segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Grupo Fictor, que tentou comprar Banco Master, pede recuperação judicial

 


A Fictor Holding Financeira entrou com um pedido de recuperação judicial. A instituição havia tentado comprar o Banco Master em novembro de 2025, antes do Banco Central determinar a liquidação extrajudicial do banco de Daniel Vorcaro.

No pedido de recuperação judicial, a Fictor cita a repercussão midiática negativa envolvendo o nome do grupo após a tentativa de aquisição do Banco Master como a origem da crise que provocou um descompasso temporário nos seus fluxos operacionais e a rescisão contratual de fornecedores de serviços.

Após a autoridade monetária ter decretado a liquidação do Banco Master em 18 de novembro, o consórcio de investidores globais liderado pela Fictor Holding Financeira suspendeu a tentativa de compra. A operação incluía o aporte imediato de R$ 3 bilhões destinados ao fortalecimento da estrutura de capital da instituição financeira de Daniel Vorcaro.

Durante o mês de dezembro, a Fictor verificou impacto direto das notícias no valor de mercado das companhias do grupo. As ações da Fictor Alimentos S.A., empresa subsidiária do grupo listada na B3, apresentaram queda aproximada de 50% desde o dia 17 de novembro até 1° de fevereiro, informou a instituição ao Poder Judiciário.

"Ao longo do mês de dezembro de 2025, a Fictor passou a ser alvo de intensa exposição negativa na imprensa, com reportagens, colunas de bastidores e análises que passaram a questionar a própria consistência da operação anunciada, bem como o suposto papel do grupo no contexto da crise que envolvia o banco", diz o grupo no pedido.

Segundo a instituição, a repercussão negativa motivou parceiros, fornecedores, clientes e sócios da Fictor e suas subsidiárias a adotarem uma postura mais cautelosa em relação ao grupo, o que se refletiu em um volume atípico de solicitações de retirada nos contratos de Sociedade em Conta de Participação.

"Diversos fornecedores e stakeholders solicitaram esclarecimentos sobre a estrutura do Grupo Fictor, incluindo beneficiários finais, vínculos societários e informações detalhadas sobre a possível aquisição do Banco Master, bem como sobre as diligências realizadas, pareceres que embasaram a operação, medidas de mitigação de riscos, eventuais impactos para as empresas subsidiárias, existência de exposições diretas ou indiretas a ativos relacionados, plano de contingência e a presença de vínculos com instituições financeiras, pessoas politicamente expostas ou indivíduos sujeitos a sanções", diz.

No documento, a Fictor diz ter recebido R$ 3 bilhões em aportes por meio dos sócios participantes até 17 de novembro, um dia antes da liquidação do Banco Master. A partir desta data, o grupo relata ter verificado pedidos de retirada que alcançaram, até 31 de janeiro, valor próximo de 71,38% do montante aportado inicialmente.

"Após tantas notícias suscitando a crise financeira do Grupo Fictor, cumulado à notícia do bloqueio de R$ 150.000.000,00 em contas, gerou-se um pânico generalizado nos sócios participantes, que, com medo de não receberem por seus pedidos de retirada, passaram a ajuizar ações contra o Grupo, realizando pedidos de arresto cautelar similares", diz.

A Fictor afirmou também que já tem conhecimento sobre diversos processos individuais nos quais foram formulados pedidos de arresto cautelar similares e constrição patrimonial, que tem potencial de atingir ativos que são essenciais à continuidade das suas atividades empresariais. No documento, a empresa menciona três processos, cuja somatória de valores dos pedidos de arresto superam R$ 800 mil.

O Grupo Fictor atua nos setores de infraestrutura e alimentos, além do financeiro. Com um portfólio de mais de 30 empresas, está presente no Brasil, Estados Unidos e Europa.

CNN Brasil

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário