quarta-feira, 24 de junho de 2026

PM estoura ponto de venda de drogas e prende seis suspeitos em Parnamirim

 


Seis pessoas foram presas durante uma ação da Polícia Militar de Parnamirim no bairro Nova Esperança. Segundo a corporação, todos os suspeitos estavam em uma residência utilizada como ponto de venda de drogas, conhecida popularmente como “boca de fumo”.

De acordo com a PM, cada um dos detidos exercia uma função específica dentro do esquema de comercialização dos entorpecentes. O imóvel foi localizado durante um patrulhamento de rotina realizado na região.

Ao chegarem ao local, os policiais realizaram a abordagem dos suspeitos e deram continuidade à ocorrência. Os seis envolvidos foram conduzidos à Delegacia de Plantão de Parnamirim, onde devem responder pelo crime de tráfico de drogas.

Além das prisões, a polícia apreendeu uma grande quantidade de material relacionado ao tráfico, incluindo trouxinhas de maconha, pedras de crack, um tablete de haxixe, balança de precisão, diversos aparelhos celulares — que podem ser produtos de roubo — e dinheiro em espécie.

Durante as diligências, os militares também encontraram entorpecentes escondidos e enterrados no quintal da residência, reforçando as suspeitas de que o imóvel era utilizado para a comercialização de drogas na região.

 

VÍDEO: Trabalhador morre após ser atingido por viga durante obra de galpão

 


Um acidente de trabalho registrado no fim da tarde desta terça-feira (23) terminou com a morte de um jovem de 26 anos durante a construção de um galpão.

A vítima foi identificada como Vitor Peixoto, de 26 anos.

Segundo informações repassadas por familiares, o jovem trabalhou em um depósito localizado ao lado da obra e costumava auxiliar o patrão na construção do galpão após o expediente.

Ainda de acordo com os relatos, Vitor realizava atividades no local quando foi atingido na cabeça por uma viga que se desprendeu da estrutura.

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado para prestar socorro, mas, ao chegar ao local, a equipe constatou que o trabalhador já estava sem vida.

As circunstâncias do acidente serão investigadas pela Polícia Civil.

 Portal da Tropical


Jovem de Assú é assassinado em Mossoró; município registra 75º homicídio do ano

 


A cidade de Mossoró, na região Oeste do Rio Grande do Norte, registrou na madrugada desta quarta-feira (24) mais um homicídio, elevando para 75 o número de assassinatos contabilizados no município em 2026.

O crime ocorreu por volta de 1h20, na Rua General Péricles, na comunidade do Pirrichil, localizada no bairro Alto de São Manoel. A vítima foi identificada como Francisco Bernardo de Oliveira Filho, de 26 anos, natural da cidade de Assú.

Segundo informações preliminares, Francisco foi surpreendido e executado a tiros em via pública, sem qualquer possibilidade de defesa. Policiais militares foram acionados e realizaram o isolamento da área até a chegada das equipes da Polícia Civil e da Perícia Criminal da Polícia Científica do Rio Grande do Norte (PCI-RN).

Durante os procedimentos periciais, os peritos encontraram junto ao corpo uma marica (cachimbo de PVC), uma porção de cocaína, pedras de crack e dinheiro fracionado. Todo o material foi recolhido para análise e deverá auxiliar nas investigações.

Após a conclusão dos trabalhos no local, o corpo foi removido para o Instituto de Medicina Legal (IML), onde passará por exames de necropsia.

A motivação do crime e a identidade dos autores permanecem desconhecidas. O caso será investigado pela Delegacia de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) de Mossoró.

 


Acidente entre Carnaubais e Porto do Mangue deixa veículo destruído após colisão com animal na pista

 


Um acidente foi registrado por volta das 18h desta terça-feira (23), na RN-404, rodovia que liga os municípios de Carnaubais e Porto do Mangue, na região Oeste do Rio Grande do Norte.

De acordo com informações colhidas pela reportagem do Focoelho, o condutor de um veículo de passeio seguia pela rodovia quando acabou colidindo com um animal que estava solto na pista. Com a força do impacto, o automóvel ficou com a parte frontal completamente destruída, sofrendo danos de grande proporção.

