domingo, 1 de fevereiro de 2026

Sócio dos irmãos de Toffoli acusa desvio de R$ 100 milhões em resort

 


Uma auditoria interna levantou suspeitas de desvios de até R$ 100 milhões nas obras e na gestão do resort Tayayá Porto Rico, no Paraná. A acusação foi feita por um dos sócios do empreendimento e envolve empresas ligadas aos irmãos do ministro do STF Dias Toffoli. O resort nega irregularidades e classifica a denúncia como “inverídica” e “caluniosa”.

O empreendimento, às margens do Rio Paraná, já vendeu cerca de R$ 220 milhões em cotas de imóveis e teve como sócios empresas do apresentador Ratinho e dos irmãos do ministro: José Carlos Dias Toffoli e José Eugênio Dias Toffoli. A participação dessas empresas ocorreu entre 2021 e 2025.

Segundo o empresário João Roberto Viotto, dono de 18% da empresa e ex-presidente do resort, os supostos desvios começaram em junho de 2023 e envolvem gastos sem comprovação, contratos com empreiteiras e serviços terceirizados. A auditoria aponta R$ 100 milhões sem documentação e um rombo adicional de R$ 7,6 milhões ao comparar movimentações financeiras e saldo bancário.

Viotto chegou a pedir à Justiça acesso a dados do Banco Central, Receita Federal e Coaf, mas desistiu da ação dias depois. Ele afirma que pretende levar as provas à Polícia Federal, sob suspeita de crimes contra a ordem tributária e o sistema financeiro.

O resort afirma que as acusações são uma tentativa de retomada do controle da empresa por Viotto, que teria sido afastado por condutas suspeitas e prejuízos à companhia. O atual presidente do Tayayá Porto Rico é o empresário Patrick Ferro, que não se manifestou.

Procurados, os irmãos Toffoli e o ministro Dias Toffoli não responderam. Ratinho também não comentou.

O Tayayá Porto Rico é um empreendimento privado, sem recursos públicos, em construção na região de Porto Rico, na divisa entre Paraná e Mato Grosso do Sul, com previsão de 240 apartamentos e 300 casas.

 

Redes sociais superam TV como fonte de informação política, mostra pesquisa Quaest

 


As redes sociais passaram a ser a principal fonte de informação política dos brasileiros, segundo pesquisa Quaest. 39% dos entrevistados disseram se informar principalmente por plataformas digitais, enquanto 34% apontaram a televisão, que liderava o ranking desde o início da série, em maio de 2024.

É a primeira vez que o meio digital supera a TV no levantamento. Em dezembro de 2025, havia empate técnico, com ambos marcando 35%.

O estudo também revela forte polarização na percepção das notícias sobre o governo Lula. Entre lulistas e a esquerda não lulista, a maioria afirma consumir conteúdos favoráveis ao governo, com índices entre 54% e 62%.

Já entre os independentes, prevalece a visão negativa: 45% dizem ver mais notícias desfavoráveis, contra 19% positivas. O contraste é ainda maior entre os bolsonaristas, grupo no qual 76% afirmam consumir notícias majoritariamente negativas sobre o governo federal.

A pesquisa, realizada em janeiro de 2026 em todo o país, indica que a direita está melhor posicionada no ambiente digital. Apesar do avanço das redes, a televisão segue relevante para uma parcela expressiva do eleitorado.

 

Estudo explica diferença de sintomas entre febre do Oropouche e dengue

 


Um estudo desenvolvido por pesquisadores brasileiros durante um surto de febre do Oropouche no país, em 2024, pretende auxiliar no diagnóstico e na diferenciação de sintomas entre essa doença e a dengue, especialmente em regiões onde elas circulam juntas.

Chamado de Perfis clínicos e laboratoriais da doença do vírus Oropouche no surto de 2024 em Manaus, Amazônia Brasileira, e publicado na revista científica PLOS Neglected Tropical Diseases, o estudo apontou que os sintomas da febre do Oropouche são muito semelhantes aos da dengue.

No entanto, destacou Maria Paula Mourão, médica pesquisadora da Rede Colaborativa de Vigilância Ampliada e Oportuna (Revisa), a pesquisa apontou que há algumas diferenças importantes entre elas, que nem sempre são facilmente percebidas pela equipe clínica.

“No Oropouche, a dor de cabeça costuma ser mais intensa, as dores articulares são mais frequentes, e as manchas na pele tendem a ser mais disseminadas. Também observamos alterações laboratoriais mais significativas, como aumento discreto de enzimas do fígado, e diferenças na resposta do sistema imunológico”, disse Maria Paula, em entrevista à Agência Brasil.

