sexta-feira, 6 de março de 2026
Homem mata a irmã e tira a própria vida em Apodi, no Oeste do RN
Um crime trágico foi registrado na manhã desta
sexta-feira (6) no município de Apodi, na região Oeste do Rio Grande do Norte.
Um homem matou a própria irmã e, em seguida, tirou a própria vida.
De acordo com informações da Polícia Civil, o caso
aconteceu por volta das 7h40, na Rua Asa Branca, no bairro Bacurau.
A vítima foi identificada como Joelma da Silva
Oliveira, de 30 anos. O autor do homicídio seria o próprio irmão dela,
identificado como Egnaldo da Silva Alves.
Ainda segundo a polícia, há indícios de que o homem
também tentaria atacar outra irmã. No entanto, após a chegada das equipes
policiais ao local, ele acabou tirando a própria vida.
Equipes da Polícia Civil estão no local onde o crime
aconteceu realizando os primeiros levantamentos e procedimentos de
investigação.
A outra irmã, que também seria alvo do suspeito,
deverá ser ouvida pelos investigadores assim que estiver em condições
emocionais.
A motivação do crime ainda não foi confirmada e será
apurada pela Polícia Civil.
Portal da Tropical
Homens atiram em momento que vereador grava vídeo
O vereador Cabo Deyvison (MDB) estava gravando um
vídeo em que pintava o muro da Escola Municipal Dolores do Carmo Rebouças, no
Bairro Aeroporto, em Mossoró, quando dois homens que atiraram para cima gerando
um susto.
Deyvison estava pintando um muro da escola que havia
sido pichado pela facção criminosa comando vermelho quando o susto aconteceu.
“Eu estava ali defendendo a nossa periferia como
sempre defendi. Com o tempo, passou dois elementos em cima de uma motocicleta
vermelha atirando para cima. Atirando para cima ou em nossa direção, ainda não
sabemos”, disse. “A intenção era que a gente parasse de pintar ali no momento.
Não recuei, inclusive, fiz várias rondas no local, claro, obedecendo as leis”,
complementou.
O vereador, que estava com policiais militares à
paisana, disse que ainda procurou os homens que tentaram intimidá-los. “Nós
como os militares da reserva remunerada ainda temos o porte de arma e eu estava
com policiais à paisana, não estávamos abordando ninguém, mas se tivesse algum
estado de flagrante delito nós poderíamos agir pela excludente de licitude
então a gente fez ali uma volta ali para ver se encontrávamos esses dois
elementos, mas não encontramos, fiz lives desafiando mesmo que eu estava ali
defendendo a minha periferia, a nossa comunidade e que eu defenderia até o fim
com risco da nossa própria vida”, garantiu.
Deyvison disse ainda que durante a live perfis supostamente
de membros das facções criminosas fizeram ameaças ao parlamentar.
Blog do Barreto
Pastor de 63 anos é preso em Parnamirim suspeito de estupro de vulnerável no interior do RN
Um pastor evangélico de 63 anos foi preso nesta
quinta-feira 5, em Parnamirim, suspeito de estupro de vulnerável. O crime
aconteceu em Santa Cruz, no interior do Rio Grande do Norte.
De acordo com as investigações, o suspeito teria
praticado abusos sexuais contra uma pessoa do mesmo ciclo familiar, de forma
reiterada, ao longo de mais de 10 anos. O caso chegou ao conhecimento da
Polícia Civil durante o plantão policial no último fim de semana.
Segundo informações da Polícia Civil, naquele
momento não havia elementos legais para a realização de prisão em flagrante.
Após a continuidade das investigações, os policiais reuniram elementos que
indicaram a prática reiterada dos crimes e solicitaram a prisão preventiva do
suspeito, que foi autorizada pela Justiça.
O suspeito já havia deixado o município de Santa
Cruz. Ele foi localizado e preso na cidade de Parnamirim.
