelou ao direito à privacidade.

No entanto, o tribunal entendeu que não houve comprovação de causa justa para impedir o acesso às informações, pois o interesse da administração da massa falida prevalece sobre as objeções apresentadas.

Caso seja confirmado pelas investigações um esquema de fraude, essa ferramenta contribuiria significativamente para o ressarcimento dos supostos prejuízos causados.

“O principal impacto para a investigação é a ampliação da capacidade de rastreamento. Isso permite identificar com mais precisão onde supostamente foram aplicados os valores e como a estrutura de uma suposta fraude foi organizada”, aponta o advogado Luís Felipe Chaves Machado, especialista em administração judicial de recuperação e falência de empresas.

“Além disso, diante do cenário recente de liquidação de instituições financeiras no Brasil, a decisão se mostra importante para consolidar um entendimento que fortalece as investigações, possibilita a responsabilização dos envolvidos em possíveis fraudes e amplia o alcance sobre o patrimônio utilizado em práticas supostamente fraudulentas”, acrescenta.

O dono do Master está preso preventivamente desde 4 de março. A prisão ocorreu no âmbito da terceira fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que investiga a venda de carteiras de créditos fraudulentas ao Banco de Brasília (BRB).

Metrópoles

 

 

VÍDEO: Prefeita "bota quente" em Fátima e cobra por serviços incompletos e mal feitos


 

A coisa não anda fácil para Fátima Bezerra.

A prefeita de Passagem, Wedna Mendonça, usou as redes sociais para fazer uma cobrança ao governo pelo péssimo estado da rodovia que liga Passagem a São Bento.

Segundo a gestora, a "estrada quase que intrafegável".

Ela ainda disse que solicitou "pelo menos operação tapa buraco" e que, prestem atenção, "só metade foi feita".

E esse é o governo que Cadu disse ter sido o melhor dos últimos 20 anos.

Esse texto foi copiado do Blog do Gustavo Negreiros

Operação da PF fiscaliza locais no RN e outros estados ligados à venda de gás de cozinha

 


A Força-Tarefa para Monitoramento e Fiscalização do Mercado de Combustíveis, composta pela Secretaria Nacional do Consumidor (SENACON) e pela Polícia Federal, em conjunto com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), deflagrou, nesta quinta-feira (9/4), a segunda fase da Operação Vem Diesel, com foco na fiscalização de distribuidores e de revendedores de GLP - Gás Liquefeito de Petróleo, popularmente conhecido como gás de botijão.

Foram realizadas ações de fiscalização em 24 cidades, localizadas em 15 estados e no Distrito Federal, com equipes compostas por agentes da ANP, do Procons e por policiais federais, alcançando 55 estabelecimentos.

A operação está sendo realizada nos seguintes estados: Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo.

As ações visam identificar práticas irregulares no aumento no preço do gás, na fixação de preços entre empresas concorrentes para controle de mercado e outras eventuais práticas abusivas que possam acarretar prejuízos para o consumidor.

Eventuais irregularidades detectadas pelas equipes de fiscalização, que possam indicar práticas de crimes contra a ordem tributária, econômica, bem como contra a economia popular e as relações de consumo, serão encaminhadas para a Polícia Federal para que sejam tomadas as providências de apuração de possível prática de crimes pelos envolvidos.

 

 

Opinião do Estadão: O Luís XIV da Petrobras

 


O presidente Lula anunciou que irá cancelar o leilão de GLP, o gás de cozinha, realizado pela Petrobras em 31/3. Na ocasião, alguns contratos de fornecimento foram negociados com ágio de 117% em relação ao preço de tabela que a companhia mantém desde 2024.

Em entrevista à TV Record da Bahia, Lula não mediu palavras para achincalhar o leilão, afirmando se tratar de “cretinice” e “bandidagem”. “Vamos rever esse leilão, vamos anular esse leilão”, prometeu. Como se não bastasse, Lula ainda afirmou que a realização do certame ocorreu contra a vontade da direção da empresa, o que beira o absurdo. É improvável que um leilão de tamanha importância tenha ocorrido por voluntarismo de algum funcionário que resolveu passar por cima da direção. A Petrobras se vale desse instrumento para gerir a oferta e a demanda de GLP e ajustar margens de lucro sem mexer na tabela de preços. Até agora, nada se ouviu de Magda Chambriard, presidente da Petrobras, que, a julgar pelas declarações de Lula, não estaria a par do leilão.

