O vereador Senival Pereira de Moura (PT-SP) preso na
última quinta-feira (25), durante uma operação da Polícia Civil que investiga
suspeitas de lavagem de dinheiro relacionada ao Primeiro Comando da Capital
(PCC), tem patrimônio de R$3,6 milhões.
De acordo com relatórios da investigação, o
patrimônio de Senival Moura, composto por ao menos cinco imóveis, é considerado
pelos policiais incompatível com sua remuneração oficial de cerca de R$ 26 mil
mensais como vereador. Levantamento da Polícia Civil estima que os bens somem
pelo menos R$ 3,6 milhões.
Entre os imóveis identificados estão:
- um
apartamento no Tatuapé (zona leste de SP), declarado à Justiça Eleitoral
em 2024 por R$ 820 mil, mas com valor de mercado estimado entre R$ 1,6
milhões e R$ 2,8 milhões, conforme anúncios de unidades semelhantes no
mesmo edifício.
- um
sítio em Extrema (MG), avaliado em R$ 200 mil na declaração eleitoral,
descrito pela polícia como propriedade de “elevado padrão”;
- um
imóvel na Vila Madalena (SP), de R$ 585 mil;
- outro
na Vila Maria (SP), de R$ 430 mil;
- e
um imóvel em Juquehy (SP), de R$ 800 mil.
Um sexto bem, localizado na Vila Minerva (SP),
também aparece nos autos, mas não foi incluído na estimativa por falta de
avaliação disponível. O imóvel é alvo de cobrança de IPTU, e Senival alegou à
Justiça não dispor de recursos para arcar com as despesas processuais.
Os investigadores citam, no relatório que embasou a
prisão, mensagens interceptadas em que há referências a um “presidente” e ao
município de Extrema. De acordo com a polícia, “presidente” seria um dos
apelidos atribuídos a Senival, e a menção a Extrema estaria ligada ao imóvel
rural que ele mantém naquela cidade.
As conversas, segundo o documento, reforçariam a
identidade do parlamentar nas tratativas investigadas.
O vereador também seria chamado de “veio” em
diálogos entre Leonel Moreira Martins, apontado como operador financeiro do esquema,
e Adauto Soares Jorge, ex-diretor-presidente da Transunião, assassinado em
2020.
Em nota publicada pelo portal Metrópoles, a defesa
de Senival Moura afirmou que o apartamento no Tatuapé foi adquirido ainda na
planta por cerca de R$ 600 mil, com parcelamento ao longo do tempo.
Os advogados sustentam que a valorização do imóvel
decorre “exclusivamente das condições do mercado, não representando o valor de
aquisição do bem”.
Sobre o sítio em Extrema, a defesa informou que a
propriedade foi comprada há aproximadamente 20 anos e que a residência
existente no local foi construída de forma gradual e fracionada.
“A construção da residência ocorreu de forma gradual
e fracionada ao longo dos anos, motivo pelo qual sua atualização patrimonial
ainda não havia sido refletida na declaração correspondente”, disseram.
Procurado, o PT informou que, por solicitação do
próprio vereador, a legenda decidiu afastá-lo temporariamente para que ele
possa se concentrar em sua defesa.
O parlamentar é alvo de apuração sobre suposto
vínculo com a facção criminosa por meio da concessionária de ônibus Transunião,
que opera 50 linhas no transporte coletivo da capital paulista e sofreu
intervenção da Prefeitura de São Paulo na semana passada.
Diário do Poder