Felipe Salustino
Repórter
Os municípios de Natal, Parnamirim, São Gonçalo do
Amarante, Macaíba e Extremoz foram os que registraram o melhor desempenho na
geração de empregos formais no Rio Grande do Norte em 2025, puxados por setores
como serviços, comércio e indústria. Por outro lado, as cidades potiguares que mais
perderam vagas de emprego, ou seja, onde o número de demissões superou o de
contratações, foram Mossoró, Assú, Currais Novos, São José do Seridó e Espírito
Santo. Nesses municípios, os setores que apresentaram maior retração no número
de vagas foram construção, indústria e serviços. Os dados estão disponíveis no
Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged).
A capital potiguar encerrou 2025 na liderança
estadual da geração de empregos, com saldo positivo de 7.108 novas vagas,
resultado de 106.671 admissões e 99.563 demissões. O grande destaque foi a
indústria, que registrou saldo de 3.724 novas vagas na cidade.
Em segundo lugar no RN, Parnamirim ficou com saldo
geral de 2.167 postos criados. O setor que se sobressaiu foi o de serviços, com
1.339 novas vagas. Em São Gonçalo do Amarante, a construção foi o grande
destaque, com a abertura de 1.132 novos postos – o saldo total do município foi
de 1.800 empregos.
Já Macaíba, que ficou em 4º lugar, totalizou saldo
positivo de 1.070 vagas, sendo os serviços o setor de maior destaque, com 459
postos novos. Fechando o top cinco dos maiores geradores de empregos do RN no
ano passado, a cidade de Extremoz registrou um saldo total de 535 postos,
puxados pela construção, com 259 empregos formais.
A reportagem procurou os municípios de Natal,
Parnamirim e São Gonçalo do Amarante para entender o cenário de cada região.
Apenas São Gonçalo do Amarante respondeu, afirmando que a construção ganhou
destaque impulsionada por obras públicas, investimentos em infraestrutura
urbana e empreendimentos imobiliários privados.
“A geração de empregos formais é um indicador
importante da retomada do crescimento econômico. Os números mostram que estamos
novamente nos consolidando como um polo de oportunidades, fruto do trabalho de
planejamento, dos investimentos públicos e da confiança do setor privado”,
avalia o prefeito Jaime Calado.
Por outro lado, Mossoró, que registrou o pior saldo
entre os municípios potiguares, teve o desempenho puxado pelos serviços, setor
que fechou 2.592 vagas. No entanto, o desempenho final do município (-1.393)
foi compensado por outras atividades, especialmente a agropecuária, que teve
saldo positivo de 361 postos. Em nota, a Prefeitura de Mossoró disse acompanhar
de perto os dados e afirmou que “continua trabalhando para incentivar o
crescimento econômico, apoiando os empreendedores, visando ampliar as
oportunidades de emprego na cidade”.
Além dos números do Caged, o secretário-adjunto de
Desenvolvimento Econômico do RN, Hugo Fonseca, explicou que o resultado de
Mossoró pode estar ligado à perda relativa de competitividade da circunscrição
municipal frente a outros polos da região, especialmente em setores
estratégicos.
“Atividades ligadas à cadeia de petróleo e gás,
historicamente relevantes para a economia mossoroense, passaram a se instalar
em municípios vizinhos, reduzindo a capacidade local de geração de emprego e
renda”, disse.
Outros municípios com saldo negativo
Em Assú, que registrou o segundo maior saldo
negativo de empregos do RN em 2025, a construção, com -1.435 vagas, puxou o
resultado para baixo. Do mesmo modo que em Mossoró, setores como serviços e
agropecuária ajudaram a compensar as perdas totais, resultando em um saldo
final de -1.284 postos. Em nota, a Prefeitura esclareceu que o impacto liderado
pela construção deveu-se ao encerramento da fase de obras da usina de energia
solar do Consórcio Assú.
“Durante o período de implantação, o empreendimento
chegou a empregar cerca de 2 mil trabalhadores. Com a conclusão das obras, a
usina passou para a etapa de operação e manutenção, que demanda um número bem
menor de profissionais, o que naturalmente gerou um volume significativo de
desligamentos e refletiu nos dados do Caged. Para 2026, há a expectativa da
chegada de um novo empreendimento do setor energético que poderá voltar a
impulsionar a geração de empregos na fase de construção. No entanto, o
cronograma de início das obras ainda depende de confirmações por parte da
empresa”, disse a prefeitura.
