domingo, 20 de setembro de 2026

Poder Judiciário registra gasto recorde de R$ 164,6 bilhões em 2025, aponta CNJ

 


O Poder Judiciário gastou R$ 164,6 bilhões em 2025, segundo o relatório Justiça em Números, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O valor é o maior desde o início da série histórica, em 2009. Do total, R$ 148,5 bilhões foram destinados a salários, benefícios e outras despesas relacionadas a pessoal, o equivalente a 90,2% dos gastos da Justiça.

As chamadas verbas indenizatórias somaram R$ 9,8 bilhões no ano passado. O valor inclui diárias, passagens, auxílio-moradia e outros benefícios, alguns dos quais podem elevar os pagamentos de magistrados acima do teto constitucional.

Os tribunais também gastaram R$ 4,4 bilhões com tecnologia, incluindo equipamentos, sistemas e ferramentas de inteligência artificial.

A arrecadação do Judiciário foi de R$ 68,2 bilhões em 2025, equivalente a 41% das despesas. O valor representa queda de 8,9% em relação ao ano anterior e inclui custas, taxas, emolumentos, execuções fiscais e impostos relacionados a inventários.

O custo total da Justiça correspondeu a 1,3% do Produto Interno Bruto (PIB) e a 2,7% das despesas da União, estados, Distrito Federal e municípios.

Em nota, o CNJ afirmou que os gastos com pessoal refletem a necessidade de manter a estrutura responsável pela prestação jurisdicional e ressaltou que as despesas seguem a legislação fiscal. Sobre a arrecadação, o órgão destacou que o Judiciário não funciona com objetivo de gerar receita, mas de garantir direitos.

 

Caravana 22 percorre sete municípios do Agreste e Litoral Sul com carreatas, motociata e passeata reunindo multidões

 


A Caravana 22 percorreu, neste sábado (19), sete cidades do Agreste e do Litoral Sul potiguar, em uma agenda de carreatas, motociata, passeata e encontros com lideranças. Por onde passou, Álvaro e seus apoiadores foram recebidos por multidões. O roteiro incluiu Baía Formosa, Canguaretama, Montanhas, Nova Cruz, Santo Antônio, São José de Campestre e Passa e Fica, onde o candidato encerrou o dia com um comício no centro da cidade.

Em Baía Formosa, Álvaro esteve com o presidente da Câmara Municipal, vereador Rodrigo Cipriano; o empresário e ex-candidato a prefeito Dr. Queiroga; o suplente de vereador Almeida Júnior; e conversou com o ex-prefeito Nivaldo Melo. Em Canguaretama, encontrou os ex-prefeitos Wellinson Ribeiro e Wilsinho Ribeiro. Já em Montanhas, contou com a presença do ex-prefeito Manoel Gustavo e dos vereadores Dado e Aída.

Em Nova Cruz, conhecida como Rainha do Agreste, uma carreata percorreu as principais ruas da cidade, com moradores acompanhando a passagem da comitiva das portas de suas casas. Álvaro esteve ao lado do prefeito Joquinha Nogueira e do ex-prefeito Flávio de Berói.

A Caravana 22 seguiu para Santo Antônio, onde Álvaro percorreu as ruas em carro aberto e recebeu manifestações de apoio ao longo do trajeto. Na cidade, esteve com o empresário Gil do Feijão.

Em São José de Campestre, uma motociata reuniu apoiadores pelas ruas da cidade. Álvaro contou com o apoio do prefeito Eribaldo Pinguim e de lideranças locais.

A agenda terminou em Passa e Fica, com uma passeata pelas ruas e um comício no centro da cidade. Álvaro esteve com o prefeito Flaviano Lisboa, o vice-prefeito Elsinho e os ex-prefeitos Celú Lisboa, Pepeu Lisboa e Léo Lisboa, além de vereadores e lideranças locais.

Também acompanharam Álvaro Dias durante a Caravana 22 o deputado estadual Adjuto Dias, candidato à reeleição, e os candidatos a deputado estadual Sargento Manassés e Anne Lagartixa.

