A Fictor Holding Financeira entrou com um pedido de
recuperação judicial. A instituição havia tentado comprar o Banco Master em
novembro de 2025, antes do Banco Central determinar a liquidação extrajudicial
do banco de Daniel Vorcaro.
No pedido de recuperação judicial, a Fictor cita a
repercussão midiática negativa envolvendo o nome do grupo após a tentativa de
aquisição do Banco Master como a origem da crise que provocou um descompasso
temporário nos seus fluxos operacionais e a rescisão contratual de fornecedores
de serviços.
Após a autoridade monetária ter decretado a
liquidação do Banco Master em 18 de novembro, o consórcio de investidores
globais liderado pela Fictor Holding Financeira suspendeu a tentativa de
compra. A operação incluía o aporte imediato de R$ 3 bilhões destinados ao
fortalecimento da estrutura de capital da instituição financeira de Daniel
Vorcaro.
Durante o mês de dezembro, a Fictor verificou
impacto direto das notícias no valor de mercado das companhias do grupo. As
ações da Fictor Alimentos S.A., empresa subsidiária do grupo listada na B3,
apresentaram queda aproximada de 50% desde o dia 17 de novembro até 1° de fevereiro,
informou a instituição ao Poder Judiciário.
"Ao longo do mês de dezembro de 2025, a Fictor
passou a ser alvo de intensa exposição negativa na imprensa, com reportagens,
colunas de bastidores e análises que passaram a questionar a própria consistência
da operação anunciada, bem como o suposto papel do grupo no contexto da crise
que envolvia o banco", diz o grupo no pedido.
Segundo a instituição, a repercussão negativa
motivou parceiros, fornecedores, clientes e sócios da Fictor e suas
subsidiárias a adotarem uma postura mais cautelosa em relação ao grupo, o que
se refletiu em um volume atípico de solicitações de retirada nos contratos de
Sociedade em Conta de Participação.
"Diversos fornecedores e stakeholders
solicitaram esclarecimentos sobre a estrutura do Grupo Fictor, incluindo
beneficiários finais, vínculos societários e informações detalhadas sobre a
possível aquisição do Banco Master, bem como sobre as diligências realizadas,
pareceres que embasaram a operação, medidas de mitigação de riscos, eventuais
impactos para as empresas subsidiárias, existência de exposições diretas ou
indiretas a ativos relacionados, plano de contingência e a presença de vínculos
com instituições financeiras, pessoas politicamente expostas ou indivíduos
sujeitos a sanções", diz.
No documento, a Fictor diz ter recebido R$ 3 bilhões
em aportes por meio dos sócios participantes até 17 de novembro, um dia antes
da liquidação do Banco Master. A partir desta data, o grupo relata ter
verificado pedidos de retirada que alcançaram, até 31 de janeiro, valor próximo
de 71,38% do montante aportado inicialmente.
"Após tantas notícias suscitando a crise
financeira do Grupo Fictor, cumulado à notícia do bloqueio de R$ 150.000.000,00
em contas, gerou-se um pânico generalizado nos sócios participantes, que, com
medo de não receberem por seus pedidos de retirada, passaram a ajuizar ações
contra o Grupo, realizando pedidos de arresto cautelar similares", diz.
A Fictor afirmou também que já tem conhecimento
sobre diversos processos individuais nos quais foram formulados pedidos de
arresto cautelar similares e constrição patrimonial, que tem potencial de
atingir ativos que são essenciais à continuidade das suas atividades
empresariais. No documento, a empresa menciona três processos, cuja somatória
de valores dos pedidos de arresto superam R$ 800 mil.
O Grupo Fictor atua nos setores de infraestrutura e
alimentos, além do financeiro. Com um portfólio de mais de 30 empresas, está
presente no Brasil, Estados Unidos e Europa.
CNN Brasil

Nenhum comentário:
Postar um comentário