terça-feira, 5 de maio de 2026

Dados nacionais reforçam estratégia de Natal ao priorizar prevenção climática

 


A reportagem publicada pelo jornal O Globo nesta semana reforça um ponto que especialistas já vêm alertando há anos: o Brasil ainda investe muito mais na reconstrução após desastres do que na prevenção. O levantamento mostra que os gastos para remediar chegam a ser três vezes maiores do que aqueles destinados a evitar tragédias, como as provocadas por chuvas intensas.

Diante desse cenário, a estratégia adotada em Natal segue na direção correta. A gestão do prefeito Paulinho Freire tem priorizado investimentos em obras de drenagem, infraestrutura urbana e ações preventivas voltadas para eventos climáticos extremos, um caminho que se alinha às recomendações técnicas e à necessidade urgente de adaptação das cidades.

Enquanto boa parte do país ainda lida com as consequências, Natal tenta agir antes que os problemas cresçam. A ideia é direta: prevenir sai mais barato, protege mais gente e evita prejuízos maiores.

Com as mudanças climáticas deixando os eventos mais intensos e frequentes, apostar em prevenção virou questão de estratégia e os dados nacionais indicam que Natal está no caminho certo.

 

A homenagem de R$ 538 milhões de Daniel Vorcaro a Martha Graeff

 


O empresário mineiro Daniel Vorcaro fez uma homenagem à ex-noiva Martha Graeff ao escolher o prefixo de seu jatinho mais caro, um Gulfstream G700 adquirido em junho de 2025 por R$ 538,5 milhões.

O prefixo da aeronave, PS-MGG, foi escolhido para contemplar as iniciais da influenciadora digital e ex-noiva de Vorcaro: MGG vem de Martha Gonçalves Graeff.

Em uma conversa de WhatsApp entre os dois, no dia 20 de março do ano passado, Martha demonstra surpresa com a homenagem. “MENTIRA”. “Wow”, “Que máximo”. “Amor, esquece isso. Não precisa, sério. Vai dar confusão. Vamos evitar.” Daniel Vorcaro responde: “Como assim, amor (…). A pintura do avião já é essa. Está com adesivo por cima. Não tem jeito de mudar mais”.

“É seu”, diz Vorcaro a Martha Graeff sobre Gulfstream

“Amoooooooooor”, escreve Martha Graeff naquela mesma noite. “Esse avião é demais”, diz ela. “É seu”, responde Vorcaro. “Hahahahaha”, diz ela.

No dia 14 de abril de 2025, Vorcaro volta a reforçar a ideia de que a aeronave estava a serviço de Martha Graeff. “O que precisar comprar na casa, pede à Thati (ele tinha encaminhado um contato salvo como ‘Thatiane Prime’).[Acione] Ela tb [para marcar] voos do seu avião MGG”, escreve Vorcaro.

A Prime You é a empresa de compra compartilhada de bens de luxo da qual Daniel Vorcaro foi sócio até setembro de 2025. Além do PS-MGG, a Prime tem vários outros ativos: jatinhos, helicópteros, iates, casas de praia e outros.

O Gulfstream G700 foi comprado em 13 de junho passado por uma importadora de Vitória (ES), por R$ 435,3 milhões. Pouco depois, em 20 de junho, foi transferido para um CNPJ ligado à Prime You por R$ 538,5 milhões.

No mesmo dia, a aeronave obteve permissão para atuar com o serviço de táxi aéreo, sob a operação da Prime You.

Em fevereiro deste ano, com o Master no olho do furacão, o Gulfstream G700 foi vendido. Segundo os documentos da Anac, o aparelho foi exportado para San Marino, um microestado encravado no norte da Itália. O local é muito procurado por empreendedores por oferecer um ambiente fiscal favorável.

A coluna procurou Martha Graeff para comentários, mas ela decidiu não se manifestar.

Nas redes sociais, a influenciadora tem dito que não se beneficiou financeiramente do relacionamento com Daniel Vorcaro e que não recebeu bens dele.

“Eu não sou investigada, eu não sou acusada. […] Meu patrimônio hoje é exatamente igual ao de dois anos atrás. Eu não ganhei mansão, não ganhei carro, não ganhei barco, isso tudo é mentira”, disse ela.

Como mostrou a coluna, Daniel Vorcaro tinha por hábito transferir imóveis para suas namoradas. Em pelo menos dois casos, ele agraciou namoradas com propriedades na casa dos milhões de reais em endereços de luxo em São Paulo (SP).