O homem foi conduzido à delegacia para a realização
dos procedimentos legais cabíveis e, em seguida, encaminhado ao sistema
prisional, onde permanecerá à disposição da Justiça.
A Polícia Civil reforça a importância da colaboração
da população e informa que denúncias anônimas podem ser realizadas por meio do
Disque Denúncia 181.
Empresário negocia acordo com Departamento de Justiça dos EUA para entregar ministro de Lula
Um importante empresário brasileiro decidiu negociar
um acordo com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos para entregar
provas de como foi achacado por um dos principais ministros de Lula no governo.
Tudo foi devidamente registrado e documentado pelo
empresário.
O caso é tão comprometedor, que envolve uma grande
banca de advocacia brasileira e um conhecido advogado em Brasília, com trânsito
no Senado.
Radar - VEJA
Opinião do Estadão: Lulinha, o problemão de Lula
A política tem o curioso hábito de criar personagens
dos quais depois não consegue se livrar. Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha,
tornou-se um desses casos. Há quase duas décadas, o filho do presidente Luiz
Inácio Lula da Silva reaparece no noticiário com incômoda frequência, quase
sempre nos momentos menos convenientes para o pai e o partido que governam o País.
Agora, às vésperas de mais uma disputa presidencial, Lulinha – dono de uma
magnífica história que o fez saltar de monitor do Zoológico de São Paulo para
empresário envolvido em negócios milionários – volta ao centro de histórias mal
explicadas. Lembra, assim, que certos problemas políticos podem desaparecer por
algum tempo, mas, quando são problemas de fato, raramente desaparecem de vez.
Viram assombração.
Desde o primeiro mandato de Lula, o nome de Lulinha
simboliza uma dificuldade recorrente do lulopetismo: convencer a opinião
pública de que relações entre poder político e negócios privados em torno da
família presidencial são apenas coincidências. Foi então que o discreto biólogo
deu um salto empresarial tão rápido quanto surpreendente, ao tornar-se sócio de
uma empresa financiada por uma gigante das telecomunicações. Em circunstâncias
normais, uma biografia empresarial assim despertaria curiosidade, quando não
espanto. No singular universo lulopetista, porém, tentou-se apresentá-la como
exemplo de meritório espírito empreendedor.
Foi assim que nasceu a Gamecorp, agraciada com
investimento milionário da Telemar, na época controladora da operadora Oi. O
caso reuniu cabeludos indícios de trambiques e jamais foi plenamente explicado,
mas parece claro que o sobrenome Lula revelou-se especialmente valioso, capaz
de gerar oportunidades que dificilmente surgiriam para qualquer empreendedor
comum. Na cosmologia de Brasília, todo acesso tem seu preço.
Ao longo dos anos seguintes, o roteiro repetiu-se. O
nome de Lulinha surgia em negócios variados e relações com personagens que
orbitavam o poder político e econômico. Nada disso resultou em condenações
judiciais. Tampouco veio acompanhado de explicações claras. Na política, essa
combinação costuma bastar para manter suspeitas persistentes.
E eis que surge o episódio das fraudes bilionárias
no INSS. A investigação menciona mensagens em que investigados discutem
pagamentos destinados ao “filho do rapaz”, expressão que a polícia tenta
confirmar se seria referência ao filho do presidente. Há também suspeitas de
relações empresariais entre Lulinha e personagens ligados ao esquema. A defesa
do empresário nega irregularidades, mas o fato político permanece: mais uma vez
o nome do filho do presidente aparece nas franjas de um escândalo.
O detalhe mais revelador envolve o convite para uma
viagem de negócios a Portugal, feito pelo lobista Antônio Carlos Camilo
Antunes, o “Careca do INSS”. Segundo reportagem do Estadão, os dois teriam
visitado instalações ligadas à produção de cannabis medicinal, ramo em que
Antunes pretendia investir. Pode parecer trivial, mas em política raramente é.
