Os preços dos alimentos caíram pelo terceiro mês
consecutivo em agosto, segundo o IPCA-15, prévia da inflação oficial divulgada
pelo IBGE. No entanto, o leite escapa completamente da tendência de alívio e
acumula alta de 23% no ano — disparada que contrasta com o recuo generalizado
observado na cesta básica dos brasileiros.
De acordo com o levantamento, a alimentação dentro
de casa recuou 1,02% em agosto, enquanto a alimentação fora do domicílio passou
de 0,55% em julho para 0,42% no mês. No índice geral, o IPCA-15 registrou
deflação de 0,40% — a primeira queda em um ano.
Leite é a exceção na queda de preços
Apesar do movimento de baixa nos alimentos, o leite
se mantém como um dos principais vilões do orçamento das famílias brasileiras
em 2026. No acumulado do ano, o produto já acumula alta de 23%, avanço muito
superior ao de qualquer outro item da cesta básica monitorada pelo IBGE.
O comportamento do leite já vinha chamando atenção
nos meses anteriores: em julho, levantamento da Neogrid havia apontado alta de
4,1% no leite UHT apenas naquele mês, mesmo com a queda generalizada em outros
produtos, como legumes (-9,8%) e ovos (-5,3%). Já pelo IPCA oficial de julho, o
leite longa vida havia subido 2,47% no mês.
A disparada do leite é atribuída a fatores
relacionados à oferta no campo e ao menor ritmo de produção, em contraste com
hortifrutis, que se beneficiam da maior safra e registram quedas expressivas.
Outros produtos em queda
Enquanto o leite sobe, produtos como a manga (-21%),
a batata-inglesa (-18,8%), a cebola (-13,8%) e o tomate (-7,7%) tiveram recuo
expressivo em agosto. O arroz caiu 3,1% e as carnes, 0,94%.
Ainda assim, mesmo com as quedas mensais, alguns
desses itens também acumulam altas relevantes no ano: a batata-inglesa subiu
34,83% desde o início de 2026, e a cebola acumula alta de 68,94% no período —
evidenciando que, apesar do alívio recente, a pressão inflacionária sobre os
alimentos ainda não foi totalmente revertida.
No acumulado do ano, o indicador geral de alimentos
pelo IPCA-15 ainda registra alta de 3,78%, com a alimentação em domicílio
subindo 3,68% no período — patamar em que o leite se destaca como o item de
maior impacto negativo no bolso do consumidor.