“Já na dengue costuma ocorrer mais diminuição das plaquetas, risco maior de sangramentos e de choque. Mesmo assim, só os sintomas não são suficientes para diferenciar com segurança uma doença da outra”, acrescentou.

De acordo com a pesquisadora, é muito difícil para a população em geral e também para os profissionais da saúde diferenciarem as duas doenças apenas pelos sintomas que provocam.

Por isso, ressalta ela, o mais importante não é fazer essa diferenciação, mas estabelecer um cuidado e um tratamento que sejam eficientes contra esses sintomas.

“Mais importante do que saber o nome da doença é reconhecer rapidamente os sinais de gravidade, como dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos, tontura, confusão mental ou piora progressiva do estado geral e buscar o serviço de saúde mais próximo”, alertou.

Ela acrescentou que gestantes, crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas precisam de um cuidado ainda mais atento quando apresentam febre, mesmo que os sintomas pareçam leves no início. “Nesses grupos, a recomendação é procurar avaliação médica precoce e não esperar a piora do quadro”.

Linhagem de maior virulência

O trabalho foi conduzido por um grupo de pesquisadores brasileiros e é resultado da Rede de Vigilância em Saúde Ampliada (Revisa), organizada com apoio do Instituto Todos pela Saúde (ItpS).

Esse estudo acompanhou pessoas com doença febril aguda que buscaram atendimento na Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), em Manaus (AM).

Os pacientes foram acompanhados por até 28 dias, com avaliação clínica, exames laboratoriais e testes específicos para dengue, oropouche e outras arboviroses.

Durante esse trabalho, os pesquisadores também concluíram que o surto que ocorreu em Manaus foi provocado por uma linhagem reordenada do Oropouche, já detectada em anos anteriores, mas com características de maior virulência e replicação, o que pode explicar a intensidade e o alcance do surto de 2024.

“Identificamos que o vírus que circulou em Manaus em 2024 pertence a uma linhagem que já vinha circulando no Brasil, mas que passou por modificações genéticas ao longo do tempo. Isso sugere transmissão local contínua”.

A pesquisadora explicou que essas mudanças podem ter contribuído para a intensidade do surto, mas não são o único fator — questões ambientais, climáticas e a presença do vetor também têm papel importante.

A febre do Oropouche

A febre do Oropouche é causada por um vírus que é transmitido principalmente pelo mosquito Culicoides paraensis, mais conhecido como maruim ou mosquito-pólvora, incidente em todo o país.

Depois de picar uma pessoa ou animal infectado, o vírus permanece no inseto por alguns dias. Então, quando o inseto pica uma pessoa saudável, ele pode infectá-la com o vírus.

Pesquisadora do Instituto Todos pela Saúde (ItpS), Bárbara Chaves explica que dengue e febre do oropouche são arboviroses, doenças causadas por vírus transmitidos por insetos.

“A dengue é uma doença bastante conhecida pelos brasileiros, com a qual convivemos há muitos anos. Tem alta incidência no Brasil, principalmente devido à abundância do mosquito transmissor, o Aedes aegypti. Isso se deve ao clima favorável para a proliferação do mosquito e à característica urbana dessa espécie”, ressaltou.

Já a febre do Oropouche, lembrou a pesquisadora, ficou mais conhecida no país a partir de 2024, quando passou a ser notificada também em outros estados brasileiros.

“Essa dispersão e aumento no número de casos de febre do Oropouche podem ter ocorrido por um conjunto de fatores, como mudanças no uso da terra, incluindo desmatamento e desenvolvimento agrícola”, esclareceu.

Para Bárbara, a diminuição de do número de casos de ambas as doenças depende de melhorar o diagnóstico e o monitoramento.

“Em relação à dengue, podemos diminuir a incidência com o combate ao mosquito transmissor, ou seja, com a eliminação dos criadouros. Há também estratégias já adotadas em algumas cidades, como o método Wolbachia [tecnologia que consiste em inserir a bactéria Wolbachia em alguns mosquitos para impedir que os vírus dessas doenças se desenvolvam dentro do mosquito], além da vacina contra o vírus”, disse ela.

No entanto, no caso do Oropouche, o combate é um pouco mais complicado, já que o mosquito que provoca a doença se reproduz em ambientes naturais, úmidos e ricos em matéria orgânica em decomposição.

“Há medidas que podem ajudar a conhecer e responder melhor a essas duas doenças, como monitorar a evolução dos vírus para identificar diferentes linhagens e melhorar o diagnóstico diferencial entre as duas doenças, principalmente em regiões onde ambos os vírus circulam”.

