O silêncio do deputado estadual Hermano Morais (MDB)
nas redes sociais, nos dias mais turbulentos da Operação Mederi, chamou a atenção
no meio político. Anunciado como possível vice-governador na chapa do prefeito
de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil), Hermano optou por não fazer
qualquer manifestação pública em defesa do aliado justamente no momento em que
denúncias envolvendo a saúde municipal ganharam repercussão nacional com ações
da Polícia Federal e da CGU.
O silêncio contrasta com o protagonismo recente do
parlamentar, que no dia 21 de janeiro anunciou sua desfiliação do PV e retorno
ao MDB, movimento interpretado como passo estratégico rumo à composição
majoritária para 2026. Na ocasião, Hermano declarou disposição para contribuir
com o Executivo estadual e afirmou que a chapa só seria apresentada após a
formalização da pré-candidatura de Allyson. Desde então, no entanto, a
discrição nas redes substituiu o entusiasmo político — um gesto que, nos
bastidores, é lido menos como acaso e mais como prudência calculada.
“Eu gosto do desafio e acho que eu dei minha
contribuição no Legislativo Municipal, no Legislativo Estadual, e eu quero dar
minha contribuição também no Executivo Estadual. Nós vamos ainda cumprir
algumas etapas, como a mudança de partido, que deve acontecer até março. No
momento certo, a chapa será oficialmente apresentada”, declarou na nota.
O deputado ressaltou ainda que o anúncio da chapa só
acontecerá após Allyson formalizar sua candidatura ao governo.
A mesma cautela foi adotada pelo deputado estadual
Kleber Rodrigues, outro aliado recente de Allyson. Primeiro parlamentar da base
da governadora Fátima Bezerra (PT) a oficializar apoio a um pré-candidato de
oposição, Kleber também evitou qualquer manifestação pública durante a semana
mais intensa das denúncias. O silêncio chama atenção porque, até pouco tempo, o
deputado defendia com veemência a viabilidade política do prefeito mossoroense,
destacando sua experiência administrativa e o desempenho à frente do município.
Nos dois casos, a ausência de defesa pública ocorre
em um contexto de elevado custo político. Diferentemente das conversas privadas
— onde, segundo aliados, há gestos de solidariedade e confiança —, as redes
sociais funcionam como termômetro do posicionamento político e da disposição
para bancar alianças em momentos adversos. Não se trata apenas de comunicação,
mas de sinalização política.
Depois de anunciar a saída do PSDB e filiação ao PP,
o deputado estadual Kleber Rodrigues confirmou no dia 14 de janeiro seu apoio à
pré-candidatura do prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União), ao Governo do
Rio Grande do Norte em 2026. Kleber foi o primeiro deputado da base da
governadora Fátima Bezerra (PT) a oficializar apoio a um pré-candidato de
oposição.
Segundo Kleber, a decisão de apoiar Allyson foi
tomada após diálogo com sua base política e avaliação do desempenho do prefeito
mossoroense. “Eu acredito muito que Allyson tem tudo para fazer uma excelente
gestão, até porque ele não é um calouro, ele é uma pessoa que foi testada”,
afirmou o deputado.
Antes de tornar pública a decisão, Kleber afirmou
que procurou a governadora Fátima Bezerra (PT) para comunicar, de forma
antecipada, seu posicionamento político. Ele ressaltou que a conversa ocorreu
de maneira transparente e respeitosa. “Eu não gosto de chegar mensagem a
ninguém pela boca dos outros. Eu aprendi na minha vida que eu tenho que ser
transparente”, disse.
Apesar do apoio a Allyson para o governo, o deputado
afirmou que continuará votando em Fátima Bezerra para o Senado, em uma das
vagas que estarão em disputa em 2026, além de declarar apoio também à senadora
Zenaide Maia (PSD).
Agripino: “Está tudo como estava”
O presidente da Executiva Estadual do União Brasil,
ex-senador e ex-governador José Agripino, avalia que as investigações sobre
eventuais desvios de recursos da saúde em Mossoró não traz, até agora, prejuízo
político para o prefeito Allyson Bezerra, como pré-candidato ao governo do Rio
Grande do Norte: “Está tudo como estava e até melhor. A postura dele, as
declarações que ele tem dado, as explicações que ele tem dado, está mostrando
que ele é mais do que aquilo que se imaginava, é melhor do que se imaginava”.
José Agripino resumiu que “dentro do União Brasil
está tudo sob controle, na coligação que está apoiando a hipotética candidatura
de Allyson, não há nenhuma modificação que não seja para melhor”.