Na verdade, a única vontade que foi contrariada foi a do próprio presidente. Amargando queda na popularidade em pleno ano eleitoral, Lula se mostra disposto a rasgar contratos, prejudicando a empresa, seus clientes e ampliando a sensação de insegurança jurídica no Brasil. Tudo isso sob a desculpa de que o “povo pobre não pagará, em hipótese alguma, o preço dessa guerra”, em referência aos efeitos do conflito entre EUA e Israel contra o Irã sobre os preços.

Ora, desautorizar a Petrobras dessa maneira não atende aos interesses dos brasileiros de nenhuma maneira. Ao contrário: reforça no mercado a imagem de um país onde o cumprimento de contratos depende do humor de quem está no poder, e tal insegurança obriga o Brasil a pagar um prêmio maior àqueles que se dispõem a investir por aqui, afetando o crescimento e a geração de empregos.

 Mesmo que o leilão não seja cancelado – até onde se sabe a Petrobras pretende, felizmente, honrar os contratos e entregar o GLP que se comprometeu a vender na semana passada –, o estrago já está feito.

Ao tratar a Petrobras como subalterna a seus desejos, Lula age como se fosse um Luís XIV a proclamar: “A Petrobras sou eu”. Isso cria um clima tenso na companhia e prejudica a tomada de decisões estratégicas daqui em diante. Como prova disso, o Conselho de Administração da Petrobras acaba de aprovar o “encerramento antecipado” do mandato do diretor-executivo de Logística e Comercialização, Claudio Schlosser, a quem estava subordinada a área responsável pelo leilão que tanto desagradou o presidente da República.

É fato que, como principal acionista e controlador da Petrobras, o governo federal tem mais força para impor seus interesses. Mas uma coisa é o governo propor medidas que não necessariamente agradam aos demais acionistas. Outra, bem diferente e mais grave, é sugerir que o contrato assinado hoje será desrespeitado amanhã.

A guerra no Irã vai acabar em algum momento, mas o governo deveria se limitar a trabalhar para mitigar seus efeitos, e não criar mais problemas. Preocupado com as pesquisas eleitorais que põem em dúvida sua reeleição, no entanto, Lula tem sua guerra particular para travar – deixando um rastro de prejuízos para o País.

Opinião do Estadão

 

 

Brasil ganhou 9 milhões de novos inadimplentes desde o fim do Desenrola

 


O alívio foi temporário. Quase dois anos após o fim do Desenrola, programa de renegociação de dívidas criado pelo governo federal em julho de 2023, o Brasil ganhou 9 milhões de novos inadimplentes, e convive com um calote do consumidor no maior patamar desde 2012. Hoje há um contingente de 81,7 milhões de pessoas que estão com contas atrasadas.

O governo agora debate a reedição de um programa voltado para endividados que, para especialistas, foi pensado desde o início para atacar os sintomas e não a raiz do superendividamento.

Promessa de campanha do governo Lula, o Desenrola foi lançado com o objetivo de combater a inadimplência crescente do pós-pandemia. Na época, o número de inadimplentes estava no patamar recorde de 71,4 milhões, segundo dados da Serasa, e a inadimplência era de 4,14% (índice de contas com mais de 90 dias em atraso).

O programa durou cerca de 10 meses e conseguiu reduzir o número de inadimplentes que ganhavam até dois salários mínimos ou eram inscritos no Cadastro Único de 25,2 milhões para 23,1 milhões quando terminou, em maio de 2024. Esse era o público-alvo do Desenrola.

O número total de devedores, de todas as faixas de renda, subiu a 72,5 milhões, enquanto o calote acima de 90 dias se reduziu a 3,69%.

Segundo especialistas, o programa ajudou a controlar um crescimento que poderia ser ainda maior do superendividamento. Passado esse efeito pontual, a inadimplência voltou a crescer com força, impulsionada pelos juros cada vez maiores, pela oferta agressiva de crédito pelas instituições financeiras e pela explosão das bets.

Esse cenário levou o número de inadimplentes a alcançar quase 82 milhões de indivíduos em fevereiro deste ano, enquanto a inadimplência da carteira de crédito total das pessoas físicas (incluindo os empréstimos imobiliários) alcançou 5,24%, a maior em 14 anos.

"O governo tomou uma medida paliativa, que não interrompeu o ciclo que promove o endividamento", diz a economista Ione Amorim, consultora de serviços financeiros do Idec (Instituto de Defesa do Consumidor). "Parte dos consumidores saiu temporariamente das estatísticas, mas isso não quer dizer que não estavam mais endividados."