Passagens internacionais em primeira classe e agendas empresariais além-mar
dificilmente são oferecidas por simples gentileza. Em geral representam
investimento em acesso – no caso de Lulinha, acesso direto ao sobrenome mais
poderoso da República. Ou um mimo para retribuir façanhas.
Caberá à Justiça esclarecer as suspeitas.
Politicamente, porém, o problema já está posto. Lula construiu sua trajetória
afirmando representar o oposto das elites que confundem interesses privados e
funções públicas. A história mostrou que o discurso não passou de engodo. É por
isso que o chamado “fator Lulinha” seguirá como um problema político permanente
para o presidente. O enredo volta ao palco, e o personagem muda de papel – ora
empresário promissor, ora investigado circunstancial –, mas o roteiro segue o
mesmo.
Talvez seja injusto com o pai. Talvez seja apenas o
destino de políticos poderosos. Mas há algo que parece incontornável. Lula
sempre foi um assombro da política, para o bem e para o mal. E o fantasma que
insiste em persegui-lo atende pelo apelido de sempre: Lulinha.
Opinião do Estadão
Eliane Cantanhêde: Sai Toffoli e entra Moraes no centro do alvo da PF, do caso Master e da possível delação de Vorcaro
Troca-troca no Supremo: sai Dias Toffoli e entra
Alexandre de Moraes no centro do alvo, ou “na mosca”, no escândalo do Master,
não apenas porque o contrato do banco com o escritório da família de Moraes
envolve R$ 130 milhões, quantia muito superior à do tal resort do qual Toffoli
era sócio, mas principalmente porque as relações, trocas de mensagens e
suspeitas são muito mais graves e robustas
O último tiro na mosca contra Moraes foi dado pela
PF, usando como armas os celulares e, como munição, as trocas de mensagens de
Daniel Vorcaro, o banqueiro onipresente, agora preso como bandido. Se o
ministro já devia explicações sobre os R$ 130 milhões do Master, ele passa a
ser cobrado sobre qual era o seu papel, ou a expectativa de Vorcaro sobre ele,
nesse contrato.
Como revelou a jornalista Malu Gaspar, ministro e
banqueiro já se encontravam e trocavam telefonemas e mensagens havia tempos e,
horas antes de ser preso pela primeira vez, em novembro, Vorcaro disse a
Moraes, por Whatsapp, que estava “numa correria para tentar salvar” e indaga,
ou cobra: “Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?”
Não é uma prova concreta, mas é razoável supor que o
quase-preso estava pedindo socorro, informações sigilosas e até mesmo a
intervenção de um ministro do Supremo cuja família vinha sendo regiamente
remunerada por ele. Bloquear o quê? A ordem de prisão judicial?
Moraes poderia ter respondido algo como “não
entendi”, “do que você está falando?”. Ele, porém, postou três mensagens
rapidamente, sob a técnica da visualização única (depois de lido, o texto se
autodestrói). Assim, ele aumentou tanto as dúvidas quanto a impressão de um
diálogo altamente comprometedor. Neste caso, qualquer dúvida não é pró-réu,
ops!, pró-interlocutor.
Ao repassar as informações que chegam à mídia – e, portanto,
à sociedade −, defensores do STF acusam a PF de “vazamentos seletivos” que
indicariam uma estratégia: soltar as bombas contra os dois ministros, mas
esgotar primeiro as de Toffoli para então centrar fogo em Moraes, o alvo da
vez.
Toffoli se apavorou e botou os pés pelas mãos. Puxou
o caso para si e tomou decisões esdrúxulas a seu favor e contra a PF, até ser
compelido pelos colegas a renunciar à relatoria. Assim, ele continua no alvo,
mas abriu espaço na “mosca” para Moraes, que está sob o tiroteio após o
contrato milionário, as relações com a pessoa errada na hora errada e a
terrível sensação de que Vorcaro não pagava por serviços de advocacia, mas para
ter um aliado na cúpula da Justiça. Mais um anti-herói no Brasil?
