A ala pediátrica do Centro de Tratamento de
Queimados (CTQ) do Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, em Natal, apresenta
graves irregularidades estruturais que colocam em risco a vida de crianças
internadas. Segundo denúncias, o setor sofre com infiltrações e entrada de
água, paredes expostas e improvisadas, teto danificado com fios aparentes e instalações
elétricas precárias.
O cenário é o capítulo mais recente de uma crise que
se arrasta há anos. Em agosto de 2024, uma reforma foi iniciada no CTQ com
prazo previsto de três meses. A empresa contratada descumpriu o cronograma e
abandonou a obra. Em agosto de 2025, entidades médicas como o Sindicato dos
Médicos do RN (Sinmed) e o Conselho Regional de Medicina (Cremern) realizaram
vistoria conjunta e denunciaram publicamente o abandono do centro,
classificando a situação como a pior da história da unidade. O coordenador do
CTQ, o médico Marco Almeida, chegou a declarar que o centro "nunca chegou
à situação que está hoje" e que "chegamos ao fundo do poço".
Em dezembro de 2025, o Governo do Estado assinou uma
nova ordem de serviço para retomar as obras, com investimento de R$ 1,28
milhão. As obras deveriam começar "na semana seguinte", segundo o
secretário de Saúde, Alexandre Motta. Quatro meses depois, em abril de 2026, as
denúncias mostram que a ala pediátrica continua caindo aos pedaços. A pergunta
que se impõe é: o que foi feito do dinheiro e do prazo prometido?
O CTQ já operou com 20 leitos e hoje funciona com
apenas 16. O ambulatório foi transferido para dentro de uma enfermaria, a sala
de reabilitação virou depósito e pacientes são acomodados em áreas
improvisadas. A escassez de insumos, roupas cirúrgicas e profissionais completa
o quadro de colapso. Para um setor que é referência estadual e atende pacientes
graves de todos os 167 municípios do Rio Grande do Norte, a situação não é
apenas uma falha de gestão: é uma sentença.
Esse texto foi copiado do Blog do Gustavo Negreiros

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