O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF)
Alexandre de Moraescompartilhou nos últimos dias, em conversas reservadas com
colegas da corte, suas expectativas para o primeiro turno das eleições deste
domingo (4). Munido de informações de lideranças do Congresso com as quais tem
proximidade, Moraes acreditava que o cenário eleitoral seria bem diferente do
que se revelou.
Segundo relatos de integrantes do tribunal, o
ministro esperava que a bancada de senadores eleita não formasse uma maioria
consolidada a favor do impeachment de ministros do STF. Essa projeção, no
entanto, acabou frustrada pelos resultados, que apontam para um grupo
expressivo de parlamentares com esse posicionamento, ampliando o risco de
desgaste institucional para o tribunal.
Outra expectativa de Moraes dividida com colegas era
que estados como Rio de Janeiro e São Paulo elegeriam, em ao menos uma das duas
vagas, nomes que não tivessem a ofensiva contra o STF como bandeira. Essa
previsão, contudo, não se confirmou, reforçando o avanço dos senadores
alinhados com o discurso de contestação ao tribunal.
Além disso, o ministro contava com a eleição de
parlamentares como Randolfe Rodrigues (PT-AP), cuja postura crítica contra o
impeachment de ministros é conhecida, mas ele não conseguiu se reeleger.
No campo presidencial, Alexandre de Moraes também
compartilhou com ministros a previsão de uma liderança de Lula no primeiro
turno com pequena vantagem em relação a Flávio Bolsonaro, fato que não se
realizou.
Diante deste cenário, o Supremo enfrenta o desafio
de lidar com uma composição do Senado que vai intensificar as pressões
políticas sobre a corte, num momento em que o tribunal está mais dividida do
que nunca pelas disputas internas.
BELA MEGALE - O GLOBO











