segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Críticas a “telegramas” sobre Venezuela geram debate sobre atuação do Itamaraty

 


Documentos produzidos pela Embaixada do Brasil em Caracas e enviados ao Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) têm sido alvo de críticas na imprensa e no meio político por reproduzirem informações favoráveis ao governo venezuelano, liderado por Nicolás Maduro, sem um contexto crítico ou questionador. Trechos desses telegramas, obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação, foram publicados na Coluna Claudio Humberto, do Diário do Poder, e apontados como vexatórios por críticos da atuação diplomática brasileira.

Entre os exemplos citados está uma comunicação de 29 de julho de 2025 que faz referência a projeções de crescimento econômico na Venezuela — mencionando um suposto “crescimento por 17 trimestres consecutivos” e expansão de 9% do PIB — mesmo diante de relatos amplamente divulgados de dificuldades econômicas e sociais no país vizinho.

Os críticos afirmam que as mensagens se limitam a copiar e retransmitir relatos sobre eventos considerados favoráveis ao regime chavista, como atividades de turismo ou celebrações, e que isso teria pouco valor analítico. Um dos telegramas chegou a ser comparado a um press-release por reproduzir, sem análise, notícias produzidas pelo próprio governo venezuelano.

Especialistas em relações internacionais e diplomacia ouvidos nos bastidores afirmam que a divulgação desses documentos intensifica o debate sobre o papel do Itamaraty e a forma como o Brasil acompanha desenvolvimentos em Caracas, sobretudo em meio a tensões regionais e negociações multilaterais envolvendo Caracas e Brasília. O governo brasileiro tem buscado manter canais de diálogo com a Venezuela, inclusive em fóruns regionais, mas também tem enfrentado desafios diplomáticos mais amplos na relação bilateral.

Com informações do Diário do Poder

 

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