Apesar da gravidade do acidente e dos prejuízos materiais, ninguém ficou ferido. O motorista foi encaminhado a uma unidade hospitalar apenas para avaliação médica e, segundo informações, passa bem e não apresenta quadro de saúde grave.

As circunstâncias do acidente deverão ser apuradas. O caso também reforça o alerta para os riscos causados pela presença de animais soltos nas rodovias, situação que frequentemente coloca em perigo a vida de motoristas e passageiros.

 

Crise do BRB: CNJ dá 10 dias para Tribunais informarem sobre R$ 30 bilhões depositados no banco

 


O corregedor do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Mauro Campbell Marques, deu mais 10 dias de prazo para que cinco tribunais de Justiça estaduais enviem atualizações sobre os R$ 30 bilhões em depósitos judiciais sob gestão do Banco de Brasília (BRB). O CNJ analisa o caso depois que a crise do BRB se agravou, e há receio de que esses recursos se percam em caso de liquidação do banco público.

Como revelou o Estadão, Campbell intimou, em fevereiro, os Tribunais do Distrito Federal, da Bahia, de Alagoas, do Maranhão e da Paraíba para que expliquem a operação. Esses cinco tribunais injetaram os recursos dos depósitos judiciais — que não pertencem aos órgãos, e sim a participantes de processos em andamento — no BRB, em troca de uma maior taxa de retorno.

Procurado, o BRB afirmou, por meio de nota, que a solicitação do CNJ integra um procedimento de levantamento de dados, sem alteração sobre os depósitos e que tudo corre normalmente. O banco também afirma que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux, na segunda-feira, 22, determinou que apenas o STF pode tomar providência sobre o caso.

“O banco informa que a medida cautelar proferida pelo STF nesta segunda-feira (22) reconhece, em análise preliminar, a necessidade de preservar a competência da Corte para apreciar as matérias relacionadas ao acordo homologado na ACO 3.755 e suspende os efeitos da decisão que determinava a retirada, da custódia do BRB, de recursos do âmbito do poder judiciário do Estado da Bahia”, diz o banco.

O CNJ informou, por meio de nota, que o TJ do Distrito Federal não renovou o contrato com o BRB.

“Quanto ao processo de escolha, o TJBA, TJPB e TJAL informaram que fizeram procedimento licitatório. O TJMA fez contratação direta e o TJDFT fez o procedimento por termo de credenciamento”, disse o órgão.

Procurados pela reportagem, os tribunais não se manifestaram.

Segundo relato do presidente do BRB, Nelson Antonio de Souza, durante audiência no Senado, há R$ 30,6 bilhões depositados no banco pelos tribunais.

“Esses depósitos não podem ser objeto de movimentação do BRB, que funciona como uma instituição que recebe para gerir e ponto final. Agora, não sabemos se esses depósitos estão preservados”, afirmou.

No fim de maio, Fux homologou acordo entre governo do Distrito Federal, BRB e o governo Federal para que uma operação de empréstimo cubra o rombo do banco. Em entrevista ao Estadão, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que Fux pediu pressa, em função dos riscos para o Judiciário, em caso de quebra do banco.

Informações mais recentes prestadas são de abril

Em seu despacho, Campbell explicou que as últimas informações prestadas pelos cinco tribunais ocorreram nos meses de março e abril. Por isso, determinou atualizações.

“Tendo em vista que as últimas informações prestadas datam dos meses de março e abril, intimem-se os Tribunais para que digam, em 10 (dez) dias, se houve, a contar das últimas manifestações, fatos novos e/ou relevantes que ainda não foram colacionadas neste feito”, determinou Campbell.

A solicitação, feita no último dia 11 de junho, foi respondida, por ora, apenas pelo Tribunal de Justiça do Maranhão.

“Após a realização das diligências internas pertinentes, informa-se que não foram identificados fatos novos ou relevantes que ainda não tenham sido oportunamente comunicados a esse Conselho Nacional de Justiça”, afirmou o desembargador Ricardo Tadeu Bugarin Duailibe.

O CNJ não soube informar sobre o fim do prazo, porque depende de quando cada tribunal tomou ciência do pedido.