Andreza Matais - Metrópoles

 

 

Styvenson aponta desafios do Desenrola 2.0: “juros altos, inflação e impostos estaduais pesam no endividamento”

 


O senador Styvenson Valentim (Podemos-RN) usou a tribuna do Senado Federal, nesta segunda-feira (4), para questionar os fundamentos do programa Desenrola 2.0, anunciado pelo governo federal. Para o parlamentar, a iniciativa tem mérito ao oferecer renegociação de dívidas com descontos de até 90%, mas esconde o verdadeiro diagnóstico do endividamento brasileiro: os juros estruturalmente elevados, decorrentes do desequilíbrio fiscal do governo, e a inflação persistente que corrói a renda das famílias.

“O Desenrola 2.0 vem como propaganda de governo. A iniciativa é louvável. Mas o que o governo não combate de verdade são as causas realmente da vida sufocante do brasileiro", afirmou Valentim durante o pronunciamento.

Uma das novidades do Desenrola 2.0 é a vedação ao acesso a plataformas de apostas esportivas — as chamadas bets — para os consumidores que aderirem à renegociação. Valentim reconhece a medida como positiva, mas alerta para o risco de o governo usar as bets como único vilão do endividamento, desviando o foco das causas estruturais.

“O governo diz que, a partir de agora, quem renegociar sua dívida ficará proibido de jogar nas bets. Como se as bets fossem o grande causador do endividamento brasileiro — e não são", disse o senador. O parlamentar citou pesquisa do Atlas Intel para sustentar o argumento: o endividamento do brasileiro não se concentra em apostas, mas em gastos básicos — alimentação, água e energia elétrica.

Valentim trouxe, ainda, dados do Rio Grande do Norte para ilustrar a gravidade do problema. Segundo levantamento referente a 2025, 49,65% da população adulta potiguar está endividada — o equivalente a 1,24 milhão de pessoas. O índice coloca o estado como o terceiro maior em percentual de endividados entre os estados do Nordeste.

“Só no Rio Grande do Norte, um milhão, duzentas e quarenta mil pessoas passam por isso", ressaltou o senador. "O custo de vida está destruindo a renda do brasileiro. A conta de água, de luz, os alimentos — são os gastos básicos que estão comprometendo o orçamento das famílias."

Na avaliação do parlamentar, a inflação é o principal motor do endividamento, não as apostas online. Valentim argumenta que enquanto o governo mantiver gastos elevados — gerando pressão sobre a taxa Selic e, por consequência, sobre o custo do crédito —, qualquer programa de renegociação será paliativo.

“A verdadeira causa é a inflação. São as pesquisas que estão dizendo que o que está destruindo a renda do brasileiro é a inflação", afirmou. "O desequilíbrio fiscal do governo impõe juros altos ao país, e esses juros encarecem o crédito, o financiamento, o rotativo do cartão — e é isso que afoga o brasileiro."

 Impostos estaduais também pressionam

O senador acrescentou ao debate um elemento local: no mesmo dia do pronunciamento, o governo do Estado do Rio Grande do Norte encaminhou à Assembleia Legislativa um pacote com cinco projetos de lei, entre os quais uma proposta de elevação da alíquota do ICMS para 20%. Também foram incluídas mudanças nas regras de cobrança do IPVA e a criação de novos tributos.

Para Valentim, o movimento estadual agrava ainda mais o cenário do endividamento no RN: além de conviver com a inflação nacional, os potiguares terão de absorver uma carga tributária maior sobre consumo e patrimônio — o que pressiona ainda mais o orçamento das famílias já endividadas.

Valentim deixou claro que não é contrário ao Desenrola 2.0 em si. O problema, na avaliação do parlamentar, está no enquadramento que o governo faz da iniciativa — como se ela resolvesse as causas do endividamento, quando na realidade apenas trata as consequências.

"Ele pode ajudar. O que a gente defende é que seja combatido o que realmente precisa, para que devolvamos ao brasileiro um poder de compra maior", concluiu o senador. "Mas sozinho, o Desenrola não é a solução para esse problema. O governo precisa colocar a casa em ordem, reduzir o desequilíbrio fiscal e devolver ao Banco Central condições de baixar os juros de verdade."

Esse texto foi copiado do Blog do Gustavo Negreiros

Rejeição a Messias sinaliza isolamento de Lula na eleição e aliança restrita à esquerda

 


A rejeição histórica da indicação de Jorge Messias ao STF (Supremo Tribunal Federal) foi lida por lideranças partidárias como um sinal do isolamento do presidente Lula (PT) nesta eleição. A avaliação é que está em curso uma reorganização de forças em torno do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que está empatado com o presidente nas pesquisas de intenção de voto para o segundo turno.

O cálculo é que a rejeição não tira votos do petista, mas o episódio ilustra como partidos do centrão se afastaram de Lula, que nesta eleição deve contar com uma aliança restrita a partidos de esquerda. Esse cenário, sim, teria capacidade de prejudicá-lo eleitoralmente a longo prazo.

