sábado, 21 de fevereiro de 2026

Após quase 30 anos de acidente aéreo, corpos dos cinco ‘Mamonas Assassinas’ serão exumados

 


Trinta anos após o acidente aéreo que interrompeu uma das mais rápidas trajetórias de sucesso na música brasileira, os corpos de Dinho, Bento Hinoto, Samuel Reoli, Júlio Rasec e Sérgio Reoli, integrantes dos Mamonas Assassinas serão exumados nesta segunda-feira (23).

A decisão foi tomada em comum acordo pelas famílias, que optaram pela cremação e pela transformação das cinzas em adubo para o plantio de cinco árvores no BioParque Cemitério de Guarulhos, cidade onde os músicos viviam.

O grupo morreu na noite de 2 de março de 1996, quando o jatinho Learjet 25D, fretado pela banda, caiu na Serra da Cantareira durante uma tentativa de arremetida. Além dos músicos da banda, o acidente vitimou dois tripulantes e dois membros da equipe.

À época, os Mamonas estavam no auge. O único álbum do grupo, lançado em 1995, ultrapassou 1,8 milhão de cópias vendidas em poucos meses, impulsionado por sucessos como Pelados em Santos e Brasília Amarela. A banda encerrava uma turnê nacional e se preparava para gravar o segundo disco e viajar para a Europa.

O velório, realizado no Ginásio Municipal Paschoal Thomeu, reuniu cerca de 30 mil pessoas. O cortejo até o cemitério atraiu mais de cem mil fãs, em uma despedida marcada por emoção, cantos e homenagens. Os músicos foram enterrados juntos, em cerimônia acompanhada apenas por familiares e amigos próximos.

 

MAIS UMA: Mulher é morta a tiros em Afonso Bezerra; ex-namorado é preso

 


Um crime de feminicídio chocou o município de Afonso Bezerra na tarde desta sexta-feira (20). Herika Jordana Bezerra de Freitas, de 23 anos, foi morta a tiros dentro de uma residência no conjunto Projetada 2. O ex-namorado da vítima, Jayran, foi preso logo após o crime.

Segundo relatos, o homem se passou pela própria mãe em mensagens enviadas pelo WhatsApp para atrair Herika até o local. Mesmo desconfiada, a jovem foi ao endereço após confirmar a identidade do contato. Ao entrar na casa, foi surpreendida pelo suspeito, que efetuou os disparos. Ela morreu no local.

Após o ataque, o homem permaneceu nas proximidades e tentou se desfazer da arma, jogando-a em uma área de mata. Ele foi contido por moradores até a chegada da Polícia Militar, sendo levado para a delegacia de Angicos.

À polícia, Jayran afirmou que não aceitava o fim do relacionamento e disse ter visto a ex-companheira com outra pessoa. Familiares relataram que o namoro durou cerca de cinco meses e era marcado por conflitos.

 

Filho de Fux é o 3º parente de ministro do STF com dados fiscais violados

 


O advogado Rodrigo Fux, filho do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux, teve informações fiscais sigilosas acessadas de forma ilegal pela Receita Federal. Além dele, até agora a mulher do ministro Alexandre de Moraes, a advogada Viviane Barci de Moraes, e uma ex-enteada do decano Gilmar Mendes também tiveram dados consultados irregularmente. Um dos servidores investigados no caso, Ricardo Mansano de Moraes foi demitido nesta quinta-feira, 19.

A nova descoberta foi feita a partir da ordem de Moraes para a Receita rastrear seus sistemas e descobrir a origem de eventuais vazamentos de dados sigilosos de ministros do Supremo e parentes deles. A apuração está sob sigilo e foi inserida no inquérito das fake news, aberto em 2019 para investigar ataques a integrantes do tribunal.

O resultado parcial do rastreamento foi confirmado pelo Estadão com fontes que tiveram acesso à investigação. O caso do filho de Fux foi divulgado inicialmente pelo Metrópoles. Ainda segundo essas fontes, foram acessados de forma ilegal dados de cerca de cem pessoas. Procurado, o STF não se manifestou sobre as novas revelações do caso.