 

Os elogios a Bolsonaro e a citação a Lula em novos arquivos do caso Epstein

 


Os arquivos mais recentes divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA relacionados ao caso Epstein contêm citações ao presidente Lula e elogios ao ex-presidente Jair Bolsonaro, como mostrou a BBC Brasil. A informação é da Veja.

Acusado de comandar uma rede de tráfico sexual, envolvendo inclusive menores de idade, Epstein elogiou Bolsonaro em uma troca de emails com o ideólogo da extrema-direita Steve Bannon em 2018.

“Bolsonaro mudou o jogo. Nenhum refugiado quer entrar. Bruxelas não lhe diz o que fazer. Ele só precisa reativar a economia. MASSIVO”, escreveu Epstein em 8 de outubro de 2018. Na véspera, houve o primeiro turno da eleição presidencial, que selou o embate entre Fernando Haddad e Bolsonaro, que seria o vencedor.

Bannon responde, dizendo: “Eu sou muito próximo desses caras — eles me querem como conselheiro. Devo fazer isso?”, e Epstein continua: “É meio o argumento ‘reino no inferno’ de novo”. O ex-estrategista de Donald Trump declararia apoio a Bolsonaro naquele ano.

As novas mensagens também contêm citações ao presidente Lula, feitas pelo linguista Noam Chomsky. Em mensagem a Epstein em setembro de 2018, Chomsky escreveu: “No Brasil, muito envolvido em atividades do ‘Lula Livre’ (Valeria e eu o visitamos na prisão ontem) e outros compromissos”. Em outro e-mail, Chomsky diz que Lula é o “prisioneiro político mais importante do mundo”, e que as acusações contra o petista eram “risíveis”. De acordo com os arquivos divulgados, Chomsky teve longas conversas com Epstein e foi convidado para ir às casas do financista.

As autoridades brasileiras já haviam aparecido nos arquivos em outra leva de documentos divulgada em novembro passado. Em outro trecho de uma conversa com Bannon, Epstein diz que Chomsky ligou a ele com Lula, da prisão. Bannon então, responde: “Diga a ele que meu cara [aparentemente se referindo a Bolsonaro] ganhará no primeiro turno”. Epstein diz, então: “Bolsonaro é o cara [“the real deal”, no original em inglês].”

À época, o Planalto negou que essa ligação tenha acontecido. A esposa de Chomsky, Valeria, disse em entrevista à CNN Brasil que a alegação era mentirosa, e que ela e o marido tiveram de deixar os celulares na recepção da Superintendência da Polícia Federal durante a visita.

Quem foi Jeffrey Epstein

O bilionário fez fortuna no mercado financeiro e foi condenado por abusar sexualmente de menores. O principal epicentro dos crimes era uma ilha particular nas Ilhas Virgens Americanas, frequentemente visitada por convidados que viajavam no avião privado do financista, apelidado de “Lolita Express”. O empresário morreu em 2019, em uma prisão de Nova York, enquanto aguardava julgamento por tráfico sexual de menores. A morte foi declarada como suicídio.

Documentos divulgados anteriormente lançaram luz sobre os vínculos de Epstein com executivos, celebridades, acadêmicos e políticos, incluindo o ex-presidente dos EUA Bill Clinton e o atual, Donald Trump.

Nesta nova leva de documentos, inclusive, há uma denúncia contra Trump de abuso sexual de uma adolescente de 13 anos. A denúncia teria sido encaminhada à procuradoria em Washington há 35 anos. Ainda não se sabe a veracidade das informações ou se houve investigações posteriores.

 

TCU identifica manobras do governo para driblar regras fiscais

 


A Unidade de Auditoria Especializada em Orçamento, Tributação e Gestão Fiscal (AudFiscal) do Tribunal de Contas da União (TCU) identificou uma série de mecanismos utilizados pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para “driblar” as regras fiscais e realizar gastos ou financiamentos fora do Orçamento Geral da União (OGU). A informação é da Gazeta do Povo.

Em relatório produzido pelos técnicos para o gabinete do ministro Bruno Dantas, a equipe propõe a fixação de prazos entre 30 e 180 dias para que ministérios, órgãos de controle e estatais corrijam os dispositivos que permitem as despesas fora do Orçamento e do arcabouço fiscal. A conclusão é de que a prática compromete a transparência e a credibilidade da política econômica.

De acordo com reportagem do jornal Valor Econômico, que teve acesso ao documento, a equipe do TCU buscou identificar e analisar os mecanismos utilizados pelo governo e seus impactos para a gestão orçamentária e fiscal, sem considerar o mérito das políticas públicas envolvidas.

