segunda-feira, 20 de abril de 2026

Empresa dos EUA compra mineradora brasileira de terras raras por US$ 2,8 bi

 


A mineradora americana USA Rare Earth anunciou nesta segunda-feira (20) a compra da brasileira Serra Verde por cerca de US$ 2,8 bilhões, em uma operação que pode redesenhar o mapa global de fornecimento de terras raras, insumos críticos para tecnologias como carros elétricos, turbinas eólicas e sistemas de defesa.

Segundo a companhia, o acordo prevê a aquisição de 100% da Serra Verde, dona da mina e da planta de processamento Pela Ema, em Goiás.

A operação será paga com US$ 300 milhões em dinheiro e 126,849 milhões de novas ações da USA Rare Earth, o que implica um valor de aproximadamente US$ 2,8 bilhões para a mineradora brasileira.

O fechamento está previsto para o terceiro trimestre de 2026, sujeito a aprovações regulatórias e outras condições usuais.

A Serra Verde é controlada por investidores privados e fundos, entre eles Denham Capital, Vision Blue Resources e Energy & Minerals Group.

A Serra Verde é dona da mina Pela Ema, em Goiás, considerada um ativo estratégico por ser o único produtor em escala fora da Ásia capaz de fornecer os quatro principais elementos magnéticos de terras raras. A operação ganha ainda mais relevância porque, segundo a USA Rare Earth, a Serra Verde deve responder por mais de 50% da oferta de terras raras pesadas fora da China até 2027.

A transação ocorre em meio ao esforço dos Estados Unidos e aliados para reduzir a dependência da China nesse mercado.

A própria USA Rare Earth destaca que conta com apoio do governo americano e que a operação inclui um contrato de 15 anos para venda de 100% da produção inicial de elementos como neodímio, praseodímio, disprósio e térbio, com pisos de preço definidos, o que reduz riscos de mercado.

Esses minerais são essenciais para a fabricação de ímãs permanentes usados em setores estratégicos como defesa, semicondutores, energia e mobilidade elétrica.

Com a aquisição, a USA Rare Earth busca criar uma cadeia integrada fora da Ásia, que vai da mineração à produção de ímãs. A empresa projeta que a operação combinada pode gerar até US$ 1,8 bilhão em EBITDA anual até 2030, embora esses números dependam de condições de mercado e execução dos projetos.

Em janeiro, a USA Rare Earth assinou uma carta de intenções não vinculante com o Departamento de Comércio dos Estados Unidos para ter acesso potencial a até US$ 1,6 bilhão em apoio financeiro do governo dos EUA.

Desse total, até US$ 277 milhões seriam em recursos federais diretos e até US$ 1,3 bilhão em um empréstimo sênior garantido. Na prática, o documento não representa liberação imediata de recursos, mas sinaliza que Washington vê a empresa como peça estratégica na tentativa de montar, fora da China, uma cadeia de terras raras, metais e ímãs voltada a setores considerados sensíveis, como semicondutores, defesa e energia.

Para o Brasil, o negócio reforça a relevância de seus recursos minerais no cenário global, mas também levanta questionamentos sobre o nível de agregação de valor no país, já que etapas industriais mais avançadas tendem a ser concentradas no exterior.

A Serra Verde iniciou a produção comercial em 2024 e já recebeu mais de US$ 1,1 bilhão em investimentos. A expectativa é que a mina atinja capacidade plena até 2027, com potencial de expansão nos anos seguintes.

 

 

Lei da deputada Cristiane Dantas que protege animais é sancionada pelo Governo

 


Uma lei de autoria da deputada estadual Cristiane Dantas (PSDB), impõe respeito aos animais e pune agressores que disputam cargos públicos no mercado de trabalho. A Lei nº 12.698, aprovada pela Assembleia Legislativa e sancionada pela governadora Fátima Bezerra (PT) na quinta-feira (16), proíbe pessoas condenadas por maus-tratos a animais de exercer cargos públicos no estado. Com a aplicação da lei, já em vigor, agressores com condenação, e durante o cumprimento da pena, estão proibidos de atuar em órgãos da administração direta e indireta, autarquias, empresas públicas e sociedades de economia mista com participação estatal.

