segunda-feira, 27 de abril de 2026

Tarcísio não cita Lula, mas todo mundo entende o recado: "há lideranças envelhecidas, que não percebem a hora de parar"

 


O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), disse neste fim de semana que "há lideranças envelhecidas" na política brasileira que "não percebem a hora de parar". Não citou nomes. Não precisou. O presidente Lula, de 80 anos, que busca a reeleição para um quarto mandato, é o alvo mais óbvio da frase.

Tarcísio, de 51 anos, não é candidato em 2026. Abriu mão da disputa presidencial para apoiar Flávio Bolsonaro e buscar a reeleição em São Paulo, onde lidera com folga. Mas a declaração não é de quem se conformou com o papel de coadjuvante. É de quem está se posicionando para 2030, plantando a narrativa de renovação geracional que pode ser o eixo de uma futura candidatura.

A frase também pressiona a esquerda. Lula lidera o primeiro turno, mas empata no segundo e carrega 48% de rejeição. A questão da idade e da saúde, que o PT tenta evitar, foi colocada na mesa por um adversário que sabe exatamente o que está fazendo.

Tarcísio pode não estar na corrida de 2026, mas já está correndo. A declaração é um investimento de longo prazo feito por um político que aprendeu que, na política brasileira, a paciência costuma ser mais rentável que a pressa.

 

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