Do lado petista, a avaliação é a que o presidente deverá reforçar o discurso antissistema que tenta emplacar para a campanha eleitoral. Por esse raciocínio, Lula poderia dizer ao eleitorado que o Senado o impediu de colocar uma pessoa íntegra no STF. A corte está pressionada por causa do escândalo do Banco Master.

Políticos próximos a Lula avaliam também que a derrota de seu indicado ao Supremo poderá ter influência sobre a aliança do petista em pelo menos dois estados.

O presidente gostaria que seu candidato a governador em Minas Gerais fosse Rodrigo Pacheco (PSB-MG), mas parte dos governistas avalia que ele atuou para derrotar Messias. Isso deixaria a aliança ainda mais difícil –sem contar que Pacheco nunca assumiu publicamente uma candidatura.

Outro possível desdobramento é no Maranhão. Aliados de Lula acreditam que a rejeição de Messias também teve participação do ministro do STF Flávio Dino, que governou o estado por oito anos. Parte dos petistas defende que, confirmada a participação de Dino, o partido apoie Orleans Brandão (MDB) para o governo maranhense. Ele é sobrinho do atual governador, Carlos Brandão, que rompeu com o ministro do Supremo.

Neste terceiro mandato, Lula conseguiu atrair alas de legendas como União Brasil, PP e Republicanos oferecendo ministérios e cargos. Tal operação, porém, deixou de ser interessante, e os partidos, diante de uma perspectiva de possível vitória de Flávio, têm pouca iniciativa de ajudar Lula.

O presidente tentou atrair o MDB para sua coligação na disputa presidencial deste ano, mas não obteve sucesso. A tendência é que tenha ao seu lado, além da esquerda, apenas setores de partidos de centro que podem se beneficiar eleitoralmente de uma proximidade com o petista. Por exemplo, políticos da Bahia e outros estados onde o presidente é popular.

Demonstrações de força de Flávio e da oposição poderão reduzir a capacidade do presidente da República de atrair o apoio desses setores partidários.

Por mais que a rejeição de Messias não tire votos de Lula diretamente, a classe política entende que a derrota é sintoma da dificuldade que o PT terá para garantir palanques para Lula, já que há menos parlamentares dispostos a se associar ao governo.

A derrota também mostrou que o petista não conseguiu contar com a boa vontade do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), chefe de uma Casa que era considerada pelo governo a mais segura do Legislativo. Ele trabalhou pela rejeição de Messias, embora negue publicamente.

Líderes políticos, porém, acreditam que a derrota de Messias não tirará votos de Lula por dois fatores. O primeiro, que o fato político ocorre mais de cinco meses antes da eleição de outubro. O segundo, que o episódio se restringe a um assunto do Legislativo.

Nessa ótica, a opinião dos senadores não refletiria o pensamento médio do brasileiro, que pouco acompanharia o rito de indicações à Suprema Corte. Ou seja, o clamor pela rejeição de Messias ao STF estaria restrita apenas ao eleitorado bolsonarista.

Petistas ouvidos pela reportagem acreditam que o tema não chegará à eleição. O eleitorado teria mais interesse em projetos como o novo Desenrola e outras ações ligadas a temas econômicos.

Além disso, integrantes do partido avaliam que a rejeição de Messias pelo Senado dá ao presidente da República e a seu grupo político uma deixa para tentar colar no centrão escândalos de corrupção, tentando atingir Flávio Bolsonaro.

Aliados do petista avaliam que ele costuma se fortalecer depois de situações de crise.

Citam como exemplo a reação do governo depois de o Congresso derrubar a tentativa do Executivo de aumentar o IOF (imposto sobre operações financeiras), em 2025. O grupo político do presidente adotou um discurso de "ricos contra pobres" que o ajudou a sair das cordas e, meses depois, foi importante para Lula recuperar a própria popularidade.

Um sinal de que o presidente pretende se apresentar como um andidato antissistema foi dado na noite de quinta-feira (30), no pronunciamento de Lula divulgado em rede nacional de TV. "Cada vez que damos um passo adiante para melhorar a vida do povo brasileiro, o sistema joga contra. O andar de cima, os bilionários, a elite que só pensa em manter privilégios às custas do povo. Se dependesse do sistema, nem a escravidão teria sido abolida no Brasil", disse o presidente.

Integrantes de outros partidos avaliam que isso poderá ser um tiro no pé do governo porque afastará outras forças políticas de Lula. Ficaria mais difícil para o presidente obter apoio para seus projetos no Congresso até o fim do mandato e também para atrair novos deputados e senadores para sua base de apoio.