Eliane Cantanhêde - Estadão
Raquel Landim: Gonet corre o risco de se tornar o novo Aras
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, está
correndo o risco de rasgar sua biografia e se transformar no novo Augusto Aras,
que comandava o órgão na época do início do interminável inquérito das fake
news.
Até por seu papel institucional, já que o Ministério
Público é o titular da ação penal, é de Gonet a principal omissão hoje entre
todos os entes da República que tentam abafar o caso Master.
A blindagem ao banqueiro Daniel Vorcaro está
escapando pelos dedos nos últimos dias graças ao trabalho dos investigadores da
Polícia Federal, com o apoio do ministro do Supremo Tribunal Federal André
Mendonça.
Com a prisão do banqueiro e o envio do seu sigilo a
CPMI do INSS, está vindo a público a verdadeira natureza de sua organização
criminosa e seu envolvimento com os políticos.
Vorcaro não é apenas o responsável pela maior fraude
bancária do país, ou um criminoso do colarinho branco, que lesou centenas e
centenas de correntistas. Ele se assemelha a um chefe de uma quadrilha capaz de
invadir sistemas eletrônicos do governo e de ameaçar adversários, inclusive
jornalistas.
Suas relações próximas com políticos, com o senador
Ciro Nogueira ou o presidente da Câmara, Hugo Motta, que já eram há muito tempo
comentadas, agora vêm a público em suas mensagens eletrônicas.
Ainda não se encontrou nada que vá além de uma
amizade inadequada, com o avanço de temas importantes para o banqueiro no
Congresso, mas parece questão de tempo.
Já são três as ocasiões em que Gonet se omitiu de
investigar o caso Master. O procurador-geral não viu nada relevante para apurar
no contrato de R$ 139 milhões da esposa do ministro Alexandre de Moraes, a
advogada Viviane Barci de Moraes, com o Banco Master.
Com o apoio de uma manobra jurídica do STF, que
afastou o ministro Dias Toffoli da relatoria do caso, Gonet também não precisou
investigar a venda por R$ 35 milhões de uma fatia da empresa Maridt, que
pertence ao ministro e seus irmãos, em um resort de luxo para o sistema que
ronda Vorcaro.
Agora, Gonet foi contra a prisão preventiva de
Vorcaro, por falta de tempo para analisar, as novas evidências recolhidas pela
Polícia Federal. Destaco dois pontes: uma ordem para “quebrar os dentes de um
jornalista” e a ocultação de R$ 2,2 bilhões pelo banqueiro na conta do pai.
Independentemente do momento em que ocorreu no
tempo, a intenção de planejar um assalto a Lauro Jardim, colunista de O Globo,
mostra uma intenção violenta contra adversários. E o dinheiro escondido da
Justiça colabora para o risco de fuga.
Aras ficou conhecido por engavetar os ataques do
ex-presidente Jair Bolsonaro contra a democracia. Colocou em risco o sistema de
pesos e contrapesos da Justiça brasileira. Ao se omitir, Gonet faz o mesmo.
Só que devemos ter cuidado com as comparações
históricas. Mendonça não está no mesmo papel de Toffoli, que abriu o inquérito
das fake news, ou de Moraes, que o conduz até hoje. O ministro não começou o
inquérito do Master de ofício, mas o recebeu por sorteio.
Não é ao mesmo tempo julgador e vítima e, até agora,
não há sinais de envolvimento dele e de pessoas diretamente relacionadas no
caso. O que Mendonça fez foi proteger os delegados da PF da pressão que vinham
sofrendo Toffoli, que tentava brecar as investigações quando era relator.
Gonet e Aras têm em comum a defesa de seus padrinhos
políticos. Aras foi indicado por Bolsonaro, que fugiu da lista tríplice. Gonet
teve forte apoio dos ministros do Supremo, com destaque para Moraes e Gilmar
Mendes, que selecionaram seu nome e levaram ao presidente Lula.