De acordo com o Supremo, quatro servidores foram alvo de busca e apreensão durante a operação da Polícia Federal aberta na terça-feira, 17. Todos eles foram proibidos de exercer função pública e de ingressar nas dependências do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) e da Receita. Também estão impedidos de acessar as bases de dados dos dois órgãos. Os suspeitos tiveram ainda os passaportes retidos.

Parte do STF está incomodada com a ordem de rastreamento nos sistemas da Receita. Segundo ministros aliados a Edson Fachin, presidente da Corte, essa determinação deveria ter partido do comando do tribunal, e não de Moraes.

As suspeitas de que dados sigilosos de ministros e seus familiares foram vazados surgiu após a Operação Compliance Zero, que investiga o Master. Em dezembro, foi revelado um contrato firmado pela mulher de Moraes para atuar na defesa dos interesses do Master e de Vorcaro no Banco Central, na Receita e no Congresso.

Jovem Pan

 

Gastos com festas e publicidade sobem 987% na gestão de Allyson

 



Um relatório realizado pela empresa Integrativa Assessorias e Informações traz dados que traduzem em número uma impressão recorrente no senso comum: o prefeito Allyson Bezerra (UB) prioriza festas e publicidade em vez do investimento em áreas essenciais.

O relatório analítico consolidado sobre a situação fiscal, orçamentária e financeira nas contas do município, traz um crescimento de 987% em gastos com eventos e publicidade entre 2021 e 2025.

A título de comparação, o orçamento municipal cresceu 113% no período saltando de e R$ 647.987.034,00 em 2021 para R$ 1.382.977.000,00 em 2025.

No mesmo período os gastos com eventos e publicidade saltaram de R$ 5 milhões em 2021 para R$ 54,8 milhões em 2025, crescimento de 987%.

 “Em termos acumulados, o Município liquidou aproximadamente R$ 146,4 milhões em eventos festivos e publicidade nos cinco exercícios. A ação Mossoró Cidade Junina, isoladamente, cresceu de R$ 452.200,00 em 2021 para R$ 41.275.460,69 em 2025 (crescimento de 9.028%), figurando como a 9ª maior despesa liquidada do Município em 2025”, diz o relatório.

Os números se tornam ainda mais preocupantes quando se comparam com investimentos em áreas essenciais como Construção/Reforma de Escolas, UBS, Aquisição de Medicamentos, Habitação e Esporte que totalizam R$ 12,1 milhões em 2025.

Para cada R$ 1 gasto em festa, R$ 0,22 foram gastos nos investimentos em áreas essenciais.

O estudo tem 303 páginas e levou em consideração Relatórios de Gestão Fiscal publicados pelo Município de Mossoró/RN (versões TCE/RN e SICONFI), Portal da Transparência Municipal (relatórios de Despesa por Categoria Econômica e Despesa por Ação) e cronogramas financeiros do Sistema de Análise da Dívida Pública, Operações de Crédito e Garantias (SADIPEM) da STN.

 

Influenciadora Bianca Dias morre aos 27 anos

 


A influenciadora digital Bianca Dias morreu nesta sexta-feira (20/2) em São Paulo, aos 27 anos. Em um comunicado feito pelas redes sociais, a irmã, Kety Dias, confirmou a morte da jovem, vítima de uma embolia pulmonar.

Segundo a família, Bianca estava apresentando sinais de recuperação, quando acabou passando por um mal súbito. Ela veio a óbito cercada por amigos e familiares.

A influenciadora, que acumulava mais de 60 mil seguidores apenas no Instagram, passou há menos de 20 dias por um procedimento cirúrgico. Ela deixa duas filhas, Beatriz e Lavínia.

Metrópoles

 

Orla da Zona Leste segue inacabada após quase 2 anos sem verba federal

 


A Prefeitura do Natal está há quase dois anos sem receber recursos do Governo Federal para as obras de requalificação das praias da Zona Leste — Praia dos Artistas, Praia do Meio e Praia do Forte. A previsão era de conclusão no primeiro semestre de 2025, mas os serviços travaram nos 70% de execução.

