segunda-feira, 27 de abril de 2026

A reforma que nunca acaba: CTQ do Walfredo Gurgel acumula dois anos de promessas e crianças pagam o preço

 


O Centro de Tratamento de Queimados do Hospital Walfredo Gurgel, em Natal, acumula dois anos de obras paralisadas, contratos rescindidos, promessas de retomada e prazos descumpridos, enquanto crianças com queimaduras graves são internadas em condições que entidades médicas classificaram como as piores da história da unidade. O setor, único especializado no Rio Grande do Norte, virou símbolo do colapso da saúde pública estadual sob a gestão do governo Fátima Bezerra.

A cronologia do descaso é reveladora. Em agosto de 2024, uma reforma foi iniciada com prazo de três meses. A empresa abandonou a obra. Em agosto de 2025, cinco entidades médicas fizeram uma denúncia pública após vistoria. O governo prometeu contratar nova empresa em 60 dias por dispensa de licitação, com R$ 1,8 milhão de emenda parlamentar. Em dezembro de 2025, uma nova ordem de serviço foi assinada, agora com R$ 1,28 milhão. Em abril de 2026, a ala pediátrica do CTQ continua com infiltrações, paredes expostas, teto danificado e sem climatização.

O padrão se repete: a cada denúncia pública, o governo reage com visitas técnicas, anúncios de contratação emergencial e promessas de prazo. O problema é que os prazos nunca são cumpridos e as crianças continuam pagando o preço. Enquanto a gestão estadual fala em "desmembrar obras para agilizar a execução", famílias levam ventiladores de casa que são barrados na porta do hospital. Enquanto secretários assinam ordens de serviço para fotos, crianças queimadas suam em ambientes sem janela.

O Hospital Walfredo Gurgel, maior unidade de urgência e emergência do estado, já enfrentou em março de 2026 a suspensão de cirurgias ortopédicas por falta de repasses financeiros do governo estadual. O CTQ é apenas a face mais cruel de um problema sistêmico. A saúde pública do Rio Grande do Norte está em colapso e quem paga a conta mais alta são os pacientes mais vulneráveis: crianças que chegam ao hospital queimadas e encontram, no lugar de cuidado, mais sofrimento.

Esse texto foi copiado do Blog do Gustavo Negreiros

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