“Propus essa lei para reforçar a punição aos agressores de animais. Frequentemente acompanho notícias de maus tratos, que ficam com lesões permanentes ou morrem em decorrência disso. Não podemos minimizar esses atos cruéis e aceitar no serviço público pessoas condenadas por esse crime. A vedação do exercício do cargo, função ou emprego é enquanto durar a pena imposta pela justiça”, justificou a deputada. A lei também pode ser aplicada contra servidores que estão no exercício de suas funções, caso haja condenação definitiva.

Caberá ao Governo do Estado regulamentar a vigência e a aplicação da lei que passará a valer em todo o Rio Grande do Norte, reforçando as políticas públicas já existentes para proteger os animais. De acordo com a Secretaria da Segurança Pública e da Defesa Social (Sesed), só em 2025 foram contabilizados 540 casos de maus tratos, significando um aumento de 9,3% em relação ao ano de 2024.

 

Homem é encontrado morto a tiros ao lado de linha férrea em Natal

 


Um homem foi encontrado morto com marcas de tiros, na manhã desta segunda-feira (20), perto de uma linha de trem na Rua Cafarnaum, no bairro Planalto, Zona Oeste de Natal.

De acordo com a Polícia Militar, moradores da região relataram ter ouvido cerca de seis disparos de arma de fogo por volta da meia-noite e acionaram a corporação.

Equipes realizaram buscas na área e, por volta das 5h, localizaram o corpo da vítima em uma área próxima à linha férrea e a condomínios residenciais.

Segundo a polícia, o homem ainda não havia sido identificado até a última atualização desta reportagem, e nenhum familiar compareceu ao local.

A principal suspeita inicial é de que o caso tenha sido uma execução, já que a vítima foi atingida principalmente na cabeça e no pescoço.

Equipes da Polícia Militar, da Polícia Civil e da Polícia Científica estiveram no local para os procedimentos de perícia e remoção do corpo para realização de exames necroscópicos.

O caso será investigado pela Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

 

Demanda asiática por petróleo brasileiro cresce e leva exportações do País a recorde

 


Em meio ao conflito no Oriente Médio, o aumento da demanda global pelo petróleo brasileiro tem sido fundamental para ampliar as exportações do País e colocá-las num patamar recorde no início deste ano.

No primeiro trimestre de 2026, as exportações totais do Brasil somaram US$ 82,3 bilhões, acima dos US$ 76,9 bilhões registrados no mesmo período de 2025. É o maior valor já apurado para os três primeiros meses de um ano. Entre janeiro e março, as vendas de petróleo bruto cresceram 31%, para US$ 12,562 bilhões.

“Vemos essa melhora nas exportações desde o final do ano passado. E é uma melhora que veio principalmente pelo volume de exportação, não de preço”, afirma Julia Marasca, economista do Itaú. “A produção de petróleo brasileiro tem crescido e, como temos uma capacidade de refino limitada no País, todo excedente acaba virando exportação.”

Em 2025, a produção foi de 3,770 milhões de barris por dia, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Foi o maior valor já apurado. Em 2024, a produção havia sido de 3,358 milhões de barris por dia.

“As empresas já estão operando numa capacidade máxima de produção. E esse aumento é tão forte que tende a esbarrar nessa incapacidade. É positivo no curto prazo, mas um ganho mais relacionado a isso depende da capacidade de produção do País”, acrescenta Marasca.

Segundo a economista do Itaú, o aumento do preço do petróleo nas exportações deve começar a aparecer com mais força a partir dos dados de abril da balança comercial. “O valor do Brent bate com uma defasagem de mais ou menos um mês no preço de exportação de petróleo”, diz.

Os números de exportação de petróleo têm sido puxados sobretudo por uma maior demanda dos países asiáticos por causa da redução de tráfego de navios petroleiros no Estreito de Ormuz — por onde passa 20% da produção global de petróleo. Com a guerra no Oriente Médio, que envolve Estados Unidos, Israel e Irã, o preço da commodity disparou e chegou a superar a barreira de US$ 110.

