Além do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), alvo de
ataques petistas após vazamento de seus áudios cobrando patrocínio de um filme
sobre seu pai, também Lula (PT) tem muito a explicar sobre suas relações com o
banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, a quem recebeu sigilosamente,
fora da agenda, para uma longa reunião em 4 de dezembro de 2024, na qual
aconselhou o banqueiro a não vender o Banco Master ao BTG Pactual, de André
Esteves.
Depois do conselho que Vorcaro considerou animador,
após haver exposto as dificuldades do seu banco, Lula ainda o tranquilizou
sobre o futuro, garantindo que tudo mudaria para melhor com a posse de Gabriel
Galípolo na presidência do Banco Central, dali a algumas semanas. Galípolo
também participou ao menos de parte dessa reunião, que foi agendada pelo
petista Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda de Dilma Rousseff (PT) contratado
pelo banqueiro “a pedido do Palácio do Planalto”, como já se divulgou.
Esses detalhes da reunião secreta de Lula com
Vorcaro foram mencionados neste domingo (17) em reportagem do Poder360. De
acordo com o site, Lula aconselhou Vorcaro “a não vender o Banco Master por um
valor simbólico para o BTG Pactual, de André Esteves”. E confirmou que o
conselho foi dado pessoalmente por Lula a Vorcaro na reunião no Palácio do
Planalto, em 4 de dezembro de 2024.
Também os jornalistas Fabio Serapião e Natália
Portinari, do UOL, divulgaram neste domingo informações sobre o plano inicial
cogitado por Vorcaro, com base em documento obtido pela Polícia Federal. De
acordo com a publicação, o banqueiro pediu um conselho a Lula desta maneira:
“O BTG, de André Esteves, quer comprar meu banco por
R$ 1. Eu não quero confusão. Devo vender ou seguir no mercado? Nós queremos
reduzir a concentração bancária do Brasil, presidente”.
Segundo o relato, Lula ouviu e respondeu “usando alguns
palavrões para se referir ao então presidente do Banco Central, Roberto Campos
Neto, cujo mandato terminaria alguns dias depois”. E que “houve críticas também
direcionadas a André Esteves, chairman, sócio sênior e acionista controlador do
BTG Pactual.” Esteves sempre foi próximo a Lula, o que custou caro ao
banqueiro, que até chegou a ser preso na Operação Lava Jato. Na sequência, Lula
aconselhou a Vorcaro para que seguir com seu banco, sem aceitar a proposta do
BTG.
Vorcaro fez “gentilezas” ao governo Lula
Além da contratação de Guido Mantega como
“consultor” (como em Brasília denminam os lobistas) por R$1 milhão mensais,
Daniel Vorcaro fez outras gentilezas a Lula e a seus amigos e aliados, como
contratar o escritório de advocacia do ex-ministro da Justiça Ricardo
Lewandowski.
Outra “gentileza” de Vorcaro foi comprar
participação majoritária da Biomm, fabricante de insulina de propriedade da
família de Walfrido dos Mares Guia, ex-ministro e amigo pessoal de Lula. As
dívidas milionárias do laboratório atormentavam Mares Guia e familiares até
Vorcaro entrar no negócio.
Na nova composição acionária da Biomm, também já
objeto de reportagem do Poder360, o fundo Cartago, de Vorcaro, é o maior
acionista do laboratório, com 25,86%, enquanto a empresa Samos, de Mares Guia,
tem apenas 8,24%. Todos os demais sócios são minoritários com participações de
até 9,71% (Lab Fia). Ou seja, Vorcaro controla a empresa.
A reinauguracão da Biomm ocorreu em abril de 2024,
quase oito meses antes da reunião secreta de Lula com Vorcaro, com a presença
de Lula e comitiva de peso, como a então ministra da Saúde, Nîsia Trindade, e
Alexandre Padrilha, que a substituiria no cargo. Na época, Padilha era ministro
de Relações Institucionais. Na sequência, o laboratório ganharia um contrato
lotérico com o Ministério da Saúde de mais de R$300 milhões.
A presença da comitiva presidencial deu peso
significativo à inauguração, mas, curiosamente, Vorcaro não apareceu: ele
preferiu estar em Londres para outro evento patrocinado pelo Banco Master.
Naqueles dias, ocorreria também a degustação de uísque Macallan e charutos em
um exclusivo clube londrino, com a presença de três ministros do Supremo
Tribunal Federal, três ministros do Superior Tribunal de Justiça, ministros de
Lula como Ricardo Lewandowsky, o procurador Geral da República e o diretor da
Polícia Federal. Vorcaro também pagou a conta da degustação, equivalente a
R$6,3 milhões.

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