 Blog do BG






VÍDEO - NOCAUTE POTIGUAR: Patrício Pitbull atropela sul-coreano no primeiro assalto e brilha no card principal do UFC 331

 



A experiência e o poder de nocaute falaram mais alto na divisão dos pesos-penas (66 kg) no UFC 331, realizado neste sábado (19), em Los Angeles (EUA). Atual 15º colocado no ranking da mídia especializada, o lutador potiguar Patrício Pitbull precisava de uma atuação convincente para se afirmar na organização e cumpriu o objetivo ao nocautear Doo Ho Choi ainda no primeiro assalto.

O duelo era importantíssimo para ambos os atletas. Consagrado como uma das maiores lendas da história do Bellator, Pitbull vinha de um início instável no Ultimate, somando duas derrotas e apenas um triunfo. Do outro lado, Choi vivia momento de reabilitação na carreira: após uma sequência negativa de três reveses, o sul-coreano havia recuperado o ritmo e subiu ao octógono embalado por três vitórias consecutivas.

Após a luta, em entrevista ainda no octógono, o potiguar provocou o adversário seguinte. “Jean Silva, você é o próximo”, disparou Pitbull. 

A Luta

Desde os primeiros segundos de combate, Patrício Pitbull adotou uma postura agressiva e tomou a iniciativa das ações, priorizando combinações de boxe para encurtar a distância. O brasileiro foi o primeiro a conectar um golpe contundente, vazando a guarda do adversário com um uppercut preciso. Na sequência, um direto de direita atingiu Choi em cheio, embora o sul-coreano tenha absorvido o impacto sem balançar imediatamente.

Tentando fazer valer sua maior envergadura, Choi buscou responder na trocação, mas continuou encontrando dificuldades para conter o volume do representante do Rio Grande do Norte. A pressão constante de Pitbull surtiu efeito definitivo minutos depois, quando uma nova sequência pesada de golpes encontrou o queixo do sul-coreano, levando-o ao solo. Atento à oportunidade, o brasileiro avançou rapidamente no ground and pound e desferiu ataques potentes no chão até a interrupção do árbitro.

Com informações da ESPN/Blog do BG

 

CRISE NA PGR: Nikolas Ferreira pede ao STF afastamento do Procurador-Geral Paulo Gonet após foto e mensagens com Daniel Vorcaro

 


O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) enviou um ofício ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, neste sábado (19), solicitando o afastamento cautelar de Paulo Gonet do cargo de procurador-geral da República. A representação ocorre após a divulgação de uma fotografia e de mensagens encontradas pela Polícia Federal (PF) no celular de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.

A imagem, localizada pela PF durante as investigações do caso Banco Master, mostra Gonet com um charuto nas mãos ao lado de Vorcaro, em uma mesa com copos de uísque. O registro foi feito em 25 de abril de 2024, em uma degustação no George Club, em Londres.

A representação aponta que o registro e os novos diálogos colocam em dúvida a declaração feita por Gonet ao STF na última terça-feira (15/9), quando afirmou não ter tido relação de proximidade com o ex-banqueiro e que o único encontro havia ocorrido na presença de várias autoridades. A PGR confirmou a veracidade da foto de 2024, mas reiterou que o evento contou com a participação de outras autoridades, contando com o respaldo de declarações anteriores do ministro André Mendonça sobre a ausência de irregularidades.

Mensagens e Contatos em 2025

Para o deputado Nikolas Ferreira, os registros extraídos do celular de Vorcaro demonstram contatos adicionais intermediados pelo advogado Ciro Soares ao longo de 2025. Entre os episódios citados na representação estão: encontros e ligações de março de 2025, quando Ciro Soares enviou a Vorcaro uma foto ao lado de Gonet com os dizeres “Liga aqui” e “Ele quer falar com você”, seguidas por quatro chamadas telefônicas e uma viagem a Londres, também planejada em março do mesmo ano, com discussões a respeito do custeio das despesas do filho do procurador-geral, Pedro Gonet, por parte de Vorcaro.

Apesar das tratativas detalhadas no documento, a assessoria de Ciro Soares afirmou que não houve irregularidade nas conversas e ressaltou que o evento planejado para 2025 acabou não ocorrendo. Diante dos fatos revelados pela PF, o deputado pede que Fachin encaminhe a representação ao órgão competente do STF para a devida análise do afastamento cautelar do procurador-geral da República.