Na sexta-feira, 17, o Irã anunciou que a passagem de navios comerciais foi “totalmente aberta” no estreito no período de cessar-fogo entre Israel e Líbano, que começou à meia-noite de sexta. O fim do conflito entre os israelenses e integrantes do grupo Hezbollah tem sido uma exigência dos negociadores iranianos. No sábado, 18, porém, o Irã voltou a bloquear o Estreito de Ormuz, segundo a Guarda Revolucionária

“Há um cenário de diversificação dos ofertantes por causa do fechamento do Estreito de Ormuz e das questões relativas às hostilidades no Oriente Médio”, afirma Lívio Ribeiro, pesquisador associado do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV/Ibre) e sócio-fundador da consultoria BRCG. “Na verdade, eu diria que está se ampliando uma tendência que estava sendo observada anteriormente.”

No primeiro trimestre, as vendas de petróleo bruto para a China saltaram de US$ 3,702 bilhões para US$ 7,192 bilhões, e, para a Índia, as exportações passaram de US$ 577,4 milhões para US$ 1,027 bilhão.

“A China aumentou consideravelmente a demanda por combustível brasileiro. E esse crescimento mascarou algumas quedas, como a exportação de combustível para os Estados Unidos”, diz Daiane Santos, professora de economia da UERJ e consultora da Fundação Centro de Estudos do Comércio (Funcex).

Para os Estados Unidos, as vendas de petróleo bruto recuaram de US$ 1,065 bilhão para US$ 632,3 milhões entre o primeiro trimestre do ano passado e 2026.

Novas projeções

O desempenho das vendas brasileiras neste primeiro trimestre tem levado boa parte dos analistas e o próprio governo a revisarem as projeções para as exportações brasileiras e para o saldo comercial.

Na divulgação do resultado da balança comercial de outubro, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) ampliou a projeção de exportação deste ano de US$ 348,3 bilhões para US$ 364,2 bilhões, e a do superávit comercial subiu de US$ 68,1 bilhões para US$ 72,1 bilhões.

Se os novos números do governo se confirmarem, a economia deve voltar a colher um resultado recorde nas exportações. Até hoje, o melhor resultado foi registrado no ano passado, quando o País exportou US$ 348,7 bilhões.

Os economistas apontam que o superávit só não deve ser maior porque o Brasil, se por um lado se beneficia da alta de preços no mercado internacional, por outro deve sofrer com produtos importados mais caros.

“Não podemos olhar só para o efeito de curto prazo. Houve um ganho na largada, mas os preços de importação de outros produtos também vão crescer num ambiente em que há mais inflação global de maneira geral”, diz Livio.

Um desempenho mais claro da balança em 2026 só deve ficar claro com o desenrolar da guerra — qual será a duração do conflito e, quando encerrado, qual será o prejuízo nas cadeias globais diante do cenário atual de destruição.

“Depender das exportações de commodities significa que não temos nenhum controle, porque sobem ao sabor dos acontecimentos”, afirma José Augusto de Castro, presidente executivo da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB).

Estadão

 

 

Presidente da Câmara e mais 6 deputados controlam R$ 1,5 bilhão em emendas antes secretas

 


O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e mais seis deputados concentraram no ano passado a indicação de R$ 1,5 bilhão em emendas de comissão ao Orçamento, verba distribuída pelos colegiados temáticos do Congresso.

Os R$ 6 bilhões restantes desse tipo de recurso foram partilhados por outros 423 deputados, enquanto 83 parlamentares não indicaram nenhum valor em 2025 de forma oficial —eles podem ter sido contemplados pelo envio de verbas em nome da liderança dos seus partidos.

Essas verbas são sugeridas ao governo pelas comissões do Congresso, com a indicação de como e onde o dinheiro deve ser gasto. O Executivo tem o poder discricionário de não executar os recursos, mas não pode remanejá-los para outras áreas de seu interesse.

Essas emendas eram secretas até 2024, sem que o nome do padrinho político responsável pela indicação da verba fosse divulgado. Isso mudou em 2025, após decisões do STF (Supremo Tribunal Federal), o que permitiu verificar os valores encaminhados por cada parlamentar.

O levantamento feito pela Folha nas atas do Congresso mostra que esse pequeno grupo de sete políticos detém o controle de uma fatia desproporcional deste orçamento: um quinto do total de R$ 7,5 bilhões repassado pelas comissões da Câmara em 2025 para ações nas bases eleitorais.