De acordo com a secretária municipal de Infraestrutura, Shirley Cavalcanti, apesar do convênio existente, o último repasse federal aconteceu em maio de 2024, logo no início do projeto. De lá para cá, a obra tem avançado lentamente porque os serviços só são executados nas partes que são pagas com recursos próprios da Prefeitura.

A requalificação da orla da Zona Leste está orçada em R$ 39 milhões. Segundo a gestão municipal, para que a obra seja concluída, ainda faltam R$ 8 milhões de verba federal e aproximadamente R$ 10 milhões de recursos próprios do Município. A secretária de Infraestrutura de Natal enfatiza que algumas intervenções da parte paga pela Prefeitura são obras complementares e, portanto, só podem avançar após o andamento da obra paga com verba federal.

“Estamos fazendo o que a gente pode dentro dos recursos próprios do Município. Por isso a demora. Por isso que ela está se protelando tanto”, explica Shirley.

Em relação aos recursos próprios necessários à conclusão da obra, a secretária afirmou que o dinheiro está assegurado a partir de uma operação de crédito na linha do Finisa, da Caixa Econômica Federal. “Com o recurso do Finisa, a gente vai ter liberdade de atuar em todas as frentes de trabalho”, detalha a secretária de Infraestrutura.

Origem dos recursos

A requalificação da orla da Zona Leste de Natal tem recursos assegurados a partir de um convênio com o Ministério das Cidades, do Governo Federal. A origem da verba é uma emenda parlamentar da modalidade RP-9 – rubrica das chamadas emendas de relator, que deram origem ao que ficou conhecido como orçamento secreto e cujo pagamento sofreu restrições do Supremo Tribunal Federal (STF).

O STF chegou a proibir o pagamento de emendas RP-9, mas depois liberou os repasses desde que fossem adotados critérios de transparência e rastreabilidade do dinheiro. Segundo a secretária de Infraestrutura, o senador Styvenson Valentim (PSDB) já enviou ofício ao Governo Federal se declarando padrinho da obra e autor da indicação da emenda destinada pelo relator do Orçamento, cumprindo a regra de transparência determinada pelo Supremo. Isso teria acontecido, segundo ela, em julho de 2025. Ainda assim, porém, a verba segue retida.

“A gente tem buscado desimpedir isso, mas ainda não tivemos retorno. Enquanto isso, a obra vai sofrendo reajustes”, destacou Shirley.

Entenda a obra

Atualmente, a obra está cerca de 70% concluída. Com o represamento da verba federal, a Prefeitura decidiu fracionar as entregas. Entre os investimentos já inaugurados, está o skate park da Praia do Meio. A próxima etapa prevê a entrega de 8 dos 27 quiosques projetados, o que inclui o Centro de Atendimento ao Turista e uma base da Guarda Municipal.

Além dos quiosques padronizados para operação comercial, outros pontos do projeto seguem com prazo indefinido de entrega. Entre eles, está o mirante da Avenida Getúlio Vargas, que teve a estrutura principal já finalizada, mas cuja área anexa precisa de ajustes no muro de arrimo. Além disso, há obras a serem realizadas no Largo do Sol Nascente, espaço de convivência que integrará o calçadão à Praça Miguel Carrilho (antiga Praça dos Heróis).

O projeto prevê também melhorias no calçadão de toda a orla, novos banheiros, lixeiras subterrâneas, modernização da iluminação, estacionamentos, passarelas acessíveis e a construção de quadras para prática esportiva ao longo da orla. Guarda-sóis fixos também serão instalados ao longo da Avenida Café Filho.

A requalificação da Zona Leste faz parte de um pacote de intervenções da Prefeitura do Natal na orla da cidade, iniciadas em 2024. Entre os serviços já concluídos, estão a engorda da Praia de Ponta Negra, que recebeu investimento de R$ 100 milhões, e a construção do Complexo Turístico da Redinha, que inclui um novo mercado.

Ainda como extensão do projeto da orla, a Prefeitura promoveu a requalificação da Avenida 25 de dezembro. A obra contemplou serviços de drenagem, pavimentação asfáltica, calçadas, sinalização, paisagismo e nova iluminação.