Ao contrário de Aras, porém, Gonet tem uma carreira
irretocável até aqui. Ainda há tempo para uma mudança de rumo.
Raquel Landim - Estadão
Mario Sabino - Caso Master: Gonet é como um nadador que dá braçadas em um mar de lama
Sob Paulo Gonet, a Procuradoria-Geral da República
parece ter virado puxadinho do STF. Ou melhor, dos gabinetes de alguns
ministros do STF. É uma mancha para a instituição que deveria primar pela
independência em relação a todos os poderes.
No caso das barbaridades estreladas por Daniel
Vorcaro, Gonet se comporta como um nadador que não vê problema em dar braçadas
em um mar de lama. A sua atuação seria cômica, não fosse trágica para a
democracia brasileira.
Descobriu-se que o escritório de advocacia da mulher
do ministro Alexandre de Moraes assinou um contrato de inacreditáveis R$ 129
milhões de reais com o Banco Master, em troca do qual não fez absolutamente
nada de relevante, e o PGR não viu motivo nenhum para abrir uma investigação.
Veio à tona que Dias Toffoli é sócio oculto dos
irmãos em uma empresa suspeita de lavagem de dinheiro, que negociou a venda de
um resort no Paraná com um fundo de investimento cujo único cotista era o
cunhado de Vorcaro, e Gonet já tinha achado que a ligação comercial não era
motivo para apontar a suspeição do ministro na relatoria do caso Master.
A última do PGR fez André Mendonça perder a
paciência. Como novo relator do caso, depois que o STF inventou a desistência
de relatoria por não suspeição, uma jabuticaba para livrar a cara de Toffoli, o
ministro terrivelmente evangélico indignou-se porque Gonet deu parecer
contrário à necessidade de prender novamente Vorcaro, como pedia a
representação da PF.
O PGR considerou que o tempo era curto para analisar
a representação e achou que as provas apresentadas pela polícia não eram
robustas o suficiente.
O diligente Gonet não viu “perigo iminente” na
liberdade de um criminoso que mantinha uma milícia privada, encomendou uma
surra em um jornalista, invadiu os sistemas da Justiça, da PF, da própria PGR,
do FBI e da Interpol — e que continuava a operar para ocultar a dinheirama que
roubou. Tudo devidamente documentado pela polícia na representação que o PGR
menosprezou.
Ao decretar a prisão e demais cautelares contra
Vorcaro, o ministro Mendonça deu uma bronca pública em Gonet:
“Diante desse robusto quadro fático-probatório,
lamenta-se que a PGR diga que ‘não se entrevê no pedido, nem no encaminhamento
dos autos [] a indicação de perigo iminente, imediato, que induza a
extraordinária necessidade de tão rápida e necessariamente sucinta análise do
pleito’, razão pela qual conclui que ‘não pode ser favorável aos pedidos
cautelares, não podendo aboná-los’ antes que sua manifestação seja apresentada
“no mais breve tempo possível”. Lamenta-se (i) porque, as evidências dos
ilícitos e a urgência para adoção das medidas requeridas estão fartamente
reveladas na representação.”
O jornalista Caio Junqueira apurou que
investigadores dizem que a amizade entre Gonet e o ministro Moraes, cuja
relação com Vorcaro parece ser mais estreita do que se imaginava, é um dos
principais obstáculos para que tudo seja passado a limpo no caso do Banco
Master.
Não se esqueça também que Gonet é amigo e ex-sócio
de Gilmar Mendes, que hoje está na posição estrategicamente confortável, na
balança de poder no interior do Supremo, de fiador dos ministros diretamente
atingidos pelo mar de lama de Vorcaro.
A esperança é que Mendonça esteja mesmo tomado de
espírito messiânico para limpar toda essa imundície e não apenas varrê-la para
debaixo do tapetão do STF.