O relatório foi produzido no âmbito de uma auditoria, relatada por Dantas, iniciada após o TCU constatar a execução de parte dos recursos do programa Pé-de-Meia à margem do Orçamento. O documento foi enviado para o gabinete do ministro, que vai decidir sobre os próximos encaminhamentos antes de levar o caso ao plenário da corte.

Entre os problemas analisados estão:

• Não recolhimento de receitas à Conta Única do Tesouro Nacional;
• Capitalização de fundos privados com recursos públicos;
• Perpetuação de fundos criados para fins temporários;
• Ampliação do escopo de atuação de estatais;
• Uso de fundos públicos como fonte de financiamento para políticas de concessão de crédito.

Uma das constatações aponta a existência de receitas de natureza pública que não transitam pelo Orçamento nem são acompanhadas de forma sistemática. Segundo o relatório, a Secretaria de Orçamento Federal (SOF) informou não ter atribuições para controlar receitas extraorçamentárias ou privadas, o que evidenciaria lacunas no monitoramento desses recursos.

Gastos fora do Orçamento expõem perda de credibilidade do arcabouço fiscal

No fim do ano passado, a aprovação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026 foi o capítulo mais recente de fragilização do arcabouço fiscal, desenhado pelo próprio governo Lula em 2023 para substituir a antiga regra do Teto de Gastos.

A versão da LDO aprovada pelo Congresso deixou de fora do cálculo fiscal despesas da Petrobras, da Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional (ENBPar) e até R$ 5 bilhões destinados ao Novo PAC.

Além disso, autorizou a exclusão de até R$ 10 bilhões do resultado primário das estatais, medida associada à crise financeira dos Correios, e ainda permitiu que o governo mire apenas o piso da meta fiscal – e não o centro.

Até o ano passado, o governo já somava R$ 336,9 bilhões em despesas retiradas das regras fiscais desde o início do mandato.

O montante inclui R$ 145 bilhões previstos na chamada PEC da Transição, aprovado ainda em 2022; R$ 140,6 bilhões para o pagamento de precatórios cujos pagamentos estavam atrasados; R$ 29 bilhões destinados à reconstrução de cidades atingidas por enchentes no Rio Grande do Sul; R$ 9,5 bilhões para socorrer setores afetados pelo tarifaço dos EUA, entre outros gastos.

“Dribles” envolvem uso de dinheiro que não passa pela Conta Única do Tesouro

O tribunal identificou dois mecanismos principais de afastamento das receitas do Orçamento. O primeiro é a descaracterização de receitas públicas para permitir sua destinação direta a fundos privados, como o Fipem, do programa Pé-de-Meia; o Fundo Nacional de Desenvolvimento Industrial e Tecnológico (FNDIT), do programa Mover; o Fundo de Aperfeiçoamento da Defensoria Pública; e o Fundo Rio Doce.

Gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) com recursos destinados a ações compensatórias relacionadas ao rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), em 2015, este último ensejou a abertura de um processo específico, determinada por Bruno Dantas.

O segundo mecanismo envolve o não recolhimento de receitas à Conta Única do Tesouro, com destinação direta a órgãos públicos ou a estruturas paralelas, como contas bancárias privadas.

Entre os exemplos está a dedução direta da remuneração da Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA) sobre a receita da comercialização do petróleo antes do repasse ao Fundo Social. Diante de projeções que superam R$ 466 bilhões até 2033, o TCU alerta para o risco de consolidação de um “orçamento paralelo” de grande relevância.

A auditoria também cita repasses diretos à Caixa previstos no projeto de lei do Novo Auxílio Gás, o uso de multas ambientais fora da Conta Única, a gestão de honorários advocatícios da União à margem do Orçamento, receitas próprias de instituições científicas fora dos limites fiscais e a destinação de recursos de concessões a contas vinculadas.

“Essas práticas resultam na fragmentação da gestão financeira e orçamentária, na formação de orçamentos paralelos, e comprometem a integridade da arrecadação, a transparência fiscal e a observância dos princípios orçamentários (Legalidade, Universalidade, Anualidade, Orçamento Bruto e Unidade de Caixa). Além disso, funcionam como um meio de não-incidência das regras fiscais”, diz o relatório do TCU.

Uso de fundos públicos pode mascarar contas públicas, diz TCU

O uso de fundos públicos em políticas de crédito também foi alvo de alerta. Embora as transferências a bancos públicos sejam classificadas como despesas financeiras e não afetem de imediato o resultado primário, o tribunal destaca impactos fiscais no médio e longo prazo, especialmente pelos benefícios creditícios não explicitados no Orçamento.