 

Fim da escala 6×1 pode encarecer produtos e serviços em até 13%, alerta CNC

 


Estudos técnicos produzidos pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) apontam que o fim da escala 6×1 poderia gerar um aumento de até 13% nos preços finais ao consumidor. O debate sobre a mudança na escala de trabalho no país tem aparecido como um ponto de divergência entre o governo federal e parte importante do empresariado brasileiro.

Em entrevista ao Metrópoles, o presidente do sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, defendeu que a necessidade de contratações adicionais para cobrir os turnos e o aumento imediato da folha de pagamento criam uma pressão financeira insustentável para muitas empresas.

“Para manter a viabilidade do negócio com outras escalas ainda não praticadas hoje, o empresário do varejo e de serviços tende a repassar esses custos operacionais ao preço final dos produtos e serviços, penalizando ainda mais o já defasado poder de compra da população”, explica Trados.

De acordo com Trados, o impacto mais imediato com a aprovação do fim da escala 6×1 seria na elevação do custo operacional, que estudos técnicos da CNC apontam poder chegar a R$122 bilhões no comércio e R$ 235 bilhões nos serviços.

Na avaliação do estudo, reduzir a jornada sem o correspondente aumento de eficiência colocaria em risco a saúde financeira de milhões de estabelecimentos que operam com margens estreitas.

Diante desse possível cenário, a CNC vê com preocupação qualquer tentativa de imposição de uma jornada única e uniforme para todo território brasileiro por meio de lei nacional.

“Defendemos que a definição da escala de trabalho deve ser mantida no âmbito dos acordos e convenções coletivas, respeitando o princípio do “negociado sobre o legislado” estabelecido pela Reforma Trabalhista de 2017, que permite soluções personalizadas para cada realidade produtiva”, ressalta Trados.

Setores mais impactados

A maior preocupação recai sobre atividades que operam de forma ininterrupta e dependem da presença física do trabalhador. Bares, restaurantes, hotéis e o comércio varejista de gêneros essenciais seriam os mais atingidos.

Para esses estabelecimentos, a escala 6×1 é vista como uma “âncora” que permite o revezamento sem inviabilizar a operação. Sem esse modelo, o risco não é apenas o aumento de preços, mas o fechamento de comércios de bairro aos finais de semana e feriados.

“A população conta com a abertura desses estabelecimentos para suprir necessidades básicas como alimentos, medicamentos e combustíveis”, alerta Tadros.

Além da inflação, a CNC aponta para um efeito colateral no mercado de trabalho. A incapacidade de arcar com os novos custos pode forçar empresas a reduzir quadros de funcionários, migrar para a informalidade como estratégia de sobrevivência e reduzir renda de trabalhadores que dependem de comissões e produtividade.

“Imposição abrupta”

A posição da CNC é de que o verdadeiro benefício para o trabalhador e para o país vem do crescimento econômico sustentável e da alta produtividade. Para a Confederação, benefícios sociais devem ser fruto de negociações voluntárias e maduras entre as partes.

Tadros defende que a rigidez de uma lei nacional desconsidera as peculiaridades de cada município e setor, ferindo os avanços da Reforma Trabalhista de 2017.

“O verdadeiro benefício para o trabalhador vem do crescimento econômico e da alta produtividade. Uma imposição abrupta traria mais riscos de desequilíbrio macroeconômico do que ganhos efetivos de qualidade de vida”, conclui.

O caminho da PEC

O fim da escala 6×1 é uma das bandeiras que devem ganhar destaque na provável campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Popular, o tema mobilizou mais de 1,5 milhão de assinaturas em um abaixo-assinado do Movimento Vida Além do Trabalho (VAT), que defende a redução da jornada máxima semanal.

Dentre as muitas propostas sobre mudanças na jornada de trabalho no Brasil, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), direcionou o assunto para a Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Casa na última semana e prevê apreciação do tema até maio em plenário.

Paralelo a isso, no Senado, também tramita uma PEC semelhante, apresentada pelo senador Paulo Paim (PT-RS).