Mario Sabino - Metrópoles
Banco Central investiga aliados de Vorcaro por suspeita de enriquecimento ilícito
As duas sindicâncias abertas pelo Banco Central (BC)
contra os servidores Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza – aliados do
dono do Banco Master, Daniel Vorcaro – apuram se os patrimônios acumulados
correspondem às rendas de cada um deles, ou seja, se há indícios de
enriquecimento ilícito. A coluna teve acesso a elementos das investigações
sigilosas, que começaram em 8 de janeiro.
As apurações iniciaram uma espécie de efeito dominó
que desembocou nas medidas cautelares impostas pelo ministro do Supremo
Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do caso do Banco Master, quase
dois meses depois. Os “funcionários” de Vorcaro são monitorados por
tornozeleira eletrônica e não podem deixar o município em que vivem ou manter
contato com investigados da Operação Compliance Zero – as proibições entraram
em vigor na quarta-feira (4/3).
Antes disso, Paulo Sérgio havia entregado o cargo de
chefe-adjunto no Departamento de Supervisão Bancária (Desup) do BC em 19 de
janeiro. Já Belline, superior imediato dele, saiu no dia 27 daquele mês. As
dispensas, a pedido, constam no Diário Oficial da União (DOU).
A sindicância patrimonial (Sinpa) do BC ocorre na
esfera administrativa ao passo que a investigação do STF está no bojo criminal.
Na prática, ambas independem uma da outra.
A Controladoria-Geral da União (CGU) estabelece que
uma Sinpa, por si só, não tem poder de punir os investigados.
“A Sindicância Patrimonial – SINPA constitui
procedimento investigativo de caráter preparatório, não contraditório e não
punitivo, de acesso restrito, destinado a avaliar indícios de enriquecimento
ilícito, inclusive evolução patrimonial incompatível com os recursos e
disponibilidades do servidor ou empregado público federal”, determina a
portaria da CGU.
Caso o BC encontre indícios de enriquecimento
ilícito por parte de Belline e de Paulo Sérgio, é necessário abrir processo
correcional cabível, como um Processo Administrativo Disciplinar (PAD), com
penas que vão de advertência a demissão. Depois, deve acionar o Ministério
Público Federal (MPF), o Tribunal de Contas da União (TCU), a CGU, a Receita
Federal, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e a
Advocacia-Geral da União (AGU).
Já uma eventual falta de provas sobre os fatos e/ou
as autorias enseja o arquivamento. O prazo de apuração é de até 30 dias, que
podem ser estendidos por iguais períodos sucessivamente. Até o momento, a Sinpa
está na primeira prorrogação.
Como a coluna detalhou na quarta-feira (4/3),
Vorcaro cooptou os dois ex-chefes do BC para que lhe fizessem uma espécie de
jogo duplo. Mensagens obtidas pela PF apontam que o repasse de informações
internas da autoridade monetária e a realização de uma consultoria ajudaram o
dono do Banco Master a consolidar a influência dentro do órgão e a ampliar os
negócios fora dele.
A PF prendeu Vorcaro e o cunhado, o empresário e
pastor Fabiano Zettel, na quarta-feira (4/3), por ordem de Mendonça. A
determinação consta no mesmo documento que proferiu as medidas cautelares
contra Belline e Paulo Sérgio.
De acordo com a corporação, o ex-chefe do Desup do
BC debatia informações relativas à situação regulatória do Banco Master
diretamente com Vorcaro em ligações telefônicas e reuniões dentro e fora das
dependências do órgão. Também participou de negociações para definir
estratégias da instituição perante a autoridade monetária.
“Nessa condição, [Belline] manteve interlocução
direta e frequente com DANIEL BUENO VORCARO, controlador do Banco Master,
passando a atuar de modo informal e reiterado em favor dos interesses da
instituição financeira submetida à supervisão da autarquia reguladora”,
escreveu Mendonça.
A atuação dele lhe rendeu propina e uma proposta de
contratação simulada feita pela Varajo Consultoria Empresarial Sociedade
Unipessoal Ltda. para prestar “serviços informais” a Vorcaro. Nos diálogos, o
dono do Banco Master quis esconder a origem do pagamento e pediu para o
administrador da empresa, Leonardo Augusto Furtado Palhares, fazê-lo mediante
reembolso.
O subordinado de Belline, por sua vez, revisava
minutas de documentos e comunicações institucionais do Banco Master que seriam
endereçadas ao BC – atividade considerada “incompatível com as atribuições de
fiscalização exercidas pelo próprio servidor público”.
“Os elementos informativos reunidos indicam que
PAULO SÉRGIO prestava consultoria informal e contínua ao referido investigado,
fornecendo orientações estratégicas sobre a atuação do Banco Central em
processos administrativos envolvendo o Banco Master, inclusive sugerindo
abordagens e argumentos a serem utilizados em reuniões com dirigentes da
autarquia reguladora. Em diversas ocasiões, o investigado encaminhou ao
banqueiro recomendações específicas acerca de temas que poderiam ser levantados
por autoridades do Banco Central em reuniões institucionais, orientando
previamente as respostas e estratégias a serem adotadas”, descreveu Mendonça.
A PF descobriu, ainda, que Vorcaro, Belline e Paulo
Sérgio tinham um grupo de mensagens. Além de outras vantagens indevidas, o
banqueiro teria oferecido ao servidor de carreira um guia em viagem à Disney.
Procurado pela coluna, o BC não se manifestou até a
publicação desta reportagem.
O que diz a defesa de Daniel Vorcaro
Leia a íntegra da nota:
“A defesa de Daniel Vorcaro informa que o empresário
sempre esteve à disposição das autoridades, colaborando de forma transparente
com as investigações desde o início, e jamais tentou obstruir o trabalho das
autoridades ou da Justiça.
A defesa nega categoricamente as alegações
atribuídas a Vorcaro e confia que o esclarecimento completo dos fatos
demonstrará a regularidade de sua conduta.
Reitera sua confiança no devido processo legal e no
regular funcionamento das instituições”.
Tacio Lorran - Metrópoles
RN tem 50 municípios com risco elevado de deslizamento de terra, aponta estudo
O Rio Grande do Norte tem
50 municípios com risco alto ou muito alto de ter deslizamentos de terra. O
dado, que representa 30% do total de 167 cidades potiguares, é do AdaptaBrasil,
sistema do Ministério de Ciência e Tecnologia e do Instituto Nacional de
Pesquisas Espaciais (Inpe).
Dos 50 municípios, 39 têm
risco considerado “alto” e 11 estão na faixa de risco “muito alto”. A situação
mais crítica está em Areia Branca. Em uma escala de 0 a 1, o município potiguar
tem nota 0,91. Quanto maior a nota, maior o risco de deslizamento.
Os outros 10 municípios
com risco muito alto de deslizamento de terra no RN são, na seguinte ordem:
Várzea, Parelhas, Montanhas, Patu, Macau, Nova Cruz, Acari, Santo Antônio, Assú
e Currais Novos.
O risco só é considerado
“muito baixo” em 9 municípios: Serra do Mel, Guamaré, Tibau do Sul, Ielmo
Marinho, Tibau, São Bento do Nordeste, Maxaranguape, Rio do Fogo e Touros.
Natal está na faixa de
risco “alto”. A nota do município é 0,68. Os principais fatores que influenciam
a condição na capital potiguar são: proporção de domicílios em área de risco e
densidade da população em áreas urbanizadas.
Entre as capitais
nordestinas, Natal está na 3ª pior condição, ficando à frente de Salvador
(0,83) e Teresina (0,70). A capital vizinha João Pessoa tem nota 0,54,
figurando na 2ª melhor condição entre as capitais da região, perdendo apenas
para Recife, com nota 0,52.
