O futebol está longe de ser uma ciência exata.
Continua sendo fascinante justamente porque o mais fraco sempre pode derrotar o
favorito — um resultado inesperado que ganhou o apelido de “zebra”. Ainda
assim, por trás da magia do improvável existe o mapa de desempenho das equipes,
de onde os matemáticos retiram os dados para calcular probabilidades. E, no
caso do ABC, elas são cruéis: a chance de rebaixamento hoje beira os 90%.
Se fosse em outros esportes, como vôlei ou basquete,
onde na maioria das vezes os melhores vencem, o clube potiguar já estaria
praticamente com as malas prontas para desembarcar na Série D em 2026. Mas em
se tratando de futebol… aqui habita a ciência do improvável — e, não muito
raro, o inimaginável acontece.
Para se salvar, o ABC entrará na 19ª rodada
precisando de duas grandes zebras. A primeira é vencer em Natal, algo que não
acontece há cinco meses e meio no Frasqueirão. O adversário da vez é o
Itabaiana, rival direto na luta contra o rebaixamento, que também briga pelos
três pontos para escapar da “degola”. Vale salientar que: o empate fará a dupla
morrer abraçada.
O maior obstáculo, porém, não está no adversário,
mas no fato de a equipe potiguar acreditar que pode voltar a vencer em casa.
Nem Evaristo Piza, nem Rodrigo Santana conseguiram quebrar essa barreira.
Agora, a missão — vista por muitos como um verdadeiro milagre — está nas mãos
do auxiliar-técnico Jonydei Tostão.
A segunda zebra é ainda mais complexa: o ABC precisa
torcer para que o Botafogo-PB, que ainda sonha com vaga na segunda fase,
derrote o Anápolis, fora de casa. Em termos de grandeza, o resultado não seria
nenhum absurdo, mas o mapa de desempenho mostra o tamanho do desafio. O time
goiano não perde no estádio Jonas Duarte desde 19 de abril, quando caiu por 1 a
0 diante do Ituano. Desde então, acumulou quatro empates e vem de três vitórias
consecutivas como mandante.
Enquanto isso, no mesmo período, o Botafogo-PB fez
sete jogos como visitante e venceu apenas uma vez — justamente contra o Ituano,
em 19 de julho. Perdeu para Guarani, Figueirense, Itabaiana e CSA, além de
empatar com Maringá e Ypiranga.
Ainda assim, o que mantém o futebol como o esporte
mais amado do planeta é o fato de continuar sendo uma caixinha de surpresas,
onde a lógica pode ruir a qualquer instante.
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