Para ela, a proposta do Desenrola foi reabilitar a situação financeira dos brasileiros para que voltassem a consumir. Ela lembra que a primeira medida do programa foi excluir os negativados com dívidas de até R$ 100 dos cadastros dos birôs de crédito.

"Quem teve o nome limpo foi pegar crédito, mas houve um rebote, com a inadimplência voltando a crescer de forma acelerada", afirma a economista.

Atualmente, a maior parte das dívidas são com bancos, principalmente de cartão de crédito (26,7% do total), seguidos por contas de consumo, como água e luz (21,3%) e dívidas com financeiras (20,3%), segundo dados da Serasa.

DIFICULDADE DE ACESSO À PLATAFORMA

Quando foi encerrado, o Desenrola havia atendido 15 milhões de pessoas com dívidas de R$ 53,2 bilhões. O Ministério da Fazenda afirmou, por meio da sua assessoria de imprensa, que a pasta avalia que o Desenrola atingiu seu objetivo. "O valor negociado corresponde a 0,5% do Produto Interno Bruto", afirmou.

Um número preliminar previa alcançar até 30 milhões de indivíduos. O resultado ficou abaixo do esperado, na avaliação de especialistas, por erros de implementação principalmente na segunda fase do programa.

A primeira se concentrou nos devedores com renda até R$ 20 mil, que renegociaram dívidas diretamente com as instituições financeiras. Já a segunda etapa, com foco na população de baixa renda, exigia que os inadimplentes entrassem na plataforma digital criada para o programa.

Isso se revelou uma barreira, já que a plataforma demandava que o devedor possuísse contas ouro e prata no portal Gov.br para acesso. Posteriormente, a exigência foi reduzida para contas do nível bronze.

"Isso deixou a adesão mais lenta", aponta Lauro Gonzalez, coordenador do Centro de Estudos em Microfinanças e Inclusão Financeira da FGV. Entre os pontos positivos do programa ele cita a limitação da taxa de juros do crédito renegociado e a construção da plataforma do governo para renegociação de dívidas, que pode ser usada futuramente.

"Não me parece que houve uma preocupação com as causas estruturais do superendividamento", afirma.

O salto do número de endividados nos últimos anos pode ser explicado, segundo ele, por uma oferta agressiva de crédito. "Hoje há uma combinação de mais atores atuando no mercado de crédito digital, oferecendo empréstimos de forma quase automática. Os juros altos são a cereja do bolo", diz.

É a mesma avaliação de André Sacconato, economista da FecomercioSP. "Isso, somado à baixa educação financeira e altas taxas de juros, levou ao crescimento do endividamento."

Para Fabio Bentes, economista-chefe da CNC (Confederação Nacional do Comércio), o pano de fundo da elevação do superendividamento é a alta na taxa básica de juros, que subiu de 10,50% ao ano, patamar de quando o Desenrola foi encerrado, a 14,75% ao ano hoje.

"O Desenrola teve boas intenções, mas não resolveu o problema nem de longe. Quando o paciente tem uma doença grave e você dá uma aspirina para ele, não vai resolver", diz.

O Ministério da Fazenda estuda hoje um novo programa, cujo objetivo é renegociar principalmente dívidas de modalidades mais caras, como cartão, cheque especial e crédito pessoal sem garantia, oferecendo abatimentos de até 80% e refinanciamento do restante.

Os especialistas avaliam que a nova renegociação corre o risco de cometer os mesmos erros se o foco for em uma solução apenas emergencial.

O governo avalia estipular contrapartidas para quem acessar a ajuda federal —entre elas uma restrição a apostas em bets e a necessidade de se fazer um curso de educação financeira, como mostrou a Folha.

Gonzalez, da FGV, acredita que é preciso aprimorar a regulação da oferta do crédito digital. "Quando um imóvel vai ser financiado, por exemplo, existe uma limitação do quanto o crédito vai representar da renda da pessoa. Essa limitação poderia ser pensada para outras modalidades."

Folha de São Paulo

 

 

As 6 doenças mais comuns transmitidas dentro das academias (e como preveni-las)

 


O ambiente da academia, fechado e com muitas pessoas facilita a proliferação de fungos, vírus e bactérias transmissores de doenças. A depender da estrutura do local — as de bairro não costumam ter uma boa refrigeração — o cenário úmido e abafado favorece ainda mais a proliferação de agentes nocivos. Por isso, para além dos cuidados com a preparação do corpo, é preciso ter atenção à limpeza dos aparelhos e pesos.