Na busca por maior rendimento, veio o risco

Em audiência no TJ do Maranhão, o então presidente da corte José Ribamar Froz Sobrinho, afirmou que recursos depositados no BRB tiveram rendimento mensal de R$ 15 milhões no BRB, cinco vezes mais do que os R$ 3 milhões pagos pelo Banco do Brasil.

Para o advogado Alex Ferreira Borralho, que provocou o CNJ para que o órgão cobrasse explicações dos tribunais, a rentabilidade também veio acompanhada de maior risco e há incerteza se os recursos estão preservados no BRB.

“Uma pessoa leiga já sabe que uma operação desse tipo tem tudo para dar errado. É uma rentabilidade absurda, muito acima do que era pago pelo Banco do Brasil”, afirmou.

Borralho diz que os próprios tribunais admitem que esses recursos são usados para o pagamento de penduricalhos (gratificações que não compõem os salários dos servidores).

“Há uma manifestação do presidente de um dos tribunais dizendo que pagou todas as gratificações de juízes estaduais com esse rendimento”, afirmou.

Segundo ele, os tribunais têm receio de cobrar o dinheiro do BRB, e assim aumentar o desequilíbrio do banco. Mas, por outro lado, há o risco de a instituição financeira ser liquidada pelo Banco Central e os tribunais perderem os depósitos.

“Se houver algum problema no que diz respeito a esses depósitos, os Executivos estaduais terão de socorrer de forma imediata. Isso é disciplinado em Constituição Estadual e Lei Federal”, apontou.

Para o economista Gabriel de Barros, economista-chefe da ARX Investimentos, e ex-diretor da Instituição Fiscal Independente (IFI), os depósitos judiciais deveriam considerar o risco da operação, e não a sua taxa de retorno.

“Existe um axioma financeiro de que, quanto maior o retorno, maior o risco. As decisões dos tribunais deveriam tomar ciência de todo o balanço de riscos envolvido em decisões como essa, cujo mapeamento e compliance tem de ser feito antes", afirmou.

Em caso de insolvência do banco público, Barros entende que isso pode agravar as finanças dos governos estaduais e do Distrito Federal, porque eles teriam de socorrer os Tribunais de Justiça.

“O risco fiscal dos entes subnacionais já é elevado por razões estritamente de natureza fiscal e orçamentária, principalmente nos Estados. O efeito colateral negativo nas finanças estaduais do risco desses depósitos serem honrados pelo Tesouro é um “plus a mais” com grande potencial para desorganizar ainda mais profundamente as finanças públicas do país", disse.

Estadão

 

Investigadores temem dificuldade em recuperar dinheiro de Vorcaro fora do país e insistem em delação

 


Sem a delação premiada de Daniel Vorcaro, integrantes das equipes envolvidas na investigação do caso do Banco Master se preocupam com os caminhos para a recuperação de valores desviados e ocultados no exterior. Interlocutores do Ministério Público, da Polícia Federal e mesmo do STF (Supremo Tribunal Federal) têm manifestado o receio diante do fracasso da delação.

A PGR (Procuradoria-Geral da República) rejeitou a proposta apresentada pelo ex-banqueiro no último dia 15, quatro dias depois de a Polícia Federal ter feito o mesmo. Foi a segunda tentativa frustrada de delação —a primeira ocorreu em 20 de maio.

Autoridades que participam das negociações afirmaram à reportagem, sob reserva, que as portas não estão fechadas a Vorcaro, mas ele precisa ampliar os relatos e, como mostrou a Folha, não mentir.

Uma das razões da insistência dos investigadores em negociar um acordo com o ex-dono do Master é a agilidade que a colaboração gera na repatriação de valores supostamente obtidos de forma ilícita.

Sem a delação, a operação de retomada dos valores se torna "bem mais complexa", "muito difícil" ou uma "corrida de obstáculos", segundo investigadores.

Existe ainda o risco de perda dos recursos pelo processo tradicional —ou seja, esperar a ação tramitar, a eventual condenação do ex-banqueiro e o trânsito em julgado, além de os investigadores encontrarem os valores por conta própria.

O arranjo mais usual, na falta de um tratado específico sobre partilha de ativos, é a divisão pela metade dos recursos localizados. A lógica é a de que os outros países também movimentaram suas máquinas, promotores, policiais, juízes, e, assim, gastaram dinheiro no auxílio à recuperação brasileira.

