A Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro
divulgou nota criticando o uso de símbolos da fé cristã e da instituição familiar
em desfiles de Carnaval. Sem citar nomes, o posicionamento foi interpretado
como reação direta ao enredo da Acadêmicos de Niterói, que homenageou o
presidente Lula e ironizou a chamada “família conservadora”.
No desfile, a escola apresentou a ala “neoconservadores
em conserva”, com fantasias em forma de lata e a imagem de uma família
tradicional, em sátira a evangélicos e a grupos conservadores que fazem
oposição ao petista. A agremiação afirmou que esses setores atuam contra pautas
defendidas por Lula.
Na nota, a Arquidiocese reconhece a cultura popular,
mas afirma que manifestações culturais não podem desrespeitar convicções
religiosas nem valores que estruturam a vida social. O texto ressalta o papel
da fé e da família na sociedade e defende que liberdade de expressão deve
caminhar junto com responsabilidade e respeito.
O que diz a Arquidiocese do Rio de
Janeiro
A Arquidiocese de São Sebastião do Rio
de Janeiro manifesta sua preocupação a respeito da utilização de símbolos da fé
cristã e da instituição familiar em manifestações culturais de maneira que
compreendemos como ofensiva.
Reconhecemos a cultura popular como
expressão legítima da identidade brasileira, espaço de criatividade, encontro e
alegria. Ao mesmo tempo, é preciso que tais manifestações respeitem convicções
religiosas profundas e valores que estruturam a vida social e são invioláveis
para as pessoas desta cidade.
Reafirmamos nossa proximidade a todas as
famílias, acolhendo as diferentes realidades em que se empenham para
permanecerem unidas, educar seus filhos no bem e transmitir valores que
contribuem para uma sociedade mais justa e fraterna. Quando a família permanece
um elemento central e estruturante da vida social, essencial para a convivência
e o bem-estar da sociedade.
As religiões, presentes em toda a
cidade, desempenham papel particular e relevante na promoção da solidariedade,
da educação e do cuidado com os mais vulneráveis. A fé continua ocupando um
lugar essencial na vida social, permanecendo viva, influente e fundamental na
formação ética e moral da sociedade.
Ataques ou desrespeito a ela atingem não
apenas as instituições, mas também a consciência de milhões de cidadãos.
A alegria, vivida de forma saudável e
respeitosa, é legítima e enriquece a vida cultural. Situações pontuais de
desrespeito não representam a riqueza e a diversidade cultural da cidade, que
devem ser sempre espaços de inclusão, diálogo e convivência democrática.
Cabe lembrar que os eventos culturais
possuem regulamentos próprios, que estabelecem limites para manifestações
públicas. Esses limites existem não para cercear a liberdade de expressão, mas
justamente à luz desse valor fundamental em uma sociedade democrática,
garantindo o respeito à posição religiosa das pessoas e à dignidade da família.
Reafirmamos nosso compromisso com a
defesa da fé, da dignidade da família, da liberdade religiosa, da liberdade de
expressão e da construção de uma cultura de diálogo e paz. Direitos
fundamentais como a liberdade de expressão caminham lado a lado com
responsabilidade e respeito mútuo.
O Rio de Janeiro é maior quando constrói
pontes, promove a convivência respeitosa e reconhece que família, fé e cultura
podem caminhar juntas na edificação de uma sociedade mais fraterna, madura e
verdadeiramente democrática.