Com informações do Estado de Minas

 

VÍDEO: Flávio Bolsonaro rebate Lula em SC e diz que presidente é ameaça ao agro

 



O senador  e candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL) fez duras críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), durante evento político em Santa Catarina, onde acusou o chefe do Executivo federal de perder completamente o senso de realidade e de representar um “perigo” para a economia e, em especial para o setor agropecuário do país.

O tom inflamado da fala ocorreu após declarações de Lula em solo catarinense envolvendo o setor. De acordo com Flávio, o petista teria sugerido que o agronegócio brasileiro “deveria se ajoelhar aos seus pés”. O parlamentar classificou a postura como inaceitável e afirmou que o presidente atual resgatou o perfil político e sindicalista radical da década de 1990.

“Ele voltou a ser aquele Lula da década de 90, um sindicalista que fala bobagem todo dia, uma pessoa com ideias velhas e atrasadas que tem fixação por implementar um regime comunista e ditatorial no Brasil”, disparou o senador.

Flávio Bolsonaro aproveitou a oportunidade para lembrar que Lula se referiu ao estado de forma pejorativa. “Hoje ele estava aqui em Santa Catarina, ameaçando quem produz, que é o nosso agro dizendo que o agro deveria se ajoelhar aos seus pés. Isso foram palavras de uma pessoa que já havia dito que Santa Catarina é composta por nazistas”, alfinetou o senador. 

 

Presidente do PT cobra nome de Lula em materiais de campanha e ameaça pedir devolução do fundo eleitoral a candidatos a deputado

 


O presidente nacional do PT, Edinho Silva, determinou que candidatos a deputado pelo partido incluam Lula e os demais candidatos majoritários apoiados pela legenda em seus materiais de campanha. Em caso de descumprimento, ele defendeu até ações por infidelidade partidária e a devolução de recursos do fundo eleitoral.

Edinho tomou conhecimento da circulação em grupos petistas de materiais de campanha sem o nome ou o número de Lula e, em alguns casos, sem candidatos a governador e ao Senado apoiados pelo partido.

Em áudio enviado à Executiva Nacional, Edinho afirmou que a eleição de Lula deve ser prioridade e que os materiais precisam refletir as decisões coletivas do PT. A Executiva aprovou resolução orientando que as candidaturas proporcionais incluam Lula e os candidatos majoritários nas peças impressas e digitais, além de ações de rua e redes sociais.

“Se a nossa militância informar a direção do PT sobre a existência de materiais que não traduzam a nossa tática eleitoral, eu penso que temos […] que encaminhar ações por infidelidade partidária, pedindo a devolução do Fundo Eleitoral”, afirmou Edinho.

VÍDEO: Estudante de medicina é flagrada praticando furto em loja de luxo em Natal

 



Uma estudante de medicina de uma universidade particular foi flagrada por câmeras de segurança praticando furto em uma loja de alto padrão no bairro de Lagoa Nova, em Natal.

O item levado sem a efetuação do pagamento foi um conjunto fitness. A peça, de uma marca premium, teria valor aproximado de R$ 1 mil.

As imagens registraram a movimentação da estudante dentro do estabelecimento e o momento em que ela saiu com a mercadoria.

Blog do BG

sábado, 19 de setembro de 2026

Prefeitura de Parnamirim estabelece regras para fiscalização e apreensão de mercadorias de ambulantes

 


A Prefeitura de Parnamirim estabeleceu novas regras para a fiscalização e apreensão de mercadorias, acessórios e instrumentos de trabalho de vendedores ambulantes que atuam no município. A medida está prevista na Lei Ordinária nº 2.717, de 15 de setembro de 2026, publicada no Diário Oficial do Município.

De acordo com a nova legislação, quem trabalha de forma regular e vende produtos permitidos não terão suas mercadorias e ferramentas de trabalho recolhidas. Para ter essa garantia, o vendedor precisa estar cadastrado junto à Prefeitura e seguir as regras para o exercício da atividade. Quando necessário, também deve apresentar documentos como o alvará de funcionamento.

A nova regra não significa que os ambulantes deixarão de ser fiscalizados. A fiscalização continua acontecendo e, quando forem encontradas irregularidades, os produtos poderão ser recolhidos. É o caso, por exemplo, da venda de produtos falsificados, contrabandeados ou que ofereçam riscos à saúde, além de situações que descumpram as regras da venda.