A PEC de Erika Hilton propõe reduzir a jornada máxima para 36 horas semanais, distribuídas em quatro dias de trabalho. Atualmente, a Constituição fixa o limite em 44 horas semanais, sem definir a divisão por dias — brecha que permite a adoção de escalas como a 6×1.

Independentemente da texto que avançar, o governo trabalha com três pontos considerados essenciais: mínimo de 40 horas semanais, escala mínima de 5×2; e sem redução de salário.

Metrópoles

 

 

Transparência critica ‘autoritarismo estarrecedor’ de Moraes

 


A Transparência Internacional criticou, na noite desta quinta-feira (19), o que classificou como gesto de “autoritarismo estarrecedor” do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, na determinação para que a Polícia Federal interrogue o presidente da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Unafisco), Kleber Cabral.

Para a ONG, a decisão de Moraes evidencia o “declínio democrático brasileiro”, por que seria motivada por críticas do líder sindical ao fato de o ministro ter ordenado a operação contra servidores da Receita suspeitos de vazar dados fiscais envolvendo ministros da cúpula da Justiça do Brasil e seus familiares.

A reação da Transparência Internacional ainda considera que a fala de Kleber Cabral defendeu os auditores fiscais de “evidente abuso de autoridade” do ministro Alexandre de Moraes. E considerou o depoimento do presidente da Unafisco, marcado para esta sexta-feira (20), como um ato de “intimidação” vindo de um juiz constitucional.

“Um presidente de sindicato é alvo de intimidação por parte de um juiz constitucional, por defender servidores (culpados ou não) vítimas de evidente abuso de autoridade. É cada dia mais estarrecedor o autoritarismo que emana do STF e o declínio democrático brasileiro”, afirmou a Transparência Internacional.

Reação ao caso Master

Moraes determinou a operação por iniciativa própria, no âmbito do inquérito das Fake News, também conhecido como inquérito do fim do mundo, por ter sido aberto em 2019 para apurar ataques a ministros do STF e jamais ter sido concluído.

A decisão aconteceu no contexto das informações vazadas sobre negócios ligados ao Banco Master que envolveram nomes de ministros do STF, a exemplo do contrato de R$ 129 milhões da esposa de Moraes e do pagamento de R$ 35 milhões à empresa do ministro Dias Toffoli. Dados que foram expostos no âmbito da investigação de fraudes de R$ 12 bilhões do banco liquidado em novembro do ano passado, alvo da Operação Compliance Zero.

Em plena Terça-Feira de Carnaval (17), o ministro mandou e a PF cumpriu quatro mandados de busca e apreensão contra os servidores da Receita Luiz Antônio Martins Nunes, Luciano Pery Santos Nascimento, Ruth Machado dos Santos e Ricardo Mansano de Moraes.

Também por ordem de Moraes, foram cumpridas medidas cautelares de monitoramento por tornozeleira eletrônica, afastamento do exercício de função pública, cancelamento de passaportes e a proibição de saída do país. Os investigados também foram proibidos de acessar sistemas do Fisco, de entrar nas dependências do Serviço Federal de Processamento de Dados (SERPRO) e da Receita Federal.

Toffoli conduzia as ordens judiciais do caso Master, mas deixou a relatoria do caso na semana passada, pressionado por acusações suspeição e de interferir na investigação. O novo relator é o ministro André Mendonça.

Diário do Poder

 

 

Thaís Oyama: Embalos de Vorcaro em Trancoso mostram arte de agradar ao poder

 


Um cínico diria que, no território da concupiscência, os operadores da Corte brasiliense refinaram bastante seus métodos. No primeiro governo Lula, lobistas recorreram à autointitulada “promotora de eventos” Jeany Mary Corner para que suas “recepcionistas” azeitassem as relações entre empresários e integrantes da “República de Ribeirão Preto”, como era chamado o núcleo da Fazenda comandado por Antonio Palocci. Os encontros — que, segundo testemunhas, ocorriam numa mansão do Lago Sul, com churrasco, uísque 15 anos e latas de energéticos — hoje parecem festa de quermesse perto do padrão de suntuosidade com que o ex-dono do Master, Daniel Vorcaro, tratava os seus amigos, entre eles vultos da República.