Segundo o relatório, o saldo de recursos de fundos públicos no BNDES quase dobrou, passando de R$ 39,28 bilhões em 2023 para R$ 75,51 bilhões em 2024, impulsionado por recursos do Fundo Social (R$ 20,14 bilhões) e do Fundo Clima (R$ 11,05 bilhões), este último financiado por endividamento externo em 2024.

Em 2024, a equipe relata que o BNDES repassou R$ 29,5 bilhões em dividendos ao Tesouro e recebeu simultaneamente R$ 30,46 bilhões em aportes de fundos, arranjo que, de acordo com o TCU, pode gerar percepção de melhora artificial das contas públicas e prejudicar a credibilidade da política fiscal.

De 2022 a 2024, as transferências do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) à Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) para operações reembolsáveis somaram R$ 14,68 bilhões, superando os R$ 14,34 bilhões dos dez anos anteriores (2012-2021).

O tribunal chama a atenção, ainda, para a perpetuação de fundos garantidores criados em situações excepcionais. Esses fundos mantêm saldos sem regras claras de devolução à União, como ocorre no FGI (PEAC) e no FGO (Pronampe).

“As leis que os instituíram originalmente previam a devolução de valores não comprometidos com garantias à União, mas essas previsões foram alteradas ou revogadas, mantendo os fundos capitalizados e disponíveis. A capacidade de resgatar esses valores para compensar frustrações de arrecadação ao longo do exercício destaca a necessidade de transparência sobre o saldo desses fundos”, dizem os técnicos.

TCU propõe prazos para órgãos do governo adequarem gastos às regras fiscais

No relatório, a AudFiscal cobra regularização do recolhimento de receitas à Conta Única do Tesouro, maior transparência sobre receitas e fundos fora do Orçamento, adequação de fundos públicos e privados ao arcabouço fiscal e avaliação dos impactos fiscais de repasses a bancos públicos.

Os técnicos propõem ainda determinar ao Ministério de Minas e Energia (MME) e à PPSA que em até 30 dias após o término do atual contrato de remuneração sejam adotadas as providências necessárias para que as receitas e pagamentos à estatal passem a ser recolhidos à Conta Única do Tesouro Nacional e incluídos nas leis orçamentárias.

À Controladoria-Geral da União (CGU), consta a determinação para que, em até 180 dias, mapeie, sistematize e divulgue publicamente as receitas da União não recolhidas à Conta Única e as destinadas a fundos privados. Outra determinação estabelece que em até 90 dias seja criada uma página no Portal da Transparência que consolide informações sobre as Instituições Científicas, Tecnológicas e de Inovação (ICTs) e fundações de apoio, cujo uso de receitas próprias está fora dos limites fiscais, conforme a legislação.

Para o Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO) é prevista a determinação de se adotar, em até 30 dias, medidas para impedir a transferência de recursos ao FNDIT sem o prévio recolhimento à Conta Única do Tesouro e a sua devida inclusão no orçamento.

Em paralelo, no prazo de 120 dias MPO, Fazenda, BNDES e Finep devem apresentar um plano de ação para apurar e divulgar os subsídios existentes nos repasses de recursos de fundos dos quais a União participe para o BNDES e para a Finep, de modo que seja possível mensurar o impacto fiscal destas operações, propõe o relatório.

Ao Banco Central (BC), o TCU recomendou que adote providências para certificar a adequação do registro, nas estatísticas fiscais, das transferências de valores do FNDCT à Finep, com natureza integralmente financeira, “considerando a condição de empresa pública não bancária da Finep e o ambiente regulatório a que está submetida”.

A equipe também propõe recomendar ao Ministério da Fazenda que faça uma divulgação periódica do patrimônio de cada fundo garantidor que tenha participação da União, destacando o montante de recursos do fundo que não esteja vinculado a garantias concedidas.

Por fim, os técnicos emitem alerta ao Executivo e ao Legislativo de que a criação ou manutenção de mecanismos de gasto e financiamento à margem do Orçamento e das regras fiscais compromete a transparência e a credibilidade da política fiscal e pode gerar conflito com a política monetária.

 

OAB cancela seminário em Madri que reuniria ministros do STF

 


O seminário internacional que a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) organizaria em parceria com a Universidade Complutense, em Madri, não será realizado em 2026. Previsto para abril, o evento saiu do planejamento da entidade, de consonância com o jornal O Mundo.

A iniciativa reuniria ministros de tribunais superiores, magistrados, advogados e autoridades brasileiras. Nas duas edições anteriores, o encontro funcionou uma vez que um fórum de debates jurídicos fora do país, mas a próxima edição acabou suspensa em seguida avaliação interna dos organizadores.

