A aplicação dos recursos públicos na saúde do
município de Tangará virou alvo de forte repercussão. A publicação do Aviso de
Homologação do Pregão Eletrônico nº 022/2026 no Diário Oficial dos Municípios
(Edição 3873) oficializou o repasse de R$ 892.584,40 dos cofres municipais.
O montante milionário destina-se a serviços
médicos e oftalmológicos para prevenção, diagnóstico e tratamento cirúrgico do
glaucoma — condição crônica caracterizada pelo aumento da pressão ocular que
leva à perda progressiva da visão periférica e, em estágios avançados, à
cegueira irreversível.
Conhecido na medicina como a "doença
silenciosa" — por não apresentar sintomas nos estágios iniciais até
comprometer a visão —, o glaucoma serve de paralelo para a forma como o
orçamento da saúde vem sendo gerido na cidade:
Foco em uma única patologia: Estudos médicos
indicam que o glaucoma atinge em média de 2% a 3% da população acima dos 40
anos. Em uma cidade de aproximadamente 14,1 mil habitantes, os diagnósticos
reais concentram-se em poucas centenas de pessoas.
Proporção exagerada do valor contratado: O
investimento de R$ 892,5 mil representa um gasto aproximado de R$ 63,00 por
munícipe, um valor disproportionado quando direcionado a uma especialidade tão
restrita.
Custo per capita por paciente: Na prática, o
contrato atinge uma média superior a R$ 2.000,00 por ano para cada paciente
estimado em tratamento na rede local.
A vencedora do LOTE 01 foi o Centro de Saúde
Ocular de Parnamirim Ltda. (CNPJ: 35.652.783/0001-72), localizada na Grande
Natal, a mais de 70 km de distância. A distância geográfica levanta dúvidas
sobre se haverá deslocamento diário de idosos de Tangará ou se a empresa
prestará atendimento in loco no município.
Enquanto quase R$ 900 mil são destinados ao
contrato oftalmológico, a oposição aponta que a gestão fecha os olhos para
problemas elementares no dia a dia do cidadão.
Assinado pelo prefeito Augusto César Emmanuel
Pinheiro e Alves, o processo licitatório deverá ser objeto de requerimentos de
fiscalização na Câmara Municipal e MP para verificar a compatibilidade dos
preços e a real demanda da população.