Jalmir Flávio
Cobrança por um novo matadouro, afastado
da área urbana, atravessa gerações de gestores sem resposta
Entra ano, sai ano, muda o mandato, e o matadouro
público de Serra Caiada continua no mesmo lugar, em meio à cidade. Para quem
mora perto, o problema é conhecido. Para quem consome a carne abatida ali, é
uma preocupação que nunca deveria existir.
Um problema que atravessa gestões
Há mais de duas décadas o município é comandado por
um mesmo grupo político, com nomes que se alternam no poder, como Faustinho,
Socorro e Joãozinho Furtado. Nesse período, segundo críticos da administração,
nenhum deles tirou do papel a construção de um novo matadouro.
A crítica vai além do matadouro e alcança o próprio
modelo de gestão: obras que já existem são desfeitas e refeitas a cada troca de
mandato, enquanto demandas estruturais ficam de fora.
Por que a mudança importa
Abater animais no meio da cidade traz riscos que
especialistas em vigilância sanitária costumam apontar: resíduos, odores,
contaminação de solo e água e dificuldade de garantir a inspeção adequada. Um
novo matadouro, em área afastada e com estrutura própria para tratamento de
resíduos, reduziria esses riscos e ofereceria mais segurança a quem consome a
carne.
Há também um ganho urbano. Com a desativação do
atual matadouro, a área poderia receber novas moradias e espaços de lazer, num
município que precisa crescer com ordem e qualidade de vida.
O que se cobra
Quem cobra a mudança não pede o impossível. Pede o
básico:
- a
apresentação de um projeto para o novo matadouro;
- a
definição de terreno e previsão orçamentária;
- um
cronograma público, com prazos que a população possa acompanhar;
- informações
claras sobre a situação sanitária e ambiental do equipamento atual.
Tudo isso pode ser solicitado formalmente à
prefeitura pela Lei de Acesso à Informação (Lei 12.527/2011).
O outro lado
Obras desse porte exigem recursos, licenciamento
ambiental e inspeção, e nenhuma gestão as resolve de um dia para o outro. Por
isso, mais importante que a promessa é o planejamento: saber se há projeto,
quanto custa, de onde virá o dinheiro e para quando.
A pergunta que fica
Enquanto o tema vai sendo adiado, a população segue
convivendo com os riscos e sem uma resposta clara. Saúde pública não é pauta de
campanha, é obrigação de governo. E a pergunta segue sem resposta: onde está
o projeto do novo matadouro de Serra Caiada? – Jalmir do Sindicato.













