O governo dos Estados Unidos, sob a administração do
presidente Donald Trump, está acompanhando de perto a crise que envolve o
Supremo Tribunal Federal (STF) e que levou ao afastamento do diretor-geral da
Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
A informação foi divulgada nesta quarta-feira (9)
pela jornalista Mariana Sanches, do UOL, com base em relatos de fontes ligadas ao
governo norte-americano.
Segundo a reportagem, integrantes da administração
Trump afirmaram que Washington tem acompanhado em detalhes os acontecimentos no
STF por meio de informações recebidas da diplomacia americana em Brasília e de
interlocutores próximos ao governo dos Estados Unidos.
Um funcionário ligado à diplomacia de Trump teria
reagido ao afastamento de Andrei Rodrigues em tom de comemoração e afirmado que
“já era hora” de o diretor deixar o comando da Polícia Federal. O afastamento
havia sido determinado pelo ministro André Mendonça, do STF.
A reportagem também afirma que o governo americano
recebe informações de interlocutores como o ex-deputado Eduardo Bolsonaro e o
comentarista Paulo Figueiredo, que mantém contato com integrantes da administração
Trump.
Tensão entre brasil e estados unidos
O episódio envolvendo Andrei Rodrigues também é
relacionado pelo UOL a uma sequência de atritos entre autoridades brasileiras e
americanas.
Em abril, Rodrigues teria se tornado personagem de
uma crise diplomática após a prisão, nos Estados Unidos, do ex-chefe da Abin
Alexandre Ramagem. Na ocasião, o delegado Marcelo Ivo Carvalho, oficial de
ligação da Polícia Federal junto ao ICE, acabou sendo expulso dos Estados
Unidos.
Como resposta, Andrei Rodrigues determinou que um
agente americano que atuava em Brasília deixasse o Brasil.
Pressão sobre Moraes
Ainda segundo o UOL, integrantes do governo Trump
avaliam como possível a retomada das sanções da Lei Global Magnitsky contra o
ministro Alexandre de Moraes nas próximas semanas.
A reportagem ressalta, porém, que a atual crise no
STF é diferente das acusações que anteriormente fundamentaram as sanções contra
Moraes.
O governo americano também acompanha os
desdobramentos envolvendo mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e
relacionadas ao ministro, além dos questionamentos sobre o contrato do
escritório da esposa de Moraes com o Banco Master.
Eleições brasileiras no radar
A crise também passou a ser observada sob a
perspectiva das eleições brasileiras de outubro.
De acordo com a reportagem, há divergências dentro
do próprio governo Trump sobre qual postura adotar diante da disputa eleitoral
no Brasil.
Uma ala defenderia maior aproximação com Flávio
Bolsonaro, enquanto outra defende uma postura mais pragmática, evitando um
confronto que possa prejudicar as relações entre Washington e Brasília caso
Luiz Inácio Lula da Silva seja reeleito.
Apesar da atenção americana aos acontecimentos,
integrantes do governo Trump disseram ao UOL que, neste momento, os Estados
Unidos se consideram apenas “observadores” da crise.
A reportagem reforça, portanto, que os
acontecimentos no STF e seus reflexos sobre a Polícia Federal passaram a ser
acompanhados também em Washington, em meio ao aumento das tensões entre Brasil
e Estados Unidos.
Atualização
Horas depois da publicação da reportagem, o ministro
Flávio Dino determinou a reintegração de Andrei Rodrigues ao cargo de
diretor-geral da Polícia Federal e de Leandro Almada ao cargo de diretor de
Inteligência da PF. A decisão, na prática, suspendeu os efeitos do afastamento
determinado por André Mendonça.