Nos casos em que houver apreensão, o vendedor deverá ser notificado e terá direito de defesa. Caso o problema seja resolvido, a lei também prevê a possibilidade de recuperar os bens recolhidos.

Além disso, a Prefeitura poderá realizar ações de orientação e capacitação para ajudar os vendedores ambulantes a conhecer as regras e manter suas atividades de forma regular no município.

Esse texto foi copiado do Blog do Gustavo Negreiros

“Cadê o negócio, entrou já o saldo?”: a ligação que levou a PF a um funcionário do Banco do Brasil

 


Às 10h15 de 19 de junho de 2024, uma quarta-feira, Oseas Monthalggan Fernandes Costa ligou para um número de celular. Dono da Dismed Distribuidora de Medicamentos, ele perguntou: “Cadê o negócio, entrou já o saldo?”. A ligação durou um minuto e catorze segundos. Somada às mensagens que o dono do número trocou naquele mês com Oseas e com a mulher dele, e ao cargo de um irmão, foi o que a Polícia Federal levou ao tribunal para pedir — e obter — a quebra do sigilo telefônico e telemático de Saulo David Araújo Cabral, funcionário do Banco do Brasil. E para anotar nos autos da Operação Mederi que o irmão dele, Lucas Ezequiel Tomaz Araújo Silveira, ocupava cargo de confiança no Gabinete do Prefeito de Mossoró.

Saulo é, hoje, o terceiro nome da lista de vinte pessoas cujos sigilos foram devassados na investigação. A lista é da própria defesa da Dismed, numa petição juntada ao inquérito em 16 de junho em que sustenta que ninguém ali tem foro no Tribunal Regional Federal da 5ª Região — tese que a defesa levou de novo ao tribunal num recurso de 4 de setembro, dessa vez sem nomear os vinte. Ao lado do nome dele, a defesa escreveu a qualificação: “funcionário de instituição financeira”.

Ser alvo de quebra de sigilo não é ser réu. Saulo não consta entre os representados da representação criminal de novembro de 2025, nem no rol de partes do inquérito no sistema do tribunal. O que os autos guardam sobre ele é o que a PF escreveu ao pedir as medidas, o que o desembargador Rogério Fialho Moreira autorizou, e o que veio de volta. No caso das contas de e-mail, quase nada. Não há manifestação de Saulo nem do irmão nos autos, e o Blog do Dina não os procurou antes desta publicação.

A ligação

A conversa está transcrita no primeiro auto circunstanciado da interceptação, que cobre o período de 6 a 20 de junho de 2024. A PF classificou a chamada com o assunto “Oseas cobra HNI” — homem não identificado. É assim que ela aparece nos autos:

HNI: Oi, “Gan”.

OSEAS: Tá sem internet?

HNI: Tô, bicho, eu tô em Fortim/CE. Tô na fazenda aqui.

OSEAS: Aí tá certo, só quer saber da fazenda de camarão agora, né!

HNI: É, exatamente. (risos)

OSEAS: E as novidades?

HNI: Cara, por enquanto nada. Eu tô voltando hoje à tarde para Mossoró, pretendo estar umas 3 horas. Você vai estar pela cidade ou vai tá em Upanema?

OSEAS: Rapaz, eu vou para Upanema. Mas qualquer coisa eu pego você.

HNI: Não, não é nada urgente não, pode ir para Upanema (inaudível).

OSEAS: Cadê o negócio, entrou já o saldo?

HNI: Ainda não. Tô tentando resolver uns negócios aqui para ligar para o chefe.

OSEAS: Daqui para sexta, você acha que tem alguma novidade?

HNI: Tá, pode deixar…

“Gan” é como o interlocutor chama Oseas Monthalggan. Quem é “o chefe”, os autos não dizem.

Para descobrir de quem era o número, a PF consultou os bancos de dados disponíveis. O telefone estava cadastrado como chave Pix de uma conta do Banco do Brasil em nome de Saulo. A partir daí, a autoridade policial escreveu que a linha “provavelmente” pertence a ele. Logo adiante, deixou registrada uma dúvida. A ligação foi feita “numa quarta-feira (19/06), às 10h”. O teor, escreveu a PF, “não condiz com a rotina de um bancário, o que leva à suspeita de que a linha esteja sendo utilizada por terceira pessoa”. Por isso, a PF pediu para “aprofundar a investigação com relação ao usuário da linha”.