Atrasos e indefinições inviabilizaram o evento

Entre os fatores que levaram ao cancelamento está o detido na organização. Quando a decisão foi tomada, não havia programação definida nem convites formais encaminhados aos possíveis participantes, o que comprometeu o cronograma.

Também houve cautela em relação ao tema meãoinicialmente proposto: a discussão sobre o consonância entre Mercosul e a União Europeia. Uma vez que o tratado ainda depende de ratificação parlamentar, a incerteza sobre seu progressão reduziu o interesse em manter o seminário nos moldes planejados.

Código de conduta no STF tornou cenário sensível

Outro ponto considerado decisivo foi o contexto político e institucional no Brasil. Em meio ao debate sobre a geração de um código de conduta para integrantes do Supremo Tribunal Federalista (STF), a realização de um seminário internacional na Europa poderia gerar desgaste.

A participação de ministros em eventos fora do país passou a ser vista uma vez que tema sensível. Nos bastidores, avaliou-se que uma viagem patrocinada a Madri não se alinharia ao atual envolvente de cobrança por maior rigor e transparência no Judiciário.

Posicionamento da OAB reforçou decisão

Recentemente, o presidente da OAB, Beto Simonetti, manifestou-se publicamente em resguardo de mudanças no Judiciário e da adoção de regras mais claras para seus integrantes. Esse posicionamento reforçou a avaliação interna de que não seria oportuno levar adiante o seminário internacional.

A OAB informou que não havia programação solene confirmada para 2026. Nas edições anteriores, a organização do evento ficou sob responsabilidade da Escola Superior de Advocacia Vernáculo, vinculada ao Parecer Federalista.

 

‘Justiça por Orelha’: Vereador Robson Carvalho participa de ato na Avenida Paulista contra maus-tratos a animais

 


O vereador de Natal Robson Carvalho, conhecido por sua atuação na causa animal, participou neste fim de semana de uma mobilização na Avenida Paulista, em São Paulo, ao lado de representantes do movimento “Cadeia para Maus-Tratos”. O ato cobra justiça no caso de “Orelha”, animal vítima de violência, e defende punições mais rigorosas para crimes de maus-tratos.

Durante a manifestação, Robson destacou a necessidade de penas mais duras e de combate à impunidade em casos de violência contra animais. Segundo o parlamentar, é fundamental que a sociedade se mobilize para pressionar por mudanças na legislação e por uma atuação mais firme das autoridades.

Além da participação no ato em São Paulo, o vereador também convocou a população de Natal para uma nova manifestação em defesa da causa animal. O protesto está marcado para este domingo (1º), às 15h, na Praça de Mirassol, na capital potiguar.

De acordo com Robson Carvalho, a mobilização busca dar visibilidade a casos de crueldade e reforçar que a violência contra animais não pode ser tratada como algo normal. A expectativa é reunir protetores, ativistas e cidadãos em geral para cobrar justiça e políticas públicas mais efetivas de proteção animal.

Esse texto foi copiado do Blog do Gustavo Negreiros

Galípolo não contou a Campos Neto sobre reunião com Lula e Vorcaro

 


O atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, não informou a Roberto Campos Neto sobre a reunião que teve no Palácio do Planalto em 4 de dezembro de 2024 com Daniel Vorcaro (fundador do Banco Master), com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e outras autoridades. Naquela data, Campos Neto era presidente do BC e, Galípolo, diretor de Política Monetária da autarquia. A informação é do Poder 360.

O Poder360 pediu ao Banco Central que comentasse esse episódio. A resposta foi que não haverá manifestação. A rigor, os diretores do BC são autônomos e não precisam informar sobre seus compromissos para o presidente do órgão. Ao manter o encontro em sigilo, Galípolo não infringiu nenhuma norma da instituição.

Ocorre que em dezembro de 2024 já havia no mercado muitos rumores sobre problemas de liquidez do Master. O banco oferecia aos clientes e a correspondentes bancários CDBs com uma taxa de rendimento de 140% do CDI, algo muito atípico no mercado. Ainda assim, o diretor de Política Monetária do BC não entendeu ser necessário compartilhar com o então presidente da autarquia um encontro dessa natureza.

Até agora não houve uma descrição detalhada do que foi dito nesse encontro de dezembro de 2024 no Planalto. Tampouco se sabe o que foi fazer e com quem falou Daniel Vorcaro nas outras 3 vezes em que há registros de sua entrada na sede do governo federal. O fundador do Banco Master, instituição liquidada pelo BC em novembro de 2025, esteve pelo menos 4 vezes na sede da Presidência da República em 2023 e 2024.

