O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas
(Republicanos), disse neste fim de semana que "há lideranças
envelhecidas" na política brasileira que "não percebem a hora de
parar". Não citou nomes. Não precisou. O presidente Lula, de 80 anos, que
busca a reeleição para um quarto mandato, é o alvo mais óbvio da frase.
Tarcísio, de 51 anos, não é candidato em 2026. Abriu
mão da disputa presidencial para apoiar Flávio Bolsonaro e buscar a reeleição
em São Paulo, onde lidera com folga. Mas a declaração não é de quem se
conformou com o papel de coadjuvante. É de quem está se posicionando para 2030,
plantando a narrativa de renovação geracional que pode ser o eixo de uma futura
candidatura.
A frase também pressiona a esquerda. Lula lidera o
primeiro turno, mas empata no segundo e carrega 48% de rejeição. A questão da
idade e da saúde, que o PT tenta evitar, foi colocada na mesa por um adversário
que sabe exatamente o que está fazendo.
Tarcísio pode não estar na corrida de 2026, mas já
está correndo. A declaração é um investimento de longo prazo feito por um
político que aprendeu que, na política brasileira, a paciência costuma ser mais
rentável que a pressa.

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