Quem é Saulo David, pelos autos

A PF o descreve, em vários documentos, como funcionário do Banco do Brasil. No quadro-resumo da representação que pediu as quebras, a síntese é uma frase: “Saulo é funcionário do Banco do Brasil e mantém diálogos suspeitos com Oseas”. Numa informação policial de setembro de 2024, a frase ganha um complemento: “diálogos suspeitos a respeito de transações financeiras com Oseas”. Um documento localizado depois, na conta de e-mail dele, o descreve como gerente-geral do banco — a PF registra o print sem dizer de qual agência.

Os autos não dizem em que agência ele trabalha, nem ligam a função dele a qualquer conta da Dismed. O que dizem, em outras páginas, é que as contas da empresa ficam no Banco do Brasil, em duas agências de Mossoró. Foi numa agência do banco que a PF flagrou, em vigilância velada, o sócio Maycon Zacarias fazendo saques em espécie, em julho e agosto de 2024. Nenhuma peça lida pelo blog junta as duas pontas.

O que a análise das mensagens de WhatsApp registra, no mês da ligação, é uma sequência de contatos. No dia 11 de junho, Saulo mandou um áudio a Oseas às 9h22; Oseas respondeu com dois áudios cerca de uma hora e meia depois, e a troca continuou à tarde. Na manhã seguinte, às 8h16, Oseas enviou a Saulo “dois arquivos do tipo documento”. A partir do dia 14, as mensagens com Saulo passaram a ser trocadas com o telefone de Roberta Praxedes, mulher de Oseas e dona da Drogaria Mais Saúde. No dia 24, foi Roberta quem enviou dois documentos, às 18h28; Saulo respondeu com dois áudios dois minutos depois. O conteúdo dos áudios e dos documentos não está transcrito na peça.

O irmão no gabinete

A segunda coisa que a PF anotou sobre Saulo não é sobre ele. É sobre o irmão.

“Saulo é irmão de Lucas Ezequiel Tomaz Araújo Silveira, o qual ocupa cargo de confiança na Prefeitura Municipal de Mossoró/RN, uma das principais remetentes de recursos para a empresa Dismed”, escreveu a autoridade policial. Na informação de análise que acompanha o pedido, o detalhe: Lucas “é lotado no Gabinete do Prefeito de Mossoró/RN, na função de Diretor do Departamento de Cerimonial e Eventos”. A PF reproduziu nos autos a portaria de nomeação.

O Diário Oficial de Mossoró conta o resto. Lucas era, em outubro de 2023, gerente executivo de Cerimonial, lotado na Secretaria de Governo. No dia 29 de janeiro de 2025, o então prefeito Allyson Bezerra assinou o ato coletivo que exonerou comissionados. Nele, Lucas aparece como “Diretor Administrativo – CC6”, com a atribuição de “Diretor do Departamento de Cerimonial e Eventos” do Gabinete. Um mês depois, ele reaparece numa comissão de avaliação de amostras da Secretaria de Administração. De abril de 2025 em diante, é “Diretor de Departamento de Cerimonial” da Secretaria de Cultura, designado fiscal — ou substituto do fiscal — de contratos de estrutura, som e camisetas para eventos. Neste ano, foi de novo designado fiscal de contrato, em 27 de abril. No dia 5 de junho, coordenava o Polo Raiá do Dia do Mossoró Cidade Junina 2026 — já na gestão de Marcos Medeiros, prefeito desde que Allyson renunciou, em março.

Mossoró — Fundo Municipal de Saúde e prefeitura — é quem mais pagou à Dismed entre os 82 entes públicos listados pela PF: R$ 13,6 milhões, como o blog mostrou em agosto. Nada nos autos liga Lucas a esses pagamentos. A PF registrou o parentesco e o cargo, e parou aí.

O que o desembargador autorizou — e o que voltou

Em 10 de dezembro de 2024, o desembargador Rogério Fialho Moreira deferiu o que a PF pediu sobre Saulo David. Interceptação da linha por quinze dias e dos aparelhos associados a ela. Quebra da conta de WhatsApp, de quatro contas do Google e de uma da Microsoft. Os ofícios foram expedidos nos dias seguintes.

