O presidente Lula terá uma atuação mais combativa
nas redes sociais a partir das próximas semanas, com a transferência da gestão
de seus perfis para o PT. Hoje a cargo do governo, mais especificamente da
Secom (Secretaria de Comunicação da Presidência), as contas pessoais de Lula
passarão a ser administradas pelo partido, permitindo maior contundência no
debate político, sem as amarras impostas ao governo federal.
A estratégia de comunicação mais aguerrida exigirá
mudanças no próprio governo, a começar pela saída do secretário de produção e
divulgação de conteúdo audiovisual, Ricardo Stuckert. Ao lado de Lula desde
2003, o fotógrafo oficial da Presidência passará a trabalhar para o PT.
Stuckert já é o responsável pelos perfis do
presidente nas diferentes plataformas, à exceção do X (antigo Twitter). Sob a
gestão de um funcionário do governo, as páginas atualmente se restringem
basicamente ao relato de agendas oficiais.
No PT, os perfis poderão focar mais na imagem de
Lula, aderindo à dinâmica da pré-campanha. A consolidação do nome do senador
Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como adversário exigiu a antecipação dessa estratégia,
segundo auxiliares. Além disso, o engessamento dos perfis de Lula tem sido alvo
de críticas de seus aliados.
O desligamento de Stuckert está previsto para os
próximos dias. No PT, ele trabalhará ao lado de Nicole Briones.
Especialista em comunicação e marketing digital,
Nicole coordenou as redes sociais do presidente entre junho de 2017 e dezembro
de 2021, quando Lula atingiu a marca de 48% das intenções de voto para as
eleições do ano seguinte.
No governo, ela foi superintendente de Comunicação
Digital e Mídias Sociais da EBC até agosto de 2025 e, em outubro daquele ano,
assumiu a coordenação digital do PT, a convite do presidente do partido, Edinho
Silva.
Sob a coordenação de Edinho, a ideia será levar o
debate político aos perfis de Lula. No ambiente digital, o PT tem dado destaque
à imagem do presidente e tem aproveitado para expor a relação entre Flávio
Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Antes da revelação de conversas entre o senador e o
ex-banqueiro, Lula e Flávio Bolsonaro seguiam empatados, segundo a pesquisa
Datafolha.
Na pesquisa mais recente, divulgada na sexta-feira
(22), dias após a eclosão do caso "Dark Horse", em referência ao nome
do filme sobre Jair Bolsonaro que teria recebido dinheiro de Vorcaro, Lula
ampliou de três para nove pontos a vantagem sobre Flávio Bolsonaro na simulação
de primeiro turno, marcando 40% ante 31% do rival.
No cenário do segundo turno, a igualdade virou agora
uma vantagem de 47% a 43% para o petista.
Nas redes sociais, o PT tem explorado notícias sobre
o pedido de dinheiro feito por Flávio a Vorcaro, em uma demonstração dessa
estratégia mais agressiva.
A transferência das contas das redes sociais de Lula
para o PT também embute um descontentamento de aliados de Lula com a
comunicação digital do governo, comandada pelo ministro Sidônio Palmeira.
No momento de estagnação de Lula nas pesquisas,
interlocutores do presidente haviam criticado o trabalho nas redes,
questionando, por exemplo, a eficácia de peças centradas em animais. Não está
descartada a hipótese de o ministro deixar o governo para assumir a comunicação
da campanha de Lula.
A gestão de Sidônio na Secom foi marcada por maior
investimento em anúncios nas redes sociais. Em 2025, a verba de propaganda do
governo destinada para Google e Meta, que é dona do Facebook, Instagram e
WhatsApp, superou pela primeira vez o valor em anúncios pagos para as redes de
televisão do SBT e da Band.
Os canais digitais receberam ao menos R$ 234,8
milhões dos cerca de R$ 681 milhões distribuídos em anúncios pela Secom e
ministérios no último ano.
A publicidade nas redes tem abordado temas variados,
com foco em anúncios regionalizados, que divulgam projetos e ações do governo
em cidades ou estados específicos. Os estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais,
segundo e terceiro maiores colégios eleitorais do país, respectivamente, foram
priorizados entre outubro e abril deste ano.
Além disso, a publicidade do governo na Meta também
envolveu temas como isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000,
segurança pública, enfrentamento à violência contra mulheres e crianças e o fim
da escala 6x1.
Folha de São Paulo















