O ministro Flávio Dino foi o grande protagonista da
sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira, 15, que tentou
decidir se o ministro Alexandre de Moraes deve ser investigado pelas suas
ligações com o banqueiro Daniel Vorcaro.
Dino tentou atropelar a presidência de Edson Fachin
ao questionar por diversas vezes as suas decisões, pediu diversos apartes nas
falas de outros ministros e terminou por pedir vistas - adiando por até 90 dias
a análise do caso, quando percebeu que Cármen Lúcia votaria contra a sua
vontade.
Na prática, Dino impede o plenário do STF de passar
a limpo a sua crise interna antes das eleições, e ainda coloca o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva mais próximo do grupo de Alexandre de Moraes. Isso
era tudo que Lula não precisava neste momento de queda nas pesquisas de
intenção de voto.
Lula não está implicado diretamente no caso Master,
ao contrário de Flávio Bolsonaro, que pediu milhões de reais ao banqueiro para
um suposto financiamento de um filme sobre o pai. Ainda assim, o atual
presidente está sendo associado à crise por parte do eleitor, por entender que
há uma ligação direta entre ele e Moraes, que foi o relator da ação penal que
colocou - merecidamente - Bolsonaro na prisão por tentativa de golpe de Estado.
A estratégia de Dino pode ser apostar no vazamento
de informações nos próximos dias, e a pista foi dada quando o ministro citou
conversas entre os ministros Luiz Fux, André Mendonça e Kássio Nunes também com
Vorcaro.
Fux o rebateu, dizendo que nunca falou com o
banqueiro, mas o fato é que o STF precisa avaliar a ligação de todos os seus
ministros com o dono do Master. Isso não impede, contudo, que Moraes puxe a
fila, já que os indícios contra já são conhecidos há muitos meses e bastante
fortes.
Além de um contrato de R$ 130 milhões que o
escritório de sua esposa firmou com o Master, Moraes deve explicar as mensagens
que recebeu do banqueiro, incluindo um suposta aconselhamento para uma fuga do
País, e tornar públicas as suas repostas.
A sessão de terror no STF ainda teve momentos de
descortesia de Gilmar Mendes, que se inflamou contra André Mendonça, apontou o
dedo para o ministro, e o acusou de desfaçatez. Mendes é o retrato mais triste
de um decano que simboliza a perda de credibilidade da Suprema Corte.
A sessão aberta deixou às claras a fissura no STF. O
que permanece obscuro é o ponto principal: as explicações que Moraes precisa
dar sobre suas ligações com o caso Master.
Alvaro Gribel - Estadão
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