O resultado está nos autos, e não trouxe elemento novo contra ele. Do Google, a resposta foi que duas das contas atribuídas a Saulo não tinham registro de criação nem atividade no período — “contas sem dados”, na lista da PF; de uma terceira, a PF anotou que “não trouxe conteúdo relevante”. Da Microsoft veio a conta de e-mail que confirmou o nome dele e o print do cargo no banco. A conclusão do agente que a analisou, em 12 de março de 2025, é literal: “o material analisado não enseja obter informações relevantes à investigação em curso. O material, dada sua exiguidade, impossibilita qualquer análise”. No relatório sobre a interceptação de WhatsApp de janeiro de 2025, concluído em agosto, a conta de Saulo David está na tabela de alvos, e o sumário aponta para uma seção sobre ele que não existe no documento.

Fora esses registros, o nome de Saulo não volta a aparecer em análise nenhuma da PF nos autos a que o blog teve acesso. Ele reaparece apenas em junho de 2026, na petição da defesa — como argumento de que a investigação correu contra vinte pessoas sem foro.

O que fica em aberto

Uma ligação de 74 segundos, uma chave Pix, mensagens trocadas com o casal dono das empresas, um irmão no gabinete. Foi isso que sustentou uma quebra de sigilo autorizada por um tribunal federal. O que veio da conta de e-mail, a própria PF diz que não deu para analisar.

As perguntas que os documentos não respondem são as que importam. Que “saldo” Oseas cobrava. Quem é “o chefe”. E se a função de Saulo no banco tem qualquer relação com as contas por onde a Dismed movimentou o dinheiro das prefeituras. A série completa da Operação Mederi está reunida aqui.

O espaço está aberto para manifestação.

Atualização (19/09, à noite): o texto foi ajustado após checagem: a lista dos vinte investigados citada pela defesa consta de petição de 16 de junho, não do recurso de 4 de setembro; a linha fina passou a reproduzir o “provavelmente” da PF sobre a titularidade da linha; e a frase “impossibilita qualquer análise” foi precisada como conclusão sobre a conta de e-mail, não sobre toda a quebra.

Com informações do Blog do Dina


“Esse prefeito é ladrão”: o vídeo que a PF gravou dentro da Dismed — e o que a peça diz que ele prova

 


O Blog do Dina publica neste sábado (19) o vídeo da escuta ambiental que a Polícia Federal instalou dentro da Dismed Distribuidora de Medicamentos, em Mossoró. São 2 minutos e 44 segundos gravados na manhã de 13 de maio de 2025, às 8h11, na sala em que o sócio Oseas Monthalggan Fernandes Costa conversa com um interlocutor que os autos identificam apenas pelo apelido: Nenen.

É nesse arquivo da escuta ambiental — catalogado pela PF como `Rec1_20250513_081116` — que aparece a frase que a Representação Criminal da Operação Mederi usa para tratar do que chama de consciência da ilicitude por parte do prefeito de Mossoró.

OSEAS: O problema porque é o seguinte: os cara [inaudível]… se eu fosse prefeito, meus funcionários por exemplo… ah, esse prefeito é ladrão, quem rouba é ele, pode falar, não me importa não! Aí os cara é um cuidado, não porque ninguém pode saber não…

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NENEN: Honesto, psiu, honesto os cara!

O que a frase é — e o que ela não é

Vale a precisão, porque ela importa. Oseas não está apontando o dedo para ninguém ali. Ele fala de si: *se eu fosse prefeito*, não me importaria que os funcionários me chamassem de ladrão. O contraste que ele faz é com o prefeito real, o de Mossoró, que segundo a conversa age com cuidado — “ninguém pode saber não”.

A peça é explícita sobre o limite disso. Ao listar os indícios contra Allysson Leandro Bezerra Silva, a Representação Criminal registra que a afirmação “não constitui prova direta” contra o então prefeito, e diz apenas que “os interlocutores percebem no prefeito um comportamento cauteloso voltado a manter oculta sua participação nos esquemas discutidos”.

Em outra peça dos mesmos autos, a leitura é mais dura: o trecho “revela o cuidado que este demonstra para se manter oculto nos esquemas de corrupção”.

