O Partido Liberal Democrata (PLD), da
primeira-ministra Sanae Takaichi, conquistou pelo menos dois terços das
cadeiras do Parlamento japonês, com o apoio do partido de coalizão, o Nippon
Ishin no Kai (Partido da Inovação do Japão).
A informação é da emissora pública japonesa NHK.
De acordo com informações da Reuters, a
representante do partido conservador deve vencer as eleições por ampla maioria
de votos, obtendo 328 do total de 465 cadeiras na Câmara dos Representantes do
Japão.
A margem é considerada estratégica para que
Takaichi consiga avançar em pautas do governo.
As urnas foram fechadas às 20h da noite neste
domingo (8), no horário local, e em menos de duas horas, o PLD já havia
ultrapassado os 233 assentos.
O resultado confirmou a projeção inicial de uma boca
de urna da NHK, divulgada logo após o fim da votação, que apontava ampla
vantagem para a legenda.
Takaichi conta com o apoio declarado do
ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump. O
presidente dos EUA afirmou na semana passada que a receberá na Casa Branca no
mês que vem.
A conservadora afirma ser inspirada pela Dama de
Ferro, a britânica Margaret Thatcher, e tem opiniões fortes sobre política
econômica, segurança nacional e é favor de restrições à imigração.
Ela também é historicamente
avessa a políticas de gênero e defende, por exemplo, que a linhagem
monárquica no Japão siga sendo ocupada exclusivamente por homens.
Somando forças com o partido de coalizão, o Nippon
Ishin no Kai, o bloco governista deve obter entre 302 e 366 assentos no total,
reforçando a base de apoio do governo no legislativo.
O resultado consolidado ainda não havia sido
divulgado até a última atualização desta reportagem.
Eleições antecipadas
Takaichi dissolveu o Parlamento japonês em 19 de
janeiro e convocou eleições antecipadas oito dias depois para tentar transformar
sua alta popularidade em uma maioria mais consolidada no legislativo.
Este período eleitoral foi considerado o mais
curto desde o fim da Segunda Guerra Mundial, com apenas 16 dias entre a
dissolução do Parlamento e o dia da votação.
Primeira mulher a governar o Japão, Takaichi, de 64
anos, tornou-se em outubro a quinta chefe de governo do país em cinco anos.
Apesar de suas posições conservadoras, ela se tornou
um fenômeno nas redes sociais e popular entre os jovens.
Entre este grupo, surgiu até uma “febre” chamada de
sanakatsu — algo como “mania por Sanae” — que impulsionou a procura por objetos
que ela usa, como bolsas e até uma caneta rosa que ela usa para fazer anotações
no Parlamento.
Apoio de Trump
A primeira-ministra reforçou sua posição de favorita
após receber o apoio público do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Em publicação nas redes sociais, ele afirmou que
Takaichi é uma líder “forte, poderosa e sábia” e declarou “apoio total e
absoluto” à premiê.
Trump também disse estar ansioso para recebê-la na
Casa Branca em 19 de março e destacou negociações comerciais e cooperação em
segurança entre os dois países.
Neste domingo (8), o secretário do Tesouro dos EUA,
Scott Bessent, elogiou Takaichi como uma grande aliada após a vitória de sua
coalizão.
“Ela é uma grande aliada, tem uma ótima relação com
o presidente”, disse Bessent, em entrevista ao programa Sunday Morning Futures,
da Fox News.
“E quando o Japão está forte, os Estados Unidos
estão fortes na Ásia.”
Como foi o dia de votação
Os japoneses tiveram que enfrentar nevascas recordes
para consguirem votar. Em algumas partes do país, a neve prejudicou o trânsito,
obrigando algumas seções eleitorais a fechar mais cedo.
Esta é apenas a terceira eleição do pós-guerra
realizada em fevereiro, já que, normalmente, as eleições são convocadas em
meses de clima mais ameno.
Do lado de fora de uma seção eleitoral na cidade de
Uonuma, na montanhosa província de Niigata, o professor Kazushige Cho, de 54
anos, enfrentou temperaturas abaixo de zero e neve profunda para votar no
Partido Liberal Democrata de Takaichi.
“Parece que ela está criando um senso de direção —
como se o país inteiro estivesse se unindo e avançando junto. Isso realmente
faz sentido para mim”, disse ele.
Takaichi prometeu a seus eleitores suspender o
imposto sobre vendas de 8% sobre alimentos para ajudar as famílias a lidar com
a alta dos preços.
A promessa preocupa investidores preocupados com a
forma como o país, que tem o maior endividamento entre as economias avançadas,
financiará o plano.
“Os planos dela para o corte do imposto sobre o
consumo deixam grandes pontos de interrogação sobre o financiamento e sobre
como ela pretende fazer a conta fechar”, disse Chris Scicluna, chefe de
pesquisa da Daiwa Capital Markets Europe, em Londres.
A moradora de Niigata Mineko Mori, de 74 anos,
caminhando pela neve com seu cachorro, disse temer que os cortes de impostos de
Takaichi possam impor um fardo ainda maior às gerações futuras.
Relação com a China
As inclinações nacionalistas e a ênfase na segurança
de Takaichi têm tensionado as relações com a poderosa vizinha China.
Semanas após assumir o cargo, ela provocou a maior
disputa com a China em mais de uma década ao detalhar publicamente como Tóquio
poderia responder a um ataque chinês a Taiwan.
Um mandato forte pode acelerar seus planos de
fortalecer a defesa do Japão, o que Pequim classificou como uma tentativa de
reviver seu passado militarista.
“Votei em um partido que claramente tem vontade de
proteger o país”, disse Masanobu Igarashi, um soldado aposentado, após votar no
PLD, em Uonuma.