O deputado federal que, sozinho, mais indicou emendas de comissão em 2025 foi Julio Arcoverde (PP-PI), com R$ 244,3 milhões. Ele presidiu a CMO (Comissão Mista de Orçamento) do Congresso, responsável por votar os projetos de lei orçamentários.

"Todas foram destinadas de forma legal e transparente ao estado do Piauí, com investimentos em infraestrutura, saúde e apoio aos municípios, gerando obras e benefícios diretos para a população, sem qualquer irregularidade. Assim, o deputado Julio Arcoverde cumpre a sua missão de viabilizar mais recursos para o desenvolvimento econômico e social do Piauí", afirmou ele em nota de sua assessoria.

O segundo é Hugo Motta, com R$ 180,5 milhões. Quase metade deste valor foi repassado a cidades cujo prefeito declarou publicamente apoio à pré-candidatura ao Senado de Nabor Wanderley, pai do presidente da Câmara. Ao anunciar que renunciaria à Prefeitura de Patos (PB), Nabor disse à imprensa local que espera contar com o apoio de 150 dos 223 prefeitos da Paraíba para ser eleito.

Motta afirmou que a indicação respeita rigorosamente um acordo entre os três Poderes. "No âmbito dos partidos, a divisão dos valores das emendas segue os critérios adotados pelas lideranças, seguindo o número de deputados, e a destinação dos recursos tem como prioridade áreas estratégicas e estruturantes para os municípios brasileiros, como saúde e infraestrutura", disse.

Logo depois de Motta está o presidente de seu partido, Marcos Pereira (Republicanos-SP), com R$ 138,2 milhões. "Historicamente, presidentes de partidos e líderes acabam por ter um pouco mais de recursos para indicar. Não é uma particularidade minha", afirmou. Ele disse que sempre deu transparência às verbas em seu site. "Para mim, nunca foi um orçamento secreto, faço questão de divulgar."

Os líderes de quatro partidos políticos (PP, União Brasil, Republicanos e PL) constam como responsáveis por indicar outros valores, que somam mais de R$ 930 milhões.

Neste caso, o formato pode ser usado para ocultar o real padrinho da verba, uma vez que consta apenas o nome da liderança do partido na Câmara, o que contraria decisão do ministro Flávio Dino, do STF, para que fosse dada transparência sobre o real autor, como revelou a Folha em dezembro.

Na média, os outros mais de 400 parlamentares puderam repassar R$ 14 milhões cada. A maioria dos integrantes da oposição não recebeu recursos, com exceção de parlamentares do PL em postos-chave, como a presidência da Comissão de Saúde ou a liderança da sigla. Essas verbas são indicadas pelo Congresso, mas a decisão de quitá-las é discricionária do governo federal.

Parlamentares ouvidos sob condição de anonimato afirmam que houve acordo entre as lideranças partidárias para que cada deputado da base aliada ao governo pudesse indicar o destino de pouco mais de R$ 10 milhões das emendas das comissões.

Eles admitem que era esperado que houvesse alguma diferença no valor, privilegiando nomes de protagonismo e peso político, como os presidentes dos colegiados ou líderes dos partidos, mas que essa diferença deveria estar na casa das dezenas de milhões.

O que o levantamento revela, porém, é que apenas um pequeno grupo de sete deputados, entre eles o presidente da Câmara, teve direito de indicar mais de R$ 100 milhões. Nenhum dos outros mais de 400 repassou mais do que R$ 80 milhões.

Deputados ouvidos pela reportagem reclamam que a disparidade na divisão das emendas é injusta, desrespeita o acordo feito na Casa e privilegia um grupo com uma quantidade de dinheiro que deve ser decisiva nas eleições de 2026. A diferença não foi percebida de pronto, afirmam, porque a votação das verbas ocorreu de forma fragmentada ao longo do ano, em diversas comissões.

Além das emendas de comissão, há ainda emendas parlamentares individuais, com valor igual para todos os deputados, e de bancadas estaduais, para obras e projetos estruturantes.

No final de 2024, Dino iniciou uma ofensiva contra a falta de transparência e desvios de recursos com as emendas parlamentares ao Orçamento. O modelo surgiu com a emenda de relator e foi replicado com a emenda de comissão após o STF declarar a primeira inconstitucional.