Aliados do presidente, porém, destacam que a medidas importantes do governo em termos de popularidade também não devem ser afetadas pela derrota recente. Petistas apostam que o apelo do fim da escala 6x1 não deixará Alcolumbre postergar a pauta e que o Desenrola 2.0 está sendo executado via MP (Medida Provisória), sem necessidade de aval do Congresso.

Folha de São Paulo

 

 

Presidente do TST vai cortar salário de ministro palestrante após polêmica de ‘vermelhos e azuis’

 

O presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, decidiu descontar o salário de ministros que não justificarem faltas às sessões de julgamento. Segundo ele, muitas ausências ocorrem porque os colegas atendem a convites por palestras remuneradas.

Vieira de Mello, que assumiu o cargo em setembro do ano passado, tomou a atitude depois que uma polêmica tomou conta das redes sociais. Em uma palestra proferida na sexta-feira, 1º, ele citou suposta divisão interna do tribunal de juízes “azuis e vermelhos”.

Na sessão de segunda-feira, 4, o presidente explicou que a analogia foi feita inicialmente pelo ministro Ives Gandra Martins Filho, em um evento pago para ensinar a advogados como atuar no TST. Vieira de Mello disse que só soube das palestras recentemente e por isso reagiu a elas. O tema provocou embate entre os dois magistrados durante sessão da corte.

Em entrevista ao Estadão, ele disse: “Isso é completamente antiético. É completamente conflituoso”. O presidente do TST defende férias de 60 dias para magistrados e reclama das tentativas de tirar da esfera trabalhista temas como o julgamento de casos de pejotização.

O senhor explicou a fala sobre juízes azuis e vermelhos apontando uma citação anterior do ministro Ives Gandra Martins Filho. Por que isso é um problema?

Tem ministros do tribunal dando palestras em cursos pagos por advogados ensinando como advogar no tribunal. Isso é completamente antiético. É completamente conflituoso. Esses advogados que pagaram valores que não são baixos ficaram numa posição de proximidade, enquanto a maioria da advocacia brasileira não tem condição de pagar isso. E mais, ministros ganhando dinheiro com cursos de como advogar no tribunal!

Quantos ministros atuaram dessa forma?

Foram vários. O curso é coordenado pelo vice-presidente do tribunal (Guilherme Caputo Bastos). Eu recebi uns slides do ministro Ives (Gandra Martins Filho) fazendo uma palestra sobre como fazer sustentação oral no tribunal. E nessa palestra ele fala claramente: “Vamos trabalhar como se estivéssemos indo entender o terceiro Reich.” Depois ele fala: “Eu sou legalista”. Ele está dividindo. Como é que ele pode dividir os colegas dessa forma? E no slide está claro: “ministros e ministras azuis e vermelhas.” E a quem ele atribui o azul e o vermelho? A quem defende a Justiça do Trabalho e quem defende uma visão multiempresarial do Direito do Trabalho.

Foi por isso que o senhor usou a mesma analogia?

Aquela foi uma reação a isso. Ele nos classificou em vermelhos e azuis. Eu estou dizendo: se vermelho é defender o Direito do Trabalho e o que a Constituição nos atribui como competência, então que eu seja.

O que fazer em relação aos cursos e palestras?

Em 2023, eu propus que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) fizesse uma resolução de integridade duríssima. Perdemos por um voto. O que nós precisamos é descontaminar o Judiciário para que ele seja absolutamente imparcial.

O senhor vai proibir as palestras e cursos?

Eu não quero proibir, não. Eu quero que isso fique regulado por um código de conduta. Como é que eu posso ser coach de como advogar no tribunal e ganhar dinheiro com isso? Não faz sentido. Eu quero transparência para quem tiver algum processo diga: “eu não quero que ele julgue”.

O TST está dividido sobre essa questão. O senhor deve insistir na ideia da transparência das palestras?

Eu só quero restabelecer a verdade do que está acontecendo. As coisas aqui eram ocultas. Qual é a forma que nós podemos evoluir num debate? Trazendo a verdade e sendo transparente. Eu sabia que ia apanhar das redes sociais. Mas tem um caminho para ser trilhado em prol da defesa do que a Constituição diz. Eu simplesmente quero ser transparente e dizer: “Olha, você falou isso num evento. Não sou eu quem dividi. Quem dividiu foi você. Eu tentei falar com vocês aqui internamente. Não façam isso. Não continuem”. Era para eu estar muito mais nervoso. Eu ainda trouxe para mim a pancadaria, para poder botar luz nisso.

O que vai ser feito?