Mas existem medidas de segurança que você pode tomar para evitar ao máximo as contaminações. Entre elas, estão passar álcool gel sempre antes de tocar nos aparelhos e colchões e usar uma toalha sobre os aparelhos para evitar o contato direto da pele com a superfície do equipamento.

— No vestiário da academia e até mesmo debaixo do chuveiro, o indicado é sempre usar um chinelo para evitar o contato direto do pé com o chão potencialmente contaminado — aconselha o dermatologista Luiz Gameiro, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

Veja abaixo as principais doenças que podem ser transmitidas na academia. Ao perceber algum sintoma ou sinal, procure por um médico. Não se automedique.

Escabiose

A escabiose, popularmente conhecida como sarna humana, é uma parasitose causada pelo ácaro Sarcoptes scabiei variedade hominis. O contágio ocorre por contato direto com pessoa, roupas ou outros objetos contaminados. O problema causa bolhas no corpo que podem coçar. A cicatrização pode deixar manchas na pele.

Conjuntivite

A conjuntivite pode ter variadas causas — viral, bacteriana ou fúngica. Ela é caracterizada pela inflamação da conjuntiva, membrana transparente e fina que reveste a parte branca dos olhos e o interior das pálpebras.

— A transmissão sempre ocorre quando uma pessoa que está com essa infecção purulenta esfrega a mão nos olhos e depois passa em algum objeto. Aí uma outra pessoa coloca a mão sobre o local contaminado e leva aos olhos, gerando um novo processo de conjuntivite — explica Figueiredo.

Verrugas

Existem verrugas virais, que são causadas pelo vírus do papiloma humano (HPV). O patógeno entra na pele por meio de pequenas lesões, desenvolvendo a verruga.

— Uma pessoa que tem uma verruga palmar, que aparece na palma da mão e é conhecida como olho de peixe, quando pega em uma barra da academia, potencialmente está disseminando aquele vírus. Quando uma outra pessoa for usar o mesmo aparelho, ela pode acabar sendo infectada. Não significa que será, mas há um risco — detalha Gameiro.

Foliculites

Bactérias como a Staphylococcus aureus podem provocar infecções de pele, como as foliculites — inflamação que se inicia nos folículos pilosos. Ela é caracterizada pela formação de pequenas espinhas, de pontas brancas, em torno dos pelos. Elas podem coçar e deixar a pele avermelhada e sensível. A transmissão pode ocorrer em contato com superfícies contaminadas com o pus que sai das bolhas.

Micoses

As micoses são causadas por fungos — existentes no ambiente e na própria pele humana — que se proliferam em áreas mais úmidas do corpo. A transpiração excessiva por conta da atividade física, somada ao aumento da temperatura e a fricção da pele em alguns aparelhos da academia é a combinação perfeita para a multiplicação desses microrganismos que fazem mal quando estão em grande quantidade. As micoses normalmente causam coceira, escamação da pele e vermelhidão

Banheiros e vestiários da academia, por exemplo, vivem molhados e normalmente não possuem sistema de refrigeração ou uma boa circulação de ar. Esse é um local propicio para o desenvolvimento dos fungos. Por isso, nunca ande descalço e sempre tome banho de chinelo nesses locais.

Doenças respiratórias

Alguns vírus (como o da gripe) sobrevivem por algumas horas nas superfícies. Se alguém espirra sobre a mão e depois manuseia um aparelho, outra pessoa pode acabar se contaminando ao encostar no local e levar a mão ao nariz ou boca.

O Globo

 

Master pagou R$ 27 milhões ao Metrópoles, que fez ‘débito imediato’ a empresas da família de Luiz Estevão

 


O Banco Master repassou R$ 27,2 milhões, entre 2024 e 2025, ao Metrópoles, site de notícias comandado pelo ex-senador Luiz Estevão, segundo documento do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

O relatório registra os pagamentos como suspeitos ao apontar que o veículo fez “débito imediato” de valores recebidos do Master em direção a outras empresas da família de Luiz Estevão, o que “pode configurar possível movimentação de recursos em benefício de terceiros”.

Além disso, o documento classifica os aportes do Master como “inusitados” e aponta uma movimentação do Metrópoles “incompatível com o faturamento médio mensal”.