Os três Poderes negociaram um acordo no qual as indicações feitas pelas comissões, que até então não precisavam revelar o deputado que era padrinho da emenda, deveriam passar a ser aprovadas em ata por todo o colegiado, deixando explícito quem era o autor da indicação e como a verba será usada.

Como revelou a Folha, porém, os parlamentares driblam essa determinação assinando a autoria em nome da própria liderança partidária, não de um deputado específico. Em 2025, por exemplo, R$ 1,1 bilhão foi indicado desta forma, de acordo com as atas das comissões.

No grupo privilegiado com uma parcela desproporcionalmente maior dos recursos estão quatro lideranças de partidos: do PP, que distribuiu cerca de R$ 358 milhões desta forma; do União Brasil, com R$ 266 milhões; do Republicanos de Motta, com R$ 201 milhões; e do PL, com R$ 113 milhões (valor usado pelos deputados de oposição para esconder negociações com o governo).

Folha de São Paulo

 

 

Editorial Folha de São Paulo: Na dívida pública, Lula 3 repete Dilma

 


Dada a mixórdia de artifícios contábeis utilizados na apuração dos resultados do Tesouro Nacional ao longo dos últimos anos, hoje o indicador mais claro e confiável para avaliar a política fiscal é a evolução da dívida pública —e ela aponta um fracasso alarmante neste terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

De acordo com as projeções do recém-divulgado projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), os passivos de União, estados e municípios atingirão o equivalente a 86% do Produto Interno Bruto em 2027. A cifra, se confirmada, mostrará alta de 14,3 pontos percentuais ante os 71,7% do PIB do final de 2022.

A escalada é similar à dos cinco anos completos da também petista Dilma Rousseff, a responsável pelo maior retrocesso econômico entre os governos eleitos desde a redemocratização. Do final de 2010 ao de 2015, a dívida pública saltou de 51,8% para 65,5% do PIB, ou 13,7 pontos.

Pelos novos cálculos do Fundo Monetário Internacional, que seguem metodologia distinta, o endividamento governamental brasileiro chegará a 100% do PIB no próximo ano. As projeções do Monitor Fiscal do FMI ajudam a dimensionar a gravidade da situação aqui e no mundo.

É enganoso o argumento, usado por defensores de mais gasto público, de que países ricos têm dívidas bem maiores —de mais de 200% do PIB no Japão e de 120% nos Estados Unidos, por exemplo. Tais governos dispõem de moeda forte e capacidade de crédito muito maior que a nossa, razões pelas quais seus gastos com juros não chegam aos pés dos 8% do PIB aqui registrados.

Numa comparação mais apropriada, os números do Brasil destoam dos esperados em 2027 para a América Latina (74% do PIB) e o conjunto dos emergentes (80%). Neste grupo, só a China (112,5%), com as peculiaridades de ditadura comunista, tem quadro pior.

É também inútil culpar a taxa de juros do Banco Central, hoje em 14,75% ao ano, pela deterioração orçamentária. A Selic, afinal, foi elevada a esse patamar sufocante devido ao imperativo de conter a inflação impulsionada pela alta descomunal das despesas da administração petista.

Nessa toada, a dívida crescerá até 2029, pelas projeções do governo; o FMI, cujos cálculos vão até 2031, vê expansão contínua. Enquanto esse ciclo não for interrompido, o país estará sob risco crescente de uma crise de confiança capaz de paralisar investimentos, provocar uma recessão e elevar a taxa de pobreza —como ocorreu sob Dilma.

É possível que as receitas do governo contem com uma ajuda incerta e espúria do encarecimento do petróleo decorrente da guerra no Oriente Médio. O único caminho seguro, no entanto, é uma revisão drástica da política fiscal na próxima administração, seja qual for o vencedor das eleições.

O atual arcabouço, que quando lançado previa conter a dívida pública já neste mandato presidencial, há muito caiu em descrédito.

Editorial Folha de São Paulo

 

 

Esquerda fragmentada ao Senado e a direita pode levar as duas vagas do RN

 


A esquerda potiguar está em frangalhos na disputa pelo Senado. Zenaide Maia, Samanda Alves, o franco-carioca Jean-Paul Prates e Rafael Motta brigando por espaço no mesmo campo político. E ainda paira no ar a possibilidade do ex-prefeito de Natal Carlos Eduardo Alves entrar na disputa pelo União Brasil, mais um nome pescando no mesmo cardume.