As gentilezas do agora ex-banqueiro — segundo reportagem da Folha de S.Paulo — incluíam festas em Trancoso, São Paulo, Nova York e Lisboa. Com caviar à farta e celulares deixados à porta, eram regadas a Macallans e Petrus, repletas de beldades croatas, russas e ucranianas trazidas da Europa em jatinhos para alegrar os convivas. As festas em Trancoso, em especial, despertaram o interesse do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (MPTCU).

— Esses eventos, denominados Cine Trancoso, teriam contado com a presença de altas autoridades dos três Poderes da República, incluindo integrantes do Poder Executivo do governo anterior, pessoal do mercado financeiro, da política e do meio jurídico — diz o MPTCU em representação ao Tribunal de Contas da União.

Nela, o subprocurador-geral, Lucas Rocha Furtado, pede ao tribunal que descubra que autoridades federais frequentaram a casa de Trancoso, já que o envolvimento delas com Vorcaro poderia representar “risco para a confiança nas instituições públicas”. Furtado destaca que um dos convidados ao Cine Trancoso afirmou à Revista Liberta ter assistido a um vídeo da festa “estrelado por figura de alta relevância do Poder Judiciário” — um “pica das galáxias”, na descrição citada pela revista e reproduzida no documento pelo subprocurador.

 Entende-se a curiosidade do MPTCU — e ela certamente não é exclusiva do tribunal. Querer, porém, que o TCU investigue que adultos estavam numa festa em que eventualmente se praticou sexo consensual parece descabido. O argumento maroto de que é preciso saber se alguma repartição federal ajudou a financiar o encontro tampouco se sustenta, já que em eventos do gênero paga quem quer agradar, não quem está ali para ser agradado — evidentemente, o caso das altas autoridades.

— Tenho amigos em todos os Poderes — disse Vorcaro em depoimento à PF.

Da rotina do ex-banqueiro, faziam parte reuniões fora da agenda com o presidente da República, jantares com ministros do STF e passeios com líderes do governo e da oposição. Uma rede social impressionante para alguém que até 2016 atuava como CEO na empresa do pai em Minas e era um perfeito desconhecido nas rodas do poder em Brasília.

Vorcaro foi pródigo em firmar gordas consultorias “institucionais” — com o ex-ministro do STF Ricardo Lewandowski e o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, entre outros —, sem falar no milionário contrato de R$ 130 milhões com a advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes. Mas sabia que não é só com um punhado de dólares que se cria intimidade. Os relatos dos embalos de Trancoso sugerem que ele tinha consciência de que bens de prazer e prestígio — aqueles que dão deleite e status, a sensação de ser único e VIP — podem, em certas almas, calar tão ou mais fundo que uma mala de dinheiro. Desde que o mundo é mundo, sexo e poder andam de mãos dadas com a corrupção.

Há muitos caminhos para convencer alguém a trocar o dever público por vantagens particulares. Vorcaro, como se vê, não desconhecia nenhum.

Thaís Oyama - O Globo

 

 

Mario Sabino - Caso Master: Segure a mão de Deus e vá, Mendonça

 


No seu último artigo, o jornalista William Waack diz que “homem de profunda convicção religiosa, o ministro André Mendonça teria imediatamente se recolhido em orações ao saber que fora sorteado como novo relator do caso Master”.

A cena dá a medida do desafio que se coloca ao “terrivelmente evangélico”: submeter-se ao espírito de corpo do STF, afastando os seus pares do cálice das responsabilidades criminais, ou enfrentar as pressões dos ministros implicados e fazer a justiça que os tementes a Deus esperam dele.

Mendonça tem um pecado original: o de ter apoiado a abertura do inquérito das fake news, em 2019, quando era advogado-geral da União. Fez ali o jogo do então presidente Jair Bolsonaro, que vivia naquele momento um caso de amor com Dias Toffoli, à época presidente do STF.