Entre outras cidades do RN
com risco considerado “alto”, além de Natal, estão: Mossoró (0,78), Ceará-Mirim
(0,76), São Gonçalo do Amarante (0,71), Santa Cruz (0,70), Parnamirim (0,67) e
Macaíba (0,66).
Os pesquisadores afirmam
que o índice mede o “risco de impacto das mudanças climáticas em sistemas
socioecológicos, considerando a ameaça de desastre geo-hidrológico no evento de
deslizamento de terra.”
Em todo o País, são 830
cidades com risco alto de deslizamentos de terra e 211 com risco muito alto.
Juiz de Fora faz parte do primeiro grupo. Na semana passada, 65 pessoas
morreram na cidade mineira após fortes chuvas provocarem deslizamentos na
região.
Em entrevista ao jornal O
Globo, o pesquisador do Inpe Jean Ometto, coordenador do Adapta Brasil, faz um
alerta: “O problema é que a gente não tem, na maioria das cidades, estruturas
adequadas para lidar com o clima que está mudando. No litoral, há áreas
montanhosas. Vai para a Região Amazônica, tem outro tipo de problema. Não tem
serra em Manaus, mas lá há risco alto de deslizamentos por conta do local onde
as pessoas moram. Evento climático se soma à situação socioeconômica, de
ocupação desfavorável.”
De acordo com o estudo, a
situação, que hoje já é preocupante, tende a piorar. Se atualmente um a cada
cinco municípios brasileiros têm alto risco de deslizamentos, essa proporção
pode ser de um a cada três em 2030, quando cerca de 1.800 cidades passariam a
ter risco alto ou muito alto, segundo projeções do AdaptaBrasil.
No caso do Rio Grande do
Norte, a projeção aponta que, se nada for feito, o número de municípios com
risco “muito alto” de deslizamentos de terra subirá de 11 para 23. Já os com
risco “alto” subirão de 39 para 68. Com isso, o total de cidades com alto risco
de deslizamento de terra vai totalizar 91, o que representa mais da metade do
Estado. Este é o cenário considerado “otimista”.
O levantamento também traz
o risco de inundações, enxurradas e alagamentos. Neste caso, o Rio Grande do
Norte tem 61 cidades com risco “alto” e 16 cidades com risco “muito alto”. A
situação mais crítica está em Currais Novos, com nota 0,94, seguida de Santa
Cruz (0,93), Nova Cruz (0,91), Serra Negra do Norte e Patu (0,90, cada). A
capital Natal tem risco considerado “alto”, com nota 0,61.
Em agosto do ano passado,
a Prefeitura do Natal e pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do
Norte (UFRN) lançaram o inédito Plano Municipal de Redução de Risco (PMRR). O
documento traz um levantamento atualizado das áreas de risco no município e as
estratégias para reduzir ou erradicar os perigos de deslizamento de encostas e
inundações nos locais indicados.
Das 13 localidades
mapeadas pelo plano, três estão sujeiros a “movimentos de massa”, ou seja,
rastejo e deslizamentos. São eles: a Comunidade do Jacó e áreas de Mãe Luíza,
na Zona Leste, e a Duna de Cidade Nova, na Zona Oeste.
Municípios conforme o risco de deslizamento de terra
no RN
- Muito baixo: 9
- Baixo: 32
- Médio: 76
- Alto: 39
- Muito alto: 11
Índice de risco para deslizamento de terra entre as
capitais nordestinas
- Salvador: 0,83
- Teresina: 0,70
- Natal: 0,68
- Maceió: 0,65
- São Luís: 0,63
- Fortaleza: 0,61
- Acaraju: 0,59
- João Pessoa: 0,54
- Recife: 0,52
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O Antagonista André Janones pode mentir à vontade sem ser punido. Talvez seja o único brasileiro a desfrutar dessa prerrogativa, uma es...
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O Instituto Seta também perguntou aos entrevistados a avaliação da atual gestão municipal. O prefeito Eraldo Paiva foi reprovado por 67,6%...