Eu tenho pedido: não façam isso. Isso não deve ser feito mais. Eu ponderei ao coordenador do curso, que é o vice-presidente do tribunal, e falei: “Você integra a minha administração, eu sou contra isso, tenho defendido publicamente que não deve haver esse tipo de comportamento da magistratura”. Aí ele disse para mim: “Ah, mas não sabia que tinha um problema, que tinha conflito”. Falei: “Mas para com isso, você não pode ensinar a advogar aqui”.

O senhor identificou conflitos em ações específicas julgadas no TST?

É um conflito generalizado. Quem você acha que financia isso tudo? Você está fazendo palestra, recebendo dinheiro, como é que você vai julgar o processo dele? Seja lá de quem for. Para mim é o seguinte: quer fazer palestra? Pode fazer, só me diz aonde e quem paga. É o que eu tenho pedido que eles façam agora.

O que acontecerá com quem não justificar?

Antes, não acontecia nada. Agora, eu estou pedindo, porque não entendo que fazer uma palestra para um segmento econômico seja uma razão de não comparecer a uma sessão. É uma falta que vai ter repercussão no subsídio.

O senhor pretende cortar do salário esse dia?

Eu pretendo. Vai ter uma consequência administrativa. Eu tenho uma sessão do tribunal em que nós temos que julgar IRR (Incidentes de Recursos Repetitivos), aí você fala: “eu vou dar uma palestra para A, para B, para C.” Se tem uma finalidade acadêmica, pedagógica, não tem nenhum problema. Agora, quando não tem essa finalidade acadêmica, institucional, pedagógica, isso para mim não justifica. Para não falar que pretendo fazer uma coisa grosseiramente, pretendo passar um ofício para todos os ministros pedindo para serem absolutamente claros. Se não tiver justificativa, vai impactar no subsídio. Estou querendo que todo mundo esteja aqui para julgar. Qual é a nossa função? É estar aqui sentado julgando. Estou querendo fazer sessão às sextas-feiras para julgar IRRs, porque são processos mais penosos.

Existe um acordo para tirar da Justiça do Trabalho ações sobre pejotização? O senhor vê um cenário favorável no STF para que isso seja feito?

Isso é o que estão querendo fazer. Estão querendo criar um limite econômico de R$ 16 mil, ou duas vezes o teto da Previdência. Até esse valor seria competência da Justiça do Trabalho, mais que isso não seria mais. Mas eu pergunto: qual amparo legal ou constitucional para isso? Não tem. A questão fundamental é se a pessoa é subordinada ou não. Para isso, é necessário haver provas, não de valor econômico.

Como o senhor avalia essa proposta?

O problema desse limite é como a consequência econômica para o futuro do País, inclusive geracional. Um estudo da FGV São Paulo mostra um impacto da pejotização na previdência, no FGTS e no Sistema S. Isso mostra que haverá uma desconstrução da Constituição Federal porque, se eu sou PJ, eu não tenho cor, eu não tenho gênero, eu não tenho orientação, eu não tenho nada. Estamos com garis PJ, trabalhadores rurais PJ, engraxate, PJ. Isso é uma grande fraude.

Quais os impactos da regulação do trabalho em plataformas discutida no Congresso?

Eu tentei aqui, chamei os dois lados, e falei: “Vamos chegar num acordo. Não é nem CLT, não é nem autônomo. Vai ter uma lei específica para esse tipo de trabalho em plataforma”. Na última hora tudo ruiu, acabou. Os entregadores sustentaram o Brasil na pandemia. Quem é que olhou para eles? Quem teve o cuidado de dizer que essas pessoas merecem respeito? A lei criaria um sistema para eles, como nós temos uma legislação especial para o portuário, para o doméstico e para o trabalhador rural.

O Supremo é capaz de promover uma regulamentação?

Aí sim seria uma invasão de competência. Bem ou mal, isso tem que sair do Congresso Nacional. É preciso ter uma regulação mínima. Tem questões de segurança no trânsito, tem que ter uma proteção, uma vestimenta, uma direção defensiva, pontos de apoio bem consolidados, pagamento do valor das tarifas e é preciso trabalhar com a questão do feriado e da remuneração. Tem coisas muito específicas que precisavam ser debatidas com muita clareza, mas não com essa polarização entre empregado e empregador.

É possível reduzir a jornada para todos os trabalhadores?

É um momento necessário para a gente discutir esse tema. Quais são os beneficiários dessa lei? É isso que a gente tem que pensar. Sobretudo, é o setor de comércio. Três em cada 10 brasileiros seriam beneficiados por isso. Quem são essas pessoas? São mães cujos filhos elas deixam em casa. E, às vezes, o dia de folga dela não é domingo, é segunda, é terça, é quarta, é quinta. A Europa já tem vários países com jornada menor que a nossa. Isso não vai quebrar ninguém, é só uma reorganização do trabalho.