Em Currais Novos, novamente a construção, com -996
postos de trabalho em 2025, refletiu o saldo total, que ficou negativo, em -705
vagas. Setores como serviços, com saldo positivo de 179 novos postos, e
comércio, com 123, compensaram os efeitos no resultado final. O município não
respondeu aos contatos da reportagem para comentar os dados.
Em São José do Seridó, com saldo total de -209
empregos, o resultado foi puxado pela indústria (-214), mas com impactos
positivos da agropecuária, serviços e comércio, que ajudaram a amenizar os
impactos no saldo final.
Hugo Fonseca, da Sedec, afirmou que São José do
Seridó teve como um dos maiores fatores para os números apresentados a
finalização de contratos temporários, principalmente ligados ao setor
industrial e também à mão de obra na agricultura.
Por fim, em Espírito Santo, com -168 vagas, os
serviços puxaram a queda, com -168 postos. A reportagem não conseguiu contato
com o município.
Comportamento da Região Metropolitana
Para Marcelo Queiroz, presidente da Federação do
Comércio de Bens, Serviços e Turismo do RN (Fecomércio-RN), a Região
Metropolitana de Natal (RMN) “se comportou bem em 2025 em termos de geração de
empregos”, puxado, na avaliação dele, pelo desempenho da capital. “Natal
liderou a geração de empregos e, quando a capital vai bem, os municípios da RMN
costumam também ir bem, principalmente no setor de comércio e serviços”,
pontuou Queiroz.
“Ressaltamos ainda que nos municípios da Grande
Natal há uma parcela significativa da população que reside e faz suas compras e
consumo de serviços nas cidades. Além do que, são nesses municípios que estão
localizados grande parte dos fornecedores de produtos e serviços, por ter menor
custo de locação ou aquisição de terreno”, acrescentou Marcelo Queiroz ao
comentar, ainda, sobre o fato de os serviços terem liderado os resultados
negativo em Mossoró e em Espírito Santo.
“Em Mossoró, o resultado foi determinado pelo saldo
de demissões em facilities (-2.216) e call center (-991). Já em Espírito Santo,
o resultado negativo decorreu pelo fechamento de vagas na atividade de
fornecimento e gestão de Recursos Humanos para terceiros (-167)”, detalhou.
Para 2026, de acordo com o presidente da
Fecomércio-RN, o Rio Grande do Norte, que em geral registrou saldo positivo de
15.870 empregos formais em 2025, deve seguir crescendo, puxado pelos setores de
comércio, serviços e turismo. “A expectativa é que, com a queda da inflação e
da taxa de juros, haverá um desenvolvimento desses setores e manutenção da
geração de empregos”, finalizou Queiroz.
Desempenho da Indústria
De acordo com análise do Observatório da Indústria
Mais RN, núcleo ligado à Fiern, no acumulado de 2025 a indústria representou
31,7% de todas as novas vagas geradas no RN. De um total de 15.870 postos
formais no Estado, o setor respondeu por 5.036. Os destaques ficaram por conta
de Natal (3.724 vagas), Macaíba (384), Mossoró (317), Parnamirim (219) e São
Gonçalo do Amarante (48).
“Os dados confirmam a centralidade dos polos
industriais do estado, quais sejam, Região Metropolitana de Natal e Mossoró,
que sozinhos respondem por quase 93% das vagas geradas. Esta é uma tendência
que se confirma quando analisamos os dados desde 2023, ainda que cada município
apresente dinâmicas industriais e especificidades próprias”, destacou o
observatório.
Ainda segundo o núcleo, “considerando fatores
macroeconômicos e ponderando com o Índice de Confiança do Empresário Industrial
(ICEI), há elevação de confiança para os próximos seis meses que, se se
confirmar a queda prevista para taxa básica de juros, poderá surtir efeitos
positivos para a indústria”.
Top 5 Saldo de empregos no RN em 2025
Cidades que mais criaram vagas
1º – Natal – 7.108
2º – Parnamirim – 2.167
3º – São Gonçalo do Amarante – 1.800
4º – Macaíba – 1.070
5º – Extremoz – 535
Cidades que mais perderam vagas
1º – Mossoró (-1.393)
2º – Assú (-1.284)
3º – Currais Novos (-705)
4º – São José do Seridó (-209)
5º – Espírito Santo (-169)

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