Vorcaro foi preso em novembro passado, conseguiu ser solto depois de 11 dias, mas teve o passaporte apreendido e usa uma tornozeleira eletrônica. O Master protagonizou o maior rombo bancário da história do país e o inquérito está sendo conduzido pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, que divulgou as íntegras de depoimentos de vários investigados.

Em 4 de dezembro, no encontro que não foi registrado na agenda oficial do Planalto, participaram (além de Lula, Vorcaro e Galípolo) mais 4 pessoas: Guido Mantega (ex-ministro da Fazenda e, à época, lobista do Master), Rui Costa (ministro da Casa Civil), Alexandre Silveira (ministro de Minas e Energia) e Augusto Lima (então CEO do Banco Master).

Num dos relatos sobre o que se passou, sabe-se que o encontro serviu para Vorcaro contar para Lula que desejava, com o Master, quebrar o monopólio do setor bancário, dominado por algumas grandes instituições. Num determinado momento, o banqueiro disse que o BTG, de André Esteves, tinha demonstrado interesse em comprar o Master, mas sempre sugerindo que se tratava de um empreendimento sem lastro e que pagaria um valor simbólico de só R$ 1.

O fundador do Master disse que se sentia pressionado e não queria causar confusão. Perguntou a Lula de forma direta se deveria vender o banco ou continuar com a instituição para tentar reduzir a concentração bancária do Brasil.

Lula respondeu de maneira enfática. Criticou mais uma vez o então presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, cujo mandato terminaria alguns dias depois e disse que tudo passaria a ser mais bem administrado no Banco Central com Gabriel Galípolo –que assumiu o comando da entidade menos de 1 mês depois, em 1º de janeiro de 2025. O presidente da República fez também comentários derrogatórios sobre Esteves. E recomendou a Vorcaro que seguisse firme sem vender o Banco Master ao BTG.

SEM TRANSPARÊNCIA

O encontro de 4 de dezembro de 2024 se deu depois de uma audiência entre Guido Mantega e o chefe do Gabinete Pessoal da Presidência, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola –um dos assessores mais próximos do presidente.

A reunião entre Marcola e Guido Mantega em 4 de dezembro só foi registrada oficialmente no sistema do Planalto em 27 de dezembro. Só que foi um registro incompleto. Consta como participante só Guido Mantega, listado como representante de interesse próprio. Não há menção a outros convidados no registro oficial.

Ocorre que Mantega compareceu à audiência com Marcola acompanhado de Daniel Vorcaro. Os 3 foram na sequência recebidos pelo presidente da República.

O presidente passou a comentar publicamente o caso do Banco Master só em janeiro de 2026, depois da liquidação da instituição pelo Banco Central. Em evento em Maceió (AL) em 23 de janeiro, o petista afirmou que “falta vergonha na cara” de quem defende o banqueiro Daniel Vorcaro. Disse ainda que o governo não interfere nas decisões do BC. Em 26 de abril de 2025, Lula participou da inauguração da fábrica de insulina da empresa Biomm, localizada em Nova Lima, na região metropolitana de Belo Horizonte, em Minas Gerais. O principal acionista da Biomm é o Banco Master, por meio do Fundo Cartago, com 25,86% do controle.

A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), minimizou a reunião entre Lula e Daniel Vorcaro. Disse em 28 de janeiro de 2026 que o petista “recebe muita gente, já recebeu outros donos de banco, já recebeu outras pessoas do mercado financeiro”.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), afirmou no dia seguinte (29.jan) que o presidente da República disse a Daniel Vorcaro que as decisões sobre a instituição financeira seriam técnicas e tomadas exclusivamente pelo Banco Central.

 

TANGARAENSE - OPORTUNIDADES DE EMPREGOS: Sine-PB começa o mês de fevereiro com a oferta de quase 400 vagas de emprego

 


Sistema Nacional de Emprego da Paraíba (Sine-PB) inicia o mês de fevereiro com a oferta de 391 vagas de emprego. As oportunidades estão distribuídas em sete municípios para diferentes áreas de atuação e níveis de escolaridade.

As vagas estão localizadas nas cidades de João Pessoa, Campina Grande, Patos, Santa Rita, São Bento, Princesa Isabel e Cabedelo.

O município de Patos, no Sertão do estado, concentra o maior número de vagas de emprego, com 172 oportunidades. Do total, 150 são destinadas à função de operador de telemarketing ativo e receptivo. Também há oportunidades para assistente administrativo, borracheiro, encanador, mecânico de automóveis, pedreiro, operador de caixa, vendedor de comércio varejista, cozinheiro de restaurante e supervisor de vendas comercial.