Então o custo alegado pelas empresas não existe?

Quando criaram a CLT, falaram: “Isso vai acabar com o País, nada vai funcionar”. Tinha um regime em que o sujeito trabalhava quase de graça. Os direitos foram instituídos com muita luta. Aí vieram as férias, e falaram: “Não, vai quebrar todo mundo. Como é que eu vou pagar um mês para ele não trabalhar?”. O trabalhador precisa não morrer trabalhando. É questão de saúde. Hoje, quando o trabalhador tem férias, o que faz? O que está ganhando um pouquinho melhor vai viajar uns dias com a família. Ou seja, ele vai levar o dinheiro de volta para um segmento econômico. E o que não tem, vai no comércio comprar alguma coisa para a família, não vai botar dinheiro no sistema financeiro.

Sobre a reforma trabalhista, o senhor vê conflito entre os entendimentos do TST e do STF?

O Supremo é a instância maior, não haveria conflito, nós obedecemos aquilo que o Supremo decidir, sem questionamento. Mas estamos lutando para que fique para a Justiça do Trabalho a matéria infraconstitucional e fática, que não é uma matéria do Supremo. Nem nós julgamos matéria fática, fica na primeira e na segunda instância, porque é uma interpretação peculiar daquele caso, não tem repercussão, por isso o recurso não sobe para cá. Os recursos estão sendo interpostos direto para o Supremo em vez de virem para o TST, Nós estamos mudando o sistema para que eles venham para cá. Porque nem sabemos qual a matéria, porque passa direto para o STF. Aqui, nós vamos poder uniformizar o entendimento.

As demandas à Justiça voltaram a aumentar depois da reforma trabalhista. Por quê?

Primeiro que eu acho que a demanda nunca diminuiu teoricamente. Porque quando veio a reforma, houve uma redução que ninguém sabia o que fazer depois da reforma. Todo mundo tinha medo de entrar na Justiça. Eles criaram empecilhos econômicos, enquanto que a doutrina mundial diz que o primeiro empecilho que tem que ser retirado para o acesso à justiça é empecilho de ordem econômica. Aqui no Brasil, um País pobre, nós estamos criando empecilhos econômicos. Inclusive esse de fixar um limite para a jurisdição trabalhista. É um empecilho de ordem econômica para um acesso justo a uma jurisdição justa. Então, não houve, houve um grande medo. Depois eles começaram a entender o mecanismo com algumas decisões e as reclamações voltaram. E por quê? Porque se descumpre a lei. O CNJ tem uma estatística que diz que a maioria das demandas trabalhistas são verbas rescisórias. É o empregado que trabalhou e não foi reconhecido. Ou seja, a nossa justiça trata dessas pessoas. Essa é a nossa clientela. Se cumprissem a lei, não teria demanda. É simples assim. A nossa Justiça inteira (trabalhista) são 25 tribunais que recebem 16 milhões de processos, num universo de 80 milhões. 

O problema é nosso, ou o problema é das pessoas pobres desse país que não devem molestar a elite?

Por decisão do Supremo, foi derrubado o pagamento de custas por beneficiário da justiça gratuita. A reforma trabalhista havia onerado esse público. Especialistas acreditam que essa decisão teria motivado o aumento das ações trabalhistas no País. 

O senhor concorda com essa leitura?

Eu acho que essa colocação é um artifício para impedir que os trabalhadores venham à justiça. Me explica aonde nós vamos chegar com isso?

O senhor considera excessiva a quantidade de penduricalhos na magistratura?

O ministro Edson Fachin (presidente do STF) ia reunir os poderes para definir esse tema. Aí houve três decisões do Supremo que praticamente abortaram essa discussão. Isso tem que ser resolvido lá no Congresso, a gente cumpre. Agora, nós precisamos ter um subsídio que possa garantir a estabilidade e a segurança do juiz. E quem entra não pode ganhar a mesma coisa que quem tá com 40 anos de profissão, tem que ter um critério distintivo, porque senão se cria uma situação absolutamente desigual.

Sem os adicionais que a magistratura recebe hoje, é possível garantir segurança e estabilidade apenas com o subsídio, no valor que ele tem hoje?

Tem algumas distinções. Tempo de serviço não pode integrar o subsídio. Porque senão todo mundo vai ganhar igual. Não adianta eu ter 40 anos e o outro ter o mesmo salário. E também há comarcas de difícil localização. Tem itinerância, com necessidade de pagamento de diárias e hospedagens em regiões inóspitas. Há uma série de parcelas indenizatórias. O corregedor precisa andar pelo País inteiro com a equipe dele fiscalizando. Isso é indenizatório, são coisas essenciais. Há acúmulo de jurisdição. Por que um juiz vai ficar com duas comarcas se o salário vai ser o mesmo? Não é justo.