As duas leituras estão nos autos. Nenhuma das duas diz que Oseas chamou Allyson de ladrão — e este blog também não vai dizer.

A parte do vídeo que não virou manchete

O que vem depois da frase é o que dá ao arquivo valor próprio na investigação. Nenen passa a ensinar Oseas a convencer Poliana Rezende Dantas, então diretora financeira da Secretaria Municipal de Saúde de Mossoró, a aumentar o volume de compras da prefeitura:

NENEN: Agora você tem que dizer, olhe POLIANA… você tem que dizer a ela o seguinte: olhe, POLIANA, eu vou dá o exemplo de uma cidade como JOSÉ DA PENHA, aí você diz, JOSÉ DA PENHA consome cem mil (R$ 100.000,00) por mês… Aí como é que MOSSORÓ em um mês só consome trezentos mil? Não tem lógica não, porra!

Antes disso, na mesma conversa, Nenen reclama do tamanho das ordens de compra de Mossoró: “Como é que MOSSORÓ pede seiscentos mil reais e põe duas ordem de compra de trezentos mil?”. E conclui: “MOSSORÓ era no mínimo ali era quinhentos mil conto no mês”. Oseas responde: “Era! No barato, homi!”.

Para a Polícia Federal, esse trecho mostra “familiaridade” com a diretora e “confiança de que ela seria receptiva aos argumentos apresentados”. Poliana ocupou a diretoria financeira da Saúde de Mossoró até julho de 2025. Em março, este blog mostrou que os sócios da Dismed [trataram de pagamento com ela no mesmo dia em que definiram a propina do esquema](https://blogdodina.com/socios-dismed-trataram-pagamento-diretora-allyson/), e que ela foi nomeada pelo prefeito 23 dias depois de trocar mensagens com um dos sócios.

Por que o vídeo sai agora

Na noite desta sexta-feira (18), no debate da TV Ponta Negra, o candidato Robério Paulino (PSOL) citou nominalmente este blog para dizer que existe “um áudio” nas mãos da Polícia Federal em que Allyson Bezerra aparece como destinatário de 15% de propina. [O assunto entrou no horário nobre](https://blogdodina.com/debate-tv-ponta-negra-mederi-15-allyson/) e o candidato pediu direito de resposta ali mesmo.

Uma correção que este blog já fez e repete: não é áudio. A escuta ambiental que a PF instalou dentro da Dismed registrou imagem. É vídeo. O que está aí em cima é a prova disso. E este blog tem mais 37 deles.

O que a máquina não ouviu

As legendas cravadas na imagem reproduzem a transcrição oficial da Polícia Federal, registrada no laudo IPJ 076/2025 — o documento que cataloga os arquivos da escuta ambiental e integra os autos da quebra de sigilo no TRF-5. Não é legenda automática: o reconhecimento de voz por máquina, testado antes pela reportagem, escrevia “se eu fosse o prefeito e eu fosse o lado do rapaz prefeito” no lugar do trecho — e fazia a palavra ladrão desaparecer.

A Operação Mederi segue em investigação.

Com informações do Blog do Dina


VÍDEO: Em Santa Catarina, Lula diz que agro deveria “se ajoelhar” a ele

 



Durante agenda em Florianópolis neste sábado (19), o presidente Lula (PT), candidato à reeleição, afirmou que o agronegócio deveria “se ajoelhar” diante dos recursos destinados pelo governo ao setor. No palanque, Lula chamou Gelson Merísio (PSB), candidato ao governo de Santa Catarina, e sugeriu que ele reúna “o pessoal do agronegócio” no estado para perguntar “por que eles não gostam” deles.

“Por que eles [agro] não gostam de nós? Porque o problema contra nós, acho que é uma questão de pele, porque sou nordestino ou porque eu sou pobre. Porque se dependesse de dinheiro do governo, eles tinham que não só votar, mas se ajoelhar para mim, porque nunca houve tanto dinheiro para a agricultura como agora”, disse o petista.

 

Poder Judiciário registra gasto recorde de R$ 164,6 bilhões em 2025, aponta CNJ

  O Poder Judiciário gastou R$ 164,6 bilhões em 2025, segundo o relatório Justiça em Números, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O valor...