Em João Pessoa, o Sine-PB disponibiliza durante a semana 117 postos de trabalho, sendo 10 para pedreiro, instalador reparador de redes telefônicas e de dados (10), carpinteiro (7), ajudante de carga e descarga de mercadoria e auxiliar de limpeza (5 vagas cada cargo), vigia (5) e chefe de cozinha (2). Também há vagas para churrasqueiro, açougueiro, encanador, estoquista, recepcionista de hotel, projetista de móveis, serralheiro, vidraceiro, torneiro mecânico supervisor de cobrança, entre outras funções.

Já Campina Grande reúne 76 vagas, com destaque para ajudante de carga e descarga (10), atendente de lojas e mercados (6), vendedor porta a porta, vendedor em domicílio, estoquista, auxiliar de logística e vendedor interno (5 vagas cada função). Também há postos de trabalho para arrumador doméstico, garçom, técnico em segurança do trabalho, motorista de caminhão e engenheiro civil – ens. superior completo (uma vaga).

No município de Cabedelo, estão sendo ofertadas três vagas de emprego, para as funções de pasteleiro (2) e torneiro mecânico (uma vaga), enquanto o município de Princesa Isabel conta com 11 vagas, com oportunidades para auxiliar de cozinha, repositor de mercadorias, garçom, estoquista, encarregador gráfico, auxiliar de linha de produção, babá, cozinheiro geral e decorador de eventos.

Em Santa Rita, estão disponíveis oito vagas, das quais serrador de madeiras (2), cozinheiro geral (2), representante técnico de vendas (2), estofador de móveis e supervisor de manutenção industrial (uma vaga cada cargo). E no Sine-PB de São Bento, há quatro vagas para a função de estoquista (2), promotor de vendas e auxiliar administrativo (uma vaga cada função).

Sobre o Sine-PB e como se candidatar

O candidatos devem comparecer às unidades do Sine-PB portando documentos pessoais, carteira de trabalho e currículo atualizado.

Atualmente, o Sine-PB conta com 16 postos em funcionamento, além de cinco unidades de extensão de atendimento nas Casas da Cidadania, em João Pessoa. As unidades estão distribuídas nos municípios de Campina Grande, Cajazeiras, Mamanguape, Monteiro, Pombal, Sapé, Bayeux, Conde, Guarabira, Itaporanga, Santa Rita, Cabedelo, Patos e Princesa Isabel.

Fonte: Click PB

Ex-policial penal do RN é preso por criar lojas virtuais para vender drogas na Paraíba

 


Um ex-policial penal do Rio Grande do Norte foi preso, na noite deste sábado (30), suspeito de criar uma das maiores lojas virtuais para venda de drogas na Paraíba.

Segundo a Polícia civil, ele é irmão de um dos maiores traficantes de drogas do estado e já havia sido preso.

Mesmo com tornozeleira eletrônica, colocada durante audiência de custódia, ele criou uma rede de lojas virtuais para comercializar os entorpecentes.

O homem foi encaminhado a Central da Polícia Civil e ficará a disposição da justiça.

Blog do BG PB

 

 

Prefeitos do Ceará se unem contra altos cachês de bandas: ‘não tem sentido quebrar a cidade para fazer festa’

 



Prefeitos do Ceará têm relatado dificuldades para arcar com os custos de eventos públicos por conta dos altos cachês para contratação de artistas, que sobem a cada ano. Os gestores já articulam medidas conjuntas para tentar conter os impactos desses gastos.

O aumento dos valores é considerado abusivo pelos prefeitos. Eles afirmam que o patamar é incompatível com a realidade fiscal dos municípios e se dizem “reféns” de produtoras que negociam as apresentações das atrações musicais.

A elevação coincide ainda com um cenário de queda na arrecadação, principalmente por conta de mudanças no Imposto de Renda e do reflexo financeiro negativo provocado pelo reajuste do salário mínimo deste ano.  

Ao PontoPoder, nesta quinta-feira (29), o presidente da Associação dos Municípios do Estado do Ceará (Aprece), Joacy Júnior, informou que uma reunião “entre todos os presidentes das associações estaduais” já está sendo marcada para debater o assunto de forma ampla.  

“Isso deve acontecer, no máximo, na próxima semana, para a gente tomar uma ação conjunta, cirúrgica, que possa ter um efeito concreto e que esses valores possam realmente baixar”, pontuou, afirmando ainda que o aumento expressivo nos valores de um ano para o outro pelos empresários “não tem justificativa”.

 

Sócio dos irmãos de Toffoli acusa desvio de R$ 100 milhões em resort

  Uma auditoria interna levantou suspeitas de desvios de até R$ 100 milhões nas obras e na gestão do resort Tayayá Porto Rico, no Paraná. A ...