São pelo menos cinco candidatos disputando o mesmo eleitor: aquele que é contra o impeachment de Alexandre de Moraes, que não quer investigação do Banco Master e que engoliu o indiciamento de Lulinha na CPMI do INSS sem reclamar muito. É um eleitor fiel, mas não se divide em cinco.

E quando o voto se fragmenta assim, quem sorri é a direita. Styvenson Valentim, que já tem uma base consolidada e um nome conhecido no estado, sai na frente com folga nesse cenário. Mas o grande beneficiado silencioso pode ser o coronel Hélio.

Num campo da esquerda despedaçado, a bolha fiel do coronel, aquela base dura que o acompanha desde sempre, pode ser o suficiente para garantir a segunda vaga.

O RN pode eleger dois senadores de direita em outubro. A esquerda está ajudando com entusiasmo.​​​​​​​​​​​​​​​​

Esse texto foi copiado do Blog do Gustavo Negreiros

Opinião do Estadão: Sem credibilidade não se governa

 


O que acontece quando um governo deixa de ser crível? Refletindo sobre como a credibilidade impacta a economia, a relação entre os Poderes e os desafios do modelo político brasileiro, o ex-presidente Michel Temer deparou-se com essa questão numa conversa com o economista Felipe Salto, articulista do Estadão, e saiu-se com a síntese: “O governo tem de ser crível, não incrível”. A tese, simples de enunciar e complexa de executar, é mais do que um trocadilho. Trata-se de um princípio de gestão que desabona o vício nacional pelo populismo, constatado nos anos em que o Brasil mergulhou na areia movediça do lulopetismo e do bolsonarismo.

Do alto de sua experiência como ex-presidente que, em seu tempo de governo, parecia mais preocupado em governar do que com a eleição seguinte, Temer ensina o oposto do que pregam os protagonistas da polarização. O País não precisa de governos empenhados em reinventar a roda, destruir o passado ou fabricar marcas retumbantes de gestão. Precisa de algo mais simples e mais difícil do que propaganda: credibilidade. A História mostra que isso é para poucos.

A experiência brasileira recente demonstra que a perda de credibilidade tem consequências políticas concretas. Fernando Collor viu seu governo ruir não apenas pelas denúncias de corrupção, mas pela rápida erosão de confiança que inviabilizou sua sustentação. Sem credibilidade, perdeu apoio e abriu caminho para o impeachment. Décadas depois, Dilma Rousseff enfrentou destino semelhante. Tão relevantes quanto as “pedaladas fiscais” foram a condução errática da economia e a incapacidade política que isolaram o governo e pavimentaram seu impedimento.

A credibilidade é alicerce da governabilidade. Quando ela se esvai, o sistema reage. Foi o que se viu, em sentido inverso, no governo Fernando Henrique Cardoso. O PT adotou uma oposição que frequentemente testava os limites institucionais e apostava na deslegitimação do governo e na mobilização inclemente contra suas reformas. FHC preservou governabilidade, mas sob abalos constantes, em um ambiente político conflagrado. Em crise, não fez o sucessor.

Nos anos mais recentes, o bolsonarismo levou essa lógica ao paroxismo. Ao governar sob permanente confronto com outros Poderes, questionar sem provas o sistema eleitoral e estimular crises institucionais como método de governo, Jair Bolsonaro operou no limite do caos. Não por acaso, atravessou o mandato sob ameaças recorrentes de ruptura e terminou sem condições de articulação política. A ausência de credibilidade comprometeu a própria autoridade do cargo.

Se o bolsonarismo fez do conflito um método, o lulopetismo incorre em outro vício: a tentativa de ser “incrível” a qualquer custo. Segue a crença de que é possível governar com soluções grandiloquentes – seja flexibilizando regras e ampliando gastos sem a devida responsabilidade, seja tentando oferecer benesses de toda ordem, seja buscando marcas supostamente arrebatadoras, mas que, no fundo, apenas repetem experiências do passado, nem sempre bem-sucedidas. A estratégia pode até produzir ganhos políticos imediatos, mas cobra seu preço na forma de desconfiança crescente.