E precisa ter limite para parcelas indenizatórias?

Quem tem que definir o limite é o Congresso.

É possível uma reforma administrativa que trate disso?

Não, eu acho que o judiciário tem que ser tratado como judiciário. Porque nós temos peculiaridades que não são as mesmas dos servidores.

O senhor considera um privilégio as férias de 60 dias da magistratura?

Eu não trato as férias de 60 dias como um privilégio, sinceramente. Porque uma coisa é uma mente cansada julgando a vida dos outros. E o volume é absurdo. Se nós tivéssemos uma coisa equilibrada, tudo bem. Não é que eu esteja falando “Olha, nós somos especiais”. Não somos. Mas há um risco. Numa sessão, quando a gente começa cedo, chega uma hora que eu falo: “Vamos acabar a sessão”. Porque não conseguimos mais, é um caso atrás do outro. Então, isso cansa. Nós temos o gabinete. E estou vendo aqui no tribunal é um grau de adoecimento muito alto, porque é um volume absurdo (de processos). Não é nós contra eles, nem eles contra nós. É a gente ter calma para resolver os problemas, saindo dessa polarização.

Estadão

 

 

Caso Master: BC “congela” bens de ex-sócio de Vorcaro e ex-diretor jurídico

 


Após quase seis meses da liquidação do Master, o Banco Central decretou nesta terça-feira (5) a “indisponibilidade de bens” de Augusto Ferreira Lima e Luíz Rennó Netto, respectivamente ex-sócio e ex-diretor jurídico do banco de Daniel Vorcaro.

A indisponibilidade, na prática, congela os bens, e os administradores de instituições financeiras sob liquidação extrajudicial não podem vender ou alienar suas propriedades até a conclusão do processo.

O comunicado do BC foi enviado a instituições financeiras, bolsas de valores e entidades autorizadas a exercer a atividade de registro de ativos financeiros e de valores mobiliários, considerando que os citados exerceram “atuação como administradores de fato da instituição nos doze meses que antecederam a decretação do regime de resolução”.

Conhecido como “Guga”, Augusto Lima chegou a ser preso preventivamente no âmbito da Operação Compliance Zero e é casado com a ex-ministra Flávia Peres. O banqueiro de Salvador tem proximidade com expoentes da política baiana, seja na esquerda, como o ex-ministro Rui Costa e o senador Jaques Wagner, líder do governo Lula (PT) no Senado, quanto na direita, como o ex-ministro João Roma (PL-BA).

 

Superlotação da UPA Satélite leva pacientes a longa espera

 


UPA Cidade Satélite registrou uma superlotação nesta segunda-feira (4), gerando uma série de reclamações entre pacientes que buscavam atendimento na unidade de saúde. Usuários relatam longas horas de espera por assistência médica, além da falta de insumos básicos que deveriam estar disponíveis para o funcionamento adequado do serviço.

Pacientes afirmam que enfrentam dificuldades desde a chegada à unidade. Muitos relatam demora no atendimento, o que contribui para o aumento do tempo total de espera. Em alguns casos, pessoas permanecem por várias horas aguardando.

Além da demora, a superlotação apresentou problemas estruturais e operacionais. Usuários denunciam a ausência de itens essenciais, como seringas, máscaras e medicamentos. Segundo os relatos, a falta desses materiais compromete diretamente a qualidade do atendimento prestado aos pacientes.

O paciente Herlon Silva descreveu a experiência como desgastante. Ele informou que passou muitas horas aguardando atendimento e que presenciou outras pessoas na mesma situação. De acordo com ele, a espera prolongada aumenta a angústia de quem já chega à unidade em busca de cuidados urgentes.

 

Escondidos em caixa de som: Polícia apreende dois fuzis durante operação em Mossoró

 


Uma ação da Polícia Militar realizada na madrugada desta terça-feira (5) resultou na apreensão de armamento de uso restrito no bairro Malvinas, em Mossoró. Dois fuzis e carregadores de munição foram encontrados escondidos dentro de uma caixa de som.

De acordo com a corporação, o patrulhamento na região havia sido intensificado por determinação do comando do 12º Batalhão, dentro de uma estratégia de reforço no combate à criminalidade. Durante as abordagens, os suspeitos foram detidos e um deles indicou aos policiais um endereço onde teriam armas armazenadas.

Segundo as informações repassadas à equipe, nenhum imóvel poderia estar escondido dois fuzis e até dez pistolas. Cerca de 12 policiais seguiram até o local indicado e, durante as buscas, encontraram o material escondido.

