O Rio Grande do Norte viveu um fim de semana de
comoção com a morte de dois jovens profissionais da área da saúde. Neste
domingo (1º), faleceu o dentista Rafael Eduardo Ferreira da Costa, 39 anos,
muito querido em Goianinha, onde foi candidato a vereador. Ele deixa esposa e
dois filhos. O velório ocorre nesta segunda-feira (2), na Capela 1 do Centro de
Velório São José, com missa às 14h e sepultamento no Morada da Paz Emaús.
No sábado (28), morreu a enfermeira Nathalia
Almeida, 35 anos. Profissional dedicada e participante ativa do Encontro de
Jovens Amigos de Cristo da Paróquia São Francisco de Assis, em Cidade Satélite.
Nathalia deixa duas filhas e o marido.
As duas perdas reacendem um alerta sobre a saúde
mental entre profissionais da saúde, uma crise que vem se agravando no país.
Em 2025, o Brasil registrou mais de 546 mil
afastamentos pelo INSS por transtornos mentais, um aumento de 15% em relação ao
ano anterior. A ansiedade lidera os diagnósticos, com cerca de 166 mil
afastamentos, seguida pela depressão, com aproximadamente 127 mil casos.
Juntas, já são o segundo maior motivo de afastamento do trabalho no país.
Estudos recentes indicam que entre 30% e 60% dos
profissionais de saúde apresentam sintomas de ansiedade, depressão ou burnout.
Entre médicos, quase metade relata ao menos um transtorno mental diagnosticado.
Entre enfermeiros, especialmente em emergências e UTIs, o índice de esgotamento
ultrapassa 50%.
No RN, mais de 8 mil afastamentos por transtornos
mentais foram registrados em 2024, refletindo uma tendência de crescimento.
Jornadas extensas, pressão constante, sobrecarga emocional e falta de suporte
estão entre os principais fatores apontados.
As mortes registradas neste fim de semana
transformam números em rostos, histórias e famílias enlutadas, e reforçam a
urgência de políticas efetivas de cuidado com quem dedica a vida a cuidar dos
outros.