Publicamente, nem mesmo nas redes sociais, onde
usualmente políticos com mandados se posicionam sobre determinadas questões ou
divulgam suas ações, não se encontra nenhuma manifestação de solidariedade dos
presidentes estaduais dos partidos – a senadora Zenaide Maia (PSD), João Maia
(PP) e o vice-governador Walter Alves (MDB), que foram procurados pela TRIBUNA
DO NORTE, mas não deram retorno.
Lançamento da candidatura
A expectativa é de que ocorram manifestações de
apoio a Allyson Bezerra no encontro dos partidos União Brasil e PP, previsto
para o sábado (7/2), no Praia Mar Arena (ex-Holiday Inn), ocasião em que pode
ser formalizada sua pré-candidatura ao governo do Rio Grande do Norte e será
discutido o planejamento das legendas, inclusive o partido Solidariedade, para
a campanha eleitoral de 2026.
Como líder de um partido político, mesmo dividindo
essa liderança numa federação com o Partido Progressistas (PP), José Agripino
tenta retomar protagonismo no pleito majoritário perdido em 2014, quando apoiou
o então deputado federal Henrique Eduardo Alves para o governo do Estado em
detrimento da governadora Rosalba Ciarlini, que perdeu a indicação em convenção
do partido Democratas (ex-PFL).
Partidos aliados se solidarizaram
Partidos que integram a base política do prefeito de
Mossoró, Allyson Bezerra (União), divulgaram uma nota conjunta, na quarta-feira
(28), em que manifestam “solidariedade e apoio” ao gestor um dia depois de ele
ter sido alvo da Operação Mederi, pela PF e CGU devido à “Matemática de
Mossoró”. Mas os presidentes não.
A nota não é assassinada pelo ex-senador, José
Agripino Maia, presidente do União Brasil, nem por João Maia, presidente do PP,
nem por Walter Alves, presidente do MDB, e nem por Zenaide Maia, a presidente
estadual do PSD.
Os quatro partidos políticos que apoiam a
pré-candidatura do prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União) a governador do
Rio Grande do Norte nas eleições de outubro deste ano, emitiram nota em apoio
ao chefe do Executivo.
Os partidos União Brasil, Progressistas (PP),
Partido Social Democrático (PSD) e Movimento Democrático Brasileiro (MDB)
manifestaram solidariedade e apoio a Allyson Bezerra, diante de investigação
que envolve gestores de diversos municípios.
“Reafirmamos nossa confiança na postura do prefeito
Allyson, que tem pautado sua gestão pelo compromisso com a transparência, pelo
respeito às instituições e pela responsabilidade com a coisa pública”, diz a
nota.
Os partidos informam que seguem ao lado de Allyson
Bezerra, “com a certeza de que todos os fatos serão devidamente apurados, com
absoluto respeito ao devido processo legal, ao contraditório, à ampla defesa e
à presunção de inocência, princípios fundamentais do Estado Democrático de
Direito”. “A verdade prevalecerá”, finaliza a nota.
Opositores comentaram as denúncias
As primeiras manifestações políticas após a operação
partiram de nomes ligados à governadora Fátima Bezerra (PT). A deputada federal
Natália Bonavides (PT) usou as redes sociais para comentar a ação da Polícia
Federal. Ela destacou que a acusação é “grave” e envolve suspeitas de fraudes
em contratos da saúde.
A própria governadora do Rio Grande do Norte, Fátima
Bezerra (PT) se manifestou.
Ela classificou como “gravíssimas” as denúncias apuradas
na Operação Mederi, deflagrada na terça-feira (27) pela Polícia Federal (PF) e
pela Controladoria-Geral da União (CGU), que teve como alvos municípios
potiguares, incluindo Mossoró, e resultou em medidas de busca e apreensão no
âmbito de investigações sobre supostos desvios de recursos públicos, inclusive
na área da saúde.
Já Cadu Xavier (PT), pré-candidato ao Governo do RN,
disse que a operação “merece atenção de todos” e destacou que a gestão de
recursos públicos exige compromisso, zelo e honestidade. “Tenho orgulho de
gerir as finanças do estado há 7 anos, no governo da professora Fátima, pautado
por esses princípios. Que o prefeito e demais investigados tenham o direito de
prestar os devidos esclarecimentos e apresentar suas defesas. Fraudes em contratos
da Saude é, além de crime, totalmente desumano.”
Em Mossoró, o vereador Cabo Deyvison (MDB), que faz
oposição ao prefeito, publicou uma série de vídeos fazendo denúncias e
comemorando a ação da Polícia Federal e o mandado cumprido na casa de Allyson.
“Eu sabia que essa casa ia cair! Obrigado, meu Deus! O Senhor é justo! Missão
cumprida!.