O Brasil tem tratado assinado apenas com o Cazaquistão, além de um do Mercosul, mas que ainda não está em vigor, que estabelece os parâmetros de negociação para a divisão dos valores recuperados.

A proposta de delação apresentada pela defesa do ex-banqueiro, segundo pessoas que acompanham as apurações, propôs a devolução de cerca de R$ 40 bilhões em dez anos. Tanto o valor quanto o prazo desagradaram os integrantes da PF, da PGR e do STF, que defendem a devolução completa do dano, estimado em cerca de R$ 60 bilhões.

O interesse em uma colaboração premiada se dá, no geral, de acordo com a legislação, pela identificação de coautores, a localização de provas e também a recuperação de ativos —a depender do crime, há também a localização de vítimas.

Envolvidos nas conversas com Vorcaro têm afirmado que a investigação já tem, de forma autônoma, muito material reunido, além daquele colhido por meio das operações. Ainda, que o caso não chegou à metade e, portanto, há mais elementos a reunir por conta própria. Dessa forma, os investigadores têm afirmado não dependerem da delação de Vorcaro para uma eventual condenação.

Mas, por outro lado, a disponibilidade do ex-banqueiro em colaborar faria a repatriação de valores no exterior pular várias etapas.

Um integrante da equipe de negociação afirmou que o grupo sabe que existe dinheiro remetido ao exterior, mas não "onde ou quanto", e esse seria um dado importante que ele poderia levar para a mesa.

Pessoas ligadas à investigação afirmam ser muito mais difícil o rastreio e a recuperação desses valores sem a participação de Vorcaro. Além disso, há mais tempo hábil de a organização criminosa realocar dinheiro e bens, vender imóveis, movimentar recursos entre offshores.

Um dado positivo, até aqui, foi o reconhecimento em maio, pela Justiça das Bahamas, da liquidação do Banco Master, em uma tentativa de encontrar recursos que a instituição financeira possa manter no paraíso fiscal.

Um tribunal americano já havia tomado decisão semelhante em janeiro. A Folha apurou com pessoa com conhecimento do assunto que há iniciativas similares em outros países.

As autoridades precisam identificar quanto recurso Vorcaro alocou fora do país e de que forma. Por lei, o delator deve indicar onde tem patrimônio e pode, ele próprio, repatriar os valores. Assim, essa recuperação é bastante acelerada com um acordo voluntário, com as transações feitas sob controle da Justiça.

Sem isso, além de todo o processo de investigação autônoma, há a necessidade de se aguardar o trânsito em julgado, ou seja, a conclusão do processo e da condenação.

Nesse contexto, a Polícia Federal pediu um bloqueio internacional por difusão prateada à Interpol no caso Vorcaro, um modelo novo de cooperação criado em janeiro de 2025.

São várias as etapas envolvidas. É preciso identificar que bens os investigados têm, de que tipo, se estão em nome próprio ou de laranjas, em dinheiro vivo, em criptoativos, em imóveis. Para cada tipo de bem, há ferramentas diferentes de rastreio.

Em novembro passado, o Brasil aprovou uma instrução normativa, por meio da Receita Federal, que cria uma declaração chamada DeCripto, para intensificar a cooperação com as administrações tributárias dos demais países que adotam o padrão da OCDE no combate à evasão, à lavagem de dinheiro e ao financiamento de atividades criminosas.

Também há mecanismos para localizar imóveis, por cooperação em rede dos ministérios públicos e polícias para levantamento de dados e, na sequência, pedidos de bloqueios.

Para isso, o Brasil já contratou, em outros casos, advogados no exterior para que esse representante proponha, de acordo com as leis locais, um pedido de bloqueio civil ou penal, de acordo com o marco jurídico do país. A depender de onde estão os recursos, o processo do rastreamento até a repatriação se torna mais simples ou mais difícil.

Alguns países têm histórico de menor cooperação, justamente aqueles chamados de refúgios seguros para lavagem de capitais. Há, portanto, uma série de complicações e, por isso, o interesse dos agentes públicos na colaboração premiada para reduzir essa dificuldade.