Em todos esses casos, o denominador comum é a inaptidão para sustentar confiança e oferecer soluções de longo prazo. Sem isso, o Executivo perde a capacidade de coordenar maiorias, o Congresso passa a agir de forma autônoma e fragmentada, e o Judiciário é empurrado para o centro das disputas. O sistema passa a operar sob tensão, incapaz de produzir estabilidade. O efeito mais profundo recai sobre a cultura democrática. Governos que trocam credibilidade por espetáculo alimentam a deslegitimação generalizada. O cidadão se afasta ou adere a soluções simplistas, abrindo espaço para novos ciclos de populismo e, por que não, autoritários.

 A advertência de Temer merece atenção. Democracias sólidas avançam de forma incremental, não por rupturas. O Brasil não precisa de governos “incríveis”, mas de governos confiáveis. Afinal, sem credibilidade, governos fracassam – e o País paga a conta.

Opinião do Estadão

 

 

Diogo Schelp: Lula ressuscita espantalho do neoliberalismo e revela inveja do bolsonarismo

 


Há muito tempo a palavra “neoliberalismo” deixou de ser um conceito do campo econômico para se tornar um “palavrão intelectual”, como observou Rajesh Venugopal, professor da London School of Economics, no Reino Unido. Em artigo publicado em 2015, ele analisou o uso do termo, demonstrando como passou a servir a generalizações teóricas e à descrição de fenômenos sem conexão entre si. De uma delimitação do papel do Estado como regulador da atividade econômica, transformou-se em definição de atitudes políticas autoritárias, ou de imperialismo, ou de uma nova forma de exploração dos pobres pelos ricos, ou até mesmo de massificação de produtos culturais.

O presidente Lula e o PT sempre tiveram a palavra “neoliberalismo” na ponta da língua quando precisavam de um bode expiatório para um problema qualquer. O recurso se desgastou, mas não foi abandonado. Em discurso realizado no sábado, 18, em Barcelona, na Espanha, Lula fez uma espécie de autocrítica da esquerda global, uma tentativa de encontrar explicações para a ascensão da direita antidemocrática em diversos países do mundo, inclusive o Brasil. E a explicação que Lula encontrou é que a esquerda se rendeu ao neoliberalismo. Pois é.

Segundo o presidente, “o progressismo não conseguiu superar o pensamento econômico dominante” e seus representantes se tornaram “gerentes das mazelas do neoliberalismo”. “Governos de esquerda”, disse Lula, “ganham as eleições com discurso de esquerda e praticam a austeridade”. E, de acordo com ele, “abrem mão de políticas públicas em nome da governabilidade”.

São afirmações curiosas quando se relembra a campanha presidencial de 2022, que resultou na vitória de Lula para um terceiro mandato. O petista não foi eleito por seu “discurso de esquerda” ou por apresentar um sólido programa de governo progressista, mas por ter sido o candidato mais apto a capitalizar a rejeição ao seu oponente, o então presidente Jair Bolsonaro. E mais: na apertada disputa de segundo turno, Lula contou com o que chamava de “frente ampla” com forças de centro. Seu vice, Geraldo Alckmin, é um ex-tucano e ex-adversário de urna.

A julgar pelas palavras de Lula em Barcelona, tudo isso foi um erro. “Sucumbimos à ortodoxia”, disse ele. “Nós nos tornamos o sistema. Por isso não surpreende agora que o outro lado se apresente como antissistema.” A frase transparece uma ponta de inveja do bolsonarismo. Para o PT, o discurso antissistema nunca funcionou para chegar ao Palácio do Planalto.

Diogo Schelp - Estadão

 

 

Opinião do Estadão: Uma vaga, muitos interesses

 


O preenchimento da vaga aberta no Supremo Tribunal Federal (STF) pela aposentadoria de Luís Roberto Barroso deveria ser uma oportunidade para o País refletir, com maturidade e espírito público, sobre os limites de atuação e a qualidade da composição de sua mais alta corte de Justiça. Mas, lamentavelmente, se o debate em torno da indicação de Jorge Messias tem servido para algo, é para escancarar um jogo de interesses no qual o que menos conta é justamente o interesse público.