O sono da razão produziu, mais uma vez, um monstro, e é com este monstro que Mendonça tem de se haver: a hidra da onipotência, da arrogância, do autoritarismo, do arbítrio, de quem utiliza a mais alta corte do país como instrumento para a realização de ambições nada republicanas.

Estar à frente do inquérito do Master é, portanto, também uma oportunidade de Mendonça se redimir. Deus redobrou a atenção que presta à sua ovelha, uma vez que o ministro tem a relatoria de outro inquérito rumoroso, o que investiga as fraudes no INSS, que envolvem igualmente o banco de Daniel Vorcaro.

Na reunião fechada do STF cujos diálogos foram vazados, Mendonça se mostrou alinhado com o corporativismo do tribunal e contra a as ações da PF no caso Master. Mas, aparentemente, a ajuda divina que ele pediu nas suas orações resultou em mudança de posição.

Ontem, por exemplo, ele ampliou o poder da PF no inquérito sobre as lambanças criminosas perpetradas por Vorcaro et caterva, anulando as restrições impostas por Toffoli, o suspeito que não é suspeito, em jabuticaba adicional produzida por nosso pomar inesgotável.

A PF poderá ter mais peritos examinando o material probatório recolhidos pela corporação, inclusive os celulares de Vorcaro e dos cúmplices do banqueiro, e liberdade para fazer o seu trabalho investigatório.

Não é liberdade completa, visto que a PF terá de pedir autorização de Mendonça para abrir outras frentes de investigação, mas ela está muito longe de ser a amarra imposta por Toffoli.

Notícia suplementar alvissareira, o ministro teria dito a interlocutores que o caso Master é definidor de como ele será considerado pela posteridade, e é salutar que alguém no Brasil ainda se preocupe com o que pensam os pósteros.

Ao fim e ao cabo, o país assiste à hora e à vez do ministro, todos de fôlego suspenso por razões certas ou erradas. Segure a mão de Deus e vá, Mendonça.

Mario Sabino - Metrópoles

 

 

Mendonça nega questão pessoal ao vetar chefia da PF no caso Master

 


O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), negou motivação pessoal ao restringir o acesso da cúpula da PF (Polícia Federal) aos detalhes do inquérito do Banco Master, do empresário Daniel Vorcaro.

De acordo com interlocutores do ministro, não se trata de um ato específico ao diretor-geral da instituição, Andrei Rodrigues, mas de uma técnica de compartimentação da informação adotada como padrão pelo magistrado em todos os processos.

O objetivo é proteger as informações e evitar vazamentos ao permitir que apenas investigadores diretamente ligados às diligências tomem conhecimento dos dados.

Por sua vez, a cúpula da PF minimizou a decisão, afirmando também se tratar de um “padrão” que não trará mudanças ou prejuízos à investigação.

Em sua primeira decisão como relator do caso Master, na quinta-feira (19), Mendonça deu autonomia à PF na investigação que apura a fraude financeira. Por outro lado, limitou o acesso aos dados somente a autoridades e agentes policiais que atuam no caso, proibindo até mesmo o compartilhamento de informações com a chefia.

Disse Mendonça na decisão: “Somente as autoridades policiais e agentes diretamente envolvidos na análise e condução dos procedimentos reciprocamente compartilhados é que devem ter conhecimento das informações acessadas, o que lhes impõe o dever de sigilo profissional, inclusive em relação aos superiores hierárquicos e outras autoridades públicas.”

A determinação ocorreu em meio ao clima de desconfiança de parte do STF com a PF, após o diretor-geral da corporação ter entregue ao presidente da Corte, Edson Fachin, um relatório com menções a Dias Toffoli no celular de Daniel Vorcaro. O episódio levou Toffoli a deixar a relatoria do Caso Master, sendo substituído por Mendonça na última quinta-feira (12).

Aliados do diretor-geral da PF também minimizaram a decisão do novo relator do caso, confirmando tratar-se de um padrão que em nada mudará na investigação.

CNN Brasil

 

 

Após quase 30 anos de acidente aéreo, corpos dos cinco ‘Mamonas Assassinas’ serão exumados

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