Folha de São Paulo

 

 

Juristas veem violação da Lei da Magistratura em críticas de Gilmar Mendes a colegas e ao caso Master

 


As declarações do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no Roda Viva, da TV Cultura, ultrapassaram os limites impostos a magistrados pela Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman), na avaliação de juristas ouvidos pelo Estadão. A norma veda a juízes comentar publicamente processos pendentes de julgamento ou fazer juízo depreciativo sobre decisões judiciais.

Na entrevista, Gilmar criticou a atuação de André Mendonça no caso Banco Master, questionou o momento escolhido por Edson Fachin para propor um código de ética no STF e afirmou que a Corte não deve manter a decisão de Kassio Nunes Marques que suspendeu uma pesquisa da AtlasIntel no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Procurado por meio de seu gabinete para comentar a avaliação de juristas, Gilmar Mendes ainda não se manifestou. O espaço está aberto.

O ponto central da regra é preservar a imparcialidade e a aparência de neutralidade dos magistrados diante de casos ainda em andamento. Pela Loman, manifestações sobre processos e decisões de colegas só são admitidas em situações específicas, como dentro do próprio processo, em obras técnicas ou no exercício do magistério.

“Em síntese, no caso, o ministro Gilmar Mendes violou a Loman e a ética. Dupla infração. Na sua entrevista, colocou ainda sob suspeita de nulidade os atos praticados pelo relator Mendonça”, avalia o jurista e ex-desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo Wálter Maierovitch.

Para Maierovitch, as declarações de Gilmar tornam contraditória a resistência do ministro à proposta de criação de um código de ética no STF. O jurista argumenta que Gilmar justificou sua posição citando a existência de regras já previstas na Loman, mas acabou, na própria entrevista, tensionando os limites impostos pela lei complementar aos magistrados.

Maierovitch lembra que a Loman proíbe manifestações, fora dos autos, sobre decisões, despachos e a forma de condução de processos por outros magistrados. Para o jurista, a antiguidade de Gilmar na Corte não lhe confere autorização para comentar publicamente a atuação de colegas. “O ministro Gilmar Mendes não é o juiz dos juízes. Nem, pela antiguidade, pode se considerar o primus inter pares [primeiro entre iguais]. Como decano, não está autorizado a descumprir os deveres da Loman”, afirma.

Durante a entrevista, Gilmar afirmou haver “impropriedade” e “erro crasso” no relato feito por Mendonça de que foi procurado por um advogado de Daniel Vorcaro com uma proposta de “delação seletiva”. O decano disse que a lei não permite que o relator ou o juiz participem de tratativas de colaboração premiada, que devem ser conduzidas pelo Ministério Público ou pela Polícia Federal. “Se está participando de conversas ou se está expulsando advogados do processo, isso tem algo de errado”, afirmou.

Na semana passada, Gilmar protagonizou um embate público com Mendonça no julgamento de medidas cautelares envolvendo a manutenção da prisão de Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro. Na ocasião, o relator disse ter recusado uma proposta de “delação seletiva” feita por um advogado do ex-controlador do banco, afirmando não aceitar esse tipo de negociação.

O processo sobre o Master é julgado na Segunda Turma do STF, colegiado composto por André Mendonça, Gilmar Mendes, Kassio Nunes Marques, Luiz Fux e Dias Toffoli. Toffoli não vota no processo. Ele se declarou suspeito após a divulgação dos negócios que fez no resort Tayayá, caso revelado pelo Estadão.

Durante a entrevista, Gilmar também comentou o andamento do caso Master e voltou a traçar paralelos com a Operação Lava Jato. O decano apontou uma sequência de episódios que, segundo ele, acende um alerta sobre a condução da investigação, como vazamentos e prisões de familiares de investigados. “São elementos que levam a, pelo menos, uma preocupação e similitudes com o que ocorreu anteriormente”, afirmou.

Na avaliação de Maierovitch, as falas de Gilmar também podem ter reflexo sobre o próprio caso Master, ao lançar dúvidas sobre atos praticados pelo relator André Mendonça.

“O ministro Gilmar Mendes, inventor do habeas corpus canguru para decidir pulando instâncias e o devido processo, apresenta-se como falso garantista. Ou melhor, garantista seletivo, garante poderosos. No escândalo Vorcaro espalhou o joio para, num futuro próximo, colher-se nulidades, com a desmoralização do próprio STF. De novo, o ministro prestou um desserviço à Justiça”, avalia.

