O Centro de Tratamento de Queimados do Hospital
Walfredo Gurgel, em Natal, acumula dois anos de obras paralisadas, contratos
rescindidos, promessas de retomada e prazos descumpridos, enquanto crianças com
queimaduras graves são internadas em condições que entidades médicas
classificaram como as piores da história da unidade. O setor, único
especializado no Rio Grande do Norte, virou símbolo do colapso da saúde pública
estadual sob a gestão do governo Fátima Bezerra.
A cronologia do descaso é reveladora. Em agosto de 2024,
uma reforma foi iniciada com prazo de três meses. A empresa abandonou a obra.
Em agosto de 2025, cinco entidades médicas fizeram uma denúncia pública após
vistoria. O governo prometeu contratar nova empresa em 60 dias por dispensa de
licitação, com R$ 1,8 milhão de emenda parlamentar. Em dezembro de 2025, uma
nova ordem de serviço foi assinada, agora com R$ 1,28 milhão. Em abril de 2026,
a ala pediátrica do CTQ continua com infiltrações, paredes expostas, teto
danificado e sem climatização.
O padrão se repete: a cada denúncia pública, o
governo reage com visitas técnicas, anúncios de contratação emergencial e
promessas de prazo. O problema é que os prazos nunca são cumpridos e as
crianças continuam pagando o preço. Enquanto a gestão estadual fala em "desmembrar
obras para agilizar a execução", famílias levam ventiladores de casa que
são barrados na porta do hospital. Enquanto secretários assinam ordens de
serviço para fotos, crianças queimadas suam em ambientes sem janela.
O Hospital Walfredo Gurgel, maior unidade de
urgência e emergência do estado, já enfrentou em março de 2026 a suspensão de
cirurgias ortopédicas por falta de repasses financeiros do governo estadual. O
CTQ é apenas a face mais cruel de um problema sistêmico. A saúde pública do Rio
Grande do Norte está em colapso e quem paga a conta mais alta são os pacientes
mais vulneráveis: crianças que chegam ao hospital queimadas e encontram, no
lugar de cuidado, mais sofrimento.
Esse texto foi copiado do Blog do Gustavo Negreiros

Nenhum comentário:
Postar um comentário