O comentarista Carlos Andreazza fala sobre a
contenda no Supremo e do ministro Flávio Dino, que foi o grande protagonista da
sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira, 15, que tentou
decidir se o ministro Alexandre de Moraes deve ser investigado pelas suas
ligações com o banqueiro Daniel Vorcaro.
Dino tentou atropelar a presidência de Edson Fachin
ao questionar por diversas vezes as suas decisões, pediu diversos apartes nas
falas de outros ministros e terminou por pedir vistas - adiando por até 90 dias
a análise do caso, quando percebeu que Cármen Lúcia votaria contra a sua
vontade.
Na prática, Dino impede o plenário do STF de passar
a limpo a sua crise interna antes das eleições, e ainda coloca o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva mais próximo do grupo de Alexandre de Moraes.
Isso era tudo que Lula não precisava neste momento
de queda nas pesquisas de intenção de voto.
No fim, a sessão terminou sem que fosse tomada
nenhuma decisão concreta.
Ainda assim, as discussões e bate-bocas vistos no
plenário sinalizam que, se for julgado um pedido de investigação contra
Alexandre de Moraes, ele pode sair vitorioso - e, portanto, se livrar de ser
alvo de um inquérito por indícios de que mantinha elo com Daniel Vorcaro.
A primeira conclusão trazida da sessão é que hoje a
Corte está matematicamente dividida em duas partes iguais.
Carlos Andreazza - Estadão
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