No endereço, os militares apreenderam dois fuzis T4 e 12 carregadores de munição calibre 5.56. Inicialmente, um suspeito apontado como responsável pelo material não foi localizado, mas foi apresentado pouco depois e também foi prorrogado à delegação.

Ao todo, duas pessoas foram levadas à Delegacia de Polícia Civil, onde foram realizados os procedimentos cabíveis.

A Polícia Militar informou que a apreensão faz parte das ações permanentes de combate ao crime organizado e retirada de armamento ilegal de circulação.

 

Violência no Interior: Jovem é Assassinado Dentro de Casa em Mossoró

 



A criminalidade voltou a fazer uma nova vítima na zona rural de Mossoró nesta segunda-feira (4). Um jovem, identificado preliminarmente como Victor, foi morto a tiros na comunidade de Pau Branco.

Segundo informações repassadas pela Polícia Militar do Rio Grande do Norte, indivíduos armados chegaram ao local — possivelmente utilizando uma motocicleta — e invadiram a residência onde a vítima se encontrava. Surpreendido, o jovem ainda tentou escapar pelos fundos da casa, mas foi alcançado no quintal e não resistiu aos disparos.

Levantamentos iniciais apontam que Victor havia se mudado recentemente para a comunidade e trabalhava na região da Maisa. No momento da ocorrência, ele estava sozinho no imóvel.

Após o crime, os suspeitos ainda deixaram marcas no interior da residência, pichando siglas que podem estar relacionadas a um grupo criminoso, o que deve ser analisado pelas autoridades.

O caso será apurado pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa, que já iniciou as investigações para identificar os responsáveis e entender as circunstâncias do homicídio.

 

Por decisão de André Mendonça, PF enviará celulares de Vorcaro aos Estados Unidos e Israel

 


A investigação sobre Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, entrou em uma nova etapa com a decisão de enviar celulares apreendidos para análise técnica no exterior. Os aparelhos serão encaminhados aos Estados Unidos e a Israel, onde investigadores esperam recuperar mensagens apagadas e eventuais respostas recebidas pelo ex-banqueiro.

Segundo a coluna da jornalista Raquel Landim, no SBT News, fontes próximas à investigação afirmaram que agentes de outros países foram consultados sobre tecnologias capazes de acessar dados deletados dos aparelhos. O objetivo é ampliar o alcance da apuração e verificar comunicações que ainda não foram recuperadas pela Polícia Federal.

Vorcaro tinha nove aparelhos celulares até o momento de sua prisão. Até agora, apenas um aparelho havia sido desbloqueado e analisado pela Polícia Federal (PF). Outros celulares foram acessados apenas recentemente, o que abriu uma nova frente de apuração sobre o conteúdo armazenado nos dispositivos. Os investigadores querem identificar se há registros relevantes para o caso que não aparecem mais nos aparelhos em analise.

De acordo com a reportagem, a Polícia Federal passou a buscar apoio tecnológico nos Estados Unidos e em Israel após consultar agentes nesses países sobre métodos mais avançados de recuperação de dados. A medida ocorre em meio ao avanço da investigação envolvendo o ex-banqueiro.

O progresso da PF também teria impacto direto sobre a tentativa de delação premiada de Daniel

Vorcaro. A percepção entre os investigadores é de que o ex-banqueiro estaria restringindo suas revelações e apostando na possibilidade de que a polícia não consiga acessar todo o conteúdo dos aparelhos.

Essa avaliação torna o avanço técnico sobre os celulares um ponto sensível para a negociação.

Caso novas mensagens sejam recuperadas, os investigadores poderão confrontar o material com as informações já apresentadas por Vorcaro no contexto da tentativa de acordo.

Daniel Vorcaro está preso preventivamente na superintendência da Polícia Federal em Brasília. Ele assinou um acordo de confidencialidade como parte das tratativas para uma eventual delação premiada.

 

Mascote oficial das eleições vira meme nas redes sociais

 

Internautas ironizaram nas redes sociais o mascote oficial das eleições de 2026, “Pilili”. A Justiça Eleitoral lançou o personagem na 2ª feira (4.mai.2026), em Brasília (DF), durante cerimônia que celebrou os 30 anos do sistema eletrônico de votação no Brasil.

O nome escolhido remete ao som produzido quando o eleitor pressiona a tecla “confirma” na urna eletrônica. A personagem foi concebida para transmitir valores relacionados à acessibilidade, à confiança e à proteção do regime democrático.

Veja memes:

Poder 360






Dados nacionais reforçam estratégia de Natal ao priorizar prevenção climática

  A reportagem publicada pelo jornal O Globo nesta semana reforça um ponto que especialistas já vêm alertando há anos: o Brasil ainda invest...