Documentos produzidos pela Embaixada do Brasil em
Caracas e enviados ao Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) têm sido
alvo de críticas na imprensa e no meio político por reproduzirem informações
favoráveis ao governo venezuelano, liderado por Nicolás Maduro, sem um contexto
crítico ou questionador. Trechos desses telegramas, obtidos por meio da Lei de
Acesso à Informação, foram publicados na Coluna Claudio Humberto, do Diário do
Poder, e apontados como vexatórios por críticos da atuação diplomática
brasileira.
Entre os exemplos citados está uma comunicação de 29
de julho de 2025 que faz referência a projeções de crescimento econômico na
Venezuela — mencionando um suposto “crescimento por 17 trimestres consecutivos”
e expansão de 9% do PIB — mesmo diante de relatos amplamente divulgados de
dificuldades econômicas e sociais no país vizinho.
Os críticos afirmam que as mensagens se limitam a
copiar e retransmitir relatos sobre eventos considerados favoráveis ao regime
chavista, como atividades de turismo ou celebrações, e que isso teria pouco
valor analítico. Um dos telegramas chegou a ser comparado a um press-release
por reproduzir, sem análise, notícias produzidas pelo próprio governo
venezuelano.
Especialistas em relações internacionais e
diplomacia ouvidos nos bastidores afirmam que a divulgação desses documentos
intensifica o debate sobre o papel do Itamaraty e a forma como o Brasil
acompanha desenvolvimentos em Caracas, sobretudo em meio a tensões regionais e
negociações multilaterais envolvendo Caracas e Brasília. O governo brasileiro
tem buscado manter canais de diálogo com a Venezuela, inclusive em fóruns
regionais, mas também tem enfrentado desafios diplomáticos mais amplos na
relação bilateral.
Com informações do Diário do Poder

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