Para Luiz Gomes Esteves, professor do Insper, as falas são problemáticas por dois motivos: podem contrariar a proibição prevista na Loman e levantar dúvidas sobre a imparcialidade do ministro em processos que ainda podem voltar à análise do Supremo. Para o professor, ainda que Gilmar não tenha tratado diretamente do mérito das ações, manifestações desse tipo podem indicar uma inclinação em favor de uma das partes. “Esses comentários são impróprios para um magistrado”, afirma.

As críticas de Gilmar, porém, não ficaram restritas a Mendonça nem ao caso Master. Ao longo da entrevista, o decano também mirou decisões e movimentos de outros ministros em temas sensíveis para o STF e para a Justiça Eleitoral.

Gilmar voltou a criticar o momento escolhido pelo presidente do STF, Edson Fachin, para propor a discussão sobre a criação de um código de ética para ministros da Corte. Para o decano, o tema deveria ser tratado por uma comissão interna do tribunal e precedido de maior articulação entre os integrantes do Supremo.

Gilmar criticou também a decisão do presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, que suspendeu a divulgação de uma pesquisa da AtlasIntel sobre a disputa presidencial de 2026. O levantamento foi questionado pelo PL sob o argumento de que o questionário induzia respostas contra Flávio Bolsonaro ao associar o senador a Daniel Vorcaro e ao caso Banco Master.

“Mantendo-se essa jurisprudência Nunes Marques, já até adivinho que haverá reclamações aos borbotões no Supremo Tribunal Federal alegando, no mínimo, a tal ADPF 130, da liberdade de expressão. Certamente não é uma jurisprudência que vai se manter”, declarou.

Ainda no Roda Viva, Gilmar criticou o TSE por não ter concluído a tempo o julgamento envolvendo o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, o que, segundo ele, criou um impasse na sucessão no cargo. Na época, o tribunal era presidido por Cármen Lúcia.

Para o criminalista Renato Vieira, ex-presidente do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais (IBCCRIM), as declarações de Gilmar se inserem em um movimento mais amplo de integrantes da cúpula do Judiciário que passaram a atuar como uma espécie de “ombudsman da República”, comentando publicamente o funcionamento das instituições, eventos dos quais participam e processos ainda em curso.

Para ele, esse tipo de postura se torna especialmente delicado quando envolve casos pendentes de julgamento e colegas da própria turma julgadora, como no caso do Banco Master. “O que se espera da postura de um magistrado é comedimento, serenidade e equidistância entre os interesses envolvidos. E, antes de tudo isso, liturgia com relação ao papel de cada um dos integrantes da própria turma julgadora”, afirma.

Estadão

MP do Ceará ameaça colégio católico por ensinar religião a todos os alunos

 


O Ministério Público Estadual do Ceará (MPCE) pressionou um colégio religioso, em Juazeiro do Norte, a assegurar que seus alunos não sejam obrigados a participar de atividades ou celebrações religiosas na instituição católica e particular, fundada em 1942. A recomendação divulgada na última sexta-feira (19) alertou para o risco de responsabilização judicial, caso não seja cumprido o prazo de 20 dias para o colégio informar quais providências adotou.

O colégio afirmou ontem (22) que atua em consonância com a legislação vigente, e ratificou ter identidade confessional e missão educativo-pastoral, garantindo que a participação em práticas especificamente religiosas ocorra com liberdade e respeito à consciência de cada estudante e família.

A 3ª Promotoria de Justiça de Juazeiro do Norte alega que a medida de orientação no colégio particular reforçaria o direito à liberdade de crença e de consciência, garantido pela Constituição Federal.

“O objetivo é evitar que alunos sejam constrangidos a participar de práticas religiosas, respeitando a diversidade de convicções no ambiente escolar”, justificou o MPCE, ao divulgar a recomendação de orientar gestores e profissionais da educação sobre o caráter facultativo dessas atividades.

O MPCE ainda recomendou que o colégio dê alternativas aos estudantes que optarem por não participar das celebrações cristãs, sem prejuízo pedagógico. E ainda orientou que as diretrizes sejam monitoradas e fiscalizadas, para prevenir imposição ou constrangimento no contexto da escola.

