Os candidatos à Presidência da República Luiz Inácio
Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) apresentaram propostas para aumentar
a segurança pública durante seus discursos nos atos inaugurais de campanha
neste domingo (16). Enquanto o petista prometeu a criação de um Ministério da
Segurança Pública, o Senador defendeu a castração química.
Flávio Bolsonaro falou na praia de Copacabana, no
Rio de Janeiro e declarou que vai "meter o cacete no vagabundos",
caso seja eleito.
Propostas de Flávio
O candidato defendeu medidas mais duras na área de
segurança pública e citou classificar organizações criminosas e milícias como
grupos terroristas, redução da maioridade penal e castração química para
condenados por estupro.
"A gente vai fazer um governo com
responsabilidade, a gente vai meter o cacete nos vagabundos. PCC e CV vai ser
classificado como terrorista, vamos fazer redução da maioridade penal.
Estuprador de mulher vai ter que sofrer castração química e é daí pra frente
porque quem tem que andar seguro na rua são os brasileiros, não os
bandidos", afirmou Flávio.
Minutos antes, enquanto falava no trio elétrico, ele
disse que será o próximo presidente da República "porque vai enfrentar
esse sistema". O candidato também prometeu reduzir despesas do governo e
combater a corrupção.
"O Brasil vai vencer porque eu vou organizar
essas contas, porque você vai deixar de ter dívida. Eu vou fazer um tesouraço
ano que vem. Corte na corrupção, corte nos petistas que tão lá mamando na
teta", disse.
Flávio defende julgamento pelo Código Penal para
autores de atos ilícitos que tenham a partir do 16 anos. O senador também quer
penas maiores para quem roubar celular.
“O Brasil vai vencer porque PCC e CV vão ser
classificados como terroristas. O Brasil vai vencer porque ladrão de celular
vai ficar oito anos preso no mínimo. O Brasil vai vencer porque eu vou proteger
as mulheres. O Brasil vai vencer porque quem agride mulher vai ficar preso. Vou
reduzir a maioridade penal, para que um estuprador de 16 anos também mofe na
cadeia”, declarou.
Ato em São Bernardo
Enquanto Flávio utilizou Copacabana para iniciar sua
campanha, Lula voltou a um local que remete a seus tempos de sindicalista e deu
o pontapé inicial de sua campanha no Estádio Municipal 1° de Maio, em São
Bernardo do Campo, na região do Grande ABC.
De lá, o candidato a reeleição comandou greves entre
1978 e 1980, durante a ditadura militar. No palanque, ele discursou por cerca
de 40 minutos e prometeu a criação do Ministério da Segurança Pública. Lula
condicionou a medida à aprovação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da
Segurança Pública, que está sob análise do Senado Federal, e exaltou o papel
das mulheres na sociedade.
"Se a PEC for aprovada, eu vou criar o
Ministério da Segurança Pública para dividir a responsabilidade com estados e
municípios, para libertar o povo prendendo todo mundo que acha que é dono de
uma favela. Mas, para isso, preciso mudar a Constituição", disse Lula.
O mandatário também afirmou que investir em educação
é mais barato e apresenta mais resultados contra a criminalidade. Ele disse que
seu mandato foi mais efetivo do que de seu antecessor, Jair Bolsonaro (PL), ao
sequestrar mais bens do crime organizado e reduzir o número de armas de
circulação.
"Investir em educação é mais barato que cadeia.
Nós temos que evitar que eles virem bandidos para criar um país mais
civilizado. Enquanto eles pegaram R$ 1 bilhão do crime organizado, nós pegamos
R$ 35 bilhões. É pegando o dinheiro deles que a gente acaba com a indústria do
crime. É fácil matar jovem na favela, mas quem manda está em condomínio de
luxo. É preciso acabar com eles para acabar com o de baixo", disse durante
o discurso.
Enquanto na convenção do PT, realizada há duas
semanas, houveram críticas por parte de Lula pela falta de discursos femininos,
o ato de hoje contou com discursos no palco principal da primeira-dama, Janja
da Silva.
CNN Brasil