A fuga de 11 presos da Penitenciária Estadual
Rogério Coutinho Madruga, conhecida como Pavilhão 5 do Complexo de Alcaçuz, em
Nísia Floresta, ganhou um novo desdobramento. Em vídeo divulgado após a
ocorrência, a presidente do sindicato que representa a categoria, Vilma
Batista, fez críticas às condições do sistema penitenciário do Rio Grande do
Norte e afirmou que problemas de segurança já vinham sendo alertados pela
entidade.
A fuga aconteceu por volta das 5h30 desta
sexta-feira (31). De acordo com a Secretaria de Estado da Administração
Penitenciária (Seap), 13 internos conseguiram deixar a cela. Dois foram
recapturados ainda dentro da penitenciária e 11 conseguiram escapar.
Segundo informações sobre a ocorrência, os detentos
utilizaram um túnel para a fuga. Entre os fugitivos estariam presos apontados
como lideranças de organização criminosa.
Para Vilma Batista, a situação traz riscos que vão
além do sistema prisional. “Muito preocupante, não só para a área de
segurança, como para a sociedade, que vai amargar um preço alto por isso”,
afirmou.
Sindicato aponta problemas na estrutura
No vídeo, Vilma afirma que o sindicato já vinha
fazendo alertas sobre as condições das unidades prisionais. Entre os problemas
citados por ela estão baixo efetivo, guaritas desativadas, coletes com prazo de
validade vencido e dificuldades no funcionamento e monitoramento das câmeras de
segurança.
A presidente da entidade também afirmou que,
especificamente no ponto utilizado na fuga, não haveria câmera de vigilância.
“Enquanto isso, nós continuamos no sistema
penitenciário com coletes vencidos, câmeras sem o devido funcionamento, sem
condições de monitoramento, guaritas desativadas, baixo efetivo”, declarou.
A declaração sobre a ausência de câmera no ponto da
fuga é uma afirmação do sindicato. Em nota oficial, a Seap informou que
policiais responsáveis pelo sistema de videomonitoramento perceberam pelas
imagens o momento em que os presos acessaram a área externa da penitenciária.
Vilma Batista também comparou o episódio ao cenário
vivido pelo sistema prisional potiguar nos últimos anos. Segundo ela, desde
2017 o estado não enfrentava episódios dessa natureza envolvendo fugas, motins
ou rebeliões. “Desde 2017 que a gente não tinha fuga, rebelião, motim.
Mas, com o modelo de gestão atual, infelizmente, o retrocesso está aí”,
criticou.
A sindicalista também questionou políticas de gestão
de vagas e desencarceramento e citou o Pena Justa, plano nacional voltado ao
enfrentamento de problemas estruturais do sistema prisional. As declarações
representam o posicionamento da entidade sindical sobre o tema.
Outro ponto levantado foi a relação entre policiais
penais e a própria administração penitenciária. Vilma afirmou que os servidores
que trabalham diretamente nas unidades acabam responsabilizados por problemas
estruturais que, na avaliação do sindicato, dependem de investimentos e
decisões administrativas.
Em nota, a Seap informou que as forças de segurança
realizam diligências para localizar e recapturar os 11 fugitivos.
A secretaria também afirmou que as circunstâncias da
fuga serão investigadas por meio de procedimento administrativo.
Os presos procurados são Cleidson Martins Dantas,
Thiago da Silva Maia Braga, Diogo da Luz Silva, Isaac Donato Rodrigues, Kaio do
Nascimento Gomes, Tiago Nogueira da Silva, Petrúcio Railande dos Santos,
Jackson Matheus Martins Simões, Jonatas Ferreira Isis Dorea da Silva, Eliandson
Luciano de Lima e Julianderson Francisco Nogueira.
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