Cristianismo e honestidade

Nesta segunda-feira (22), o colégio publicou nota em que destaca a tradição centenária da educação salesiana tem como base o acolhimento, o respeito e a promoção da dignidade humana. E reafirmou seu compromisso com a formação integral de crianças, adolescentes e jovens, valorizando suas singularidades e promovendo uma convivência pautada pelo diálogo, pela empatia e pelo bem comum.

“Seguimos firmes no propósito de oferecer um ambiente seguro, acolhedor e respeitoso, unindo excelência acadêmica, desenvolvimento humano e os valores que inspiram a formação de bons cristãos e honestos cidadãos”, disse a nota do colégio.

Diário do Poder

 

STF manda Papuda explicar suposta pressão por delação de "Careca do INSS"

 


O ministro André Mendonça, do STF, determinou um prazo de 48 horas para que a Senapen (Secretaria de Administração Penitenciária do Distrito Federal), responsável pelo Complexo da Papuda, preste esclarecimentos sobre o relato de Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, de que estaria sendo pressionado por agentes penais a delatar.

A decisão passará a valer a partir da notificação da penitenciária.

Segundo uma petição apresentada ao gabinete de Mendonça, Antunes afirmou ter sido retirado da cela, na semana passada, e questionado por agentes penitenciários sobre a negativa em fechar um acordo de colaboração.

Preso desde setembro do ano passado, o “Careca do INSS” é apontado pela Polícia Federal como personagem central do esquema de fraudes no INSS.

Atualmente, não há nenhum acordo de delação em negociação por parte de Antunes, diferentemente do empresário Maurício Camisotti, preso na mesma operação, e que está construindo, junto a seus advogados, um novo acordo após uma primeira negativa do Supremo.

 

 

Trump mira eleições no Brasil: ‘Disputa mais importante no Hemifério Sul’

 


Presidente dos Estados Unidos compartilhou reportagem que atribui a ele os resultados das urnas na América Latina e coloca o Brasil como o próximo alvo de influência do trumpismo.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, compartilhou nesta terça (23) um artigo que diz que a eleição no Brasil será o seu próximo desafio.

Trump compartilhou na rede social Truth Social um artigo do NewsMax que aponta a eleição presidencial no Brasil como seu “próximo desafio” e fala em debate sobre a integridade do sistema eleitoral.

O texto cita quatro desafios para Trump: Cuba, Nicarágua, Venezuela e Brasil, e afirma que uma guinada do Brasil à direita mudaria o mapa político da América Latina.

Trump, que teve reuniões tanto com Lula quanto com Flávio Bolsonaro, também havia dito ao Axios que Lula é “muito volátil” e que o Brasil ficou “politicamente perigoso”; Lula reagiu, criticou interferência e defendeu o processo eleitoral brasileiro.

UOL/Vídeo: Jornal da Globo

 

Festival de Inverno de Cerro Corá tem programação divulgada com Roberta Miranda, SPC e outras atrações

 


A programação do XXII Festival de Inverno de Cerro Corá 2026 foi oficialmente divulgada na noite desta terça-feira (23). O evento, que movimenta a cidade serrana e toda a região da Serra de Santana, acontecerá nos dias 7, 8 e 9 de agosto, reunindo grandes atrações musicais e um público de diversas cidades do Rio Grande do Norte.

Entre os destaques da programação estão a Rainha do Sertanejo, Roberta Miranda, e o grupo SPC. O festival também contará com apresentações de Raynel Guedes, Acássio, Grafith e outras atrações que prometem animar os três dias de evento. A programação foi anunciada pela Prefeitura de Cerro Corá e reforça o Festival de Inverno como um dos principais eventos culturais e turísticos do calendário potiguar.

SEXTA-FEIRA (07)
• Só Pra Contrariar
• Raynel Guedes
• Banda Tuareg’s

SÁBADO (08)
• Roberta Miranda
• Circuito Musical
• Joãozinho Dantas

DOMINGO (09)
• Grafith
• Acácio
• Giovane Soares

 

PM estoura ponto de venda de drogas e prende seis suspeitos em Parnamirim

  Seis pessoas foram presas durante uma ação da Polícia Militar de Parnamirim no bairro Nova Esperança. Segundo a corporação, todos os suspe...