A indicação do advogado-geral da União pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi mais um passo em direção ao abastardamento de um relevantíssimo rito constitucional. Há tempos, presidentes da República, não apenas Lula, subordinam a escolha dos ministros ao corporativismo do próprio Supremo, às conveniências políticas do governo de turno e ao apetite pantagruélico de parte do Congresso por rentáveis cargos na administração pública federal. Com a indicação de Messias, a despeito de sua notável desqualificação para o cargo, Lula levou esse processo ao paroxismo.

Comecemos, então, pelo descompromisso do presidente com o País. Lula já verbalizou que entende o Supremo como um prolongamento da arena política, sobretudo como um contraponto às dificuldades que o Executivo enfrenta num Congresso majoritariamente oposicionista. Não foi por outra razão que o petista, ao fazer suas três indicações no atual mandato, privilegiou a lealdade pessoal e o traquejo político em detrimento do notável saber jurídico e da reputação ilibada, requisitos expressos na Constituição. Ademais, Lula instrumentalizou o preenchimento das vagas em prol da representação de seus interesses estratégicos no STF. Em suma: suas escolhas são orientadas por um projeto pessoal de poder.

Antes o problema se esgotasse aí. No Senado, instituição incumbida de sabatinar e aprovar o indicado pelo presidente, o processo tampouco é digno da confiança da sociedade. Há poucos dias, o jornal O Globo revelou o preço, digamos assim, da eventual aprovação de Messias pelos senadores: a colonização de um naco da administração pública federal pelo grupo político liderado pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP). No balcão dessa feira antirrepublicana estariam dezenas de cargos em agências reguladoras e órgãos estratégicos do Estado, como a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Mais uma vez, o Brasil vem em último lugar. Os interesses nacionais – vale dizer, a regulação eficiente das atividades econômicas, a livre concorrência e a estabilidade do mercado financeiro – tornam-se menores diante da cobiça do sr. Alcolumbre.

Como se nada disso bastasse, é igualmente perturbador o comportamento de ministros do próprio STF. Ao defender pública e enfaticamente a aprovação de Messias numa mídia social, o ministro Gilmar Mendes rompeu todos os limites que separam sua opinião particular sobre o advogado-geral da União e sua responsabilidade como autoridade do Estado brasileiro. É indigno da posição de decano do STF acossar o Senado da República de forma tão desabrida, afirmando que a Casa “saberá analisar” os “múltiplos atributos” de Messias. Que tipo de guardião da Constituição é esse? A ser tolerado esse tipo de comportamento, que então o rito constitucional seja reescrito e o processo de aprovação dos indicados passe a ser o escrutínio de seus currículos pelo gabinete de Sua Excelência o decano.

Como Lula e Davi Alcolumbre, Gilmar Mendes não é um ator desinteressado. Em meio à mais grave crise de credibilidade do STF, provocada por alguns de seus próprios ministros que se deixaram enredar por uma teia de conflitos de interesses, discute-se a adoção de um código de conduta capaz de restaurar parâmetros mínimos de decência na Corte. A resistência liderada pelo sr. Mendes é notória. Nesse sentido, sua defesa da aprovação de Messias soa menos como valorização da excelência jurídica na Corte e mais como estratégia de cooptação de um novo aliado nessa guerra intestina em curso no Supremo.

Como se vê, o centro decisório do País parece estar loteado por conveniências políticas que nem remotamente se alinham com o melhor interesse público. E assim a Constituição segue como mera referência teórica, traída até por seus maiores intérpretes.

Opinião do Estadão

 

 

Há um ano, o encontro de Vorcaro e Moraes em Campos do Jordão

 


Das voltas que o mundo dá: há um ano, em 19 de abril de 2025, Daniel Vorcaro relatou em uma mensagem a Martha Graeff, sua então namorada, que estava "indo encontrar Alexandre Moraes", em Campos do Jordão (SP).

O ministro do STF, segundo o ex-banqueiro, estava passando o feriado da Páscoa na cidade.

Um ano depois daquele encontro, Vorcaro está preso há um mês e meio e negocia um acordo de delação premiada, enquanto Moraes foi alvo de um pedido (rejeitado) de indiciamento na CPI do Crime Organizado, justamente por causa da relação com o ex-banqueiro.

O Globo - Lauro Jardim

 

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