Walter conivente
Em função do apoio do presidente estadual do MDB,
vice-governador Walter Alves, à pré-candidatura ao governo do do Estado do
prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, o vereador Cabo Deyvison confirma que já
cogita deixar o partido. “Não posso mudar, redirecionar minhas convicções e o
que venho percebendo é a necessidade de estar fiscalizando e reivindicando o
direito do povo”, diz.
Cabo Deyvison afirma que a deflagração da Operação
Mederi. no meio da semana, corrobora tudo que tem dito sobre a atual gestão em
Mossoró. “Não posso ser conivente com isso e o presidente do MDB está sendo
conivente ao apoiá-lo”,afirma.
Segundo o vereador, “não houve diálogo em momento
algum” com Walter Alves sobre a decisão partidária, de indicar inclusive o
deputado estadual Hermano Morais, que está de saída do PV para ingressar no MDB
e ser candidato a vice-governador.
Deyvison confirmou que o seu nome estava à
disposição do MDB para disputar qualquer cargo nas eleições de outubro, “mas
houve pedido do prefeito para que me bloqueasse de qualquer candidatura nestas
eleições”.
“O que posso fazer é solicitar a carta de anuência
por justa causa e se o MDB não liberar, vamos infelizmente ter que
judicializar. O certo é que não compactuo com a nota que o partido fez apoiando
Allyson.”.
Câmara está a uma assinatura para abrir
CEI
A vereadora Plúvia Oliveira (PT) elaborou a peça
inicial para abertura da CEI da Matemática de Mossoró e de coleta das
assinaturas de vereadores, diante dos fatos imputados pela Polícia Federal (PF)
e pela Controladoria-Geral da União (CGU) no bojo da denominada “Operação
Mederi”, deflagrada em 27 de janeiro de 2026, que investiga suposto esquema de
desvio de recursos públicos e fraudes em procedimentos licitatórios
relacionados ao fornecimento de medicamentos e insumos para a rede pública de
saúde, envolvendo empresas sediadas no Rio Grande do Norte.
Vereadores de oposição em Mossoró devem protocolar
no início da semana o pedido de instalação da Comissão Especial de Inquérito
(CEI) para investigar a destinação de recursos para a compra de medicamentos
por parte da prefeitura entre 2022 e 2025, na gestão do prefeito Allyson
Bezerra (União Brasil). Já assinaram o pedido de criação da CEI cinco
vereadores – o mínimo de assinaturas exigidas é de sete – Plúvia Oliveira e
Marleide Cunha (PT), Jailson Nogueira e Cabo Deyvison (MDB) e Wiginkis do Gás
(União Brasil).
O vereador Cabo Deyvison, líder da Oposição na Câmara,
informou que o vereador Mazinho do Gás (PL) já informou que vai assinar a
petição, o que não o fez, ainda, “por questão de saúde e que ainda está se
recuperando”.
Cabo Deyvison acredita na coleta da sétima
assinatura, mesmo dentro dos quadros da situação na Câmara Municipal de
Mossoró: “Acredito que com essa polêmica, é melhor pular do barco que está
naufragando, se não quiserem desgaste politico”.
Segundo o documento que norteia a abertura da CEI, a
investigação federal em curso aponta indícios de irregularidades em contratos
públicos de fornecimento de insumos para a rede pública de saúde, com registros
de falhas de execução contratual, não entrega de materiais, fornecimento
inadequado e sobrepreço.
“Tais elementos, por si, impõem a atuação
fiscalizatória desta Câmara Municipal, em defesa do interesse público
municipal, a gravidade do caso se intensifica porque o objeto investigado
envolve a rede pública de saúde, setor em que qualquer desvio, sobrepreço ou
entrega irregular repercute diretamente na assistência às usuárias e aos
usuários do SUS e no abastecimento de medicamentos e insumos, afetando a
continuidade e a qualidade do serviço essencial”, diz Plúvia Oliveira.
Assinaturas
A bancada de oposição em Mossoró abriu na internet,
abaixo-assinado “CEI da Matemática de Mossoró” para coleta de 10 mil
assinaturas em apoio à abertura de Comissão de Inquérito na Câmara de
vereadores para investigar desvios de verbas e pagamento de propina a gestores
municipais.
“Enquanto a propaganda oficial tenta pintar uma
cidade perfeita, a realidade que encontramos nas UPAs e Unidades Básicas é de
abandono. Falta médico, falta dipirona, sobram filas e, agora, surgem denúncias
gravíssimas de desvios de recursos”, diz a chamada do site.













