Reportagem publicada recentemente
pelo Estadão revelou que o presidente da Câmara, Hugo Motta
(Republicanos-PB), teria admitido a empresários que não conseguirá segurar por
muito tempo a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala
6x1. O tema, uma das prioridades da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da
Silva, tem sido discutido em uma comissão especial da Casa e deve ser pautado
em plenário nas próximas semanas para que possa ser enviado ao Senado ainda
neste semestre.
Entidades representativas da indústria, comércio e
serviços já estimaram os impactos negativos da redução da jornada de trabalho
sem diminuição dos salários em um país com baixa produtividade e crescimento
econômico, mas, a cinco meses das eleições, pouquíssimos parlamentares ousarão
posicionar-se contra uma medida de caráter tão populista, haja vista o risco de
serem punidos nas urnas.
Tudo indica que o debate, se houver, será feito de
maneira açodada e, diante da inevitabilidade desse cenário, o setor produtivo
optou pelo pragmatismo e começou a trabalhar para convencer lideranças do
Congresso a estabelecer medidas que diluam o custo da bondade para seus
negócios.
Entre elas há propostas pertinentes e bastante
razoáveis, como a vinculação da redução da jornada a acordos coletivos e o
estabelecimento de um prazo de transição de dez anos para que os segmentos mais
atingidos possam se adaptar à escala reduzida. Outras, no entanto, nada têm a
ver com o cerne da questão e visam apenas a pegar carona no debate, como a
atualização dos limites de enquadramento no Simples Nacional e no regime de
microempreendedores individuais (MEIs).
O setor argumenta que o fim da escala 6x1 atingirá
em cheio os pequenos negócios, que, em conjunto, são os maiores empregadores do
País. Mas são inegáveis as distorções e ineficiências que esses regimes geram
na economia, entre os quais a redução da produtividade, sem contar o impacto na
arrecadação de impostos e, sobretudo, nos cofres da Previdência Social.
A proposta é ampliar o limite de faturamento anual
de microempreendedores individuais de R$ 81 mil para R$ 145 mil, enquanto o de
microempresas aumentaria de R$ 360 mil para R$ 870 mil e o de empresas de
pequeno porte, de R$ 4,8 milhões para R$ 8,695 milhões. Não há país no mundo
que pratique algo remotamente parecido e que tenha tetos tão generosos para
esse tipo de regime.
Embora os ministros da Fazenda, Dario Durigan, e do
Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, sustentem que o governo não pretende
indenizar os setores pelo fim da escala 6x1, até as pedras em Brasília sabem
que o Congresso não aprovará a proposta sem que haja algum tipo de compensação
para as empresas.
Se ela se der nos limites de enquadramento do
Simples e do MEI, como parece ser o caso, sairá caro para o Executivo federal,
para a economia brasileira e para a sociedade como um todo. Mas o governo,
lamentavelmente, parece disposto a fazer qualquer negócio e arcar com todo tipo
de consequência apenas para garantir uma bandeira eleitoral para Lula.
Opinião do Estadão