Procurado, o ex-senador afirmou que os pagamentos dizem respeito ao patrocínio do Will Bank, que pertencia ao Master, à transmissão da Série D do Campeonato Brasileiro de 2025, feita pelo Metrópoles, e à venda dos naming rights da competição . Em relação às transferências para empresas da família, ele diz que pode dar a destinação que quiser ao dinheiro recebido (leia mais abaixo).

Ao todo, o Master enviou R$ 27.283.800 à empresa Metrópoles Marketing e Propaganda LTDA. No segundo semestre de 2024, o banco fez dois pagamentos que totalizaram R$ 838,8 mil. Todo o restante foi transferido entre janeiro e outubro de 2025.

Este período foi crucial para a instituição financeira. O banqueiro Daniel Vorcaro tentou vendê-la ao BRB, em março, virou alvo de investigações por suspeita de fraude financeira bilionária e viu sua empresa acabar liquidada pelo Banco Central, em novembro. Vorcaro está preso.

De acordo com o relatório, o Master aparece como “principal remetente” de recursos ao Metrópoles nos período analisados em 2025, com pagamentos mensais que variaram de R$ 5 milhões a R$ 5,7 milhões.

Embora esses repasses tenham começado em janeiro de 2025 e Luiz Estevão os atribua ao contrato de patrocínio da Série D, as transmissões só começaram a exibir a logomarca do Will Bank três meses depois do início do campeonato.

A competição começou em 19 de abril de 2025. O Metrópoles e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) anunciaram, nos dias 2 e 3 de julho, respectivamente, um acordo referente apenas à transmissão dos jogos. As primeiras partidas exibidas no YouTube, gratuitamente, foram as da 11ª rodada da Série D, com 15 jogos transmitidos nos dias 5 e 6 de julho.

Luiz Estevão também tinha negociado com o banco a venda dos naming rights. O campeonato passou a ser chamado de “Brasileirão Série D Will Bank”. Foi a primeira vez que a competição, organizada pela CBF, teve os “direitos sobre o nome” comercializados.

Mas a logomarca do Will Bank só foi instalada na placa de publicidade central dos campos de jogo a partir de 26 de julho, na 14ª rodada, a última da primeira fase. Portanto, mais de três meses após o início do campeonato e seis meses após o Master começar a injetar dinheiro no Metrópoles.

A parceria do ex-senador com a empresa de Vorcaro foi revelada pelo Estadão.

O documento do Coaf destaca que o Metrópoles fez “débito imediato” de valores recebidos pelo Master para empresas como Madison Gerenciamento S/A, Sense Construções e Participações S/A e Macondo Construções e Participações S/A.

As três firmas têm Luiz Estevão e filhas no quadro societário ou em funções de direção. Segundo o relatório, esse fluxo financeiro “pode configurar, possível movimentação de recursos em benefício de terceiros”.

As comunicações ao órgão de controle foram feitas pela Caixa Econômica Federal. Nos alertas, o banco também pontuou uma “movimentação de recursos incompatível com o faturamento médio mensal”, “recebimento de transferências de valores inusitados”, com as do Master.

“A comunicação ao Coaf é justificada pois no período analisado foi movimentado recursos incompatíveis com o faturamento médio mensal da pessoa jurídica, identificamos o recebimento de transferências de valores inusitados, a movimentação foi caracterizada pelo recebimento de crédito com o débito imediato dos valores, há indícios de movimentação de recursos em benefício de terceiros e movimentação com pessoas expostas politicamente”, frisa o documento.

Will Bank na série D

A reportagem sondou operadores do mercado de futebol e eles disseram que a Série D, geralmente, não é rentável para quem exibe o torneio e, historicamente, há poucos interessados na competição.

Luiz Estevão nega que os valores negociados com o Master tenham sido superdimensionados. Segundo ele, os pagamentos deveriam ter sido ainda maiores, mas foram cortados com a liquidação do banco.

“O valor foi maior. Eles não pagaram tudo. Ainda estão devendo dinheiro e estamos atrás de receber”, disse, antes de completar: “O valor não está nada fora. E ainda temos que comprar os direitos da CBF, que não disponibiliza gratuitamente, não.”

O ex-senador também frisou que não há nenhum tipo de problema com os “débitos imediatos” feitos pelo Metrópoles.

“O dinheiro que eu recebi passa a ser meu e faço com ele o que eu quiser. Posso comprar publicidade no Estadão, posso transferir esses recursos para outras empresas minhas, comprar um imóvel, fazer o que quiser“, afirmou.

Estadão

 

 

Cesta básica registra alta de 5,99% em Natal e comprime renda das famílias no RN

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