O infectologista Kleber Luz afirmou nesta
segunda-feira (18) que o quadro clínico da menina Maria Clara Pereira da Silva,
de 10 anos, não é compatível com uma infecção causada pela bactéria encontrada
em lotes suspensos de detergentes da marca Ypê. A criança segue internada no
Hospital Infantil Hospital Infantil Varela Santiago, em Natal, e o caso
continua sendo investigado. Com informações do Agora RN.
A suspeita inicial surgiu após a menina apresentar
sintomas cerca de 40 minutos depois de utilizar um detergente da marca
pertencente a um lote suspenso pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária.
Apesar disso, o médico explicou que os sintomas apresentados pela criança
apontam mais para uma infecção viral do que bacteriana.
Segundo Kleber Luz, a bactéria Pseudomonas
aeruginosa, encontrada em amostras investigadas pela Anvisa, costuma afetar
pessoas com imunidade muito baixa.
“A Pseudomonas, que é a bactéria que tem sido
atribuída a esse detergente, ela pode causar infecção em seres humanos, mas
geralmente em pessoas que estão com as defesas muito baixas”, afirmou o
infectologista em entrevista à TV Tropical.
O médico destacou ainda que as lesões provocadas por
esse tipo de bactéria costumam ser graves e escuras, diferentes das manchas
apresentadas por Maria Clara.
“As infecções que ela causa geralmente são infecções
com lesões enegrecidas, chamadas de ectima gangrenoso, parecendo uma gangrena.
É uma infecção bastante grave, não são manchas avermelhadas”, explicou.
De acordo com o especialista, as manchas vermelhas
apresentadas pela menina são mais compatíveis com infecções virais, como a
parvovirose, ou até mesmo reações alérgicas.
“As manchas avermelhadas são um atributo das
infecções causadas por vírus, que são os exantemas. Também podem ser reações
chamadas de urticária, com bastante coceira, causadas por diversas
substâncias”, completou.
Maria Clara apresentou melhora após ser transferida,
na última quarta-feira (13), para o Hospital Varela Santiago. Antes disso, ela
havia passado pelo Hospital Belarmina Monte, em São Gonçalo do Amarante, e pela
Unidade de Pronto Atendimento de Pajuçara, na Zona Norte de Natal, onde
permaneceu internada com um quadro de infecção grave enquanto aguardava vaga em
uma UTI pediátrica.
A família suspeita que os problemas de saúde tenham
começado após a menina sofrer um corte em uma das mãos e lavar o ferimento com
o detergente. O produto chegou a ser apresentado pelos familiares nas unidades
de saúde durante o atendimento.
Caso Ypê
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária
determinou, no último dia 7, a suspensão da fabricação, comercialização,
distribuição e uso de produtos da marca Ypê após identificar falhas no processo
de produção da empresa Química Amparo.
A medida foi publicada na resolução RE nº 1.834/2026
e atingiu detergentes lava-louças, sabões líquidos para roupas e desinfetantes
com lotes terminados em número 1.
Segundo a Anvisa, inspeções identificaram a
incapacidade da empresa de corrigir falhas detectadas desde novembro do ano
passado, quando foi constatada a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em
amostras de produtos.
Entre os problemas apontados pelo órgão estão falhas
nos sistemas de garantia da qualidade, na produção e no controle de qualidade
dos saneantes. De acordo com a agência, as irregularidades comprometem o
cumprimento das Boas Práticas de Fabricação, conjunto de normas sanitárias
obrigatórias para a indústria.
A Anvisa também informou que as falhas representam
risco à segurança sanitária dos produtos, com possibilidade de contaminação
microbiológica capaz de comprometer a saúde dos consumidores.